Jean Piaget foi um renomado psicólogo e filósofo suíço, conhecido por seu trabalho pioneiro no campo da inteligência infantil. Passou grande parte de sua carreira profissional interagindo com crianças e estudando seu processo de raciocínio. Seus estudos tiveram um grande impacto sobre os campos da Psicologia e Pedagogia. Construiu uma ideia de que nós humanos, temos a capacidade de conhecer e aprender a partir das trocas estabelecidas entre o sujeito e o meio. A aprendizagem acontece de dentro para fora, ou seja, a partir do sistema cognitivo para a interação social. Ele também defendia a ideia de que os atos biológicos são atos de adaptação ao meio físico e organizações do meio ambiente, sempre procurando manter um equilíbrio. Assim, Piaget entende que o desenvolvimento intelectual age do mesmo modo que o desenvolvimento biológico.
Ele entende que as crianças não são passivas, meras receptoras das informações que estão a sua volta, por isso Piaget achava muito importante as crianças terem contato com seu próprio corpo, com coisas do seu ambiente, interação com outras crianças e adultos. Com isso as crianças vão desenvolvendo a capacidade afetiva, a sensibilidade e autoestima, o raciocínio, o pensamento e a linguagem. A articulação entre os diferentes níveis de desenvolvimento como motor, afetivo e cognitivo não se dão de forma isolada, mas sim de forma integrada e simultânea, por isso a importância da interação com outras crianças, com a sociedade que se vive e pela cultura.
Está claro que, para Piaget, o conhecimento deve ser visto como uma construção em constante processo. Isso pressupõe entender que a criança é capaz de criar, recriar e experimentar de forma autônoma, impulsionando seu próprio desenvolvimento. Nesse sentido, o ato de errar não pode ser visto como falha e sim como um momento necessário da aprendizagem; a ausência do erro denuncia a ausência da experimentação e, consequentemente, a ausência da aprendizagem.
Visto que a socialização e a moral vão sendo consolidadas ao longo da infância, o trabalho coletivo, em Piaget, tem o papel de mediador das relações e de instigador da capacidade de participação, cooperação e respeito mútuo. O trabalho coletivo socializa, estabelece laços de afetividade e permite à criança perceber-se como parte de uma coletividade, superando seu egocentrismo.
No Construtivismo piagetiano o educador não é o detentor do saber, mas o facilitador do processo ensino-aprendizagem. O aluno não é mero receptor de conhecimento, mas o agente ativo que constrói conhecimento. A relação professor-aluno deve ser de respeito mútuo e cooperação. Com isso Piaget desenvolveu duas importantes operações da construção da inteligência da criança:
Assimilação: Trata-se da incorporação do objeto aos esquemas do sujeito, ou seja, é quando a criança já sabe de algo, reconhece algo ou alguma coisa.
Acomodação: Trata-se da adequação dos esquemas do sujeito ao objeto, ou seja, é quando a criança não sabe, não reconhece e vai se adaptando com o novo.
Conclusão: Por fim, na aplicação de uma teoria, é preciso levar em conta a realidade sociocultural dos alunos, para que não se caia no risco de reproduzir e de copiar mecanicamente determinada concepção de educação: o que deu certo em determinado lugar não, necessariamente, pode responder às necessidades de outra e diversa realidade.