Mikaela Belikov, Distrito 9. Desafio 8, Parte 2
A noite estava fria. Gelada. Mas, eu não conseguia sentir o frio. Talvez devido a adrenalina e excitação que sentia devido aquela loucura que foi sobreviver ao banho de sangue, tenha afetado alguma área do meu cérebro. Talvez aquela em que eu deveria sentir dor. Após o meu ‘pequeno susto’, eu não já não conseguia mais pregar os olhos. E também não era por querer, era por precisão. Parte da noite eu me mantive acordada, o sol já estaria nascendo e eu pensava que não havia perigo algum em dar uma cochilada. Realmente pensava. A floresta não oferecia risco algum em relação á ataques surpresas. Já os outros tributos que certamente estariam ali ao redor... Eles sim ofereciam muito risco. Deito minha cabeça no tronco da arvore, de modo que eu ainda pudesse observar o céu. Sem lua, nenhuma estrela. Apenas uma escuridão profunda. Silencio. Isso começou a me perturbar. Qualquer coisa ali seria normal, menos um silencio repentino.
A mochila continuava em meu colo. Soltei o arco vagarosamente ao solo e puxei o fecho da mochila, fazendo com que ela se abrisse e eu tivesse livre acesso aos seus itens. Peguei uma maçã e dei algumas mordidas, comendo-a rapidamente. Nunca pensei que uma maçã ia ser meu único alimento um dia. Pode até ser que minha vida jamais foi fácil no distrito 9, mas eu sempre tive comida na mesa. Até o suficiente para ficar de barriga cheia. E enquanto eu implorava por migalhas de maçã, meu pai poderia estar me assistindo nessas condições.
- Cadê sua coragem?
- Cadê seu instinto de sobrevivência?
- Cadê a garota que disse estar preparada para qualquer coisa?
Minha consciência só me questionava. Nenhum conselho. Apenas criticas que até mesmo os próprios idealizadores estariam fazendo. Por falar neles... Eu estava achando aquilo tudo calmo demais. Nenhum barulho de folhas secas se partindo, nem gotas de águas caindo sobre as folhas. Eles deveriam estar pensando em alguma coisa, ou... Do outro lado da arena alguém já sofria com a mente criativa dos idealizadores.
Continuo a mexer na mochila. Fazendo o mínimo de barulho para Amy não acordar. Encontro minhas cordas. Pego uma delas e fecho a mochila novamente. Sinto a textura da corda para poder ter uma idéia de quantas vezes ela poderia ser usada. Era grossa e parecia firme. Seria ótima para me prender em algo. Levanto jogando minha mochila nas costas, pego meu arco e minha aljava colocando ambos em cada um dos braços. Me virei de frente para uma arvore e comecei a escalar. Com certa dificuldade, claro. Estava com itens pesados nos dois braços. A árvore que eu havia escolhido era enorme, e o pior com pequenos espinhos ao redor do tronco. Obviamente só percebi seus espinhos quando eu comecei a subir, mas, por sorte eles eram bem pequenos e achatados. Quando tocam minha mão não a feriam. Apenas roçavam e causavam um incomodo. Quase que uma coceirinha. Mais conhecido por cócegas.
Quando alcancei o galho maior e mais resistente que pude observar lá de baixo, já estava cansada e com falta de ar. No treinamento, eu pude aprender á me adaptar á certas temperaturas, mas neste caso, nem meu auto controle me ajudaria. A arvore era realmente muito grande, de lá de cima as coisas embaixo pareciam pequenas. Eu não conseguia visualizar Amy por inteira, apenas via seu cabelo caído entre as folhas. Observei também á distancia até o solo. Se eu caísse dali e não morresse, certamente quebraria todos os meus ossos. Mas nada melhor do que riscos para reconhecer o verdadeiro valor á vida.
Sentei no galho e passei a cor envolta da minha cintura. De modo que a corda abraçasse a mim e a arvore. Fiz um nó na frente e repassei a corda por trás, fazendo mais um nó e passando-a pela frente novamente. Mais um nó. Um pouco menos apertado para que no caso de um ataque surpresa, eu pudesse me soltar com maior velocidade. Assim estaria segura presa á arvore, e também estaria evitando que eu caísse dela. Modéstia parte eu era realmente boa com cordas, meu pai me ensinou tudo o que sabia sobre elas. Desde a descobrir sobre sua força apenas com um toque, até nós complicados com as mesmas.
Tirei meu arco e minha aljava dos ombros. Eles estavam marcados pelo peso que os objetos causaram sobre eles. Tiras doloridas e vermelhas. Peguei meu arco e apontei sua flecha para o nada. Dali de cima eu agiria melhor, até com mais rapidez. Ataques do alto são meus pontos mais fortes. É o melhor de se esperar para alguém armado com um arco e flecha. Ataques a distância e do alto.
Ainda focando em meus pensamentos de ataques surpresas, o hino toca. O céu se iluminou e os mortos começaram a surgir como um feixe de luz. O primeiro rosto á aparecer é o de Kathryn Petrova, ela era do distrito 1, parecia ter uma boa aparência. Até me lembro tê-la visto algumas vezes antes de entrar na arena. No desfile, talvez. O segundo rosto é de Natalie Leane, ela era do distrito 2 e também Lola Marthin. Nada me vêem a cabeça ao ver o rosto das duas aparecerem um após o outro. Em seguida, Nicolle DuPont – distrito 3. A recordação da primeira festa na capital me deixa perplexa com o rosto que eu vejo. Nic não parecia ser do tipo de pessoa que é fácil de acabar com a vida, eu pensava que ela seria uma das ultimas a morrer.
Depois veio o rosto de Jade Bridath, Distrito 3. Não me lembrava de tê-la visto em nenhum momento antes de entrar na arena. Mais rostos aparecem, Dianna Choke do distrito 4 e Freddie Muylin, outra uma vez eu não tive nenhum contato com os dois. Outros rostos aparecem... Bianca - distrito 5, Ruby Hatred - distrito 6, Hunter Lockhart, Distrito 7.
– Ruby... – eu penso em voz alta.
Foi com ela que eu lutei pela mochila. Não parecia ser uma má pessoa. Pelo contrário, mesmo em meio á nossa luta ela parecia tão forte e... Firme. Dos outros dois eu não tive o que pensar. Pareciam bons... fortes...
O rosto de Cartier aparece e eu sinto uma pontada no peito. Meus olhos arderam em um alerta de lagrimas. Engulo em seco minha vontade chorar. Lembro que na minha entrevista, eu havia deixado claro que sentiria remorso de matá-la. E que iria protegê-la por ser minha aliada. Mas o problema é que eu não fiz nem uma coisa e nem outra. Ao invés de matar, eu deixei ela morrer. Ao invés de proteger, eu salvei minha própria pele e quando decidi agir... Já era tarde demais.
Outras três garotas aparecem. Eu não tive contato com nenhuma delas, nem mesmo conhecia. Porem, todos pareciam ser tão fortes e bem treinados. Até mesmo Cartier, que eu iria proteger sempre, na cornucópia se mostrou tão segura.
O feixe de luz sumiu e o céu voltou a ser apenas uma escuridão curiosa. O silencio ainda era perturbador. Continuei olhando para a imensidão do céu, apenas esperando pelo amanhecer.
A manhã chega ainda mais fria e silenciosa. Minha cabeça reclama em dor pelas fortes batidas do meu coração. Tento me ajeitar na arvore, em busca de uma posição mais confortável. Uma tentativa em vão. Só consigo causar mais dor através das minhas juntas. Nessa altura do campeonato, todas as pequenas partes do meu corpo ardiam. Por dentro, a fome e a sede me secavam lentamente. Pensar em caçar? Seria uma boa idéia. Mas nada garantia que eu conseguiria um animal antes de esgotar todas as minhas energias. Apenas respiro fundo e esfrego a mão na barriga. A fome estava me deixando tão mal, sentia meu estomago rosnar em busca de comida. Um enjôo forte começou me fazendo perder ainda mais o equilíbrio emocional.
Tantas mortes em apenas um dia. Agora eu rezava para que enquanto eu estivesse sentada naquela arvore, outros cinco morressem. Concorrência á menos, sempre faz bem. Apesar de tudo, desde á cornucópia até qualquer momento em que eu permaneça viva, eu só continuaria tentando voltar para casa. Eu tinha que voltar para minha mãe que tanto me odiava e devia ao meu pai. Ele sempre acreditou em mim e sempre dizia palavras bonitas e até clichês, mas que me faziam bem. Mas meu objetivo era tão pequeno. Todos estavam lá por algo parecido e até mesmo muito mais importante do que apenas voltar para casa. Uns porque sempre foram treinados para isso, outros porque queriam se vingar da morte de irmãos das outras edições, e outros apenas queriam viver. Todas as idéias e planos se embaralhavam em minha cabeça.
Engoli em seco ao pensar no que aconteceria dali pra frente. Eu não tinha a habilidade de me camuflar com folhas secas e fingir ser uma arvore morta, também não corria muito rápido e muito menos sabia perfeitamente de espécie de plantas. Eu só era uma garota bipolar que foi acostumada á ter tudo na medida do possível. A mesma que aprendeu á lutar assistindo á outras edições dos jogos, mas que nunca se imaginou ali. Sentada em uma arvore, com uma flecha apontada pra escuridão, com sede de matar pessoas que não conhecia, mas que á todo momento se demonstraram serem seus verdadeiros rivais e inimigos perigosos.
Nunca torci tanto pela morte de alguém e isso agora era o que eu mais desejava para uma certa pessoa. Fechei os olhos e voltei a abri-los. Tinha medo até de cochilar por muito tempo e nunca mais poder acordar.
Agora nenhum pensamento negativo me dominava. Eu estava naquele jogo e eu voltaria para casa. De um jeito ou de outro. Desliguei todo o meu lado emocional e voltei a me concentrar naquela minha “realidade”.
Olhei para Amélia e ela parecia dormir muito bem, só parecia não estar confortável com o frio. Ouvi um barulho estranho e olhei para baixo, não era nada. Nada que pudesse arrancar minha cabeça sem que eu visse.
Inclinei meu corpo para encontrar algo que enganasse minha fome dentro da mochila. No mesmo momento, sinto um objeto gelado tocar minha garganta. Era meu colar com um pingente que minha mãe havia me dado dias antes da colheita.
Segurei-o forte, tentando secar as lágrimas que escorriam insistentemente pelo meu rosto. Eu estava fazendo aquilo de novo, deixando meu lado emocional me atrapalhar. Minha mãe sempre me ensinou a nunca fazer isso e eu estava fazendo. Colocando as emoções em primeiro lugar. E estando em um jogo onde só há pessoas sanguinárias e vingativas, isso seria um péssimo ponto fraco.
Esfrego as mãos nos olhos e afasto para longe meus pensamentos angustiantes. Novamente o rosnado do meu estomago me deixa sem equilíbrio. Caçar não é uma opção. Só haviam mais duas maçãs na mochila. E eu deveria dividir com minha aliada. Era isso, eu iria morrer de fome e desidratada. Logo no primeiro dia. Porem, em segundos outro pensamento invade a minha mente.
Valérie... Ela poderia me ajudar. Ela me aconselhava tanto á conseguir patrocinadores. Agora seria uma ótima forma para que ela me conseguisse ser patrocinada. O que ela faria agora para convencê-los? E será que ela já estava tentando alguma coisa para me manter viva?
Podia imaginá-la deixando sua postura ridícula, mas ao mesmo tempo precisa, somente para preservar minha vida.
Devia ser tão caro uma fruta. Sim, com certeza seria caro. Mas eu precisava, nem que fossem poucas.
- Valérie... Por favor. – eu suplico olhando para a escuridão próximo á mim.
Sem respostas. Nenhum paraquedas aparece. Até consigo ouvir grilos se manifestando, porem, nenhum sinal de vida de minha mentora. Mas que droga! Eu penso. Valerie não me deixaria morrer. Não assim. De fome? De dor talvez. Mas fome não. Onde ela estava agora quando eu precisava? Ela não era feia, podia usar seu próprio corpo se quisesse me ajudar. E também era boa em influenciar pessoas. Não acreditava que ela iria me deixar ali, assim. Não, não. Ela não faria, ou faria? Não havia motivo para tanta demora, ela sabia que eu não encontraria comida ali. Meus pensamentos me deixam cada vez mais furiosa. Bato minha mão com força no galho da arvore em que me mantenho segura.
Minha fome era tanta e o frio também. Quando não sentia um liquido azedo subir de meu estomago até minha garganta, sentia meus ossos apodrecerem com o frio em contato direto com a minha pele. Cadê parte do meu corpo se estremecia pela baixa temperatura. Evito a dor do frio pensando em momentos quentes e felizes do meu distrito.
Lembro de quando eu acordava pela manhã e sentia a brisa quente contra meu rosto. A preguiça de levantar da cama era tanta quando o sol mostrava todo o seu esplendor. Quando os pássaros cantavam felizes pela bela manhã que lhes foi oferecido. Ahhh que saudades daquele sol. Eu jamais saberia me acostumar á mudanças de temperaturas tão bruscas.
Minha pele se ressecava muito rápido quando sentia frio. Mesmo estando devidamente agasalhada, era horrível.
Ahhhh que falta me faz acordar com meu pai me incentivando á me aventurar na floresta em busca de animais para vender. Nós tínhamos um armário apenas para caça. Agora deveria estar seco. Sem animais suficientes. Não por eu não estar lá, mas porque me ver naquelas condições, acabaria com qualquer vontade de meu pai. Seja ela qual for. E enquanto eu pensava que meus pensamentos me distraiam do frio, meus lábios ainda tremiam.
Ouço um barulho metálico me livrar de meus pensamentos. Olho para baixo e verifico que não se trata de um tributo. Mais a diante vejo um paraquedas vir em minha direção. Ele era prateado e obtinha um recipiente metálico. Sinto meus instintos vibrarem em retribuição pela felicidade que aquilo me causara. Ela conseguiu. Minha mentora não havia me deixado na mão.
O Paraquedas cai diretamente em meu colo. Em seguida, outro paraquedas divide o mesmo lugar que o anterior. Enquanto eu desato rapidamente o nó de um deles, o outro se prende entre minhas pernas. Abro o recipiente metálico e retiro dele um saco de frutas. Eram 3 maçãs. Solto o paraquedas que leva consigo o recipiente metálico e como com toda a minha vontade aquelas três maçãs. Elas não seriam o suficiente para acabar com minha fome, mas me ajudaria a enganá-la.
- Muito obrigada! – eu digo com a fruta ainda na boca.
Assim que termino, me certifico de conferir se haviam mais frutas no segundo recipiente. Outras 3 maçãs. Sorrio em saber que toda aquela demora seria por uma boa causa. Sinto quase que se um sussurro de Valerie me dissesse:
“- Agora você pode continuar... Mas não apele tanto para seu lado emocional. Seja tão maldosa quanto eles podem ser.”
Olho para cima e balanço minha cabeça. No final das contas, foi minha mentora de postura rude que me mandou um presente valioso. Quantos não dariam para ter ao menos uma fruta para comer. Mais uma vez me preocupei com Amélia. Ela ainda dormia. Puxei a mochila até a altura do meu tórax e dentro dela coloquei o saco das outras três maçãs. Desenrolo a corda de minha cintura, desfazendo todos os seus nós. Quando termino a coloco dentro da mochila. Pego meu arco e minha aljava, colocando ambos nos ombros. Eles não ardiam mais. Sentir o frio teve lá suas vantagens. Deslizo minha mão pelo tronco da arvore, equilibrando meu peso com meus pés.
Já posso pisar livre no solo, quando me soltou da arvore. Ficando de pé. Caminho lentamente em volta de Amy e vejo o amanhecer chegar. Repentino porem, lentamente. Aproximo dela, soltando com toda delicadeza minhas armas ao chão. Balanço gentilmente seus ombros. Na intenção de acordá-la.
- Amy? – vejo-a abrir seus olhos.
- O que aconteceu, Mika? – ela se estica dentro do saco de dormir e se levanta.
- Você poderia vigiar agora? Estou cansada, preciso dormir. – digo.
- Tudo bem. Já me sinto um pouco descansada. – ela sorri.
- Obrigada. – entrego minha mochila para ela e rolo para dentro do saco de dormir.
Sinto algumas folhas flutuarem enquanto ela se distancia para fazer a guarda. Eu não dormiria demais, só até á tarde e depois iria pensar em algum lugar para ir. Mas estava tão cansada. Naquele momento, até aquele fino saco de dormir era uma das melhores maravilhas. Infelizmente, escolhi o pior horário para dormir. De manhã, quando todos estão acordados principalmente os outros tributos. Mas Amélia sabia, qualquer coisa era só gritar e eu já estaria de pé. Ou eu já estaria morta.
O calor dentro do saco de dormir me incomoda tanto quanto meus pensamentos. Os pensamentos eu afasto, mas o calor continua. Forço meus olhos á se fecharem e a ultima coisa que escuto antes de apagar é o assopro frio de uma brisa que passa rapidamente e logo vai embora.
Enquanto durmo, sonho com uma musica que meu pai cantava para mim quando eu me sentia triste.
No meu sonho eu não via ninguém, apenas eu estava lá. Era um lugar lindo, do qual a maioria já conhece como ‘paraíso’ eu havia morrido, afinal? Não. Era só um daqueles sonhos em que você deseja nunca mais acordar. A musica era cantada por criaturas. Não eram animais. Pareciam com pessoas, porem, eram de aparência angelical. Eu me curvava diante da beleza daquele lugar, enquanto as criaturas exibiam sua bela voz.
In the arms of the ocean, so sweet and so cold
And all this devotion, well, I never knew it all
And the crushes of heaven, for a sinner released
But the arms of the ocean delivered me...
Ao final da música eles se juntavam e seus corpos se desfaziam em brilhos refletidos diretamente pelo sol. Causando um pequeno incomodo em meus olhos.
Quando acordo já sinto o sol batendo forte contra minha pele. Calor demais. Mais uma vez meu corpo reclama. Muito melhor calor do que frio. Eu me conforto.
Levanto do saco de dormir apoiando meu corpo com minhas mãos. Varro com os olhos toda a área daquela floresta, em busca de Amélia. Ela deveria ter subido em alguma arvore enquanto eu dormia. Rolo para fora do saco de dormir e pego minhas armas e a mochila que estava apoiada em uma pedra. Se eu não estava enganada, eu deveria ter dormido umas duas horas. Não era o suficiente para repor todo o sono perdido, mas o bastante para ficar mais atenta. Sentei em uma pedra qualquer e esperei para que minha aliada aparecesse. Ela saiu por meio das arvores e estava com uma maçã na mão. Sorri ao ver que ela estava bem.
Sem falar qualquer palavra eu me virei para outro lado e observei. O rio estava em uma direção. Mas se fossemos para o outro lado, talvez encontrássemos algo para comer ou beber. Amélia se sentou e esperou por algo que eu pudesse dizer. Entretanto, eu ainda pensava no que fazer ou qual direção seguir, deixando que alguns pensamentos me guiassem.
O Circo da vida. O que realmente faz a alegria de uma platéia que assiste atentamente á um circo diferente da vida real? Tragédias.
Para algumas pessoas, a dor, as lagrimas e a angustia funcionam como cócegas. Como um momento de extremo prazer e diversão. Mas quem são os verdadeiros palhaços dessa historia? Nós. Meros mortais em busca de uma saída deste circo maluco. Onde o acrobata é o tributo mais habilidoso em acrobacias. O malabarista é o tributo que sabe usar seu emocional como distração. O ilusionista é aquele que sabe enganar, iludir e se manter até o final dos jogos. E o palhaço? Esse sim é quem sabe o que faz. Ele finge estar triste para fazer com que a platéia ria de sua infelicidade. Mas dentro de si, esconde a alegria por ser o ultimo alvo a ser eliminado dentro do circo. É o palhaço quem faz o show funcionar.
Rodopiando pelo solo escorregadio estão todos aqueles que tentam se auto - eliminar. E lá está ele. O palhaço sentado em uma cadeira dourada, causando todas as desavenças e intrigas entre a companhia. Enquanto todos se destroem, ele se mantém neutro. Esperando por uma chance para destruir tudo aquilo que fez com que ele abaixasse sua cabeça para o poder. Você pensa que uma pessoa é fraca, até que ela arranque sua cabeça. Esse é o verdadeiro circo da vida.

















