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DESAFIO NUMERO 1 TALLER 5_VIDEO EXPLICATIVO
DESAFIO NUMERO 1 TALLER 5
VOTAÇÃO ABERTA WE LOVE FASHION BLOGS 2
Quem me acompanha nas redes sociais, já deve saber que estou entre as 100 selecionadas no concurso We Love Fashion Blogs 2, da Petite Jolie com apoio da Fhits. MUITO feliz com essa conquista. Trabalho em conjunto com Emma Denauí, meu irmão-amigo-fucking-talentoso sendo reconhecido, e claro, com vocês, que sempre me motivam a continuar postando aqui e inspirando gente no mundo todo!
Cada blogueira participante desenvolveu um post de acordo com o primeiro desafio lançado pelo concurso. Agora, preciso do apoio de vocês para passar para a próxima etapa (ficarão 60 blogueiras). É chato ficar pedindo voto, mas super entendo que nas redes sociais é isso mesmo, interação com o público é o que mais conta! Então, bora me dar essa força? Serei eternamente grata, tô confiante. (dedinhos cruzados)
LINK PARA VOTAR: http://goo.gl/Kapg6E Votação estará aberta entre os dias 20 e 21 de agosto. Conto com vocês!
Beijinhos, Mess.
Postado por Alessandra Mess. Instagram | Pinterest | Facebook | Twitter | Tumblr | Lookbook.nu | Google +
http://goo.gl/Kapg6E Votação estará aberta entre os dias 20 e 21 de agosto. Conto com vocês!
O CHARME DO BRANCO CHANTILLY
Para esse primeiro desafio do concurso #WeLoveFashionBlogs2, selecionei imagens lindas - juntamente de dicas - de uma tendência que é pra já: o branco chantilly! Branco chantilly? É, deixe-me explicar. Cada blogueira participante ganhou uma cor (de acordo com a paleta cromática da coleção de verão 2015 da Petite Jolie, inspirada em sorvetes) para desenvolver um post livre a respeito. Sacou? Tive tantas ideias logo de início; receitas, nail art, DIY, decoração e até mesmo sair para clicar mais um look do dia, como sempre faço. E, confesso que a primeira coisa que fiz antes de decidir algo, foi ir para a internet pesquisar.
Olhei meu feed de blogs preferidos no feedly.com (recomendo!) e me espantei com a quantidade de inspirações e looks na cor branca que encontrei. Acredito que organizar essas infos aqui, vai me ajudar a definir melhor a pauta dos próximos desafios. Inclusive, resgatei clics tãão charmosos, os quais já apareceram aqui no Working Machine! Enfim, fiz uma seleção a dedo daquilo que julguei relevante pra postar aqui pra vocês em uma sessão de #TrendAlert da cor branca. Vem comigo?
Espero que as inspirações fotográficas tenham sido úteis. #maiscorporfavor! Um beijo grande, vejo vocês em breve. Mess.
GOSTOU DAS FOTOS EM QUE EU APAREÇO? Você pode curtir a fanpage do autor por trás dessas lentes e assim acompanhar o trabalho desse meu grande amigo, além de receber doses diárias de muito bom humor! Conheça o fotógrafo Emma Denauí. Demais fotos: http://pinterest.com http://www.eatsleepwear.com/ http://ihateblonde.com/ http://vivaluxury.blogspot.com http://www.lovely-pepa.com/
CURTIU O POST, ACHOU LINDO E O BLOG INCRÍVEL? Pô, dá uma força aí então! Os links das redes sociais do blog estão todos no final do post! O instagram tá com fotos incríveis tb, ein! Segue lá (:
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Canção
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
- Cecília Meireles
O céu vai armando uma tempestade.
Estou parada na areia da praia semi deserta e o primeiro sinal é um trovão distante, apesar do céu ainda estar relativamente aberto em um dos lados. Mas mesmo sem as nuvens cinza aparecendo aos poucos, tudo aponta para a força bruta da chuva que deve começar a cair em breve. O ar pesado. O cheiro forte do mar.
Bom, eu penso. Dramático.
Geralmente odeio dramas, e essa era uma das coisas que você gostava em mim. Mas exatamente por isso o drama de hoje me agrada. Hoje ele vai ser necessário. Hoje ele vai ser merecido.
Hoje eu jogo fora o que me sobrou de você.
Acabou sendo um processo mais natural do que eu achei que ia ser, esse de te esquecer. Menos demorado do que eu pensava, até porque eu pensava que isso nunca ia acontecer. Mas acho que no fim é o que a gente sempre pensa. Nunca vou esquecer, nunca vou superar. E aí esquece e supera. Antes eu me imaginava tendo aventuras prazerosas que não iam dar em nada com homens e mulheres lindos e sexys. Imaginava ter sempre uma desculpa na manga para a falta de qualquer plano a longo prazo. Imaginava como seria, para variar, ser a pessoa que ama menos.
O Farol
O relógio apitou meia-noite e o faroleiro sorriu. Solitário, achou que merecia descer, ir até a beira d'água. Tudo estava tranquilo, o lume do farol rodava sem problemas, a noite estava clara e o céu cheio de estrelas. O perigo dalgum barco se perder, afundar, bater no banco de recife era muito pequeno. Era Ano Novo e ele estava sozinho naquela ilhota pedregosa. O máximo que podia acontecer era um tatuí lhe entrar no ouvido se ele dormisse bêbado por ali.
Esfregou as mãos e catou uma moringa escondida atrás de uma tábua do painel de controle do farol. Tirou o copinho de barro que serve de tampa e deu uma fungadinha na cachaça que estava escondida lá dentro. Riu-se e desceu a escada caracol depressinha, depressinha. A escória estalou quando pisou as botinas no pátio. Respirou fundo e sentiu o ar leve, sem o cheiro de óleo diesel que era constante na sala de máquinas do farol. Uma caminhada rápida o levou para a beira da praia. Ali, ele tirou as botas, sentou-se nas pedrinhas e ficou bebericando sua caninha sossegadamente.
O mar era uma companhia inquieta; para qualquer lado que olhasse, lá estava ele, murmurando, esbravejando, indo e voltando. Não compreendia como se podia sentir paz olhando para ele, imenso e fundo, escondendo todos os segredos que a terra não poderia conter.
DESAFIO : VENCEDORA Nº 1 - Grícia Ellen
A Colheita – Distrito 3
Estiquei meus músculos, espreguiçando-me, ainda na cama. Eu não precisava abrir os olhos para saber que não havia amanhecido, pois eu podia sentir a escuridão ao meu redor. O ar frio do Distrito 3 fez com que eu me espremesse novamente entre os meus cobertores de lã velhos. Mais ou menos neste horário, todos os dias, eu acordo e me preparo para a escola e logo após um longo e cansativo expediente em uma das poucas fábricas do distrito que sobreviveram à guerra. Eu trabalho como Tester de todo tipo de tecnologia que é enviada para a Capital. Tecnicamente, tudo passa pelas minhas mãos, para que no caso de que algo exploda, seja nas mãos de uma pobre garota do Distrito 3 e não nas de um cidadão renomado e importantíssimo da Capital.
Não é como se eu corresse risco de vida todos os dias, as coisas que passam pelas minhas mãos atualmente são, em sua maioria, objetos quase inúteis para satisfazer desejos inúteis de pessoas inúteis. É claro que há muitas outras coisas realmente interessantes que saem da nossa fábrica, mas eu estou temporariamente afastada desses setores depois dos acontecimentos dos últimos meses.
Eu já passei por quase todos os setores de testes possíveis e obviamente, alguns desastres aconteceram, rendendo-me uma coleção de cicatrizes e queimaduras ao longo dos anos, mas não é como se isso fosse tão importante. No começo, como qualquer menina vaidosa, havia preocupação, mas depois percebi que era isso ou eu morreria de fome. E morrer definitivamente não é uma opção.
Em um desses setores, mais especificamente no setor de Tecnologia Aérea e Espacial, houve um acidente. Eu e mais uma equipe de quatro jovens quase morremos queimados pela explosão do pós combustor de um dos aerodeslizadores que estavam em testes. Além de mais algumas queimaduras, essa experiência me rendeu algumas semanas hospitalizada, mas também uma “gratidão” do distrito, um pouco de dinheiro em compensação às consequências causadas. Porém, nada que diminuísse a pobreza de muitos de nós, então, não é um sinal de que alguém realmente se importa.
Isso causou grande preocupação em Debian, minha irmã mais velha que é a responsável legal por mim desde a morte do meu pai na guerra, e preocupar-se comigo não era uma de suas matérias favoritas. Até hoje me pergunto se ela temeu me perder ou perder o dinheiro que eu conquistava com o meu emprego. Debian trabalha na Roda, uma espécie de feira do Distrito 3 onde você encontra de tudo, desde dispositivos eletrônicos à pão fresquinho. E, apesar de exercer nenhuma influência sobre as decisões ditadas na fábrica, ela forçou Ray, seu marido, que foi quem me arranjou o emprego ilegal, a dar um jeito de me descer de cargo e a trabalhar no setor de Tecnologia Doméstica. Agora eu testo chuveiros, isso não é incrível?
O ranger da porta se abrindo é o que me desperta novamente. Eu giro meu corpo para ver o que ou quem é e deparo-me com Lucca, irmão mais novo de Ray. Apesar de não haver nenhum sentimento fraternal entre nós, Lucca age de forma protetora em relação à mim. Seus pais haviam morrido, assim como os meus, e talvez por esse motivo ele sinta algum tipo de ligação comigo. Nós dois, largados com seus irmãos mais velhos, tendo que se virar para sobreviver. Ele me apoia e eu o apoio. Isso é o máximo de amizade que nós temos.
Ele estava parado na soleira da porta. Seus olhos azuis fitavam-me e sua face não possuía uma expressão animada.
- Achei mesmo que já estivesse acordada – disse ele. Aquilo não fora uma pergunta.
Após o incidente do aerodeslizador, algo mudou. Ele se tornara mais impaciente e controlador, querendo saber de cada detalhe da minha vida o tempo inteiro. Eu não podia reclamar, no entanto, já que ele tinha sido o único a me visitar no hospital há meses atrás. Foi um gesto bonito. E eu não tenho o costume de esquecer.
É claro que ele fora uma das pessoas que apoiaram Debian na decisão de me afastar de coisas consideradas “perigosas”. Tecnicamente, eu nem poderia estar trabalhando na fábrica do distrito, pois esse tipo de emprego era proibido para menores de idade. Mas num lugar tão pobre, esse não é o tipo de crime que me levaria à ser amarrada no tronco.
Lembranças me vêm à mente e eu estremeço.
- Esse é o meu horário, não? – pergunto, me sentando preguiçosamente na beirada da cama – é o horário dos pobres oprimidos irem à caça.
- Não hoje – afirmou ele.
Lucca está certo. Eu ainda não precisava me levantar, se quisesse, pois hoje era um dia especial. Hoje era o tão esperado dia da Colheita, onde um idiota da Capital chamado Asus Grace viria pescar nossos nomes dentro de grandes globos de vidro e nos levar para a morte certa. Desta vez, com os meus dezesseis anos recém completos, eu teria vinte e cinco chances de ser sorteada. Lucca teria trinta e cinco e este era o seu último ano.Talvez por isto eu esperava vê-lo um pouco mais ansioso, mas ele estava simplesmente calmo. Calmo demais.
- Eu sei – disse, vestindo um casaco para me proteger do frio – como se sente?
- O quê? – Lucca piscou confuso.
- Esse é o seu último ano na Colheita – eu disse, deslizando meus pés vestidos de meias velhas para dentro dos sapatos de couro que eu uso para praticamente tudo – deveria estar um pouco animado. Nervoso, sei lá.
- Não é como se estivesse em total segurança agora – disse ele. Concordo, assentindo com a cabeça.
Eu saio do quarto e Lucca vem logo atrás em meu alcanço. Ao fazermos uma inspeção na cozinha, a fim de encontrar cada última migalha de alimento, nós decidimos sair de casa e irmos até a Roda, que fica no centro da cidade. Está cheio, mas não como num dia qualquer. Ao nosso redor, a equipe da Capital responsável pela transmissão da Colheita do nosso Distrito já se posiciona, preparando-se para o grande espetáculo.
Com o pouco de dinheiro que sobrou no fim do mês, nós compramos alguns pães, frutas, carne e folhas. Não era muita coisa para se comer, mas era mais do que normalmente comprávamos. Afinal, hoje era um dia especial, não? Se essa fosse a última refeição em casa para um de nós dois, então tinha de ser bem feita.
Ao voltarmos, eu comecei a preparar a mesa enquanto ele assava a carne. Nem sei que tipo de carne é. Logo mais, Debian se junta à nós e começa a fazer uma salada com as folhas semi-frescas, enquanto eu assistia, pois assim como Ray, possuo muito mais serventia desmontando uma bomba do que fazendo qualquer coisa na cozinha.
Assim que eles terminam, nós separamos tudo em quantidades iguais e comemos em silêncio. Há um clima de tensão no ar, como sempre, apesar de eu já estar acostumada com isso. No fundo, nós queríamos o bem um do outro, mas eu não sabia se podia nos denominar de família.
Depois de comer, eu tomo um banho especial, lavando meus fios ruivos e demorando-me mais do que normalmente. No Distrito 3, nós temos direito à água uma vez por dia, mas hoje é o dia da Colheita, então as coisas mudam. Eu desembalo o sabonete orgânico e esfrego na minha pele com força.
Olho o céu do distrito através da janela do banheiro. Está nublado e poucos raios de sol conseguem sobressair entre as nuvens espessas. Apesar disto, o azul ainda está lá, lutando para sobreviver também. Eu sorrio por um instante.
O medo que sempre sinto com a Colheita está finalmente marcando seu território dentro de mim e eu sei que não posso fraquejar, por isso expulso imediatamente esses pensamentos da minha mente e me concentro em uma coisa de cada vez. Me lavo, me seco e me visto com um vestido de mangas longas que quase nunca uso. Penteio meus cabelos e os prendo de lado, deixando alguns fios rebeldes soltos. Calço um chinelo e respiro fundo, tentando me acalmar.
Ao sair de casa, sinto o frio gelar até os meus ossos. Neste momento, deve estar fazendo mais ou menos uns seis graus acima de zero. Eu particularmente nunca gostei do clima do Distrito 3. Alguns dizem que a Capital é o lugar mais quente de Panem, fazendo provavelmente quinze graus a mais do que o resto do país, mas eu não gostaria de me mudar para lá. Eles têm todo o conforto e luxo que eu nunca poderia ter, mas em troca perderam o livre arbítrio há muito tempo. Não é como se eu fosse muito livre por aqui, mas eu ainda posso pensar. E o pensamento é algo que nunca poderá ser controlado.
Eu gosto do Distrito 3, apesar de todos os prós e contras. Gosto de tudo que produzimos aqui e das pessoas também, apesar de não ser muito popular, no sentido mais amplo da palavra. Mas, se há algum lugar que eu definitivamente gostaria de conhecer, é o 4. Meu pai sempre me contava histórias sobre grandes navegadores que faziam voltas ao mundo e como eles partiam pelo mar. Eu nunca o vi, mas o imagino imenso. Imagino um forte vento passando por mim e quase me levando junto consigo, por tamanha força que possui. E por um momento, me sinto livre.
Enquanto caminhamos, observo de longe o Entulho, uma parte enorme do Distrito 3 que foi destruída e bombardeada e que agora era usada de lixão para as velharias da Capital. Há muito lixo tóxico da guerra deixado aqui. O Entulho é completamente rodeado por uma cerca elétrica, parecida com a que separa o nosso distrito da floresta, porém com uma altura menor. A entrada tem de ser autorizada pelas autoridades, mas nunca houveram casos de alguém que tentara entrar lá. Afinal, não há nada que preste lá dentro.
Eu só havia estado ali poucas vezes, sempre acompanhada por alguém da minha antiga equipe de Tecnologia Aérea. O cheiro é horrível e somente a lembrança me faz retorcer o nariz. Neste momento, tenho a certeza de que ninguém deveria ser obrigado a morar perto daquele lugar ou a conviver com isso. Mas essa era a nossa vida e não havia como fugir. Não havia um mar gigantesco à nossa frente e milhares de formas de fuga como nas histórias do meu pai, não. A realidade é brusca, injusta e cruel.
Quando chegamos à praça, o aglomerado de gente torna tudo aquilo mais insuportável do que já é e eu imploro aos céus que tudo seja rápido. A população do Distrito 3 é avaliada em 193.354 pessoas, mas parece ter se multiplicado nos últimos instantes. À nossa frente, há o Edifício da Justiça, velho e acabado após tantos bombardeios, porém imbecilmente enfeitado das bandeiras douradas de Panem. Ao nosso redor, há milhares de câmeras prontas para captar cada segundo da nossa tragédia.
Lucca caminha na minha frente para o grupo de garotos de dezoito anos sem olhar para trás. Quando eu dou um passo para seguir o meu caminho, sinto alguém agarrar meu pulso e me viro, já preparando um xingamento. Porém, para minha surpresa, trata-se de Debian, que parecia tensa e hesitante ao mesmo tempo.
- Boa sorte – sussurra ela com sua voz melosa e fraca. Eu balanço a cabeça e a deixo para trás com seu marido, enquanto caminho para junto das outras garotas.
Sua atitude me pegou de surpresa. Não é como se ela fosse uma pessoa totalmente insensível. Na verdade, meu pai dizia que ela costumava a ser muito meiga e alegre, e que seus olhos castanhos brilhavam quando ela sorria. Mas tudo mudou quando sua irmã gêmea a qual ninguém, exceto meu pai, citava o nome, morreu nos antigos Jogos Vorazes, quando Deb tinha mais ou menos a minha idade. Após esse acontecimento, Debian se fechou e virou uma carcaça de si mesma, deixando de ser a garota adorável que tinha sido um dia. Eu nunca cheguei a conhecer essa Debian, é claro. Para mim ela sempre fora a irmã mais velha e ranzinza a quem eu tinha que respeitar e obedecer, mas pelo visto, ela era muito mais do que simplesmente isso. Talvez ela possua tanto medo de perder as pessoas que acaba as afastando de si, como forma de proteção. Talvez nosso relacionamento mude após esse compreendimento, se eu me sair bem hoje.
Ao chegar na área dos dezesseis, esfrego as mãos uma na outra. Procuro alguém conhecido na multidão e vejo Lucca, conversando com alguns outros rapazes da escola. Ao redor das crianças, estão os mais velhos e é entre eles que vejo Ray e Deb, abraçados um ao outro. Viro-me para frente e observo o novo prefeito levantar-se e começar o discurso. Não é preciso de muita atenção e perspicácia para saber que ele veio da Capital. Sua barba é azul e bem feita, assim como seus cabelos, penteados para trás com gel brilhante. Seu terno, tão novo e luxuoso, certamente tão caros que nenhum de nós poderia pagar.
É claro que a Capital não deixaria a rédea dos distritos nas mãos de qualquer um, não depois de tudo o que vêm acontecendo desde a última edição dos Jogos Vorazes, que agora se chama Jogos da Vingança. Apesar do procedimento em geral ser o mesmo, sei que posso esperar o dobro de horror dos anos anteriores.
O prefeito começa a falar e desta vez há um novo discurso a ser apresentado, o que é interessante, depois de tantos anos repetindo a mesma ladainha sobre os Dias Negros. Ele fala sobre como a Capital sempre fora acolhedora com todos os seus “filhos”, mesmos os mais distantes, mas que isso não fora o suficiente para frear a tentativa de revolução que prometia trazer a miséria de volta ao nosso país. E como preço por isso, os Jogos da Vingança vinham como lembrete e punição por todos os atos cometidos contra a nossa “sociedade”. Fixo meu olhar num ponto distante, arrependida por pensar que seria um pouco diferente. Era a mesma merda de sempre.
Nenhuma lista de vencedores é lida. Talvez por ser a primeira edição dos Jogos da Vingança, ou talvez por todos já estarem mortos depois da queda do Tordo. O prefeito dá a palavra à Asus, que levanta-se tão graciosamente quanto um cisne. Este ano ele parece uma árvore de natal, enfeitado dos pés à cabeça com jóias brilhantes. Um verdadeiro caleidoscópio de cores ambulante.
- Feliz Jogos da Vingança! – saúda ele, com entusiasmo – que a sorte esteja sempre à seu favor!
Reviro os olhos e tento controlar minha vontade de subir naquele palco e dar uns bons tabefes nas duas bochechas pálidas com uso abusado do pó de arroz. Certamente eu seria arrastada pelos Pacificadores e morta ao vivo, para mostrar a todos que a Capital não perdoa. Então, continuo quieta.
- Damas! Damas primeiro! – ele corre, como se estivesse usando saltos e por um momento o imagino caindo diante de todos. Quase não tenho tempo para rir da cena que veio em minha mente, quando ele lê em voz alta para todos o nome no papelzinho em suas mãos – Grícia Ellen!
Eu prendo a respiração por alguns instantes. Ao longo dos anos, imaginei esse momento diversas vezes na minha mente, mas agora tudo parecia completamente diferente. Eu ficara lá, no meio da multidão, paralisada. Procurei o olhar de Deb, mas só encontrei o vento.
Mas o que você estava esperando? Pensei comigo mesma. Uma mãe desesperada que gritaria e choraria no meio de todos, escandalosamente, mostrando o quanto te ama e não quer te perder? Rá.
Certa vez Small, um colega que trabalha comigo no setor de Tecnologia Doméstica, me dissera que nada pode nos afetar mais do que os nossos próprios pensamentos. Sinto dizer, mas ele estava certo.
Antes que eu pudesse procurar por Lucca, dois Pacificadores marcharam em minha direção. Eu nem havia me dado conta de que as pessoas ao meu redor haviam aberto um caminho até o palco para mim. Antes que eles me pegassem e me arrastassem com eles, levantei os braços em forma de rendição.
- Posso ir sozinha! – gritei enquanto caminhava – ainda tenho pernas, obrigada.
Achei que levaria uma porrada no meio das costelas, mas incrivelmente nada aconteceu e eu pude fazer meu caminho até o palco em paz. Subi e me posicionei ao lado de Asus, fugindo de seu toque em minha cintura enquanto ele pedia uma salva de aplausos à plateia. Respirei fundo e olhei para a multidão. Aquilo parecia um pesadelo.
Minha vontade era de gritar e sair correndo, mas eu não o fiz. Eu precisava me acalmar e para isto, comecei a listar uma série de coisas alheias que desviariam a minha atenção de tudo o que acontecia ao meu redor. Lembrei de meu pai e de seus conselhos que me ensinavam tanto. Uma coisa que ele sempre me fizera acreditar era de que as palavras tinham um imenso poder quando usadas sabiamente. Elas despertam emoções. E o que eu mais queria naquele momento era a esperança despertasse dentro de mim.
Eu queria a minha vida mais do que eu jamais quisera outra coisa. Eu queria poder ver o mar algum dia. Queria poder olhar nos olhos de Lucca e xingá-lo como eu sempre fizera. Queria poder construir um relacionamento saudável com a minha irmã. Eu queria viver. E queria loucamente.
Foi naquele instante que eu soube que seria capaz de andar no fogo para salvar a minha vida.
Um nome masculino foi chamado, mas eu não o reconheci. Lentamente, levanto o olhar para ver o garoto que sobe no palco. Eu realmente não o conhecia, mas talvez o tivesse visto de longe algumas vezes na escola. Eu não tinha certeza, contudo.
Nós apertamos as mãos e o hino toca, mas minha mente ainda está longe. Talvez eu esteja em estado de choque, mas isso não importa. Assim que a melodia termina, nós somos dirigidos ao Edifício da Justiça e jogam-me dentro de uma saleta vazia. Eu mal tenho tempo de observar as coisas ao meu redor ou tentar pensar em alguma despedida decente, quando a porta se abre e um Ray tenso aparece.
Ele me puxa delicadamente pelo braço e me faz sentar no estofado luxuoso, sentando-se ao meu lado.
- O que há com você? – perguntou confuso, fitando-me seriamente. Eu pisquei algumas vezes e engoli em seco, meio desorientada – tudo bem, não temos tempo para isso. Você precisa se lembrar de algumas coisas daqui pra frente.
- O quê? – quase me assustei com o tom da minha voz, nem um pouco confiante quanto há minutos atrás quando eu havia gritado no meio de todos. Pelo contrário, era como um sussurro fantasmagórico. Era a voz de alguém que não falava há anos.
- Precisa se lembrar de tudo o que aprendeu quando trabalhava nos testes de armas. Pode fazer isso?
Armas. Testes de armas. Minha mente rebobina um pouco no tempo e trás à tona algumas lembranças relacionadas à testes de armas. Ray se referia à alguns anos atrás, antes do acidente com o aerodeslizador, antes de eu ser uma tester de chuveiros. Eu trabalhava na área de testes do setor de Tecnologia de Armamento. Eu manuseava quase todo tipo de ferramento, incluindo revólveres e armas de choque. Eu atirava muito bem.
Eu assenti com a cabeça, dizendo que sim, eu poderia fazer isso.
- Bom – disse ele, num tom paciente – você pode lutar.
- Eu sou boa em tiro – digo, constatando – mas não acho que haverá muitos revólveres dentro da arena, Ray.
- Não importa – afirma ele – você tem uma ótima mira, eu me lembro disso. Além do mais, sabe usar outras armas, não eram apenas revólveres testados naquele setor. Você mexia com bombas, garota. Suas notas e seu desempenho eram os melhores, porque acha que ninguém nunca quis tirá-la de lá?
- Deb quis – eu disse, ainda meio grogue – onde está a Deb?
Ray me olhou receoso e eu soube imediatamente. Ela não viria.
- Querida, ela…
- Eu sei – afirmei, interrompendo-o. Pouco a pouco a ficha caía para mim e as coisas deixavam de ser somente um borrão. Eu estava despertando.
Ray se levantou ao ouvir a porta se abrir e após um aperto no ombro e um olhar acolhedor, deixou a sala. Aquela havia sido a conversa mais longa que tivemos em todos esses anos.
Após uns dois minutos, Small e sua irmã Random entraram na sala. Ambos eram da minha turma e Small da fazia parte da minha equipe. Eu recebi um abraço duplo.
- Que cara é essa? – perguntou Random, tentando tirar a expressão triste do rosto.
- Boa pergunta – disse Small, já com um tom leve na voz, afastando-se – cadê a garota que desativou a cerca do distrito sozinha quanto tinha doze anos?
Sua citação trouxe um sorriso ao meu rosto, mas ele logo se foi. Eu fizera mesmo isso, mas pagara muito caro também. Por causa desta travessura de criança, meu pai havia sido chicoteado em frente de todo o distrito. Foi a primeira vez que eu passei fome, pois ele não poderia trabalhar por estar tão machucado. Depois deste dia, eu comecei a pensar mais nas consequências dos meus atos.
- Eu acredito em você – Small disse, apertando a minha mão. Eu sorri e agradeci. Radom me deu outro abraço e depois de sermos interrompidos pelos Pacificadores, eles se foram.
Passei as mãos nos cabelos, mais bagunçados do que o normal. Uma porta se abriu atrás de mim e eu não precisei me virar para descobrir quem é. Lucca me pegou pelos braços e me puxou para perto dele, abraçando-me com força. Normalmente, eu teria reclamado e o chutado até que se afastasse, mas não naquele momento. Porque querendo ou não, era disso que eu precisava desde o início. Precisava do seu companheirismo. Precisava de um gesto que me dissesse que eu não estava sozinha nisto, mesmo que estivesse.
E uma parte de mim simplesmente precisava dele.
Lucca levantou a cabeça, anteriormente enterrada nos meus cabelos, e me deu um olhar profundo.
- Eu conheço você – afirmou – você tem uma fome tão grande de viver – disse, quase com admiração – é só ver o modo como fala sobre o mundo, pra saber que não vai desistir sem lutar.
Eu engulo em seco, sem saber ao certo o que deveria dizer.
- Mas eu quero que me prometa que não vai desistir, mesmo se algo parecer insuperável – pediu, suas mãos seguravam o meu rosto com delicadeza.
- Por quê? – questionei. Seu olhar deixou de ser furioso para ser calmo e atencioso. Foi tudo tão rápido, que eu jurava que não tinha sido real, mas por um breve momento Lucca uniu nossos lábios com um beijo. Eu pisquei confusa quando ele se afastou.
- Porque eu estarei te esperando. É uma promessa.
+100 PONTOS
Desafio #1 - "Sejam Bem-Vindos!"
Alguns campistas chegam no Acampamento na companhia de um sátiro. Outros, em um grupo de semideuses unidos. Há ainda aqueles que encontram seu próprio caminho e chegam sozinhos.
Cada semideus tem a sua história, e queremos saber qual é a sua! Escreva um texto sobre a sua chegada ao Acampamento!
Algumas sugestões:
Não há limite de linhas / tamanho do texto
Descreva as pessoas que te acompanharam
Caso esteja sozinho(a), fale sobre você!
Seja criativo!
Escolheremos os 3 melhores textos, que serão publicados e ganharamdracmas, armas, ou bênçãos!
Esse texto é INDIVIDUAL. Os campistas do mesmo chalé podem se ajudar, contanto que cada um entregue o seu texto.
Boa sorte nessa missão, heróis!
Srta. G, Srta. J e Srta. N