Desrealização
Aqui estou: sujeito de minha própria existência,
em pé, diante de mim mesmo,
olhando meus olhos vazios de sentido
enquanto tento reconhecer-me no meu reflexo
Meu corpo tem vida própria e eu o observo:
agindo cuidadosamente,
seguindo seus próprios planos,
enquanto meu ser permanece reclinado em si
Minhas mãos são de outra pessoa,
meu corpo não pertence à mim mesmo.
Há outro em mim e não o reconheço
Só vejo sua marca nas margens das minhas palavras mal-ditas
Minha pele inteira derrete e se esvai
meus olhos fogem do mundo
sobra em mim uma essência vazia,
de um eu que não reconheço
Conhecer-te é entrar num labirinto.
Ninguém está pronto pra essa busca.
Mas não há caminho de volta:
Apenas a esperança de um dia encontrar a saída
B. Ardana













