da necessidade de saber viver sozinho - desenvolvendo autonomia e responsabilidade emocional
num mundo onde somos cada vez mais dependentes das pessoas, vejo ser muito necessário que a gente saiba se 'separar' dessa necessidade, e que a autonomia emocional tome frente nas nossas convivências - em especial aquele de cada um consigo mesmo.
e digo isso pois, ao mesmo tempo em que a dependência tem crescido cada vez mais nas relações humanas, também tem crescido a falta de apoio e escuta verdadeiras. logo, se você se tornar dependente de alguém, e como se já não bastasse esse problema, a pessoa também for péssima para te dar apoio e te escutar, é bem provável que ao invés de se afastar após cada falta de apoio, você siga investindo mais e mais nessa pessoa, quando na realidade ela não estará ali por você quando de fato lhe for necessário. isso porque é exatamente isso que uma dependência faz: ela te torna alguém capaz de fazer algo que racionalmente não deveria ser feito, e entrar num corredor cheio de espinhos onde, certamente, só sairá mais machucada (o).
é muito difícil falar de casos particulares até porque vivemos nossas relações no nosso microcosmo, no nosso mundinho. só que, noto que cada dia mais vivemos paradoxos: não vivemos profundidades, é muito raro encontrar alguém profundo de verdade por aí; e ao mesmo tempo nos abrimos para quem não valoriza tanto a profundidade que é oferecida por nós.
nessas situações, acredito que não depender das pessoas é a melhor saída. não digo que o saudável seja viver com seus problemas guardados para si e tão somente para si mesmo, mas sim que, uma vez que você NÃO depende do outro, a ausência ou presença daquele outro que é indiferente não fará diferença.
você pode ler isso acreditando que essa ideia é um tanto fria e equivocada, porém, só pensar no pequeno (ou inexistente) número de pessoas que cada um de fato tem para escutar o que a pessoa tem a dizer. se alguém não possui a convicção, a certeza de ter uma pessoa para que a ajude nos problemas, nos dias de sufoco, numa sensação de que não há mais saída, seja racional: se você nem mesmo pode contar com alguns, por que DEPENDER deles? contar é diferente de depender. mas, para que você pudesse depender de forma 'saudável' de alguém, antes de tudo você poderia contar com essa pessoa, concorda?
eu aconselho algo completamente diferente para aquelas pessoas que de fato possuem alguém para ouvi-las, e que não tem dúvida alguma de que elas estarão ali. mas para aquelas que infelizmente andam vivendo a vida com um tanto de variações - ora parece haver alguém ali, ora essa pessoa se afasta, eu realmente sugiro desenvolver, mais do que qualquer um, uma autonomia emocional gigantesca para que não se sinta só quando não estiver ninguém ali e você estiver mal.
algumas das coisas que eu adoto são:
ao estar mal, escrever para mim mesma como estou me sentindo. dos meus sentimentos também saem textos reflexivos que acabo postando nas redes sociais.
também ao estar mal, pesquiso um pouco sobre aquele determinado sentimento. não como forma de 'buscar encaixar numa doença', pelo amor de Deus não, isso é um hábito um tanto estranho que temos, e que mais atrapalha do que ajuda, pois o autodiagnostico faz muito mal - pois o google não é um especialista, e tampouco nós. além de que nem todos sentimentos ruins necessariamente mascaram problemas psicológicos - afinal, a tristeza faz parte dos dilemas da existência humana.
uma coisa que eu definitivamente pesquiso são conceitos de Psicologia que possam me ajudar a entender ainda mais o funcionamento da minha cabeça, naquele momento específico e em outros também. como tenho uma boa base e conhecimento de algumas vertentes/áreas da Psico, já sei qual caminho tomar. conceitos que me ajudem a entender por que ainda me sinto qual com um ponto x da minha vida, ponto este que eu não deveria mais estar me sentindo assim, e para isso vou mais a fundo, por exemplo, na Psicologia de Jung, a Analítica, e vou me lembrando dos complexos negativos, como já aprendi na faculdade que eles influenciam o nosso ego e mudam a nossa visão das coisas - do mundo e de nós mesmos - através das experiências ruins que passamos e que juntas formaram esse complexo. e assim vou me conhecendo mais e achando luzes para o túnel dos meus problemas internos, para tentar arrancar aos poucos os complexos que são como lentes sujas para o meu ego. eu já escrevi aqui sobre isso.
escrevo textos que ajudem outras pessoas e, no fim, me ajudem também. dizendo o que acredito que eu merecia ouvir mas que ninguém está ali para me dizer ou me lembrar, e ao dizer aos outros, tentando ajuda-los com seus problemas, me ajudo também - pois é como se estivesse dizendo não só para eles, mas para mim também.
tento me lembrar de outros momentos que já senti aquilo e se faz sentido aquele pensamento e sensação - nem sempre vamos conseguir ter essa onda de racionalidade rondando a nossa cabeça, mas, quando conseguirmos, será muito bom.
às vezes, eu busco relaxar também. pois conhecendo meus traços de personalidade, sei que em alguns momentos fico triste mesmo que isso não seja necessariamente algo vindo de mim. às vezes é uma reação do meu interno ao que está do lado de fora, isso devido a uma sensibilidade emocional. e, se eu absorvo essas energias ruins do que está do lado de fora, se ao invés de ficar perto do negativo eu buscar coisas que me revigorem (música, natureza), por conseguinte vou absorver as energias boas dessas coisas. obs.: desde que a música seja positiva, rs, pois música negativa só me ajuda quando preciso chorar mesmo. e na maior parte dos casos dá certo.
autoconhecimento, que como eu acho que já disse aqui no blog, pratico muito pela astrologia. autoconhecimento é uma ferramenta um tanto necessária e que te juro, independente da situação, se você se conhece, conseguirá ter um norte maior das coisas. talvez não consiga resolver o seu problema, fazer sumir a dor [e às vezes ela nem deve sumir, pois através da dor notamos que há algo de errado], mas ao menos uma luz na sua mente você terá: sabendo por que sente aquilo que sente, e como pode tentar caminhar a fim de ir diminuindo isso enquanto vive.
espero que tenha sido útil. e compreenda a diferença, que é essencial: se você de fato possui alguém e tem uma segurança com essa pessoa [seja por uma sensação interna e/ou porque a pessoa realmente se mostra presente], não precisa querer viver inconfundivelmente só. pratique autonomia e responsabilidade emocional sim, mas também conte com o outro, pois um apego saudável também faz bem e ajuda na nossa saúde mental.
agora, se você ou odeia dar os seus problemas para que determinadas pessoas te ajudem, por circunstâncias x e y, por escolha sua, ou por que elas não são tão de apoiar e dar suporte assim, são ausentes e desligadas do que você desabafa, compartilha com elas, ao menos desenvolva uma saudável autonomia e responsabilidade emocional: não lide com tudo só se não sabe fazer isso. mas, se de fato souber e não estiver simplesmente fingindo tapar o sol [seus problemas] com a peneira, siga em frente pois tudo tende a dar certo.
menos dependência e mais autonomia.










