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DIZERES
Sinto falta de quando o amor era poesia, sinto falta dos poetas, dos profetas, dos artistas de verdade. Sinto falta de quando o jardim da minha alma florescia na primavera. Sinto falta de quando as pessoas eram conscientes, eficientes. Hoje parece que apenas sentir falta me resta. E por isso continuarei sentido falta. Sem experimentar o novo, sem conhecer o moderno, pois prefiro viver no passado. Onde eu era feliz.
__DIZERES (Conselhos e Consolos); Matheus de Lima.
ASSIM
Há muito tempo, havia um homem, que não controlava o coração.
Ele sabia, que alguém um dia, iria o fazer se apaixonar, e que na manhã seguinte, já não seria a mesma coisa. E sabia ele, que recusaria o amor de quem o amasse, para viver de amor e dor provindos da louca ilusão de um amor perfeito, que bem sabia não existia, e assim se desiludiu, ou não, pois sabendo desde o inicio o fim, foi exatamente por querer que tudo acabou assim, e assim ele estava bem.
E havia ela, e havia outras, e tudo havia, menos certeza, de que em algum lugar, realmente havia amor. Mas por não se importar, não foi atrás de saber, e tudo ficou assim, e assim ele estava bem.
E era belo o seu nome, e era belo esse homem, como um presente de Deus, e assim ele estava bem.
E eram belos os nomes, e a cor verde de seus olhos, e seu cabelo vermelho, e sua pele morena, e sua boca pequena, e sua loucura total, que pra ele era normal, pois de forma tão natural era, que a ele não sobrepunha a sua própria loucura, e era louco em geral, mas assim ele estava bem.
E se um dia faltar amor, não será novidade, e se faltar a dor, então faltará grande parte, dele que é assim, dele que é a mim, o mais belo auto-retrato, e assim eu estou bem.
__ASSIM (Conselhos e Consolos); Matheus de Lima.
... vejo minha paixonite chateada porque tomou um toco de uma piriguete
Asneiras, motivações e crenças
Já ouvi dizer que a vida é uma história sem moral. Não segue uma receita, percorre rumos sinuosos, e compõe-se de reviravoltas insanas, até irônicas. E a verdade é bem essa; no final das contas nada é infalível, nada é realmente incondicional. Somos impulsionados primeiramente pela vontade de viver a vida, mas isso nunca realmente acontece de fato, porque esses impulsos são controlados. Controlados pelo medo, pela vergonha, pela insegurança, pelas regras, pelos limites. Desse controle, buscamos procurar alternativas; procura-se na fé, uma crença. E aí se começa a dizer um monte de asneiras, e acreditar nelas. Asneiras por quê? Porque além de nada ser infalível, nada ser incondicional, tudo é mutável, transcende entre uma realidade e outra, quer dizer, entre um momento e outro. Isso não é hipocrisia ou falsidade, é natural: busca-se mudar o tempo inteiro, pois na rotina, por mais que se acostume com ela, uma hora o prazer se esgota. E de novo, porque se cria um monte de asneiras para se acreditar cada vez mais? Porque daí se tira motivação. Se o dilema não é como as pessoas sem movem, mas sim o que as move, eis a reposta: as asneiras. Pois elas servem pra motivar.
E aí se vai muito longe. Fala-se que o que é impossível é possível, que limites são totalmente superáveis, que barreiras podem facilmente ser vencidas, que confiança é tudo, que basta acreditar, que basta tentar. Fala-se que nunca se saberá o resultado se não houver tentativa. Mas não é que, por serem asneiras, são todas mentiras. O fato é que nem sempre a convicção que passa a viver entre essas crenças está sempre presente. Desacreditar nelas é fácil, pois existe outra grande arma: as desculpas. Pode-se criar uma desculpa pra tudo. Pode-se, facilmente, justificar a desistência, a opção pelo sofrimento, pela solidão, pela dor, pela agonia. E qual dessas asneiras realmente é totalmente verdade? A última delas: nunca se saberá o resultado se não houver tentativa. Sua verdade é totalmente solene, lúcida, incontestável, irrevogável, livre de qualquer contra-argumentação. Porque a vida é uma história sem moral. Não segue uma receita, percorre rumos sinuosos e compõe-se de reviravoltas insanas. Mas nunca se sabe se dá pra mudá-la, a não ser que se tente.