Tudo o que Henry Skrimshander mais deseja na vida é poder jogar basebol profissionalmente. O talento ele tem: com sua luva da sorte, nunca cometeu um erro sequer, mas seu porte físico nunca chamou muita atenção. Isso muda quando Mike Schwartz o aborda no final de um jogo, impressionado com as rebatidas certeiras de Henry, prometendo-o uma vaga na Westish College. Em pouco tempo, Henry se torna um fenômeno, com as glórias e as pressões que isso pode trazer. Na universidade, além de Mike, seu caminho cruza com o de Owen Dunne, um aluno prodígio e Pella, a filha do reitor da instituição, Guert Affenlight. Direta ou indiretamente em torno do esporte, o desafio desses personagens se torna a busca pelo amadurecimento e o autoconhecimento. Enquanto tudo desmorona, é necessário arte não apenas para jogar, mas para enfrentar a vida.
Essa é uma história sobre pessoas quebradas, ou que pelo menos vão se quebrando ao longo do caminho. Todos os personagens são atingidos em sua autoconfiança, sexualidade, medos e frustrações. Infelizmente, é uma trama que se apoia demais em conceitos, metáforas e descrições de um esporte que não é nada popular no Brasil, o que causa a primeira barreira para o leitor se envolver. Não que seja impossível, mas a leitura passa a ser incompleta quando não se entende nada do jogo, é difícil entender o que acontece nas partidas quando o autor não escreve simplesmente "eles perderam", "eles ganharam", "ele errou feio, "ele acertou muito bem".
Com a narrativa em terceira pessoa, Chad Harbach oferece uma trama densa, complexa, que acompanha a evolução de todos os personagens ao longo de muitos anos. Mas isso é feito de maneira simples, às vezes em um único parágrafo conseguimos entender bem os principais acontecimentos ao longo dos anos. O autor também tem algo de muito especial por conseguir que passeemos pela mente de cada personagem, profundamente, mudando o foco de um para outro não só entre capítulos, mas muitas vezes entre parágrafos.
59. [...] O verdadeiro jogador de defesa deixa que o caminho da bola se torne o seu caminho, compreendendo assim a bola e dissolvendo o ego, que é a fonte de todo o sofrimento e de uma defesa ruim.
Apesar de ser uma leitura cansativa, muitas vezes tediosa, A arte do Jogo levanta uma questão muito interessante sobre a saúde mental dos atletas, que tem muito de seu valor pessoal medido através do desempenho em campo, apenas; pessoas que se dispõe a submeter seu corpo, seus relacionamentos, a limites extraordinários pela realização de um sonho. Podem ser brilhantes, sim, mas a que preço, até quando? O que acontece com Henry no mundo da ficção parece se aproximar do que aconteceu com a atleta Simone Biles nas Olimpíada de 2020, no mundo real. Num contexto onde todos, e até o próprio atleta, esperam não menos que a perfeição, que o espetáculo, é preciso enxergar humanidade. Afinal, não somos máquinas, nem deuses.
Não é uma leitura que recomendo, que pretendo refazer, ou que simplesmente vou guardar com carinho - ao contrário, terminar o livro se tornou uma questão de sobrevivência bem antes da metade da história. Ainda que explore a cenas de sexo de maneira e em momentos que não parecem muito convenientes ou com algum sentido, o autor me trouxe belos momentos de risada irônico. Enfim, não deixa de levantar reflexões importantes e certamente serviria como um belo roteiro de Hollywood.
No fundo, ele pensou, todos nós acreditamos que somos Deus. Acreditamos secretamente que o resultado do jogo depende de nós, mesmo quando estamos apenas assistindo - depende do jeito como inspiramos, do jeito como exalamos, da camiseta que usamos, de fecharmos ou não os olhos quando a bola deixa a mão do arremessador...
Os humanos são criaturas ridículas, pensou, ou talvez seja só eu: uma pessoa aparentemente inteligente, aparentemente consciente do modo com as mulheres e os trabalhadores assalariados foram oprimidos durante milênios - e fico emocionada quando alguém me diz que sou boa em lavar pratos
Tudo o que um treinador precisava fazer era olhar para cada um de seus jogadores e se perguntar: que história esse cara gostaria que alguém contasse a ele sobre ele mesmo?
Quick read considering its 512 page count, though it was nice to disappear into a world I’d never really go otherwise. #theartoffielding #chadharbach #bookreview #openingday2020 #instabooks #igreads https://www.instagram.com/p/CDE86vYj8sodA-na2Q_ygSWwR5brElVSzuDEPw0/?igshid=122cjag8ttiqz
6. Non - conventional couple... For this I picked college student Owen Dunne and college president Guert Affenlight from the wonderful novel The Art of Fielding. I'm not a fan of baseball in any way shape or form but this story blew me away. Chad Harbach highlights that an affair between a college president and a female student would be celebrated but an affair with a male student is altogether a different story. #thebooksparrowseptemberbookchallenge16 #theartoffielding #chadharbach