Querido Helcio, Sinceramente, foram dois dias pensando em alguém que tenha tido uma participação significativa na minha vida, tenha se afastado, que tenha feito bastante falta, e que merecesse uma carta. Pode parecer difícil de entender mas pra mim faz sentido, porque tinha coisas que eu só conseguia conversar com você, coisas que podem parecer bobas se eu falar, mas que nessas ultimas cinco semanas tem feito uma falta enorme. Não foi culpa sua nós termos nos afastado, quanto a isso acho que a culpa é quase toda minha. Bem eu não gosto da palavra culpa, vamos mudar para...bem, não sei que outra palavra usar, então vamos dizer que eu "quis" me afastar de você. Quando acabou, você me estendeu a mão amiga, disse que queria ser o meu melhor amigo e eu não aceitei. Em uma conversa alguns dias depois você me disse "Mas fala comigo ta bom" sentença a qual eu respondi da seguinte forma "Falar o que? Sobre como você me deixou?" Você disse que não, acho que você deve ter fiado um pouco bravo, mas disse para mim falar sobre o que eu quisesse, e se eu não queria falar naquele momento você sairia. Então chegamos ao ponto que eu queria chegar desde o começo, eu lhe dirigi as seguintes palavras "Quando eu souber o que dizer eu falo". Se você não lembra dessa conversa posso te provar que ela existiu, mas isso não vem ao caso. O caso é que eu sabia exatamente naquela hora o que te dizer, eu sabia que precisava conversar com você sobre determinados assuntos que hoje estão morrendo dentro de mim. Sabe aquele peixinho que você esquece de dar comida e ele morre? Mas não qualquer peixinho que você tenha comprado, aquele primeiro peixinho que você tanto ama. Acho que até não seria questão de esquecimento como eu disse ali em cima, mas sim de você se lembrar dele a todo momento mas você não pode alimenta-lo sozinho, você precisa de alguém para te ajudar a cuidar daquele peixinho. Assim são determinados assuntos, assuntos que eu discuti contigo por um mês, por um mês (lembrando que não foi você quem "quis" assim, fui eu), coisas sobre as quais eu gosto de conversar e discutir mas não encontro ninguém nessa universidade com argumentos a altura dos seus. Helcio meu querido, eu sempre soube o que queria te dizer, desde aquele dia até o dia em que me deparei com esse desafio, quando comecei a ler os destinatários da próxima 30 cartas que eu escreveria, comecei a apontar para quem escreveria cada uma, porém quando fui escrever a segunda carta me deparei com uma mudança nesse destinatário, e reparei que essas cartas não serão pra sempre, elas são para o momento que você está vivendo e como você se sente no momento em que resolve escrever, e você não precisa se sentir culpada por um destinatário ou outro, porque entrega-las vai da sua vontade, mas isso também não vem ao caso. O caso é que eu parei de dar nomes as cartas antes da hora de escrevê-las, e nessa noite me deparei com a carta 14 e pensei em você, passaram na verdade muitos nomes na minha cabeça mas o seu ecoou por um tempo e ficou aqui. Então estou lhe escrevendo sua segunda carta. Mas isso tudo que eu disse também não vem ao caso. O que eu realmente quero te fazer ver é como foi difícil pra mim conseguir assumir pra mim mesma que eu tinha algo para te dizer, depois de muito tempo querendo te fazer uma pergunta ontem eu tomei coragem e inconseqüente fui falar com você para te perguntar. Se quer saber da minhas expectativas para aquela conversa, você não teria nem o meu número salvo. Te perguntei você respondeu, eu disse obrigada você de nada e ponto. Ou talvez uma vírgula, foi aquela única pergunta ontem que me deu a certeza de que essa carta seria sua. Pra você podem ser apenas palavra jogadas em uma folha aleatoriamente, as quais tiveram sorte de cair em uma ordem que tenha um pouco de coerência, mas para mim essa carta é sobre isso, sobre a fala é o esclarecimento do que está na nossa cabeça, e se você acha tão fácil tente escrever tudo que você está pensando e sentindo sabendo que outras pessoa irão ler. Não é fácil, mas foi o incentivo que eu precisei para falar com você, para quebrar essa barreira que tinha na minha cabeça. Enfim, acho que o assunto dessa carta se encerra aqui, o que eu tenho para te dizer, bem, isso é assunto para uma talvez próxima carta. Com muita saudade, Bia