Na encruzilhada do crucifixo Escolhendo entre espírito perecível E a carne impermeável O martírio dos amantes pobres Antes uma figuração Klintiana Hoje, o superior olho de Apolo Amanhã sabe-se lá o próprio sol Julgando as insignificâncias do homem O cerimonial de pulmões: Submissos ao algoz Extravagante presença Leiloando meu sexo aos seus espelhos Quão intenso e genérico Faz-se chama, dizia-se queimar Mas era o fogo de lanternas Que iluminava, de fato, mas nada aquecia Ao teu pé no altar, fui híbrido Objeto e devoção, cristalino e denso Entre mil imagens semi mortas Fui a entidade entediada atrás do véu Revela-te! Nunca, aos teus olhos Ama-me! Nunca com essa cabeça de porco em tuas mãos Coma de meus lábios! Esses lábios acostumados com lavagem Odeie-me então oras! Não prefira a solene indiferença Em cada destempero da terra, Achava que estava vindo Tomar-me como teu E enfim, redimir-me E cada cadáver que o homem rezava Sua reza de saliva ácida Pude ter a certeza que jamais viria Se para estripa-los em feitos da desforra...
A Grandiosidade do Romance Entre Satélite e Trevas, Pierrot Ruivo






