Os Observadores estão de olho em DERYA ZERHAN. Eles dizem que ela tem 29 anos e que está na Ilha há 2 anos, já deve estar acostumada com as regras da cidade. Como DERYA se parece com PINAR DENIZ, é bom tomar cuidado e não sair do CHALÉ 4 de noite porque mesmo sendo filha de HÉCATE, vinda do ACAMPAMENTO MEIO SANGUE, aqui é apenas mais uma no meio da multidão.
𝐈𝐅 𝐘𝐎𝐔 𝐀𝐑𝐄 𝐁𝐄𝐈𝐍𝐆 𝐖𝐀𝐓𝐂𝐇𝐄𝐃, 𝐘𝐎𝐔 𝐀𝐑𝐄 𝐒𝐓𝐈𝐋𝐋 𝐔𝐒𝐄𝐅𝐔𝐋.
Derya é uma pessoa instável, intensa e profundamente marcada pela sensação de descarte. Ela sente tudo em excesso e reage na mesma proporção. Tem uma mente inquieta, curiosa e indisciplinada, o que a torna criativa, mas difícil de ensinar por métodos tradicionais. Carrega uma necessidade constante de validação e por isso busca provar seu valor o tempo todo, mas nunca se sente suficiente. Tem dificuldade em lidar com frustração, odeia se sentir pequena e reage mal ao fracasso, ao mesmo tempo que tem tendência à autossabotagem. Apesar do temperamento difícil, Derya não é cruel por natureza. Ela é leal àqueles que respeitam seus limites e surpreendentemente protetora com quem reconhece como vulnerável.
𝐘𝐎𝐔 𝐃𝐈𝐃𝐍’𝐓 𝐀𝐑𝐑𝐈𝐕𝐄 𝐇𝐄𝐑𝐄. 𝐘𝐎𝐔 𝐖𝐄𝐑𝐄 𝐓𝐀𝐊𝐄𝐍.
Emir era um escritor de fantasia em crise criativa, preso aos próprios mundos inventados, quando cruzou com a deusa das encruzilhadas. Uma mulher enigmática, majestosa e completamente fora de seu alcance era exatamente o tipo de figura que alimentava suas histórias. A deusa divertiu-se com a devoção patética de um mortal que acreditava estar vivendo uma história de amor épica, e por um tempo ela até fez dele um passatempo conveniente. Mas, como todo mortal, Emir se tornou previsível. Quando o encanto se dissolveu, Hécate simplesmente foi embora. O vazio que ela deixou foi absoluto, e Emir ficou para trás com a sensação de ter sido descartado sem sequer merecer um motivo. Foi em uma madrugada fria que a consequência real daquela relação apareceu à sua porta. Uma criança pequena, enrolada em um manto negro, deixada ali sem qualquer aviso. Ele não precisou de respostas para entender. Aquela menina era o último gesto de desprezo de Hécate, um fardo enviado sem cuidado, como algo que ela não queria mais manter por perto. Emir a chamou de Derya e tentou, da única forma que sabia, assumir o papel de pai.
Criar Derya nunca foi simples. Emir tentou ser um bom pai, dentro de tudo o que conseguia oferecer, mas desde cedo ficou claro que havia algo na filha que tornava tudo mais difícil. A realidade parecia se comportar de maneira errática ao redor dela, e isso o deixava constantemente em alerta. Ele a amava, é claro, mas esse amor vinha acompanhado de um medo profundo que ele fingia não sentir. Derya, por outro lado, parecia ter uma compreensão inata da fraqueza do pai. Sabia como pressioná-lo, como conseguir o que queria, e entendia exatamente até onde podia ir sem que ele tivesse coragem de enfrentá-la. Quando Derya ficava irritada, as luzes falhavam, plantas secavam ao seu toque e sombras se acumulavam de maneira estranha, mais densas quando ela estava por perto. Desesperado, tentou soluções comuns. Levou a filha a médicos, psicólogos, buscou ajuda religiosa, até mesmo um exorcista. Nada funcionou, porque nada estava errado com Derya. Ela não precisava ser curada ou consertada, apenas de orientação sobre quem realmente era. Algo que Emir, como mortal, não tinha condições de oferecer.
Quando Derya completou treze anos, a convivência se tornou insustentável. Os episódios se tornaram mais frequentes, mais intensos, e a casa já não parecia um lugar seguro para nenhum dos dois. Emir, exausto e ainda se agarrando à negação, percebeu que não conseguiria protegê-la ou mantê-la escondida por muito mais tempo. Foi assim que um sátiro a encontrou e a levou para o Acampamento Meio-Sangue. A deusa das encruzilhadas não fez questão de aparecer para reivindicar a filha. Derya esperou semanas, meses até, em uma espera amarga e silenciosa. Hécate parecia achar mais divertido deixar Derya em um estado de incerteza, um lembrete do quão desprezível poderia ser o tratamento de uma divindade para com seus próprios descendentes. Quando a reivindicação finalmente veio, não houve solenidade. A adaptação de Derya ao acampamento foi desastrosa desde o início. Ela falhava em feitiços básicos, não se destacava no combate e seu temperamento instável tornava tudo mais difícil. As explosões de seu poder eram frequentes e descontroladas.
Derya, com uma ambição que rivalizava apenas com sua desilusão, abandonou o Acampamento Meio-Sangue após uma missão que parecia promissora, mas terminou como tantas outras: em fracasso e frustração. Foi durante esse período de incerteza que cruzou o caminho de Circe, a feiticeira exilada, que, com um sorriso enganador, prometeu a Derya um banquete de conhecimento. Acesso a grimórios antigos, rituais esquecidos e feitiços que Hécate jamais se daria ao trabalho de ensinar. Aceitar o convite de Circe foi uma escolha ingênua. Não demorou para entender que aquela devoção exigia um preço. O poder de Circe vinha da astúcia, da experiência e da capacidade de moldar outras pessoas. Recrutava jovens com potencial para crueldade e transformava isso em lealdade por meio de ensino rigoroso e manipulação constante. Sua língua afiada era tão eficaz quanto qualquer feitiço, e ela soube explorar o ressentimento de Derya contra Hécate para moldá-la conforme seus interesses. A semideusa se viu reduzida a uma peça de um jogo sujo, usada por Circe para realizar missões que visavam provocar Hécate, como se fosse um troféu de guerra em uma disputa entre divindades. Ainda assim, Circe sabia como mantê-la por perto. Alternava elogios com desprezo, promessas vagas com punições silenciosas, sempre reforçando a ideia de que, fora dali, Derya não era nada.
Os anos passaram de forma lenta e desgastante. A promessa inicial de crescimento deu lugar a uma rotina de exploração, onde Derya se via presa, isolada e cada vez mais distante do que realmente buscava. Exausta, aproveitou uma brecha rara na vigilância da ilha e fugiu sem levar nada além do que já estava gravado em sua mente. O conhecimento que Circe lhe dera era inseparável dela, assim como as cicatrizes invisíveis deixadas por anos de manipulação. Sem opções e sem rumo, retornou ao único lugar que ainda lhe trazia segurança: a casa do pai. Emir a recebeu sem perguntas, sem reprovações, como se temesse que qualquer palavra pudesse fazê-la desaparecer de novo. A ilusão durou pouco. Por alguns meses, a rotina foi tranquila. Derya evitava falar do passado recente, mantinha a magia sob controle e tentava existir sem chamar atenção. Numa noite comum, sem presságios, a Zerhan foi dormir como qualquer outra pessoa. O sono veio sem sinais de perigo, profundo e tranquilo. Quando abriu os olhos, já não estava mais ali.
𝐒𝐎𝐌𝐄 𝐃𝐄𝐒𝐓𝐈𝐍𝐈𝐄𝐒 𝐀𝐑𝐄 𝐖𝐎𝐑𝐒𝐄 𝐓𝐇𝐀𝐍 𝐃𝐄𝐀𝐓𝐇.
Manipulação de veneno — Seu poder ativo se manifesta principalmente através do toque, o que lhe rendeu o apelido de "toque amaldiçoado" quando entrou no acampamento. Com o tempo, seu dom foi controlado e ela aprendeu a ativá-lo apenas quando desejado. Caso contrário, qualquer contato direto com a sua pele pode resultar em queimaduras químicas extremamente dolorosas, como se a própria carne estivesse sendo corroída. Derya também aprendeu a controlar toxinas com efeitos variados, desde venenos letais até substâncias que induzem pânico, paralisia ou alucinações. Além do uso ofensivo, aprendeu a extrair, purificar e modificar toxinas, criando antídotos e aplicações medicinais limitadas. Após chegar à ilha, o poder de Derya se encontra enfraquecido e instável. A produção e manipulação de toxinas tornaram-se irregulares, exigindo maior esforço para resultados muito mais limitados e imprevisíveis.
Seu poder passivo é a afinidade com encruzilhadas. Derya possui uma sensibilidade a situações de transição. Ela reconhece instintivamente quando está diante de um cruzamento físico, de um limite entre territórios ou de uma escolha que não pode ser desfeita. Não enxerga o futuro nem recebe orientações diretas, mas sente quando uma decisão carrega consequências definitivas.
* 𝐖𝐄𝐀𝐏𝐎𝐍𝐒.
A arma de Derya é uma foice curta de bronze celestial, com lâmina curva e bem afiada, pensada para combates próximos. Seu tamanho permite movimentos rápidos e precisos, favorecendo cortes profundos, puxões e desarmes rápidos. O alcance é limitado, exigindo proximidade, mas essa limitação é compensada pela letalidade da lâmina e pela facilidade de manuseio.















