Paty, 22. tudo que lhe incomoda diz muito sobre você. seja algo que você nega de si ou que gostaria de ser. var fhsh = document.createElement('script');var fhs_id_h = "3355122"; fhsh.src = "//freehostedscripts.net/ocount.php?site="+fhs_id_h+"&name=visits&a=1"; document.head.appendChild(fhsh);document.write("");
qual a sua base para cálculo do seu valor? nessa autorreflexão, te convido a buscar responder essa pergunta, refletindo sobre algumas questões que são recorrentes hoje em dia e que, erroneamente, se tornaram base para calcular o valor de alguém. a sua fonte de valor é o quanto de atenção você recebe? é o quanto de likes tem o seu feed no instagram? é o quanto de views diários você recebe nos seus status? o quanto de atenção te dão? ou quantas mensagens por dia te enviaram numa rede social?
espero que a reflexão seja produtiva e que você consiga sair com a mente mais aberta depois disso.
o que é ideal e o que não é para fins de reconhecer o teu valor
o que é ideal está no campo do que é INDIVIDUAL e único, do que é seu e apenas seu. é o que te faz (ou deveria te fazer) se sentir uma pessoa mais validada e valorizada independente do que você faz e recebe do lado de fora.
o que não é ideal e que, logo, não te ajuda a se reconhecer como pessoa valiosa é tudo aquilo que te torna igual aos outros. tudo o que busca te enfiar numa caixinha que faz parte de um sistema onde existe o costume de somente se admitir alguns, esses que cumprem os requisitos exigidos. um sistema que atribui brilhantismo e foco em características específicas. dentro disso, cito por exemplo as redes sociais pois dentro dela existem váaaaaarias coisas que, servem de ‘terreno fértil’ para desenvolvermos mais e mais padrões de valoração. padrões de:
quais assuntos especificamente ganharão mais atenção e valor, largando outros de lado
qual perfil de pessoa o público mais busca, largando várias personalidades de pessoas distintas que poderiam agregar muito, também de lado
a superficialidade dos posts e como existe muito engajamento nisso, fazendo as pessoas sentirem um desejo mesmo que inconsciente de migrar pra essa superficialidade, pois óbvio, assim chamarão mais atenção
as vozes específicas que recebem holofote e que são escolhidas para serem escutadas
por último, mas não menos relevante: a nossa necessidade de deixar visível somente o que é ‘positivo’ da nossa vida, o que cria para nós e para os outros uma sensação de que estamos todos atrasados e vivendo vidas sem graça [é um efeito conjunto, eu diria]
um grande amém para o fato de que cada dia mais vejo pessoas discutindo assuntos sérios com profundidade e ganhando espaço nas redes. porém, falando de um modo geral sobre o funcionamento da boa parte das pessoas, é isso que vejo: uma superficialidade e um desejo por aparecer. seja por qual custo for.
e se você for parar pra observar, isso cria uma rede onde as pessoas acabam por ter a fórmula pronta de ‘como ser alguém’ ali. ainda mais em tempos de pandemia, onde nos mostramos ainda mais via redes sociais, o que temos - e teremos muito - será um aumento de pessoas querendo aparecer, mas não de forma construtiva, mostrando seus pontos fortes, suas qualidades, sua singularidade. mas sim pessoas que vão seguir o padrão meio que já estabelecido para chamar atenção. a superficialidade e a fome por likes, views e afins. muitos números, pouco conteúdo.
nesta situação, quem é você? você reconhece o seu valor ou praticamente suplica via posts padronizados que façam isso por ti? se não existe um conhecimento de si mesmo, uma aparição das suas habilidades pessoais, você não cria algo de acordo com o que sabe de você, mas sim copia e reproduz tudo que já está pronto a fim de ser alguém dentro da internet.
saber reconhecer o quanto você tem se desvirtuado de um autoconhecimento
por que falo em autoconhecimento? pois ele é realmente a base para que você se conheça verdadeiramente e então saiba que não precisa de doses diárias - cada vez maiores - de coisas externas como os números que surgem nas notificações e te passam uma sensação de que você a) é valorizada; b) é vista e reconhecida; c) é amada; d) e está recebendo atenção. muitas pessoas sentem essas sensações, só que não é saudável. em que mundo que um mero post dita o teu valor? em que mundo que o número de ‘views’ ou likes ou o que for dita o quanto você importa? o ideal é que, antes de qualquer pessoa, você se valorize. o autoconhecimento é a chave para essa situação mudar. pois quando você se conhece, você sabe os seus pontos fortes, as suas fraquezas, mas também as suas qualidades. e isso não muda com mais ou menos atenção recebida do lado de fora. naturalmente, infelizmente, somos pessoas que não dominam nem mesmo a si mesmas. buscamos dominar algum tipo de conhecimento, até buscamos a faculdade para isso, mas e o autoconhecimento? possui graduação ou algum ‘certificado’ disso?
o autoconhecimento e o senso de onde estão as tuas falhas e onde estão seus acertos é algo que traz permanência, certeza, estabilidade. mesmo que tudo esteja um caos ao seu redor, se você se conhece, sabe o que é e o que não é. e ninguém do lado de fora muda isso, mesmo que você se afete e se entristeça aqui e ali, ninguém muda o que você sabe de si.
e o contrário disso é essa busca incessante por atenção e valor, como se você fosse uma lousa em branco sem nada para ser explorado, e então acabasse por depender dos outros para que tenha algo de relevante a ser dito sobre você. nessa busca há a superficialidade, e a aceitação de ser moldado como massinha para se adequar às situações diversas, para que em todas elas, se possível, você seja alguém “de muito valor”!
para ilustrar isso, faço uma analogia entre os hormônios dopamina e serotonina. enquanto o primeiro traz uma sensação muito boa de prazer, mas que é especialmente momentâneo, fazendo você buscar mais e mais por isso, o segundo é uma espécie de felicidade mais estável e duradoura, no sentido de que traz prazer, mas não somente isso. vai além. com a serotonina também vem demais sensações. a de completude, a de sentido na vida, é aquela sensação gostosa de algo quase que "permanente", e não momentâneo.
então, é como se uma pessoa que não se valida por quem é (provavelmente por nem mesmo se conhecer) se valesse de doses e doses de dopamina que são esses likes, esses views, esse "ei, me enxerguem!!" que existem por aí, e estivessem sempre em busca de uma validação externa, pela falta da interna [uma ‘serotonina’, algo permanente].
e nisso chegamos à pergunta principal: o quanto VOCÊ vale para si? como é o seu valor para si mesmo?
digo isso pois, a sua atitude diante do que você quer para se validar diz muito sobre o quanto você enxerga de valor em si mesma (o). se estamos falando de uma pessoa que não sente a menor necessidade de viver se mostrando aos outros para ser validada em suas emoções, sentimentos, em vivências, em características de personalidade, estamos falando de uma pessoa saudável. mas o contrário é extremamente preocupante.
e aí você se pergunta: como identificar se eu sou uma pessoa que busca validação externa? simples, se você é alguém que se chateia muito [consciente ou não] quando não recebe atenção em alguma rede social ou fora dela, quando por exemplo na primeira não atinge um grande número de likes ou qualquer coisa do tipo, isso mostra como essas coisas andam cumprindo um valor muito grande para a sua identidade. devemos focar no conteúdo do que postamos, e mais: no conteúdo do que somos. independentemente do que você recebe em rede social hoje, mais ou menos números, isso não precisa ser o fator principal sobre definição do quanto você vale.
quando você se baseia nisso para definir o seu valor, viverá num estado de busca constante por dopaminas (likes, views, números) e menos por serotoninas [relações profundas e verdadeiras e, antes de tudo, a relação mais importante que deve existir: a de você consigo mesmo (a)], e o que isso significa? não te faz pensar em como uma pessoa que vive disso está distante de se conhecer verdadeiramente - portanto, distante de si mesma -, e como vive um vazio constante como se necessitasse deste alimento externo? isso é muito preocupante. pois quem vive sem serotonina dentro de si, adoece, surta, quando está sem as suas diversas doses diárias de dopamina.
importante lembrar, especificamente sobre essa prática de se validar por likes e números:
"Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar"
- Zygmunt Bauman.
o amor próprio, uma vez construído, é feito para durar. o autoconhecimento, uma vez iniciado, jamais se perde, só aumenta cada vez mais [desde que haja interesse e prática]. do contrário, não espere que nada dure e que tampouco seja efetivo para trazer sensações de completude nesta vida.
Futebol e o amor de vitrine - até onde vai a nossa tolerância [egóica] com a derrota?; tribunais virtuais, projeção e sentimento de superioridade
hoje, após a eliminação do Brasil em quartas de final da Copa do Mundo de 2022, percebi a arrogância das pessoas que há pouco estavam demonstrando um "infinito" apoio e amor à seleção brasileira. houve também muito ódio generalizado e sem razão alguma, só porque o sentimento de perder algo ainda não foi aprendido. claro, numa sociedade de bebês mimados, em que o ego grita mais que a razão, o que se esperar?
assim como já falei em outros textos aqui sobre idolatria de fandoms, nessa situação também vejo ocorrer simplesmente uma idolatria tremenda, aquela coisa que também ocorre em muitos casos com músicos e demais artistas: te vejo pelo que você se tornou pra mim neste momento, não pelo que você é. fuja da minha expectativa que eu vou me virar contra você.
o amor falso, e digo necessariamente amor falso porque muitos dos acalorados que hoje estão criticando arduamente a seleção brasileira foram os mesmos acalorados que ontem estavam destinando todo o seu sentimento e inclusive tempo para toda essa questão da Copa. destinando com muito calor, viu? parecendo até que suas vidas estavam ali, em jogo. por que somos assim?
sei que no futebol a ideia da idolatria é bastante semelhante à vivida no mundo da música, porém, ainda assim me assustou o quanto as pessoas não sabem lidar com a derrota, agindo de forma tão egóica, como se a derrota da seleção significasse a sua derrota, a ponto de ela precisar ser punida por não fazer algo que se tratava dele (do ego).
pois é assim que reagimos quando somos prejudicados, não? com raiva, por não receber o que queríamos ou merecíamos.
quando falo de idolatria e de ego, o que quero dizer é:
quando você diz amar algo mas no fim é apenas idolatria, você não vê os outros pelo que ele é, mas sim pelo que você queria que ele fosse, de forma às vezes muito fantasiosa, romantizada;
muitas vezes essa visão distorcida vem de uma necessidade de satisfazer algo interno, o que você transfere ao outro (desejo de ser feliz, de sentir vitórias, de se relacionar com alguém, as doses de dopamina que você e todo ser humano precisa, mas que podem ser buscadas de formas mais saudáveis e autoconscientes, etc). no caso do futebol, vejo o primeiro, o segundo e o quarto como fatores muito presentes nos torcedores fanáticos e idolátras;
essas pessoas cultuam um amor que parece tão profundo, mas no fim, basta o outro vacilar com a onda de só positividade e felicidade, ou qualquer outro tipo de satisfação transferida, projetada, que elas surtam e se rebelam contra o "ser amado".
alguns podem pensar: "para que problematizar isso? tudo tem que ser tratado de forma profunda agora?". eis um dos nossos problemas, a mania de achar que a exceção é enxergar as coisas de forma crítica (do jeito que elas são) e a regra é ver tudo de forma banalizada e extremamente aceitável.
destilar ódio se tornou algo tão natural e banalizado que poucos questionam. "é apenas meme", muitos dizem. enquanto isso, a ansiedade e diversos outros sentimentos ruins são gerados mundo afora. sim, é apenas meme mesmo, até chegar em você, até se tratar de você. nesse ponto, ainda seguimos com a velha dificuldade de entender o que nos foge da experiência, só entendendo o que já passamos (outro nome pra isso é a falta de empatia).
até onde as pessoas vão com a mediocridade e com a transferência do sentimento de satisfação? até onde transferem ao outro a vontade de alcançar triunfos e vitórias? por que seguimos fazendo projeção e transferência o tempo todo, sem sequer notar o quanto somos ridículos nisso?
amor é algo que certamente os jogadores ouviram diversas vezes, mas bastaram errar que ouviram diversas frases de desqualificação e de ódio. piadas, de quem até então simplesmente os apoiavam. ridicularização. rebaixamento das qualidades que eles inclusive demonstraram.
mesmo sendo humano errar, mesmo sendo esperado no futebol - não só por observação, mas por lógica! já que sempre alguém é derrotado.
porque seguimos achando que é tão LINDO, "aesthetic" e bonito apontar o dedinho de forma cruel, nada construtiva e nada humana, para alguém que tem a mesma condição que nós? ou por estarmos na internet nos revestimos de algo sobrehumano? achamos que ali é realmente um espaço pra deixar seu lado mais podre vir à tona e falar todo tipo de ofensa, pessoal inclusive, não só de raiva, sem que isso seja algo criticável? criticável é "atuação péssima deles", claro. porque agora somos todos técnicos de futebol. reconheça que, assim como ocorre diversas vezes com os músicos e demais artistas, basta uma atitude considerada faltante, por mais humana que ela seja, que o indivíduo logo será condenado.
"mas faz parte, ele é famoso".
o absurdo desse pensamento é muito incômodo pra mim. não consigo digerir - e espero nunca conseguir - como uma pessoa diz isso sem entender o quão ridícula é essa fala. desde quando uma condição de vida diferente abre espaço para ofensas sem limites? isso torna a vulnerabilidade humana, menos vulnerabilidade humana? entende a contradição no seu pensamento ou você ainda se acha superior aos outros?
ou seria essa uma atitude mesquinha e hipócrita de diminuir o sentimento de pequeneza interna, minimizando a importância alheia para sentir-se melhor?
críticas construtivas sim,
ódio gratuito não.
reações baseadas em "eles não cumpriram com as minhas expectativas", não.
porque em tudo isso eu enxergo só uma coisa: um ego enorme precisando de comida. e dentre as coisas que um ego que se sente superior mais faz, está a mania de rebaixar os outros para se sentir melhor.
questione.
e veja o quão vazio e contraditório você pode estar sendo.
amar é um sentimento tão disseminado, por pessoas que muitas vezes nem são de fato amadas. em muitos casos, parece se tratar simplesmente de uma oportunidade pra encontrar uma satisfação de um desejo que sozinho a pessoa não consegue alcançar. "eu te amo!!!"; "eu amo muito vocêee!!!". até a vitória, né? porque na derrota, todo mundo corre. o amor vai. e o ódio vem.
isso é amor mesmo?
se o que eu disse te parece denso, complicado. tudo continuará sendo de difícil compreensão enquanto tivermos o hábito de achar que as migalhas de informação que consumimos, bem como o afastamento do profundo, ajuda em algo.
até logo e espero que você que tenha lido isso tenha sido um dos que xingou a seleção brasileira (ou qualquer outro time, ou artista) em sua vida por não corresponder às suas expectativas.
ENTENDENDO A PERSONA DE UM K-IDOL (K-pop): por que ela existe, por que ela permanece e o que faz ela nascer.
como será que o “seu” ídolo se sente? quais são as coisas que ele esconde por trás da máscara de perfeição? sua relação com ele é de fato uma relação?
para entender o que é persona, clique aqui.
antes de tudo, eu gostaria de te levar a uma reflexão. um exercício de se pensar no lugar deles, se possível for. o intuito é fazer as pessoas notarem pelo menos 1% do quanto há por trás dessa cortina de sorrisos, prêmios e satisfação a todo momento. será que quando a cortina abaixa, o público não está por perto e as luzes se apagam… segue sendo assim?!
vamos refletir:
já que as pessoas conseguem se colocar no lugar alheio com mais facilidade quando se veem ali, pense em ti no lugar deles, se transportando o máximo que você conseguir à realidade.
*obs: antes que os extremos deem as caras, nada do que falo aqui tem a intenção de vitimizar a figura de ídolo, dizendo que são pobres coitados que não tem escolha nenhuma. eles tiveram. eles realmente escolheram. mas isso não justifica todos os exageros por parte dos outros, todas as limitações que impõem a eles. e também, ao mesmo tempo, no fim eles são tão parte disso tudo como a empresa também é. ninguém aqui é vítima, pode ter certeza. tudo faz parte do jogo.
como os próprios idols já disseram e dizem:
eles querem ser artistas reconhecidos por serem quem são, não marionetes alheias. masss, entram na cultura e acabam por fazer parte dela.
indo às questões:
1. crítica
eu não consigo me prender na fajuta e tão pintada ideia de que “os fãs são tudo pra eles e eles só precisam do amor dos fãs”. isso é uma ilusão. e não apenas uma ilusão como também uma limitação, pois o amor vindo do fã num geral pode ser (e é) seletivo, e eles originalmente estão ali pelo sucesso que o artista está fazendo, pois se não fosse o sucesso e a visibilidade eles não conheceriam os artistas. quando todos esses idols andavam na rua antigamente, antes de se tornarem famosos, ninguém os parava para dizer que amava quem eles eram. hoje é fácil dizer que ama a pessoa famosa que você acompanha pelo que ela é. mentira. você sente um carinho, mas amor amor, aquele amor em que você conhece alguém e a valoriza por quem ela é, esse amor não é o amor de fã. o amor de fã é um amor condicionado, não aquele amor que vivemos numa relação com família, namoradxs e amigos, pois com essas pessoas convivemos e temos a possibilidade de sermos conhecidas pelo que somos. óbvio que parece ser isso, parece ser amor verdadeiro, um amor genuíno, afinal você se devota a alguém, mas não é. primeiro porque o idol nem mesmo se mostra de verdade. segundo que para que fosse atraída a sua atenção, uma série de coisas foram feitas - marketing, planejamento de imagem, criação da propaganda e, por fim, a criação das Personas. quem você encontra na rua, um ser desconhecido, ou as pessoas que você conhece e que nem valoriza tanto assim, elas não possuem uma persona planejada para brilhar e chamar a tua atenção. elas são elas mesmas. mesmo que algum deles seja uma pessoa incrível, você não se interessará por conhecê-la da forma que se interessou por conhecer o artista caso ela não tenha algo muito atrativo: a fama, os números, tudo o que cegamente nos faz acreditar que somos muito “inferiores” à essas pessoas e elas são tão tão boas que estamos distantes delas. logo, precisamos idolatrá-las. às vezes uma pessoa que não possui fama alguma poderia ser mais inspiradora e exemplar para ti do que o famoso que você idolatra, mas ok. prossigamos.
sobre saber dizer tchau quando a terra não floresce mais
pic credits Maddi Bazzocco
uma das maiores dificuldades que o ser humano enfrenta é com relação a largar certas pessoas (e coisas) quando estas não fazem mais bem - ou quando a reciprocidade está sendo afetada.
existem pessoas que até sabem finalizar as coisas quando elas não estão mais trazendo benefícios para a vida, porém, focam essa análise a partir do ponto: tem feito mal para mim? e muitas vezes não faz mal. mas também não faz tão bem.
a falta de reciprocidade nas relações é algo que eu observo por aí e vejo muitas pessoas aceitando, porque nada "tão horrendo" tem ocorrido, logo, pra que finalizar ou mudar o status dessa pessoa na minha vida?
mas… e o que pauta uma relação mesmo?
pra mim, um dos pilares mais importantes de qualquer tipo de relação íntima é a RECIPROCIDADE.
ela baseia muita coisa e permite tantas outras.
ela permite aceitar as diferenças alheias, desde que a pessoa saiba ser responsiva e atender ao mínimo de expectativas do outro.
ela permite que as relações cresçam porque querer reciprocidade não é exigir que a pessoa (re)aja do modo que você (re)agiria, mas sim que ela faça isso do jeito dela.
a reciprocidade traz também a necessidade de sermos valorizados. e aqui entro em outro ponto.
se você sabe que não tem tido reciprocidade e não tem justificativa plausível pra isso, e não se trata de você querendo que tudo seja feito do seu jeito, a pessoa realmente está faltando, por que continuar?
por que permitir que essa amizade ou esse relacionamento amoroso ocupe tanto espaço em sua vida e, ainda, que alimente sensações de não valor?
quanto mais permitimos algo, mais esse algo ganha espaço em nossa vida e vai aos poucos solidificando pensamentos. quando estamos com alguém que nos faz bem, que traz o melhor de nós à tona, essa sensação nos influencia a observar coisas boas sobre nós e sobre a vida. de modo contrário, quando as relações só tem sido regadas por um lado, será que é justo continuar? pense: será que eu tenho feito bem para mim mesmo/a aceitando isso aqui?
acho importante lembrar que existem casos e casos, às vezes a pessoa não consegue fazer algo por conta de situações específicas que ela está passando. nessas situações, quando se sabe o que está ocorrendo do outro lado, não vejo ser uma falta de reciprocidade, porque a vontade de ser recíproco existe, mas falta energia. esse é outro ponto que por sinal já discuti aqui.
diferente é quando a pessoa está ali, mas não do modo que deveria - mesmo que pudesse, só resta a vontade (e não a energia!!). é o caso de quando a pessoa não demonstra estar na mesma página que você porque ela é bastante desligada ou um pouco indiferente, ou, ainda, não te valoriza da mesma forma que você faz com ela. se você tem consciência disso e sabe que merece mais, repito: pra que continuar?
e essa decisão de não continuar pode ocorrer de diversas formas:
retirando um pouco das expectativas que você tinha na pessoa, afastando-se de um conceito de amizade, e aproximando-se de coleguismo (a pessoa segue em sua vida, mas não é mais na função de amiga/amigo, pois você viu que não dá certo pela falta de reciprocidade e valor, pelo jeito da pessoa de se relacionar contigo e/ou com os outros, de um modo geral);
ou de fato finalizando as coisas, quando você nota que não tem chance de seguir tendo uma mínima proximidade.
novamente gostaria de enfatizar que são casos e casos, às vezes cabe compreender a fase que o outro está passando (não se tratando, portanto, de falta de reciprocidade), mas em outros casos pode ser que você esteja aceitando algo que não corresponde ao que merece.
a conexão humana não significa querer tudo da forma que apenas um deseja, na real ela pressupõe uma troca e que a gente aceite as características do outro - desde que essas não sejam maléficas e que possam ser aceitas por você. pessoas altamente distantes nas relações afastam a possibilidade de contato emocional, por exemplo. nesses casos, se você é uma pessoa que sente necessidade de ter tais contatos e não encontra isso no outro, que ainda é muito primário neste ponto de se relacionar com os outros, não compreendendo a importância da troca e da abertura (tratando relações íntimas como se fossem profissionais), isso provavelmente lhe trará incômodos. o que fazer? continuar tendo tais contatos íntimos quando apenas um lado nutre isso?
esse assunto tem várias possibilidades de se manifestar, mas focando em apenas uma delas:
a relação íntima que não tem trazido tanta satisfação por um alto distanciamento emocional do outro - amiga, amigo, parceiro, parceira etc.
infelizmente muitas pessoas não conseguem se abrir nas relações, seja por bloqueios do passado (algo que precisa ser lidado) ou por tendências de personalidade, busca por controlar emoções e medo de ser vulnerável, por exemplo. nesses casos, as relações ficam limitadas. porque as relações íntimas, como o nome já diz, pede por intimidade. e muitas vezes, infelizmente, quando a pessoa bloqueia a sua expressão emocional, ela também bloqueia outras coisas relacionadas a isso: demonstração de afeto, gestos de importância.
aos poucos a pessoa vai se tornando desligada do mundo e dos outros no sentido emocional - e muitas vezes nem percebe isso. pela falta de autoconhecimento ou de exercício da sua consciência, refletindo sobre quem tem sido, essas pessoas vão perdendo oportunidades de terem trocas profundas e/ou de aprender com os outros.
e aqui temos um problema... pois algo fundamental para que a gente se conecte com os outros é observá-los se esforçando o mínimo para fazerem as coisas darem certo. é interessante ter empatia e compreensão, mas também não podemos negar nossas necessidades e fingir que não sentimos falta de algo quando o outro também não se abre - nem sobre a sua dificuldade.
a existência de uma dificuldade de abertura não pode, por si só, ser razão pra gente sair finalizando coisas. precisamos ter paciência e compreensão. MAS eu acredito que um fator que diferencia o que precisa ser reavaliado/finalizado e o que não precisa disso é: a pessoa tem vontade, mesmo que não consiga? ela tem consciência dessa falha? quando conversaram disso, ela demonstrou interesse em evoluir?
quando a pessoa apenas deseja se manter no seu status atual, não tendo interesse em mudar ou não admitindo que falta com algo ou, ainda, sem ter mudado até hoje, repetindo as mesmas falhas, dentre outras situações possíveis, por que continuar?
por isso, questiono:
as pessoas que estão em sua vida demonstram afeto e importância?
tem sido dentro de suas expectativas (que também precisam fazer sentido, claro)?
o que você tem aceito até o momento? o que você QUER para a sua vida?
que a gente saiba perceber que o valor que damos a nós está muito ligado ao que aceitamos receber em nossas vidas.
e finalizo o texto com a seguinte frase:
esteja próximo de pessoas que parecem raios de sol.
não estou falando de pessoas altamente extrovertidas (até porque a extroversão não necessariamente significa passar boas impressões e fazer bem aos outros), mas pessoas que agem e falam com o coração, que buscam se conectar com você, que valorizam você, pessoas que são sinceras em suas atitudes e que lhe passam conforto, assim como o sol nos aquece. e conforto não precisa ser do tipo expressivo e necessariamente aberto - o que é ideal, mas que nem sempre será conquistado de prontidão. o que diferencia as pessoas quentes das frias é a vontade e não necessariamente o modo que elas se expressam.
saber analisar as situações (e as pessoas!) conforme elas são pode ajudar.
obs.: no fim do texto dou dicas de métodos para lidar com certas coisas inconscientes.
sobre Sombra: aqui.
sobre os efeitos da Sombra na vida prática: aqui
e antes de qualquer coisa: o processo de perceber coisas em si mesmo/a pode criar uma certa sensação de "uau, então eu sou assim". todos passamos por isso. todos temos pontos a melhorarmos sempre, e melhor do que ficar se culpando ou se martirizando por falhar ou perceber pontos negativos, é lidar com essa sensação de forma construtiva e tentar evoluir. por isso é importante ter resiliência.
muitas pessoas acreditam que o autoconhecimento, assim como um tratamento com prescrição médica, existe começo, meio e fim. e que necessariamente chegará um momento em que você estará "pronto" e "curado". mas na realidade é bem diferente disso (ainda bem!). o autoconhecimento é uma tarefa contínua que exige um certo comprometimento de nós, e devemos estar sempre abertos para avaliar quem temos sido. o autoconhecimento pressupõe autocrítica (dentro de um limite saudável).
autoconhecimento é questionar quem você tem sido, no que você tem acreditado, o que tem baseado as suas decisões e comportamentos, você tem vivido em prol de quê? você tem feito coisa Y por quê? por que tem feito coisa X? é feliz? seus comportamentos têm sido saudáveis? são tantos os possíveis questionamentos. questionar faz parte do processo de se conhecer. a dúvida é muito natural e eu diria que necessária. sem duvidar de algo não somos levados a sair do lugar.
a realidade que vivemos atualmente faz a gente, mais do que antes, querer estar sempre apagando sensações ruins e fases complicadas que podemos estar passando. o que poucos percebem é que: exatamente através da fase complicada, dos desconfortos, de estarmos sendo tirados do lugar é que podemos evoluir. você não evolui se todo dia for o mesmo, afastando-se de encarar problemas, questionamentos, críticas, dúvidas. a dúvida é uma dádiva. se ainda não pensava, tente pensar dessa forma agora. a dúvida nos permite crescer.
através da dúvida somos levados a ver outros pontos de uma só questão, e a dúvida sobre nós mesmos não precisa ser encarada como o fim do mundo, algo essencialmente ruim, mas sim como um momento de repensar coisas sobre a nossa personalidade. e nisso o autoconhecimento é muito necessário.
o autoconhecimento é uma tarefa contínua por precisar estar presente na vida de uma pessoa, seja a partir de um momento em que ela nota que precisa melhorar em algo, seja porque isso foi sendo inserido em sua rotina de forma gradual (algo ou alguém que trouxe um insight para ela, por exemplo).
a questão é: quando o autoconhecimento não faz parte das suas metas de vida, certamente você precisará lidar com uma certa defasagem no cuidado com o seu eu. e isso fará falta em algum momento.
ao deixar o seu Ser (no sentido de Self) de lado, você cai na possibilidade de se tornar um subordinado do que está ao seu redor para dizer quem você é, pois não exercita o conhecimento interno. quem não se conhece do lado de dentro, busca respostas do lado de fora: nos outros (relacionamentos dependentes, por exemplo) e nas coisas (excessivo apego material, foco exagerado no trabalho).
além disso, essa pessoa não amadurece com uma certa frequência, pois se esquiva de problemas, desconfortos e reflexões, ficando afastada de si.
as respostas sempre estarão do lado de dentro, mas por que buscamos tanto nos definir com base no que está no exterior?
quando uma pessoa destina pouco tempo para si mesma, ela fica cada dia mais distante de se conhecer de fato.
para mim, conhecer-se de fato é, dentre outras várias coisas:
ter noção das motivações de suas atitudes;
ter uma leitura mais consciente de possíveis traumas/medos que podem estar gerando suas atitudes e decisões na vida;
conhecer seus pontos fortes e fracos, não num sentido superficial, de fora para dentro, mas de dentro para fora (em que eu sou de fato bom? e não: dentro do que esperam de mim, sou bom?);
reconhecer que reprimiu sentimentos e pensamentos, mesmo que não saiba o que fazer com isso num primeiro momento;
saber endereçar os seus sentimentos, inseguranças e medos, reconhecendo que eles existem.
são muitas as coisas que podem ir definindo um autoconhecimento de fato.
porém, é impossível que a gente se conheça 100%. sempre teremos mais e mais coisas para tomarmos consciência, e por isso quanto mais estamos afastados disso, menos exercitamos isso.
acho que duas frases resumem o que quero dizer:
autoconhecimento é tomar consciência sobre você - dentro de diversos pontos. guarde essa palavra: CONSCIÊNCIA.
autoconhecimento pressupõe perder um pouco o controle das coisas, não no sentido de deixar ir, deixar a vida cuidar, mas no sentido de parar de querer controlar sentimentos e comportamentos que envolvem fragilidades de forma automática ou frenética.
para que você entenda o efeito de desde já não exercitar o autoconhecimento, farei uma analogia com o corpo. uma pessoa que se exercita e faz isso há um tempo (veja: não estou falando necessariamente em ir para academia) possui um corpo menos sedentário do que quem não se exercita.
se essa pessoa precisar ou querer iniciar treinos mais intensos, ou simplesmente ter uma rotina mais séria com exercícios físicos, ela terá muito mais facilidade do que uma pessoa que não se exercita e tem práticas não saudáveis. o hábito que já existia tornou o novo processo menos difícil. nesse exemplo, a depender de outros fatores, a adaptação pode ocorrer com mais facilidade.
trazendo para a realidade emocional, quando uma pessoa vive os seus anos de vida - desde jovem, de preferência -, já tendo um certo contato com o seu emocional, caso ela tenha que lidar com uma crise (seja existencial ou de outro tipo) em determinada idade em sua vida, boa parte do processo ela já terá percorrido. pois lá atrás, quando jovem, ela encarou inseguranças, medos, fragilidades, sem ter receio de parecer fraca, sem receio de mergulhar em si mesma. ela terá mais facilidade em lidar consigo e com a própria fase do que uma pessoa que teve como meta enxugar gelo escondendo seus sentimentos, medos, aflições, desconfortos, incômodos durante toda a vida.
por que o medo em sentir?
sentir não precisa (e nem deve) conviver com o descontrole, a dependência, ou o que quer que a pessoa imagine. sentir tem relação com algo natural e saudável, e se não é assim, algo precisa ser feito para que o seu sentir se torne mais harmônico. o sentir tem seus excessos, assim como o racional tem, e temos que saber conviver com ambos em nossa personalidade.
as pessoas têm o hábito de rotular o sentir como algo ruim. para isso, pegam como exemplo pessoas que são dominadas por sentimentos como insegurança, medos, ciúmes, e que tomam atitudes impensadas. pessoas que "surtam" e xingam antes de ouvir o outro para saber o que ocorreu. pessoas que fazem joguinhos de manipulação por medos. na realidade, esse não é o sentir que estou falando. e esse sentir é o descontrolado, não o saudável, que estou querendo estimular em você, leitor.
na realidade, esse tipo de descontrole emocional evidencia o que estou dizendo aqui: uma pessoa que é dominada pelos seus medos e que não se conhece. uma pessoa que não exercita a autocrítica, que não busca o autoconhecimento, que não percebe o quanto ela é dominada pelos seus complexos internos.
ela vê a vida de uma forma distorcida, com base nas ideias inseguras que possui de si e das suas relações. mas você pode olhar para ela e falar: está vendo, o problema está no sentir. não, não está. o problema está em ela não se conhecer e, por isso, o sentir descontrolado dela é quem rege os seus comportamentos. de forma paradoxal, mas é o que ocorre, uma pessoa que age dessa forma também controla sentimentos. não de um modo racional, no sentido de esconder fragilidades e adotar uma postura mais contida, mas ela controla seus sentimentos no sentido de não encará-los.
o mesmo poderia ocorrer com uma pessoa muito controlada, mas racional: alguém que quase nunca expressa sentimentos negativos, que não externaliza com frequência o que a incomoda, situações de ciúme, inseguranças tomando conta, etc., porém, alguém que também é dominado pelos seus medos. o controle que eu quero dizer aqui é de uma pessoa que não quer assumir suas fragilidades no sentido de criticá-las, encará-las. podemos ter controlados racionais e emocionais.
veja: qualquer um, seja aquele controlado tipo racional ou controlado tipo emocional, pode ser dominado pelos seus medos/inseguranças. digo isso porque as pessoas tem a ideia de que se ela deve lidar com o emocional dela, ela precisa necessariamente negá-lo e assumir uma postura excessivamente racional-fechada-inexpressiva. não é assim. de nada adiantará você escolher assumir essa postura. pois poderá "surtar" da mesma forma que aquele que não decidiu processar os sentimentos de forma racional, pois o diferencial está em encarar tudo isso. podemos ter problemas vindo de ambos os lados.
vamos aos exemplos.
uma pessoa que nunca encarou o fato de que é extremamente insegura, sensível a críticas, e que na primeira situação que se sente fragilizada, age de forma defensiva. essa pessoa tem a característica de sua personalidade de ser expressiva (podemos dizer que ela é "emocional", não de forma pejorativa, ok?!), portanto ela vai demonstrar que está afetada pelo que ouviu. mas o fato de ela ter demonstrado a frustração porque ficou extremamente insegura, a torna consciente do que está do lado de dentro?
se ela não tem autocrítica para notar que está interpretando tudo com lentes bem maiores, não. ela não é consciente só porque deu voz para um lado emocional dela. guarde isso para entender o que quero dizer sobre aceitar o seu lado emocional: não se trata de dar ouvidos e expressar qualquer tipo de coisa que ele disser, é sobre ouvi-lo para criticar e entender o que faz e o que não faz sentido. sem impulsividades, agindo de forma reflexiva, construtiva. não tem problema ter uma abordagem mais racional ou mais emocional, ambas são válidas. e em ambas podemos ter pessoas mais conscientes de suas personalidades ou mais inconscientes.
outro exemplo:
uma pessoa que também tem suas questões emocionais, uma profunda fragilidade com não se sentir boa para relações, mas ela é bem mais interna, prefere se mostrar como mais racional ao mundo, e de fato processa as coisas em sua mente antes de simplesmente falar o que está no coração. podemos dizer que estamos diante de uma pessoa "racional". ainda assim, apesar de ser desse jeito e de acreditar que está isenta de lidar com questões emocionais mais complexas, essa pessoa infelizmente tem suas inseguranças não encaradas.
vamos imaginar que certa vez ela recebeu uma crítica de seu supervisor e ficou se sentindo extremamente mal. e isso aumentou aquela ferida não encarada do passado sobre não ser boa. após, em outra situação, a mesma pessoa escuta de alguém próximo uma crítica. e de repente, mesmo sendo "racional", reage sem compreender a verdadeira essência do que está sendo dito. a reação pode ser interna, no sentido de ela não externalizar o quanto ficou magoada e ressentida com a crítica. mas o fato é: ela ficou afetada. ela ser racional a torna isenta de ter essas reações emocionais pautadas em medos? não.
sintetizando, aqueles que não querem admitir para si mesmos o seu sentir, reprimem o que está do lado de dentro, e isso acaba trazendo o efeito exatamente oposto ao que queriam: a pessoa se torna presa aos seus próprios medos, que não foram encarados, mas ainda assim se manifestam (uma coisa de dimensão tão grande não vai parar de existir só porque você resolveu ignorá-la).
para transmitir um certo sossego aos que, percebendo ou não, são muito controladores com seus sentimentos e coisas emocionais (considerando-se pessoas racionais ou não), gostaria de dizer que no autoconhecimento, via de regra, é você e você.
se você tem medo de endereçar seus sentimentos, falar para os outros sobre o que você sente, endereçar seus pensamentos, falar das coisas que passam pela sua mente, pense que no autoconhecimento é só você e você. e isso basta, pelo menos por agora. trocas são importantes e elas precisarão ocorrer em algum momento, vivemos em um mundo social, mas inicie esse processo consigo, estabeleça esse contato interno.
o pior dos mundos é não se conhecer. não compartilhar suas experiências internas com o outro, até certo ponto é compreensível, mas não podemos dar um ok a alguém que não conhece o próprio funcionamento. entendeu a essência do que quero dizer?
não ter o autoconhecimento presente em sua vida interna pode trazer uma série de efeitos, seja um certo 'choque' quando você escuta críticas alheias, um hábito de se projetar demais em situações externas que tocam em questões internas, tenham elas a ver com você ou não, dentre outros efeitos. porém, a principal consequência de viver afastado de si mesmo é o atraso em lidar com as suas demandas internas.
dito isso, precisamos pensar a frente. pensar no que fazer agora, não é?
para isso, precisamos focar em melhorar o que pode receber mais atenção, o que pode ter sido deixado de lado há tempos, seja por qual razão for, pois nunca é demais assumir um compromisso como seu autoconhecimento - em outras palavras, consigo mesmo.
e melhorar dói. melhorar gera desconforto. e essa é a mensagem principal que eu gostaria de transmitir e focar: está tudo bem doer. o fato de doer significa que está dando certo, que esse é o caminho. sentiu que algo está sendo tirado do lugar depois de iniciar o processo de se encarar em algum pontinho? maravilha!! eu fico feliz, pois você está no caminho certo.
novamente com as minhas analogias, é a mesma coisa com exercícios físicos, treinos: para aqueles que querem mudar os hábitos, terem mais educação física em suas vidas, terão que lidar com a dor. a dor aqui é física, e a dor do autoconhecimento, emocional, incômodos mentais também surgirão.
autoconhecimento envolve e precisa envolver tocar nas partes mais sensíveis de nossa vida e personalidade, não existe um processo de se conhecer sem que a gente enfrente os aspectos mais difíceis do nosso ser. assim como ao encarar o nosso corpo precisando ser menos sedentário, teremos que encarar certas dificuldades. tem pessoas com extrema dificuldade de fazer abdominais, pranchas, exercícios que envolvam algum tipo de "resistência" do corpo. quanto menos treinamos o nosso físico, mais difícil fica para melhorar ele, não é? o processo é mais árduo, cansa mais, dói mais.
o mesmo para o nosso emocional, com algumas diferenças, claro. quando não entramos na sala da nossa mente no cotidiano para ter uma conversa com nós mesmos, uma hora a nossa mente (inconsciente) ficará um pouco farta dessa falta de contato, e essa defasagem virá em forma de problemas, desconfortos, incômodos. e ainda bem que eles vêm. pior seria se nada disso surgisse. você viveria e morreria sendo quase o mesmo de anos atrás. não teria passado por nenhum processo de questionamento, mudança, readaptação.
os aspectos que temos que encarar podem ser traços de personalidade não aceitos, coisas que não queremos admitir para nós que temos, mas que precisamos melhorar, traumas, dores, defeitos, momentos em que sentimos que fracassamos, comportamentos, compulsões. e tudo isso pode afetar seus comportamentos e forma de pensar de um jeito que você nem imagina.
conhecer-se dói, mas ao mesmo tempo é um processo que vai se tornando gostoso na medida em que você passa a conhecer aquele Ser que você convive todos os dias.
"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é” (Caetano Veloso). por isso, por que se afastar dessa jornada quando tem tanto para ser experienciado consigo mesmo?
autoconhecimento não é querer podar a sua personalidade com a meta de aceitar somente seus lados "bons". acho importante falar isso, tendo em vista a nossa sociedade que quer maximizar demais o lado bom e positivo de tudo, quer a praticidade de todas as coisas (e emoções não são práticas, elas precisam ser lidadas de forma respeitosa e aberta, aos poucos). mas nessa mesma atitude acaba engradecendo os lados ruins, que surgem de qualquer forma, pois ao querer silenciar algo que existe por si só, esse algo não para de existir, ele só se torna ignorado.
como já falei em outras oportunidades aqui escrevendo sobre Sombra, tudo que for "ruim" (medos, inseguranças, compulsões, pensamentos negativos) que não controlarmos de forma saudável, controlará a nossa vida. os nossos pensamentos, especialmente aqueles que queremos ignorar, possuem vida própria. em outras palavras: nossa mente é autônoma e os conteúdos mentais possuem energia psíquica, especialmente os que vêm do nosso inconsciente.
mas o que está no inconsciente? diversos conteúdos, mas principalmente aqueles que tendemos a negar de (e para) nós mesmos, coisas que ignoramos, sentimentos "esquecidos" (ou melhor: jogados para a lata do lixo mental para que a pessoa não tenha que encarar aquilo), medos, inseguranças, traumas do passado, sensações, questionamentos, dúvidas, traços de personalidade, comportamentos.
não precisa ser algo de dimensão tão grande, até porque "grande" e "pequeno" são conceitos relativos, às vezes o que para mim é muito grande, para você não seria tanto assim.
exemplificando,
pode ser que você tenha lidado no passado com certa sensação de não ser útil para alguém e não ser suficientemente inteligente. guardou isso no fundo de sua mente. vamos supor que agora você está em outra fase de sua vida, em que recebe bastante tarefas e responsabilidades, e por algumas razões (estar recebendo muitas exigências e receber críticas aqui e ali) você revive aquela ideia do passado de não ser útil e não ser inteligente o suficiente.
começa a ter reações defensivas e/ou não consegue diferenciar a crítica negativa da construtiva e/ou não percebe o quanto pode aprender mais e o quanto já sabe. nesse cenário, será que você lembra do passado e a raiz disso? será que consegue notar a motivação por trás dos seus pensamentos e reações emocionais?
outro exemplo.
uma pessoa que teve problemas familiares no passado. um dos genitores era muito ignorante, agressivo, mas depois isso melhorou e a pessoa, felizmente, não teve que lidar com certas explosões emocionais. porém ter contato com isso afetou e muito a personalidade dela. após alguns anos, essa mesma pessoa tem que lidar com uma pessoa explosiva emocionalmente de novo.
ela se sente ameaçada toda vez que está próxima de alguém muito ignorante ou explosivo, porém por medo, tem um comportamento de dar exatamente o que a pessoa explosiva deseja, tudo para evitar sentir as coisas novamente. esse comportamento mais inseguro consigo mesmo resguarda uma raiz no passado, quando a pessoa se sentia ameaçada pelo outro.
eu quero que você perceba que é impossível eu mensurar os efeitos e as possibilidades de questões emocionais reprimidas. cada um tem uma realidade. normalmente dou exemplos (traumas, medos, inseguranças), mas muita coisa pode incomodar alguém, e não somos nós quem podemos validar ou invalidar isso.
o que nos ajuda a perceber se tem algo a ser lidado que está ali nos impactando é: pareço estar sempre triste/afetada/defensiva quando chega algum assunto? eu mudo quando alguém toca em determinado assunto? fico diferente demais, sinto algo distinto quando certa coisa ocorre? acho que isso pode ajudar a mensurar o que afinal afeta você.
o autoconhecimento envolve passar por esse processo de querer tocar em assuntos delicados, pois se algo não está bem resolvido, isso ainda lhe afeta, mesmo que você não perceba.
se um assunto não foi bem lidado, então os efeitos dele sobre você com certeza não finalizaram. na realidade, agora se tornaram apenas inconscientes, mais do que antes. e essa sensação que a nossa consciência tem de que as coisas estão bem (já que tudo foi jogado para a Sombra, para o inconsciente) é muito satisfatória para aqueles que possuem uma certa tendência a tapar buracos emocionais, buscar fugir de seus sentimentos ou que simplesmente gostam de controlar muito a sua vida interna, as suas sensações, a sua sensibilidade.
mas satisfação não é sinônimo de estar bem. o fato da pessoa não ter mais que lidar com um sentimento rotineiro de incômodo e tristeza não significa que ela está saudável. pessoas que estão 'sempre felizes' nem sempre são as mais felizes, e pessoas que possuem certas fases de tristeza nem sempre são as menos saudáveis no nível emocional. costumo pensar que, em certos casos, o nível da sua saúde emocional e mental tende a surgir a longo prazo.
preciso pontuar também que autoconhecimento não é terceirizar a sua responsabilidade para outra pessoa (um psicólogo, um psiquiatra). terapia pode ajudar e ajuda muito, mas não espere que "o terapeuta resolva os seus problemas". ele te ajudará, mas não é o responsável por sua vida emocional. precisamos praticar a autorresponsabilidade pelo que reagimos e fazemos.
é você quem precisa assumir essa responsabilidade. a própria palavra já nos diz muito: auto do grego 'autós' (por si mesmo) + conhecimento.
métodos para lidar com questões internas não encaradas, como trazer o inconsciente à tona:
- associação, analogias, semelhanças: trazer os conteúdos realmente indo atrás deles. a tarefa é não correr mais. é necessário ir atrás de si, percorrer um certo caminho a fim de encontrar o seu inconsciente e o que está lá.
por isso, através da leitura, do contato com determinados assuntos, a sua mente consciente pode ser levada a refletir sobre os assuntos.
a nossa mente consciente - que estamos sempre juntinhos e usando no cotidiano - é egóica e tende a funcionar pelo raciocínio lógico e causal. ao entrar em contato com os assuntos da mente inconsciente, ela vai começar a querer raciocinar sobre eles - desde que você não bloqueie o processo.
isso porque a mente inconscientes não é lógica e causal, naturalmente ela é mais focada nas imagens, símbolos, os conteúdos lá possuem significados, mas estão distantes de nós. por isso, precisam ser trazidos à nossa mente do modo que eles são - de forma simbólica, subjetiva. agindo somente através da lógica pode ser complicado, e podemos não conseguir compreender a mente inconsciente.
Jung falava que o pensamento inconsciente é autônomo exatamente porque:
"não requer esforço, afasta-se da realidade para fantasias do passado e do futuro. Aqui termina o pensamento em forma de linguagem, imagem segue imagem, sensação segue sensação (...) trabalha sem esforço, espontaneamente, com conteúdos encontrados prontos e é dirigido por motivos inconscientes (...) afasta-se da realidade, liberta tendências subjetivas e é improdutivo em relação à adaptação" (Jung, Símbolos da transformação, 1986, p. 16).
por isso, se queremos compreender a nossa mente inconsciente, precisamos também compreender tudo que for mais subjetivo, sonhos, medos, pesadelos, símbolos que podem aparecer em nossas atitudes, coisas que podem ser rotuladas como 'desconhecidas' pelo seu ego (mente consciente) podem ser, no fim, a chave para acessar o seu inconsciente. lembre-se que ele existe, mas infelizmente é muito inacessível por nós. seja porque não somos instigados a nos conhecer, seja porque pioramos esse estado reprimindo as coisas.
perceba que ao 'jogar' um conteúdo para o inconsciente, você assume um débito para o seu futuro. exatamente pela natureza distinta da mente consciente para a inconsciente, temos dificuldade em conseguir traduzir com facilidade o que está no fundo da nossa mente. se você joga coisas agora conscientes para a sua mente inconsciente, ou se fez isso no passado, os incômodos virão em forma de comportamentos, sem perceber; sonhos; pesadelos, aquelas "vozes" na sua cabeça que são apenas a materialização do seu inconsciente, que possui autonomia e energia psíquica.
porém, apesar da autonomia, quando os conteúdos reprimidos chegam até você, eles são num primeiro momento muito difíceis de serem traduzidos, compreendidos. porque lá no inconsciente eles foram deixados, e por isso perderam a concretude, se tornaram coisas mais simbólicas, imagens, são abstratos. o conteúdo é o mesmo, mas a forma como eles se apresentam para a nossa mente agora é outra.
“estas imagens devem ser consideradas como se apresentassem descrições de nós mesmos, ou de nossas situações inconscientes, na forma de analogias ou parábolas” (Whitmont, A Busca do símbolo: conceitos básicos de psicologia analítica, 1991, p. 35).
"A desvalorização da linguagem simbólica implica na desvalorização do inconsciente e da realidade subjetiva da psique" (Jung, 1927/1985a).
quero que você, leitor. fixe em sua mente algumas coisinhas, ou simplesmente reflita sobre isso:
- admita para si mesmo que você precisa melhorar, todos precisamos. eu preciso!
- começar a perceber pontos em você tem algo a melhorar, e não fuja de melhorá-los, não tenha medo de assumir e verbalizar para si mesmo: eu tenho uma questãozinha com nisso. eu quero melhorar nisso.
- coisas do passado podem definir quem nós somos
- melhorar dói (lembre da analogia com o corpo).
- ciclo da resiliência: autoconhecimento que gera autoconfiança (conhecer-se, aceitar-se, saber o que quer, classificar as suas metas, gostar-se, reconhecer falhas) + aprendizagem contínua sobre si mesmo (aceitar suas falhas, querer melhorar, aperfeiçoar, ter perseverança, ter receptividade).
novamente: o processo de perceber coisas em si mesmo/a pode gerar uma autocrítica negativa. eu não quero isso. todos passamos por isso. todos temos pontos a melhorarmos sempre, e melhor do que ficar se culpando por falhar ou ter pontos negativos, é lidar com essa sensação e tentar evoluir. e por isso é importante ter resiliência. anote isso: muitas pessoas chegam aos seus 50 sem nunca terem se questionado sobre nada!! seguindo com os mesmos comportamentos do passado. se você está questionando agora tendo 15, 18, 22, 30 anos, tanto faz, eu fico feliz, então fique também.
recentemente, refletindo sobre o funcionamento das pessoas e de como às vezes usamos certos instrumentos para legitimar nossos comportamentos, cheguei a uma conclusão: às vezes somos tão ligados às normas que esquecemos das realidades que fogem dela, isso quando não utilizamos as normas para tornar "correto" ou aceitável comportamentos evidentemente errados.
nem toda norma faz sentido, nem toda regra precisa ser aplicada a todos. até mesmo porque nem todos poderão se submeter a elas, mesmo que queiram.
não estou falando (somente) das normas no sentido das leis feitas pelo Poder Legislativo e que precisam ser seguidas - porque normalmente tem uma sanção para o seu descumprimento, seja uma multa ou a pena de prisão. digo principalmente sobre as normas sociais, que às vezes incomodam tanto quanto as leis quando não são cumpridas.
isso me faz até pensar: qual a sanção (pena, digamos assim) quando uma pessoa descumpre uma norma social? são tantas. e observo que a sociedade tem cada dia reinventado as formas de sancionar aqueles que fogem do seu ideal. seja através da separação, não integrando pessoas que deixam de fazer parte simplesmente pelo fato de não "preencherem o que se espera", seja por diversas outras formas, como a imposição de que a pessoa viva de acordo com o que se aceita e enxerga de ideal.
ok, mas e quais as normas sociais que mais disseminamos mundo afora? são muitas das ideias tradicionais. seja sobre família (como agir com família, como ser uma família, o que é um pai, o que é uma mãe, o que é ser filho), sobre gênero (ideias sobre o que é ser homem, o que é ser mulher), sobre orientação sexual, etc.
são diversas.
e todo o tradicionalismo existente nessas ideias não permite que o diferente respire, se expresse, faça morada. é um terreno fértil para todo o ideal que rodeia essas áreas da vida, mas não para o que foge disso.
não se trata de sair quebrando todos os parâmetros possíveis chegando ao ponto de não ter mais nada para se pautar.
na realidade, isso é impossível tendo em vista que estamos sempre buscando parâmetros na nossa vida. portanto, a busca por parâmetro não acabará.
o que eu estou querendo dizer é que não devemos viver focados em permitir e conhecer somente UM parâmetro, pois seja se tratando de nós ou dos outros, diversas vezes seremos levados a entrar em contato com a diversidade. como poderemos lidar com a diversidade se não temos mentes que aceitam situações diversas?
no melhor dos cenários (de extrema zona de conforto), a pessoa vive bem na sua bolha pois não precisa se confrontar com a diversidade em seu círculo interno. então ela ignora o que está ao redor dela, e quando o diferente chega até ela, demonstra incompreensão (não do tipo "natural", que tendemos a ter quando vemos algo novo, mas com um ar de impor a tal norma social que ela vive tão apegada).
mas é pior quando essa pessoa tão focada na norma social e na vida ideal é exatamente quem precisa lidar com uma vida diferente, diversa. nesse momento é ela quem se torna a inimiga de si mesma, alguém com quem ela terá diversos duelos até entender primeiramente que está tudo bem fugir do ideal, até mesmo porque o próprio ideal possui tantas falhas, dá espaço para tantas ideias fixas e não permite o crescimento - fora da bolha.
acho muito importante termos em mente essa nossa tendência - a de dizer para nós e para os outros que existem formas ideais de viver a vida, não diversas formas ideais, mas somente uma para cada situação.
agindo desse modo podemos sair calando outras realidades que existem mundo afora, impedindo que elas sejam vividas, além de nos frear de compreender algo que foge do ideal.
isso ocorre quando uma pessoa aceita demais tal norma social e acredita que ela precisa ser posta em prática em todas as situações, o que com certeza abre espaço para muitos problemas. problemas que surgem especialmente quando ela se depara com algo/alguém que foge desse ideal trazido pela norma social que ela proclama e defende.
o que se torna ainda mais verdadeiro quando a pessoa não somente vive em prol de colocar essa norma social em prática, mas também possui condições de vida favoráveis naquele aspecto que possibilitam que a norma social seja posta em prática PARA ELA.
de todo modo, gostaria de te levar à reflexão de que existem diferentes formas de viver no mundo, de viver a vida ao nosso redor, de viver com nós mesmos, e nem sempre o seu modo de viver - por mais que esteja lhe fazendo bem - será ideal para o outro.
além disso, atente-se para o fato de que você pode agir assim exatamente por você preencher o ideal que se espera socialmente em um ponto da sua vida (família, orientação sexual). se você seguir esse caminho, pode iniciar um processo interno de acreditar que a sua forma de vida é a única correta, pautando-se naquela dualidade tão ultrapassada de certo x errado. certo = o que você vive; errado = o que é diferente do que você vive.
na realidade, a vida é bem mais complexa do que isso, e precisamos ter uma mente preparada para lidar com essas diferentes realidades. por que? porque isso se chama exercitar a nossa empatia, pois agir de modo diverso chega até a ser uma forma de violência, uma ignorância com relação às outras realidades existentes, o que causa uma sensação de separação da sociedade muito grande para quem foge do ideal trazido pela norma. tanto porque a pessoa não se sente bem pois sabe o que é ideal, quanto porque ela escuta de forma pejorativa que ela tem "concepções diferentes" (como se esse diferente significasse algo necessariamente ruim).
no fim, o que deve valer é se faz bem para a própria pessoa, se a torna alguém feliz, e se não faz mal para ninguém. se preenche tudo isso, por que o seu incômodo com o que foge da norma social? por que querer aplicar o medicamento H se ele não se aplica ao corpo K? que tal observar outras soluções e remédios (que existem sim!) mas que fogem da situação que você aplicaria tendo como base a expectativa social e a sua vida?
quando nos afastamos desses ideais damos o primeiro passo para entender o outro e compreender não só os próximos a nós, mas
assim também nos tornamos uma voz de incompreensão e intolerância a menos no mundo.
se somos quem passamos por aquilo, aprendemos então a cuidar dessa sensação de não se encaixar em algo esperado, cuidamos da ferida (culpa, por exemplo) por estarmos "fora da reta", e aprendemos a admirar a nossa diversidade, mesmo que com ela tenha vindo tantas dores e percalços.
porque nem tudo que foge do esperado merece se sentir responsável por corrigir uma ideia de "erro" que na realidade não foi criada por culpa sua - a sensação de estar errando vem exatamente de não fazer parte das normas sociais disseminadas diariamente mundo afora, de pessoas próximas e distantes. ou seja, se a aceitação, abertura mental ou pelo menos respeito existissem em abundância tanto quanto as normas sociais que são exigidas diariamente, certas pessoas não se sentiriam tão "erradas" assim.
A sua (in)capacidade de enxergar as situações somente pelo que foi vivido por ti
&
a sua (in)capacidade de enxergar a realidade do outro
Quantas vezes observo e me relaciono com pessoas que não conseguem enxergar um palmo além de suas mãos, que naturalmente colocam uma barreira entre eles e tudo que é diferente, “estranho”. E às vezes esse ‘estranho’ não tem a ver com pessoas completamente opostas à você, que são literalmente diferentes. Pode até mesmo se tratar de alguém que você relaciona no seu cotidiano, alguém que você conversou hoje, que conhece. Mas que você não tem uma interação tão profunda e tampouco completa, já que por vezes ocorrem situações em que você insere uma barreira mental entre você e a pessoa que te impede de compreender a situação dela.
Vou dar alguns exemplos.
É o caso de uma pessoa que passa atualmente por uma situação de dificuldade em seu relacionamento, e que escuta coisas ruins ao tentar desabafar com uma outra pessoa que aparentemente nunca lidou com tal questão, seja porque não namorou ou por ter tido muito êxito em suas relações. Sabe aquelas palavras de conformismo ou em que você simplesmente sente que a pessoa pouco escutou do que você disse? Que ela não consegue se conectar com você, com o que você sente e vive atualmente. Aquela pessoa para quem você fala: “eu estou mal, a gente tá afastado e eu não sei como resolver isso…”, e a pessoa não compreende a sua necessidade de resolver aquilo, o incômodo que isso te dá. Ela banaliza a sua situação e não dá valor ao assunto. Porque ELA nunca sentiu isso.
Mesmo que seja pouco pensado ou falado, existe algo que anda de mãos entrelaçadas com toda relação humana: a necessidade de ser compreendido. Temos SEDE de interação sincera, de pessoas que nos compreendam. Naturalmente falando, todos buscamos isso. A diferença está na forma que vamos escolher lidar com isso no decorrer da nossa vida. Algumas pessoas, por exemplo, ignoram seu desejo inerente de serem nutridas, vivendo sobre uma filosofia de desapego, pois ‘desapegar de todos é melhor’. Pessoas assim normalmente no fundo vivem na defensiva e têm medo do que é profundo. Temem por seus motivos, podendo ser por exemplo por puro medo de se machucar, o que gera uma vontade grande de evitar qualquer aproximação que possa trazer apego e uma possível dor.
Mas o fato é: naturalmente necessitamos de apego emocional e nutrição. É algo que, em níveis saudáveis, dá razão de existir, prazer em estar nesse momento presente e ter alguém para contar, para te escutar. Aumenta hormônios como a serotonina, que regula a felicidade dentro da gente. Existe sensação melhor, aquele calor que dá no coração, uma vontadezinha de sorrir, um suspiro de alívio, quando alguém realmente te entende? Quando realmente temos uma pessoa com quem contar sentimos que vale a pena viver. O momento presente nos dá prazer. Já que somos assim e somos iguais neste ponto, por que buscamos nos afastar tanto desse desejo inerente à nossa natureza?
Uma vez que desejamos isso naturalmente, negando isso a nós ou não, vamos querer sentir uma compreensão mínima ao nos comunicarmos com as pessoas. E quando entregamos parte de nós [compartilhar a dor é dar uma parte de ti ao outro] e recebemos indiferença e uma resposta um tanto ‘foda-se’ ao que é colocado para fora, a consequência é mudarmos demais a nossa relação com o mundo e conosco. Eu, por exemplo, das vezes que já recebi muitos foda-se para desabafos meus, tirei conclusões momentâneas [que tive que trabalhar sozinha, posteriormente] de que pouco vale ou pouco faz diferença se eu tô desabafando ou não, guardar pra mim é melhor e evita sofrimento. Porque, pense: estou mal, já estou numa situação triste, e sempre que vou atrás de alguém [ou alguéns] a pessoa descaradamente caga para o que tenho para dizer, sobre o que eu falei e que ela ouviu e simplesmente não fez diferença para ela [ou não ouviu, pois não se importou]. Entrou por um ouvido e saiu pelo outro. A postura dessas pessoas que passam pelas nossas vidas acaba infelizmente moldando e muito a forma como enxergamos o mundo e como iremos nos relacionar com as pessoas nas próximas interações. E eu digo por experiência própria: é difícil se abrir de novo. O estrago que pessoas assim fazem é tremendo. Basta alguns [ou uma coleção] de ‘foda-ses’ para suas dores que é como se o mundo gritasse para ti: EU. NÃO. ME IMPORTO COM VOCÊ. Isso tudo foi tirado como conclusão exatamente porque o ser ouvinte não teve a capacidade de me mostrar ‘ei, eu me importo com a sua dor’ ‘eu compreendo o que você sente mesmo sem ter vivenciado’, ‘não é cansativo estar aqui te ouvindo e tentando me conectar contigo’. A pessoa não consegue [e não procura] entender pois somente ouvir o outro não basta. Para esse tipo de pessoa, é só através da vivência [sentindo na pele] que ela compreende o que é aquilo. Mas somos tão diferentes, temos vidas tão diferentes. Devemos conversar somente com aqueles que já passaram exatamente pelo mesmo? O outro não pode compreender? É normal ser assim desconectado dos outros?!
Esses são os meus pontos de crítica. E disso eu tiro uma reflexão sobre a natureza da empatia. Somos empáticos por natureza? Quem não é, tem capacidade de vir a ser? Existem os mais e os menos empáticos?
Sim, sim e sim. Sim para todas as três perguntas. Eu realmente acredito que possuímos a capacidade de desenvolver empatia, para mim todos a possuímos desde que viemos ao mundo, pois somos iguais em natureza [humana], e também por natureza somos todos Um, mas nos desintegramos em tantas coisas e grupos fragmentados que acabam se tornando opostos uns aos outros, não sabemos nos ligar ao nosso ser natural. Ser empático é um potencial, e como todo potencial, cabe ao possuidor dele desenvolvê-lo. Logo, se você não for provocada a desenvolver isso pelas pessoas que você convive quando nova, e posteriormente não for uma pessoa que desenvolverá isso sozinha em si, independentemente dos outros, as chances da empatia aflorar em você são pequenas. Numa terra onde o ego manda, a empatia não dá frutos. Ela se sente mal, tal como funciona exatamente por ser empatia: ela sabe que não dá para florescer ali, o ego não abre esse espaço pois somente as necessidades dele mandam no ‘jardim’ da sua mente, do seu interior.
E assim, a empatia fica adormecida, e seu potencial cada dia mais minimizado. Ela não brilha e nem vai crescer dentro de você: seria possível crescer e florescer sem nunca nem ter sido plantada?
“Quem não é, tem capacidade de ser empático?” Claro. Mas é como eu falei ali em cima: desde que você desenvolva isso. A vida é livre arbítrio, ainda mais quando essas escolham se tratarem de algo plenamente interior, algo você-você.
“Existem os mais e os menos empáticos?” Com certeza, óbvio, sem dúvidas. Só pensar em como você possivelmente conhece ou ainda conhecerá pessoas que são mais empáticas e que são tão capazes de te ajudar e te passam uma sensação de validação e compreensão, isso mesmo sem terem vivido aquela experiência ruim. Em contraste, sempre terão aqueles [que não são poucos hoje em dia, infelizmente] que não se conectarão com o que não foi sentido na pele deles. A interação deles com o mundo é completamente egóica. Os olhos voltados ao mundo são eu-eu, e não eu-o outro. Eles não sabem o significado da *alteridade humana pois nunca enxergaram ela nos outros.
Quando alguém fala é porque quer ser escutado.
Ninguém se abre à toa.
Falando de comunicação, tem algo que eu aprendi anos atrás em linguagem com uma professora minha [incrível ela, btw. saudades] e que cabe muito aqui: comunicação e como ela pode ser ou bem ou mal-sucedida. Basicamente estamos por aí nos comunicando e enquanto fazemos isso, enviamos mensagens através de falas, energias através de corpos, e interagimos com o mundo o tempo todo. Enquanto fazemos essas coisas todas deveríamos buscar seguir alguns requisitos que regem toda relação harmoniosa: quando um fala, o outro escuta. Não é uma competição de quem fala mais, de quem sofre mais. É uma troca. E trocas envolvem esperar o outro mostrar o que ele tem para lhe dar e só depois você faz o mesmo. Isso seria uma comunicação bem-sucedida: escutar e compreender de fato o que existe por trás de uma mensagem de alguém.
Comunicação bem-sucedida - receptor compreende a mensagem passada por aquele que fala
Comunicação mal-sucedida - receptor não compreende a mensagem
Quantas relações por aí são baseadas em repetitivas e frequentes comunicações mal-sucedidas? Pessoas que “se conhecem”, parecem estar interagindo à beça, mas na realidade é um jogo de quem fala mais, de quem joga mais assunto na roda, pois conexão?… Essa não há. Não há um mergulho, por mínimo que seja, na situação alheia, no que a pessoa conta. É uma batalha de falhas, de quem segura a batata quente na mão por mais tempo, e que logo joga ao outro, ‘sua vez! fale algo, não deixe o assunto morrer’. Não há tempo para assimilar o que o outro diz. Pronto. Bora partir pro próximo assunto, e dane-se se na sua última frase/assunto, você colocou muito de si ali. Só precisamos acumular assunto e garantir que essa relação siga ‘firme’, com muuuuita falação, sem silêncio hein? O silêncio é constrangedor!
Dando outro exemplo, penso em um jovem que sofre bullying em sua escola e vai falar disso com outro colega que nunca esteve perto de sofrer bullying, nunca foi “o alvo”. Ou seja, sempre esteve longe de minimamente saber o que é sofrer bullying. Ele, se fosse empático, poderia compreender e imaginar como é difícil só de observar o colega, sem precisar passar pelo mesmo. Mas está longe de ser o caso.
E, ao invés de escutar e APRENDER com o outro - que é protagonista nesse momento - sobre a dor do bullying, o ser não dá um amparo, ele se afasta pois “não é problema dele”, e exatamente por ele jamais ter sentido isso na pele, é algo que para ele “é inútil” e muita frescura reclamar. É mais um comportamento egóico. Visualizar as pessoas a partir do eu-eu, não eu-você, eu-o outro.
E neste caso em específico sinto ser ainda mais perigoso e triste passar por isso, pois é uma questão de fragilidade tão intensa, compreende? O bullying é algo que acontece do lado de fora mas vira um demônio interno, algo que faz morada dentro de você. Pois é simplesmente difícil demais entender: 1º por que o tamanho ódio, ninguém consegue entender de cara que uma pessoa que faz bullying com os outros no fundo tem problemas consigo mesma; 2º que a dificuldade também está no fato de que a pessoa que passa por isso vai ficar muito mais frágil emocionalmente, e ela tá construindo um muro nela. A cada porta batida na cara dela ao tentar desabafar é um tijolo adicionado no muro entre ela e o mundo. Infelizmente muitas das pessoas jovens adultas ou adultas que você conhece são fechadas exatamente por terem tido experiências que traumatizaram e deixaram elas na defensiva, no medo de se abrirem - pois não ser escutada novamente doeria demais, então é melhor nem começar a falar.
Não são poucas as vezes em que observo e convivo com pessoas assim. E te peço, com carinho, que caso você se enxergue como alguém assim, ou já tenha sido assim com alguém: primeiro, se arrependa. Segundo, se perdoe, para não viver com um peso de ter feito alguém triste, isso pode depois virar um problema com amor próprio e viver bem consigo e etc. Terceiro, mude seu comportamento de verdade. Entenda como somos OS ÚNICOS a fazerem mudanças nesse mundo. Você não consegue enxergar? Somos nós quem fazemos os estragos e as benfeitorias no mundo, temos um livre arbítrio gigante por aqui, o bem e o mal acontecem na medida [e doses] que você injeta eles pelo mundo. O amor faz bem, o ódio faz mal, a empatia entrega o bem, a indiferença entrega o mal. O que destruímos e o que plantamos. O que fazemos com cada uma das coisas que recebemos em nossa ‘mesa’ diariamente. Você tem livre arbítrio e diariamente faz escolhas. Não trate o outro como se pouca coisa ele fosse. Nem você, nem ele, nem eu - nenhum de nós merecemos receber a mensagem de que sentir é ruim, ter problemas é ruim, você é ruim, como se fôssemos erros ambulantes, fracassos que vagam pelo mundo.
Você consegue, afinal, enxergar os outros?
Quando alguém lhe conta uma experiência vivida, ou quando esse alguém simplesmente é diferente de ti, pensa e possui crenças diferentes: como você o enxerga? Qual a intensidade e o tipo de interação? Você acredita que dá tudo de ti na tentativa de observar e compreender essa pessoa?
Você compreende alguém que passa pelo mesmo que você já passou?
E se você não tivesse vivido isso, ainda assim entenderia a pessoa?
Essas são perguntas que considero fundamentais de serem feitas num exercício de autorreflexão sobre ‘tenho sido um bom ouvinte?’; e não apenas nisso, mas no sentido de compreender que aquele te não te escuta que está errando. Você não é um fardo.
Partindo da premissa que tenho comigo de que, uma vez que estamos em sociedade precisamos interagir, o ser humano é um ser social, e esse interagir envolve trocas, já que somos tão diversos uns dos outros; a troca é o que pode formar a sua base diversificada de compreensão humana. É como se você saísse para andar num bosque, numa floresta, e aos poucos fosse coletando coisas que encontrasse pelo caminho, coisas diversificadas, prontas para formar o seu compilado de ideias diferente sobre essa complexidade chamada ‘natureza humana’.
A vida é troca, é escuta, é transformação, mudança. E trocas, transformações e mudanças raramente acontecem se o único ‘objeto’ em questão for você. Se, na realidade, nem interação existe. Se você não sair do campo do individual, jamais conhecerá outras visões, nunca visitará outros mundos e será difícil de transformar-se, sentir mudanças acontecendo: o gosto sentido na vida será sempre o mesmo. Você só viverá pelo que acontece contigo, não pelo que ocorre com os demais, com seus semelhantes.
Quando a escolha feita é a de não se comunicar com mais ninguém que pensa ou vive uma situação diferente da sua, quando você corre da pessoa pois ‘ela está com problemas’, primeiro que automaticamente é passada uma imagem ao outro de ‘incômodo’. E além disso, você corre um risco gigante de permanecer preso em si mesma (o) por tempos, talvez até para a vida toda. Você vai achar que está bem em ser aquele serzinho que vive olhando para o seu umbigo e que nunca sai da bolha minha rotina-minha vida, e você pode até viver bem, mas também será limitado.
Viva as relações humanas tais como elas são: carentes - num nível saudável - de apego e nutrição. De escutas verdadeiras e trocas sinceras. Acredite, no dia depois de amanhã pode muito bem ser você aqui.
Para finalizar, quero comentar a própria frase anterior: “depois de amanhã pode muito bem ser você aqui”. Até mesmo na tentativa de adentrar na pessoa para que seja entendido o que o outro passa, é necessário fazê-la ver através dos olhos do eu [ego] dela: pode ser você aqui! Não se esqueça! Isso pode se voltar contra ti.
o Natal representa amor, nascimento, fraternidade, compaixão, dentre muitas outras coisas. quando olho para esta data, penso em uma possibilidade de evolução humana. porque é um momento em que muitos se juntam para falar sobre amor e compaixão. então lhe pergunto: nesses tantos Natais que você já viveu, o quanto você transmitiu da mensagem de amor? sentiu algum tipo de evolução na sua compreensão pelos outros?
digo isso porque para mim é muito óbvio que, apesar de vivermos em nossos lares, com nossa família ou pessoas próximas, ou sozinhos (e tudo isso constituem bolhas, em sentidos positivos e negativos), vivemos em sociedade. e não podemos negar que a mensagem espiritual que se espera passar por meio do Natal seja para todos, não somente para os próximos de nós, concorda comigo?
se percebeu alguma falha em concordar "de prontidão" que todos merecem amor e que essa mensagem se destina a todos, convido você a refletir sobre isso.
esse texto não será do tipo que deseja coisas sem levantar qualquer tipo de reflexão, apenas seguindo a energia - que é bonita - do natal, mas que me soa como hipocrisia em alguns momentos.
desejar apenas o bem sem reavaliar o que de fato temos feito para fazer o bem para quem está perto ou longe de nós, proclamar o amor em nome de uma pessoa específica, sem lembrar o que teoricamente ele parece ter se esforçado para ensinar. muito é dito sobre "amai-vos uns aos outros como amam a ti mesmo", algo assim. e esse amor, para onde tem ido? ele tem sido distribuído conforme nossas necessidades pessoais e sociais genuínas?
a mensagem de Natal é direcionada A QUEM?
quem sente esse amor, essa fraternidade?!
será que o amor natalino realmente é posto em prática? não preciso nem refletir tão profundamente para chegarmos na resposta de que não, tendo em vista que diversas formas de ódio e de pensamentos limitados têm sido disseminadas aqui e acolá. isso significa que então o natal é uma farsa? ou que ele não tem valor algum? bom, eu acredito que algo passa a ter valor a partir dos nossos esforços para atribuir um significado àquilo e fazer algo para que isso tenha sentido.
porque apenas falar coisas e esperar que automaticamente a vida seja repleta de amor e de compaixão, acho que nesses tantos séculos de história já pudemos ver que quem influencia a nossa vida somos nós, nossas atitudes.
por isso, ao invés de apenas sair afirmando que é um dia de ter amor, de ter compaixão, acho que o mais correto seria ver se realmente temos sido essa fonte de amor e compaixão aos outros, isso parece fazer bem mais sentido.
senão a data se torna algo vazio, em que falamos tais palavras mas com um alcance limitadíssimo, muitas vezes sem nem ter posto em prática. vira um momento de mera festança, pois ninguém se lembra mais de colocar em prática os significados que criaram para a mesma data.
então se tornam (ou apenas continuam sendo) pessoas que seguem a "vibe", que "não querem ser perturbadas em datas leves". bom, se a data propõe reflexão e tem um grande peso, por que fugir da reflexão? seria porque realmente temos débitos que não conseguimos quitar uns com os outros, e que aumentam cada vez mais?
negligência emocional, desconexão, pessoas distantes uma das outras, pessoas que vivem de aparência, pessoas que criam problemas para que se faça algo tão simples (escutar-conversar), e que poderia ajudar na prevenção/tratamento de diversos males mentais que temos sofrido coletivamente (mas que sempre são lidados individualmente): depressão, ansiedade. e nem preciso citar pessoas passando fome, pessoas precisando de ajuda perto e longe de nós. mas somos seres amorosos, não somos?! só porque temos a intenção de assim ser.
o amor é uma coisa tão leve e bonita que eu não vejo possibilidade de ele florescer em asfaltos cinzentos onde as pessoas não podem nem mesmo relaxar e ficar descalças, porque podem machucar seus pés ou simplesmente queimá-los (em dias de sol). onde não há diálogo, por exemplo, não vejo amor. onde há imposições também não vejo amor. onde há somente uma visão pautada na própria realidade e bolha, não vejo amor.
para mim, o amor não se trata de olhar para uma pessoa e simplesmente desejar o bem para ela, esperando que as coisas deem certo em sua vida etc. isso por si só é importante e válido, com certeza precisamos levar isso em consideração, agradecer e tudo mais. mas... a vida é só isso?
nossa vida não é mais complexa do que isso?
e quando estamos ali interagindo um com o outro, em nosso cotidiano, em nossas relações, e demonstramos um pensamento limitante, ou uma falta de compreensão de determinada realidade, ou uma imposição que acabamos por fazer aos outros, dentre diversas outras atitudes que são bastante comuns - e que não vem somente daqueles que não gostamos.
isso passa longe do amor. não é ódio, pelo menos não automaticamente, mas também não é amor. e se queremos viver em acordo com os ideais amorosos e de empatia, especialmente que datas assim trazem, é importante sabermos fazer jus a tais palavras.
amar envolve tantas coisas, mas dentre uma delas posso afirmar com certeza que envolve a compreensão do outro, o respeito e, especialmente, a vontade de fazer a pessoa se sentir bem aqui nesta existência. arrisco dizer que se estamos fazendo o suficiente para que uma pessoa se sinta bem, então estamos dando um amor de verdade para ela ou nos aproximando disso.
o amor pode estar sempre em construção, não acredito que o amor esteja sempre presente da forma ideal porque para mim o ser humano ainda falha muito em amar os outros, amar de fato, compreende? ainda temos uma série de limitações que nos impusemos e que precisamos ultrapassar. e sabe, não tem nenhum problema termos limites (no momento). isso significa que ainda podemos evoluir.
o problema é que enquanto a evolução não chega porque ainda não demos os pontapés iniciais, ficamos dizendo que amamos as pessoas, quando na realidade temos a pretensão de amar (ou às vezes nem isso, nos casos de falsidade) mas esse amor ainda não é ideal, da forma que falamos, queremos e merecemos.
amor é compreender a pessoa em sua totalidade e realidade, e não com "mas...", "porém..., e todas as outras palavras e frases que demonstram um limite nesse "amor" que é dito existir.
quem ama, seja o próximo, a ti mesmo, ou pessoas bem distantes, não julga. não impõe as suas ideias a realidades que não domina e nem mesmo sabe funcionar. pratica a tolerância, o respeito e se esforça para evoluir e entender o real significado de amar uma pessoa. não se coloca em uma posição de arrogância fingindo saber tudo sobre determinada realidade, porque ainda tem muito a viver, pensar, imaginar, observar.
não pratica violências sutis, mas que ainda assim fazem mal, por exemplo quando tem uma comunicação com o outro que envolve intolerância ou falta de empatia. isso pode ser uma comunicação violenta.
o Natal pode ser um tempo de amor, mas com um significado não apenas da boca pra fora, limitado, mas sim um significado que envolve DE FATO amar ao outro. que não seja somente da boca para fora. que de fato envolva a tão sonhada evolução humana que as pessoas querem, mas que se esqueceram de buscar. queremos especialmente em datas como essa, mas temos feito algo em prol disso? não podemos esquecer que no plano terreno, os únicos verdadeiros responsáveis por distribuir (ou não) amor pelo mundo somos nós mesmos.
vejo como interessante:
reconsiderar seus conceitos sobre as coisas;
repensar como e quem você tem sido na vida das pessoas ao seu redor;
avaliar se você tem permitido que as pessoas ao seu redor de fato sintam esse amor que você proclama como importante, caso o faça.
porque não há nada melhor do que ter - ou simplesmente buscar - uma harmonia entre palavra e atitude.
e veja, se a gente para e faz uma análise superficial sobre "temos sido amorosos?" provavelmente logo pensaremos que sim. e imagino que para responder essa pergunta você partiria de uma premissa: a minha intenção é essa, amar. mas lembre-se: a intenção também precisa de ação para se concretizar, senão é apenas um pensamento solto, uma palavra sem praticidade.
por isso proponho uma reflexão mais profunda, gentil mas ainda assim autocrítica sobre as suas atitudes recentes. será que tenho sido fonte de amor aos outros ao meu redor? amor no sentido que representei acima, tendo em vista que precisamos de maiores significados para nos sentirmos bem e permanecermos aqui.
não se trata de se punir ou se criticar, mas sim de buscar evolução. porque definitivamente, estamos precisando disso.
pensarmos em como gostaríamos de ter o mundo é bastante válido, mas com certeza é bem mais interessante viver (agindo) em acordo com o que falamos.
o quanto temos feito para as pessoas se sentirem realmente amadas, conforme o significado da data?
você precisa reconhecer quando já deu de dar chances.
você precisa aceitar o melhor para a sua vida, e muitas vezes isso vem de negar algo que já não lhe faz mais bem.
você tem que entender que ainda é cedo para definir coisas sobre si mesmo.
você tem que enxergar o seu valor.
você precisa ver o outro com amor.
você é valioso.
você pode aprender sempre mais.
você pode conseguir.
você não é feito só de erros cometidos.
você terá diversas oportunidades.
você merece ter essas oportunidades.
você nasceu para ser feliz, por que não?
você pode - e deve - escolher os caminhos da sua vida.
você tem que dizer para os outros, mesmo que em algum dia esse outro seja você: "desista de me fazer desistir".
você consegue.
e aí, você acredita em mim?
por que você dá a si mesmo o poder da dúvida com relação ao seu potencial? por que você crê que a culpa dos problemas vem da tua personalidade ou existência, ou que nada vai dar certo por que se trata de VOCÊ? por que teria a ver com você? qual o problema que há em você? faço esse questionamento pois quero que você veja o quão absurdo é o pensamento que limita e baseia a sua vida e a visão que você tem de si mesmo. você tem um presente em suas mãos que é o tempo. e você não precisa vê-lo da mesma forma que eu, mas eu gostaria que entendesse o que eu quero dizer com isso: se algo está errado agora, a vida, uma fase, isso pode mudar. o tempo é a melhor ferramenta para a evolução.
perceba que quem faz mal e erra feio feio, quem é de fato maldoso, não se culpa tanto assim. quem "é um erro" não se pesa, não se sente culpado. essas são sensações que foram transmitidas por experiências, mas que não dizem respeito a você. foram sensações, vozes, imagens que formaram uma noção fixa que você passou a ter de si mesmo. mas não, ser humano, você não é baseado no que parece ser. você é feito do que você quer ser, e do que você vai lá e faz para ser. por isso, tente pensar no tempo como uma forma de curar tais feridas, seja por atitudes feitas por ti, seja por coisas atribuídas a ti, mesmo que você não as tenha feito. veja o tempo como uma forma de aperfeiçoar um lado teu que você tanto esqueceu: aquele que não é formado por erros, problemas e falhas. um certo cheio de potenciais, defeitos mas também qualidades, e que por isso mesmo é completo, e não um fracasso. porque os fracassos de verdade não se consideram como tal.
desejo a você bastante lucidez nesse processo e muito autoconhecimento, seja de qual forma for, e que disso venha muito amor (próprio).
no mundo em que vivemos hoje, somos pouco levados a refletir sobre coisas que, se fossem mais pensadas, talvez nos trariam mais noção de quem somos, dos pontos em que precisamos melhorar, mas também dos pontos em que somos únicos.
apreciar o nosso jeito de ser tende a ser uma tarefa um tanto limitada, isso porque observando as pessoas mundo afora, percebo que ela tem sido feita somente com base em moldes pré-estabelecidos, como se esses moldes pudessem ser aplicados a todos, em qualquer situação.
moldes sobre corpo, jeito ideal de se comportar, sobre o que é a beleza, o que é ser isso, o que é ser aquilo. e sim, os tais moldes sempre existirão e acho difícil isso parar de uma hora para outra. mas e qual o nosso papel nisso? o que temos feito para impedir que os moldes nos impeçam de enxergam quem somos de fato? será que não temos feito exatamente o oposto, ajudado a propagar esses moldes para que mais e mais pessoas se sintam sujeitas a eles, assim como nós?
conhecer a si mesmo pressupõe primeiramente olhar para dentro, e não para o lado de fora. já ouviu falar que naturalmente tudo que está do lado de fora é alheio, e até mesmo um pouco "estranho"? infelizmente ou felizmente, é isso que baseia o nosso comportamento inicial para pessoas novas em nossas vidas, quando agimos com cautela porque elas nos são estranhas até então. por outro lado, é isso que também baseia comportamentos de exclusão de pessoas por elas serem demasiado diferentes (algo ruim, porque se queremos, sempre podemos sair das primeiras impressões e nos afastar da sensação de estranheza).
mas, vamos pensar no lado natural disso. pegue a ideia de estranheza como base para construir o seguinte pensamento:
"se naturalmente tudo que está ao meu redor tende a ser alheio a mim, em especial aqueles que não me conhecem, se eu me conheço mais do que qualquer pessoa, por que eu preciso seguir os passos alheios para encontrar o que é melhor para mim?"
eu acredito que ter esse pensamento, seguindo ou não do jeitinho que coloquei nessa frase, nos ajuda a entender como quando se trata da nossa personalidade, não há por que levar em primeiro lugar o que os outros dizem de você.
será mesmo que aquilo que a coletividade mais propaga é o ideal para o meu corpo? será que eu preciso seguir determinados passos para encontrar o que é felicidade para mim?
às vezes pelo medo e pela incerteza de não encontrar a resposta dentro de si mesmo, recorremos ao que parece objetivo e bem definido: o que está ao nosso redor, os padrões, as expectativas sociais. mas nesse processo podemos - e tendemos - a nos perder.
por isso, meu conselho singelo e sincero é: não se abandone nesse processo. a resposta para a pergunta "quem sou eu?" - em todos os sentidos possíveis: corpo, ideologias, mente, personalidade em si etc. - sempre estará dentro de você. estar perdido faz parte, e o fato de você ainda não saber definir quem é só demonstra que tem algo a ser descoberto. estranho seria se nascêssemos sabendo tudo sobre nós mesmos, concorda?
você vale a pena 💌
próximo texto será sobre o processo de autoconhecimento.
pílulas noturnas para corações retraídos e mentes inquietas
em tempos difíceis, nem sempre a nossa mente conseguirá enxergar as coisas que valem a pena. nem sempre o nosso eu será capaz de ver a infinidade de potenciais que podemos desenvolver, e os que já temos. nem sempre nosso coração sente um conforto ideal, que talvez o ajudaria a se acalmar e pensar que nem tudo está perdido.
não estou falando somente dos tempos difíceis que todos podem estar passando, mas daqueles momentos que especialmente para você, na realidade em que você vive, as coisas podem estar extremamente sufocantes.
aquelas coisas que parece que só você entende, e ninguém mais vai entender, sabe?
nessas situações, o que fazer? a quem recorrer?
nesse momento, quero que você que está lendo isso enxergue por meio das minhas palavras o quanto eu acredito em você.
o quanto eu sei que você é capaz de sair disso.
o quanto você pode mudar, melhorar, sair dessa.
o quanto você pode realizar os seus planos e colocar seus projetos em prática.
nenhuma pessoa ou situação precisa significar a sua falta de incapacidade, o seu fracasso. lembre-se: nem tudo que dizem é o que é. em muitas situações, é você quem define a interpretação final de algo que ocorreu ou está ocorrendo em sua vida.
pode ser que inúmeras vezes você não conseguiu controlar o quanto as coisas poderiam dar certo, pode ser que por vezes as coisas deram errado, mas no fim, quem definirá a data limite das suas tentativas é você.
não temos controle sobre os outros, mas podemos ter sobre nós mesmos.
sim, você tem capacidade. mas subestimamos tanto os nossos potenciais, focando em seguir uma rota meio que planejada do que devemos fazer, ao invés de tentar trilhar nosso próprio caminho. e...
“se fizéssemos todas as coisas de que somos capazes, ficaríamos literalmente surpresos” - Thomas Edison
se não nos impedíssemos tanto de sermos nós mesmos, se não encolhêssemos o nosso eu como alguém que veste uma roupa apertada sabendo não caber nela, se não fosse essa nossa atitude contra nosso próprio ser, talvez a trajetória fosse menos doída.
se não tivéssemos tanta vontade de delimitar para onde os nossos pés vão apontar e caminhar, mesmo que a vontade deles seja a de ir para a direita, para o outro lado, para aqui ou ali.
talvez as coisas seriam menos complicadas, porque não estaríamos constantemente lutando contra a nossa vontade interna de respeitar o nosso tempo, os nossos reais desejos.
todos possuímos os nossos dons, nossas capacidades, e isso tende a ir se mostrando conforme nos separamos das expectativas depositadas em nós, e passamos a olhar para o lado de dentro. isso tende a surgir quando nos afastamos ou nem damos ouvidos aos padrões com relação ao que e como ser.
todos temos o direito de sermos felizes, do nosso modo, da maneira que mais acharmos conveniente, desde que isso não machuque ninguém.
em todo processo, em toda tentativa, nunca saímos perdendo de fato, como acaba parecendo. sempre podemos aprender algo, até mesmo a maior das merdas que pode acontecer nos mostra algo: ou que a situação está muito feia e alguém precisa fazer algo sobre aquilo; ou simplesmente algo que antes você não sabia daquela situação e/ou de si mesmo, e que a partir de agora carregará consigo como um ensinamento; ou quem sabe algo novo sobre um problema que antes você não sabia que existia, e que, por mais sofrido que seja, agora te torna mais consciente, inteligente emocionalmente.
todos podemos fazer coisas para mudar algo que acreditamos que esteja errado, na nossa vida e também na vida do outro. potencial nós temos, mas precisamos lapidar isso por meio de nossa vontade e esforços.
todos podemos tornar os nossos sonhos realidade, mas, não se esqueça que
"uma mente cheia de medos não tem espaço para sonhar".
por isso, se desapegue do que te limita, se afaste do que te cobra indevidamente, só te pressionando, deixe para trás padrões e ideias fixas de como ser. inicie um novo estágio em sua vida não querendo mudar o que não está ao seu alcance, mas inaugurando ou mudando o que por ora você pode fazer.
por que eu mencionei mais acima que você precisava enxergar o quanto eu acredito em você? para que você tente ver o mesmo. para que perceba que muitas vezes (senão todas) as respostas estão dentro de você. não no sentido de que você gerou as perguntas e os problemas, mas sim que é você e somente você quem dará um destino certo e diferente para a sua tristeza, chateação. pessoas podem participar do processo. mas é você a/o protagonista dessa história toda.
uma história que ora foi amarga, ora foi doce, que agora pode estar sendo dura, mas que precisa continuar sendo escrita!
e quem é o único que pode escrever? você.
"mas que clichê, como diabos ela pode acreditar em mim se nem me conhece?". eu não preciso conhecer uma pessoa para saber que ela nasceu com potenciais e capacidades.
acredite, a fé em si mesmo tem um poder imenso. antes de qualquer coisa, se faltar a crença em si, todo o resto ficará carente e aberto a tantas necessidades externas, que às vezes podem mais te sugar do que te ajudar.
a nossa mente tem um poder muito grande, incontrolável. dependendo da forma que você pilotar essa grande aeronave, ela vai te fazer bem ou mal.
por isso, repita para si mesma (o), como alguém que tenta decorar a matéria antes da prova: eu acredito em mim, eu acredito em mim, eu acredito em mim.
desmistificando a maternidade sacra - uma faca de dois gumes
"e aí, quando você vai engravidar?"
"ah, mas você sabe né, toda mulher nasceu para ser mãe"
em nossa sociedade, uma ideia que é muito cara e que ativa a defensividade de muitos quando tocada é a visão que temos da figura materna. premissa geral da qual partimos com absoluta certeza é a de que toda mãe é boa, e que a maternidade é algo sacro.
mas será que toda mulher de fato possui a vocação ou o desejo de ser mãe? damos às mulheres a devida liberdade para que elas optem por não ter filhos SEM inserir nelas etiquetas de uma pessoa que ainda não está completa ou que não sabe o que é ser realizada?
essa expectativa de que toda mulher será mãe cria alguns efeitos diversos. vamos tratar de cada um deles.
uma vez que esperamos que naturalmente toda mulher já tenha o plano de ser mãe, criamos uma espécie de pressão sobre algumas mulheres que não desejam seguir tal caminho por diversos motivos que cabe a cada uma dizer. aquelas que não possuem o plano de vir ao mundo para necessariamente procriar, são vistas por algumas pessoas como seres que estão "falhando" com a sua missão, o que é uma visão completamente limitada, determinista e machista da vida de alguém. mas não para por aí.
no Brasil, cerca de 37% das mulheres não querem ser mães. quase a metade das mulheres brasileiras. o que isso significa? significa que essas mulheres estão finalmente tendo a possibilidade de escolherem não ser mães, isso com um pouco mais de liberdade apesar dos atuais preconceitos e estigmas. podemos falar de um repentino surgimento desse desejo? não. estamos falando simplesmente de uma ascensão da liberdade dessas mulheres, a voz que sempre existiu só está tendo maior espaço nos dias atuais.
o que podemos pensar dessas mulheres? nada. precisamos pensar algo sobre elas? precisamos necessariamente criar algum juízo de valor sobre elas? não.
dentro desse cenário, foi criado o movimento NoMo, que se remete a mulheres que decidiram não ser mãe. alvo de críticas, em especial de pessoas muito religiosas, esse é um movimento que marca e muito a busca da mulher por sua liberdade e por dispor de seu próprio corpo e de sua vida futura.
agora, existe outro ponto que também decorre da visão sacra que atribuímos às mães.
"toda mãe é boa"
"mas ela é sua mãe"
"ela te ama, ela sabe o que faz, é a sua mãe"
por outro lado, temos os efeitos completamente ruins aos filhos e às filhas quando mulheres sem vocação escolhem a maternidade para satisfazer desejos próprios e vazios internos, sem nenhum amor. isso existe? sim, e passamos então para outra possibilidade: aquela que envolve um transtorno de personalidade.
ao enxergarmos qualquer coisa como algo absoluto, sacro, sem defeitos, abrimos espaço para tratar essa coisa como algo superior o suficiente para não ser criticado. isso ocorre com diversos pontos em nossa sociedade: idolatrias de um modo geral; a própria religião, quando as pessoas acreditam, por ex., que autoridades religiosas não podem ser questionadas; e isso também ocorre muito com os pais.
sendo a maternidad vista como algo sacro, criamos uma espécie de bolha de proteção e imunidade para aquelas que se tornam mães, e isso cria, em alguns casos (nos casos de transtorno de personalidade, que é um recorte que estou tratando aqui) um grande espaço para que haja todo tipo de prática abusiva e arbitrária sob a justificativa de que o ser sabe o que é melhor para aquele que trouxe ao mundo. mas e nos casos em que a pessoa faz mal ao próprio filho ou à própria filha? será que não devemos afastar um pouco essa premissa geral e fixa que temos sobre as mães?
e então você pode pensar ou até mesmo ler: "mas por que um pai ou mãe faria mal ao seu filho, à sua filha?" e essa sua indagação já comprova o quão enraizado você está ao estereótipo de que toda mãe é boa. para tentar te ajudar a entender mais isso, vamos refletir.
primeiro que aqui ocorre uma simplificação intensa de relações complexas entre dois seres humanos muito distintos, é natural que existam conflitos entre uma mãe e um filho/uma filha, isso é importante de ser dito desde então. isso já ajuda a entender que nem "toda relação entre mãe e filha(o) é bonita e precisa dar certo".
vamos supor que a pessoa X tem transtorno de personalidade narcisista, o qual se caracteriza, dentre muitas coisas, por uma impossibilidade de sentir empatia e construir laços com reciprocidade, dentre outros pontos. é um transtorno que existe e é tratado pela CID-10. só porque ela se tornou mãe, deixará de ser narcisista? se pergunte sobre isso.
e então, dentro desse cenário completamente delicado de transtorno de personalidade, só por que uma pessoa se tornou mãe, ela passa a ser boa? a maternidade muda a mente e a personalidade desse indivíduo que sempre foi incapaz de ter verdadeira empatia pelos outros, que sempre se coloca em um pedestal, como alguém grandioso ou sofredor (transtorno de personalidade narcisista invertido)?
o transtorno de personalidade sumiu, uma patologia que, para ser tratada (já que é um transtorno extremamente delicado, se tratando de personalidade), só com a vontade do indivíduo e com um especialista capaz de dar o devido tratamento? a maternidade é uma luz que paira e cura a mente até das pessoas ruins?
e então você pode se perguntar por que estou tratando sobre o narcisismo, algo que parece tão específico e tão inútil ao assunto. na realidade, não é. talvez seja algo novo para você. mas esse transtorno é o maior vilão em uma relação com pais, mas em especial com mães, que são sacralizadas pela nossa sociedade.
narcisistas (leia-se: pessoas com transtorno de personalidade narcisista) são felizes quando sugam a felicidade e conquista dos outros.
narcisistas não ficam bem com os outros se sentindo bem.
narcisistas não se amam de verdade, mas necessitam parecer que sim.
narcisistas vivem de máscaras, essa é a base das relações dessas pessoas. pelas costas, eles falam muito mal de todos, e criticam tudo.
narcisistas se sentem alimentados pelo caos e por alguém brigando por eles.
por incrível que pareça, por mais vazios que eles sejam, os narcisistas tem menos tendência a sofrer de depressão. porque eles estão sempre sugando a energia dos outros, a vontade, a felicidade, e sempre conseguem de alguma forma: manipulam as pessoas, conseguem o que querem.
agora, uma pessoa com TPN se torna pai ou mãe. e aí? o que ocorre? quem sofre? a pessoa, que pela figura de mãe é sacra, ou os filhos, que crescem sob uma educação distorcida (em especial educação sobre o próprio ego deles), com valores distorcidos sobre a realidade, que nem sempre recebem o amor que desejam, e por vezes podem se acostumar com isso, especialmente caso se mantenham muito ligados à ideia de que "mãe está certa sempre". se a mãe sempre está certa, quem está errado, errada? "eu". "eu sou o erro".
dentro desse cenário, levando em consideração que
a) o transtorno de personalidade narcisista é mais comum do que se imagina;
b) existimos numa sociedade que insere a mãe numa bolha de superproteção, autoridade e sacralidade
o que teremos ao somar a + b? teremos diversos filhos criados por pessoas narcisistas. mas temos escutado essas pessoas? onde elas estão? porque pessoas narcisistas, a gente já sabe que existe: cerca de 8,2% da população brasileira. e a gente sabe que a "função" dada à mulher é a de procriar, por isso, você duvida que existam mães (e até mesmo pais!) narcisistas?
alguma dúvida de que elas existem? então vamos à alguns fatos:
o número de visualizações e comentários tristes de pessoas que vivenciam isso mas que só se encontram em grupos isolados em redes sociais (como no facebook: exemplo 1, exemplo 2, exemplo 3, exemplo 4), ou em comentários de vídeos de psicólogos e psiquiatras tratando do assunto. por que elas estão "falando somente agora"? porque a internet deu voz a isso, e deve seguir dando. porque se dependesse das pessoas que estão em nosso círculo social, isso não aconteceria. mas não é uma tarefa fácil, porque a internet representa um pequeno espaço da vida de pessoas que são muito mais do que isso: pessoas que tem a própria família para lidar, o círculo social, parentes, amigos, o cotidiano, a sociedade em si, que possui um pensamento majoritário: mães sacras. mães perfeitas. mães sabem o que fazem. mães naturalmente boas. quem consegue falar dos abusos que sofre numa relação tóxica e desequilibrada sabendo, tendo imensa consciência de que as pessoas são imensamente limitadas e preconceituosas com quem tem críticas a fazer sobre sua mãe?
não podemos nem partir da ideia de que naturalmente toda mãe é boa porque muitas pessoas mundo afora não possuem vocação para a maternidade, e também não podemos apontar o dedo em quem não quer mãe e dizer que ela é uma pessoa ruim, como se tivesse errando ou falhando em sua vida.
pois isso cria uma imensa impossibilidade de conversarmos abertamente sobre: (i) o tabu da maternidade sacra; (ii) os problemas que passam do normal com algumas mães mundo afora.
movimentos como o NoMo (No Mothers) e como o de filhas de mães narcisistas surgem na mesma via, com objetivos distintos, mas com o mesmo fundamento: desmistificar a figura da mulher que nasceu para ser mãe, desmistificar a figura da mulher que tem uma vocação para a maternidade.
e isso ocorre exatamente por existirmos numa sociedade muito limitada e completamente primária, ligada ao arquétipo da figura da mãe boa, tratando como exceção da exceção a "não vocação para ser mãe". acreditando, de forma ingênua, que os casos de maus-tratos são raros. em um dos grupos do facebook citados como exemplo acima, atualmente tem 13 mil membros. você tem certeza que é raro? ou será que estamos simplesmente vivendo em uma bolha?
seja a bolha de quem tem pais bons, e que aplicam a todas as outras pessoas a mesma premissa (em especial, a de maternidade sacra);
seja a bolha de quem também passa por isso ou por situação semelhante, mas que ainda está ligada a toda a ideia equivocada de maternidade absoluta.
enquanto seguirmos tratando a maternidade como algo sacro e natural a toda mulher, estaremos criando dificuldades para escutar e criar diálogo com aquelas que sabem e corajosamente admitem não querer seguir tal caminho, bem como não estaremos dando espaço para escutar aqueles que sofrem diariamente com pessoas abusivas que se revestem da figura "sacra" materna para justificarem e, mais do que isso, mascararem suas atitudes tóxicas.
o transtorno de personalidade narcisista, quando se mistura com a maternidade, representa os abusos e traumas - especialmente psicológicos (e às vezes físicos também) - em que a pessoa, por ser mãe, vai legitimar os seus comportamentos e receberá a mesma legitimidade das pessoas do lado de fora: "POR SER MÃE ELA ESTÁ CERTA, ELA ERROU, MAS É SUA MÃE", ou pior: "ela não errou, ela é mãe".
todo extremo nos faz abrir espaço para tratamentos interessantes para pessoas que não merecem. por isso ressalto que devemos enxergar as atitudes de cada indivíduo, e não afirmar, com todas as letras, de forma automática, que toda mãe faz bem o tempo todo.
precisamos ir desconstruindo aos poucos uma mesma ideia que cria diferentes efeitos negativos para as pessoas. ao desconstruirmos, não trataremos mães como monstros, mas sim como mulheres livres e que podem e merecem ser chamadas como boas quando assim agirem.
mulheres não precisam da maternidade para serem completas. isso deveria ser uma escolha. além disso, mães não são sacras, imunes e naturalmente certas.
cada pessoa é um indivíduo único, singular, e o fato de se tornar mãe não significa que surge naturalmente e automaticamente, em todos, a capacidade inata de cuidar, amar e saber desejar o bem. sabe como a gente observa se uma mãe está sendo boa? não pelo título que ela tem e se reveste, mas pelas ATITUDES dela. pela construção que ocorreu dentro dela com relação aos seus filhos. tudo depende das atitudes e singularidade de cada uma, não da "vocação inata a toda mulher para ser mãe". isso não existe.
quando a tecnologia ultrapassa as fraquezas humanas - uma sugestão de como lidar com os efeitos das redes sociais em sua vida - The Social Dilemma - pt. 4
gifs not mine.
frisando que esse texto não possui o intuito de criticar a existência das redes sociais por si só, mas sim o uso que fazemos delas, bem como trazer uma luz para esclarecer a forma de funcionar delas, e os seus impactos na nossa saúde mental. você pode estar nela e ainda assim sair menos afetado disso. porém, tudo depende da sua capacidade de ter senso crítico e da forma que você lidar com ela.
-> formas de lidar com isso
as pessoas não saem mais para conhecer as outras tendo paciência. tudo é vivido instantaneamente, e logo depois você nem conhece mais a pessoa com quem viveu mil maravilhas e compartilhou a intimidade, isso porque não foi respeitado o tempo de construir uma relação. a intimidade máxima foi compartilhada quando a básica nem existia. as relações também se tornaram produtos a serem consumidos com velocidade. hoje, um jovem não tem um primeiro contato sexual com alguém que ele conhece, convive e confia. a sua primeira relação sexual, a segunda, terceira, e por aí vai, são pautadas exclusivamente em viver o máximo do prazer com rapidez. a dor (os problemas e dificuldades) não são mais escolhas. as pessoas não se conhecem e não conhecem umas às outras. isso porque tudo que elas mostram vêm de uma seletividade de momentos e características que parecem atraentes. ninguém quer mostras as suas imperfeições e defeitos, tristezas e fragilidades verdadeiras, e cada vez mais vamos criando os tais laços, porém, sem nenhuma profundidade.
e disso, surge a indagação: tá, mas o que eu, USUÁRIO da rede social, posso fazer diante dessa situação?
o primeiro passo é entender que todos nós - incluindo os próprios criadores dessas redes sociais - são manipulados psicologicamente no sentido de que gostamos MUITO das redes sociais porque elas são a droga mais acessível do que as próprias drogas propriamente ditas, que viciam muito mais rápido e dão com muita facilidade o que as pessoas viciadas em outros tipos de droga também buscam: DOPAMINA.
nosso cérebro busca por dopamina naturalmente, esse é um hormônio importante para a vida humana. o problema está em nos basearmos em dopamina para sermos felizes. uma vez que esse hormônio tem como função principal nos dar sensações rápidas e deliciosas de prazer - como fumar um cigarro -, a gente não vai se contentar com só uma dose. a nossa mente é manipulada exatamente aqui: quando cedemos às redes sociais nessa busca incessante por prazer. o prazer que buscamos hoje não está na droga, no sexo acessível demais (pornografia), mas sim no nosso próprio celular, e parece muito moral e conveniente porque se tornou comum a todos nós. porém, tem nos aprisionado mais do que as outras drogas que são socialmente criticadas.
o segundo passo é notar o quanto você, pessoalmente, tem se rendido a esta tentação. e o quanto você tem se rendido diz muito sobre: a sua personalidade, as suas necessidades atuais, e também o quão manipulável e frágil psicologicamente você está.
o terceiro e último passo que proponho é o de refletir em torno do quanto a sua identidade e o valor dela têm sido pautados em números e nas drogas que a rede social nos oferece diariamente. você consegue ficar sem celular por muito tempo? tem sido viciado nisso? cada passo seu é vivido mais na rede social do que na vida? quanto tempo da sua vida você tem perdido ali? os números e atrativos da rede social (likes, views e afins) afetam em quanto o quanto você se acha bom/boa?
novamente, repetindo o que eu falei em outra parte do texto:
então, a proposta que eu tenho para as pessoas não é somente a de tentar mudar o seu uso com a rede social, o tempo que elas passam lá dentro, literalmente dentro. a minha sugestão é a de que essas pessoas busquem se conhecer. uma vez que você se conhecer, você não sentirá mais aquela intensa necessidade de buscar aprovação dos outros com relação à sua identidade, desde o seu cabelo, até seu comportamento, suas conquistas e as pessoas com quem você se relaciona. você se sentirá mais satisfeito consigo, e não viverá numa busca insaciável por prazer, sentido e aprovação externas. porque quanto menos você trabalha com a sua mente, mais defasada e atropelada ela será por uma tecnologia que só avança e tende a avançar cada vez mais.
será que a mente humana, naturalmente frágil e que não é estimulada a ser evoluída e atingir seus potenciais (como conhecer a si mesmo) vai acompanhar e conseguir ser capaz de processar tudo que as redes sociais ainda trarão de novidade para as pessoas?
a contribuição que desejo deixar com essa série de textos é: você tem trabalhado para que a sua mente tenha controle sobre você mesmo, seus desejos, satisfações, impulsos e etc, ou vai esperar que a rede social faça isso por você? o quanto que você se conhece hoje?
quando a tecnologia ultrapassa as fraquezas humanas, quais os efeitos em nós? - The Social Dilemma - pt. 3
gif not mine.
partes 1 e 2 nos posts anteriores.
frisando que esse texto não possui o intuito de criticar a existência das redes sociais por si só, mas sim o uso que fazemos delas, bem como trazer uma luz para esclarecer a forma de funcionar delas, e os seus impactos na nossa saúde mental. você pode estar nela e ainda assim sair menos afetado disso. porém, tudo depende da sua capacidade de ter senso crítico e da forma que você lidar com ela.
-> saúde mental e as redes sociais
estamos perdendo horas, dias, semanas, anos por trás de uma tela fazendo coisas que, no fim, tomam muito tempo de nossas vidas e na realidade não nos agregam tanto assim.
óbvio, tudo depende do uso de cada um. mas o que notamos é que a maioria esmagadora das pessoas vive nas redes sociais, as suas vidas estão literalmente pautadas em algumas coisas básicas que as redes sociais passam a nós, o que eu listei abaixo
- tudo tem que ser simples e ao mesmo tempo atrativo, para ser facilmente consumido;
- as pessoas buscam por aprovação social;
- a sua imagem na rede social importa mais do que quem você de fato é;
- informação não é mais conhecimento, é comida, mas não algo a ser digerido com cautela e conforme o seu gosto, é algo a ser consumido como um fast-food;
- nos pautamos em números e quanto mais recebemos, mais nos sentimos importantes e validados;
- ideias, valores e a nossa própria identidade passa a ser pautada em números;
- para algumas pessoas, ter notificações traz mais felicidade do que qualquer outra coisa na vida;
- a rede social tem sido a fonte da criação de "vínculos" e relações, mas fora dali, muitas pessoas não sabem nem mesmo iniciar uma conversa;
- a estética é importante. não importa o momento que você estava quando tirou aquela foto, mas sim o quão bonita ela estará para os outros;
- o padrão é importante;
- quem está de fora é estranho e desinteressado, ou até se acha demais por "não usar tanto assim a rede social". quem tem um uso mais controlado é visto como arrogante por aqueles que não entendem essa dinâmica;
- estar online é sinônimo de estar disponível;
- não responder mensagens é sinônimo de estar ignorando, ou é até mesmo usado como "meio de vingança"
- notificações e números são definidores de ego
- comentários e mensagens valem mais do que trocas pessoais e físicas;
- aparência importa. você não pensa em postar porque se sentiu bem, você pensa em postar porque o outro verá aquilo e será levado a pensar coisas específicas sobre você;
- estar sem celular e estar desconectado é algo muito estranho para os viciados em redes sociais;
- pessoas dependem do celular para se sentirem preenchidas, e isso é comprovado especialmente quando se nota uma pessoa que não consegue fazer nenhuma outra coisa e perde total interesse quando está sem o celular em sua mão ou quando está sem internet.
além disso, temos que pensar nos casos em que se nota que aquela rede social tem sido tóxica e ainda assim o individuo segue usando. tóxica não só pelo vício que ela causa, mas também por ter se tornado um ambiente de propagação de tudo que não se espera ser dito em um local mais civilizado.
redes sociais como o Twitter são campeãs em criar um ambiente tóxico para que os seus usuários tenham uma péssima experiência no dia a dia, com brigas, embates constantes de ideias opostas que não convergem, isso desde os fandoms de k-pop até os seguidores de políticos. e aqui começamos a delinear os problemas secundários das redes sociais, que vão além do vício que elas causam, mas que, atrelado a isso (o vício), são ainda mais tóxicas.
se o Twitter tem, em sua maioria, discussões, pessoas que dizem tudo que pensam por acreditar ali ser um ambiente de plena liberdade de expressão sem nenhuma regra e nenhuma restrição, consequentemente se cria um espaço em que todas as pessoas vão dizer o que bem entendem, independentemente de quem está lendo e dos possíveis efeitos naquele que convive na mesma rede social.
as pessoas, que no fundo também anseiam por conexão e compartilhamento, se tornam individualistas, porque elas só querem compartilhar com aqueles que concordam com ela. a falta de regras e de limitações, bem como esse anseio de estar sempre se expressando sem nenhum limite, torna uma rede social como o Twitter um ambiente atrativo mas, por outro lado, extremamente tóxico. e a toxicidade não é somente para quem discorda de que devemos expressar sem escrúpulos tudo que pensamos. até mesmo quem diz se sentir muito bem ali dentro é completamente afetado: gradualmente a pessoa perde a sua capacidade de compreender uma ideia oposta à sua, a intolerância vai crescendo, o fanatismo muitas vezes também está presente, o que impede que a pessoa seja mais crítica, portanto, ela perde gradualmente a sua capacidade de ter criticidade.
além disso, não há nada pior do que ser uma pessoa que não sabe conciliar situações e se comunica de modo violento. agora junte tudo isso com o vício. que tipo de pessoa esses usuários estão se tornando?
quando a tecnologia ultrapassa as fraquezas humanas, quais os efeitos em nós? - The Social Dilemma - pt. 2
by: Burnt Toast!
parte 1 no post anterior!
-> a mudança na realidade
a rede social se tornou um espaço de perpetuação e confirmação de padrões, estereótipos e coisas que limitam as pessoas. mas que parecem ser tão importantes para elas que, por mais que estejam constantemente tentando coloca-las em caixinhas, elas seguem gostando e gostando e usando cada vez mais. isso por que? porque elas se tornaram viciadas na aprovação que recebem do lado de fora. porque tais pessoas se sentiam vazias antes das redes sociais e com elas não veem nenhum problema porque elas parecem ter trazido um remédio eterno para essa dor de não se sentir importante e validado. mas o remédio é de fato eterno: e quanto mais você o toma, mais viciado na droga você fica.
a rede social faz parecer que você precisa se provar para ser alguém. mesmo que seja correndo riscos. e para que alguém chegue ao ponto de gostar de fazer isso para ganhar aprovação de alguém, é porque a sua identidade anda bastante frágil.
e é importante mencionar que isso independe de idade, e aqui inicio a menção de outro fator: a fragilidade humana e a falta de autoconhecimento. quanto menos uma pessoa se conhece, mais ela depende da aprovação alheia. a rede social não estaria dando tão certo se não fosse pela ótima base que ela possui: nós, seres humanos. se não fôssemos tão frágeis uns aos outros e tão dependentes de valoração externa, a rede social não teria dado tão certo. e digo que independe de idade pois pessoas mais velhas também caem nisso. o fato primordial para mim é que a fragilidade psicológica vem de uma falta de certeza em quem você é. quem se conhece o mínimo e tem um amor próprio, não sente necessidade de estar constantemente buscando aprovação e aplausos alheios. likes, números, views, tudo isso se torna um mero acessório na vida da pessoa. ela não se compara, ela não se limita ao que o seu perfil de rede social diz porque ela não quer ser como os outros: ela já sabe quem ela é.
então, a proposta que eu tenho para as pessoas não é somente a de tentar mudar o seu uso com a rede social, o tempo que elas passam lá dentro, literalmente dentro. a minha sugestão é a de que essas pessoas busquem se conhecer. uma vez que você se conhecer, você não sentirá mais aquela intensa necessidade de buscar aprovação dos outros com relação à sua identidade, desde o seu cabelo, até seu comportamento, suas conquistas e as pessoas com quem você se relaciona. você se sentirá mais satisfeito (a) consigo, e não viverá numa busca insaciável por prazer, sentido e aprovação externas. porque quanto menos você trabalha com a sua mente, mais defasada e atropelada ela será por uma tecnologia que só avança e tende a avançar cada vez mais. será que a mente humana, naturalmente frágil e que não é estimulada a ser evoluída e atingir seus potenciais (como conhecer a si mesmo) vai acompanhar e conseguir ser capaz de processar tudo que as redes sociais ainda trarão de novidade para as pessoas?
mais sede por ser alguém, mais competição, mais egos em jogo, mais padrões, mais senso de importância, mais comparação, mais vidas perfeitas, mais personas, máscaras.
é verdade que todos estão propensos a cair no tal vício em redes sociais, que afeta o nosso psicológico com muita intensidade, mas nem todo mundo vive de modo tão dependente de celular. e isso se deve ao fato de que nem todos estão necessitando tanto de preencher suas vidas e mentes, emocional, o que for, com algum suprimento que a rede social preenche muito bem.
é a mesma coisa que eu falei há meses atrás em um texto sobre a indústria musical e como o seu principal produto são as vulnerabilidades humanas, e não mais as habilidades artísticas de cada artista. a arte está em segundo plano, o que vem em primeiro lugar são as vulnerabilidades das pessoas, que tornam elas muito mais dependentes de música (ou melhor: dependentes dos artistas), e não mais meros apreciadores da música. as pessoas PRECISAM viver a experiência de ouvir a música como se aquilo estivesse mudando a vida deles, ouvintes. mas na realidade não está. não é algo tão profundo assim quanto eles desejam que pareça ser.
na realidade é simplesmente uma vontade de ser preenchido e viver de doses de dopamina (tanto que, como eu bem disse no texto que citei acima, a indústria da música - em especial o K-pop - não tem mais a música como foco. o foco é criar um 'vínculo forte' entre ouvinte e artista, como se existisse um elo entre ambos). a dopamina é liberada como uma recompensa. mas você sempre quer mais e mais, e sente que passa a precisar daquilo pra viver bem.
-> saúde mental e as redes sociais
a rede social se iguala à indústria da música e nisso elas são completamente parecidas: somos carentes de apego. somos seres que querem apego mas que nos perdemos do meio do caminho porque não sabemos mais como nos apegar de modo saudável. somos individualistas, mas ainda assim solitários.
essa carência e falta de apego (que é uma necessidade biológica básica), uma vez que deixou de ser suprida de forma natural e saudável por nós, passa a se tornar um PRODUTO das inteligentes indústrias (de tecnologia e da música, que estou me valendo para comentar neste texto) que conhecem nossas necessidades psicológicas e se valem disso para suprir o que queremos.
se as pessoas estão carentes de atenção, vamos criar uma rede em que elas possam se mostrar umas às outras o tempo todo.
se as pessoas estão carentes de atenção, vamos criar um sistema em que um grupo de música parece ser a família ideal para quem "se sente sozinho".
se as pessoas estão se sentindo sozinhas, vamos dar uma rede social em que elas não se sintam mais sozinhas - e que sejam levadas a viver ali dentro. para toda necessidade psicológica básica do ser humano, já que SABEMOS que isso não tem sido vivido e cumprido de forma natural, daremos um remédio em forma de dopamina. e é dopamina exatamente por sua razão de ser: tem que nos levar ao vício. caso oposto, não fazia sentido criar uma indústria de música e uma indústria de tecnologia persuasivas. para serem persuasivas, elas precisam te prender. para te prender, é necessário te tornar viciado. para te tornar viciado, o que você mais deseja delas será dado aos poucos, para que você queira sempre mais.
a nossa legítima e natural necessidade de nos conectarmos com as outras pessoas passa a ser utilizada como a base para nos tornamos viciados naquilo que não precisava ser a fonte natural de satisfação humana, mas se tornou, porque não sabemos mais socializar, perdemos a necessidade de nos conectar profundamente com as pessoas, dizemos que não queremos apego, mas ao mesmo tempo ansiamos isso e nem sabemos que estamos viciados na rede social exatamente por isso: por sermos completamente desejosos de identificação, socialização, expressão e de nos relacionarmos uns com os outros. ocorre que não queremos sentir dor, não sabemos mais o que é equilibrar dor e prazer, só estamos beirando ao superávit de dopamina, querendo mais e mais interações, mesmo que, no fim... nem notamos que aquilo que fazemos nas redes nem é tão profundo assim.
carecemos de interesse pelos assuntos, a escola não é mais tão interessante, aprender se tornou mais difícil, lidar com as
relações no "mundo real" é mais complicado, as pessoas estão propensas a desistirem mais quando encontram dificuldades normais e esperadas nas relações, e tudo isso se deve ao mal uso e a frequência de dopamina exagerada que corre pelos nossos corpos toda vez que se usa a rede social. não queremos mais passar por problemas, buscamos coisas perfeitas e prontas. porém, quanto mais corremos atrás disso, mais ficamos distantes de conseguir.
quando a tecnologia ultrapassa as fraquezas humanas - The Social Dilemma - pt. 1
by: Burnt Toast!
"nada grandioso entra na vida dos mortais sem uma maldição" - Sófocles
se entende como empresa de tecnologia = Google, em todos os serviços que oferecem (Gmail, Youtube e afins); Twitter; Snapchat; TikTok e as demais redes sociais.
frisando que esse texto não possui o intuito de criticar a existência das redes sociais, mas sim o uso que fazemos delas, bem como trazer uma luz para esclarecer a sua forma de funcionar, e os seus impactos na nossa saúde mental. você pode estar nela e ainda assim sair menos afetado disso. porém, tudo depende da sua capacidade de ter senso crítico e da forma que você lidar com ela.
-> existe algo em comum na raiz desses problemas?
antes de qualquer coisa, é necessário que a gente entenda o que há em comum a todo ser humano que o faça ser capaz de ser manipulado de tal forma que nem note.
a mente humana e a sua fragilidade é o que explica tudo isso. a tecnologia é persuasiva. e a Psicologia do Comportamento explica muito bem o porquê de sermos tão frágeis a tecnologia e o porquê das redes sociais serem tão atraentes à nossa mente, se tornando viciantes em muitos casos.
a vulnerabilidade da mente humana é o maior produto das redes sociais. eu sou um produto, como assim? de fato, todos somos. mas o que te distingue dos outros que pouco se expressam e pouco se permitem se tornarem produtos para as tais redes sociais, é o quão vulnerável você é.
quando você atualiza o feed o tempo todo a busca de algo, a nossa mente faz o que se chama de "reforço intermitente repetitivo", em que estamos buscando constantemente algo que nem nós sabemos, algo que está no nosso inconsciente, mas que a rede social tentará implantar ali em sua mente para saciar seu desejo de ter o tal suprimento para a sua mente. isso é o que se chama de tecnologia persuasiva. a tecnologia sabe que estamos em busca de algo, e isso tem duas raízes, ao meu ver:
a primeira é pelo fato de estarmos vivendo numa geração que busca demais o sentido nas coisas, o que, ao invés de nos levar a encontrar o sentido, acaba por ter um efeito imediatamente oposto: as pessoas que tanto buscam sentido acabam por não fazer o mínimo para viver a vida com sentido. seres sedentos por significado, mas que, no fim, acabam sendo os mais superficiais.
a segunda raiz está ligada ao próprio instinto humano de buscar por novidades o tempo todo. a tecnologia persuasiva serve de alimento para uma mente que, naturalmente é sedenta por novidades mas que, somado a isso, também está buscando por significados.
o que ocorre é uma verdadeira manipulação psicológica (as pessoas acreditam, por exemplo, que a rede social está sendo muito boazinha por deixarem elas se expressarem livremente, compartilharem seus interesses e ideias) com o objetivo de injetar dopamina na vida dessas pessoas (dando uma resposta ao vazio delas, que eu citei anteriormente), aumentando a possibilidade de elas viverem mais na rede social do que no próprio mundo real.
antes de iniciar uma explicação mais profunda, o que eu gostaria que você entendesse é que: se a rede social fosse tão útil e não dependesse do teu comportamento para funcionar para você (porque no fim, é você quem molda a rede social e é você que a alimenta), ela ficaria ali parada esperando que você surgisse para usa-la, não seria tão atrativa e tão persuasiva, a ponto de passar a fazer parte de sua vida.
. a empresa ganha dinheiro com os anunciantes que pagam para que ela possa nos mostrar os seus produtos por meio do que postamos, segundo o comportamento que denunciamos ter -> logo, como a empresa lucra com os nossos posts, o intuito da empresa é exatamente o de nos fazer ser cada vez viciados nelas, para que, cada vez mais, por meio de nossas manifestações (posts, likes, views), a gente mostre a ela QUEM SOMOS NÓS para que ela - a empresa de tecnologia - nos influencie a ficar mais e mais tempo ali, para que a gente crie o nosso novo habitat natural na rede social, e a fim de que ela possa então vender cada vez mais os seus anúncios por meio da observação de nossos comportamentos.
além disso, também é possível se observar que por meio dessa "injeção" de anúncios de acordo com o que a empresa de tecnologia (Google, Youtube, Twitter, etc.) nos oferece, nossos comportamentos podem mudar ou podemos ser levados a viver numa verdadeira bolha. a empresa pode nos manipular para consumir somente aquilo que demonstramos interesse por meio de nossas ações, como likes e posts, e também pode nos induzir a consumir algum tipo de conteúdo que não nos passava pela nossa cabeça anteriormente, exatamente porque para ela, naquele momento, aquilo é interessante (pois a rede social tem no momento como cliente aquela empresa do anúncio, e para ela tanto faz como aquilo nos muda com relação aos nossos comportamentos, gostos, pensamentos e personalidade, ela só deseja lucrar mais com as nossas ações constantes e a nossa permanência na rede social).
e então alguém pode se perguntar: mas influenciar o usuário por meio de um anúncio é tão importante assim?
pode ter certeza, é. pois é por meio desses anúncios que as empresas de tecnologia lucram. se parássemos de postar, de usar as redes sociais, elas não teriam para quem vender seus anúncios baseados nos dados que damos de graça para elas. é uma questão lógica: como a empresa lucraria se ela não cobra nada de você? por que as empresas de tecnologia são muito ricas, se elas não cobram pelo uso? a lacuna em aberto pode ser respondida pela seguinte frase: você é o produto. as suas reações são produtos. como você se comporta é o principal produto das redes sociais.
além disso, o que as empresas anunciantes que pagam as redes sociais mais querem é ter a certeza de que seus anúncios publicados serão bem sucedidos.
-> capitalismo da vigilância moldando a cultura e a sociedade
e, diante disso, conseguimos desenhar uma verdadeira cadeia global que visa influenciar o comportamento das pessoas, chegando a alterar até mesmo seus pensamentos e sua personalidade. essas empresas têm como pano de fundo a busca por lucro e por seguir vendendo seus produtos. no fim, o ideal do Google, por exemplo, é lucrar, não importa como, assim como toda empresa. somos indivíduos que acreditam estar vivendo o ápice da liberdade de suas vidas dentro da rede social, quando, na realidade, somos meros produtos, sendo mais assistidos e monitorados (além disso, também influenciados) do que estaríamos se não nos submetesse às redes sociais tão ativas em nossas vidas. a isso podemos dar o nome de CAPITALISMO DA VIGILÂNCIA.
como que isso é feito?
- monitoramento constante do que você faz na internet. o que você faz, como faz, por quanto tempo ficou naquilo que fez.
- testes A/B
- experimento de contágio em larga escala = exemplo: mais pessoas indo votar depois da influência do facebook.
vamos supor uma pessoa que posta exatamente tudo que faz na rede social, fazendo seus colegas de rede e, principalmente, a rede social, saberem exatamente quando um relacionamento amoroso começou e quando ele terminou. você pode pensar: ok, mas e daí? isso é tão comum que as pessoas nem mais se questionam sobre as consequências de tudo que postam. após um término, se a rede social, que é baseada em vender anúncios, nota que você ainda está focado naquela pessoa que acabou de terminar, ela vai te dar o que sente que você precisa naquele momento. as redes sociais delineiam o seu estado de humor, o seu perfil psicológico, a sua personalidade.
que as redes sociais nos conhecem mais do que nossos parceiros amorosos e mais do que nossos pais, isso ninguém pode negar. principalmente se você pesquisa coisas que a sua família ou pessoas próximas jamais imaginariam que você pesquisa. a rede social, cujo foco é o de vender anúncios com base nos dados coletados do que fazemos nela, está profundamente interessada em te conhecer. e você não dificulta nenhum pouquinho esse processo, só acelera tudo, dando exatamente o que ela quer.
- três objetivos que as redes sociais possuem:
. engajamento
. crescimento
. publicidade
a partir dos seus comportamentos, de cada etapa concluída em sua vida, de cada momento difícil ou felicidade que você passa, a rede social literalmente rastreia o que você faz e cria um perfil exato de pessoa que, NAQUELE MOMENTO, precisa receber determinados anúncios (que, novamente, são o coração do lucro das redes sociais). ela te oferece tais anúncios. e então vai lucrando e se tornando cada vez mais bilionária.
porém, o interessante é que a rede social não parece vender os nossos dados. ao invés disso, ela faz algo mais inteligente: mantém os dados consigo, para ir delineando um perfil cada vez mais detalhado e apurado de quem somos. isso é interessante pra ela. pois ela precisa ser a melhor empresa com o perfil MAIS APURADO de quem somos. e então ela lucra mais do que as outras, se torna mais atraente para seus clientes (anunciantes). e, enquanto isso, seguimos sendo bonecos manipulados e influenciados. porém, um adendo deve ser feito: isso não é realizado por humanos, mas sim por algoritmos. o que, sinceramente? é ainda mais perigoso.
pois se paramos para notar o quanto estamos sendo influenciados e mapeados em cada passo que damos nas redes sociais, já vemos o quanto isso é alarmante, sendo diversas as consequências dessa situação, como uma alienação em um só assunto [ou uma mudança de comportamento por ser induzido para coisas que você passou a vivenciar naquela rede social]. porém, quando se nota que isso é feito por algoritmos, é assustador como algo de tamanho efeito está sendo realizado com pouca responsabilidade. e se você ainda banaliza isso, precisamos pensar nos impactos que isso pode ter na vida de cada pessoa, o que também merece uma reflexão.
mas isso será visto somente na parte 2. até breve!
você existe para você ou necessita que alguém exista para você?
você depende de alguém para existir? você depende da aparição do outro para ser feliz e estar bem? por óbvio que não estou falando da dependência que você está imaginando - financeira, por exemplo. estou falando sobre acreditar que o outro é a sua ferramenta de uso para que você seja feliz.
você existe para você ou necessita que alguém exista para você?
você controla o tempo do outro para que ele se adeque às suas necessidades, ou você adequa o seu tempo para satisfazer o que você precisa para você?
você entende que cada existência é singular e que cada pessoa precisa dos seus próprios modos para existir, ou exige que cada um viva de acordo com o que VOCÊ acredita que é melhor para ele/a?
observo cada vez mais uma grande quantidade de pessoas presentes em redes sociais buscando ter suas necessidades mais básicas sendo satisfeitas por outras pessoas - atenção, carinho, e por aí vai.
e muitas vezes são cobranças direcionadas a pessoas que não possuem tal obrigação. pessoas que não nos relacionamos, e que vivemos distante demais - em todos os sentidos.
ainda mais nesses casos, é importante ter em mente como a rede social é somente uma pequena extensão de nossas vidas, mesmo que para muitos essa rede social seja tratada como seu habitat natural: onde a pessoa diz exatamente tudo que faz ou está fazendo, sendo também o lugar que às vezes a impede de fazer as coisas que ela narrou que faria. quando estamos diante desse cenário, pode nos parecer razoável cobrar algo de alguém, mas não devemos tratar os outros como instrumentos que foram feitos para satisfazer nossas necessidades egoicas.
na realidade, a gente nunca tem o dever, a obrigação, de estar satisfazendo os outros, mesmo quando estamos numa relação. a falta completa de coisas como apoio e atenção faz um mal tremendo, mas o seu excesso e crer que essas coisas são tarefas a serem cumpridas são o que impedem que ambos envolvidos na relação cresçam. assim, eles podem se "acorrentar", se tornando dependentes um do outro.