O amor ressecara Essa rua nunca fora tua A língua dissecada E exposta a vitrine Eis a guerra por um corpo A oração pela proteção do santo O sexo e o paladar no impasse O sal da vida diluído em façanha A orquestra lhe arquiteta Por entre panos e carnes abjetas Reúna a comitiva em frases empáticas Doe beijos sem álibi a quem lhe escarnece A cada Poliana que capta-se pelos dedos Dez Cérberos lhe cravam os dentes no pescoço Trinta e duas mordidas parceladas À sorte de uma possível câimbra, fé-racional à vós! Por dentro da carne, enxertos Que compõe outra carcaça mais jovem O coração autônomo era um cômodo Escondido na pensão a espera de um hóspede O elegante desprezo Lhe aconselha a tirar a vassoura da porta Levar elefantes brancos para darem uma volta E por fim, calçar seus próprios pés, sílaba por sílaba O retorno do verso Uma ode sem contornos O que se espera era ruína O que se assiste são reflexos da gastrite Que meus lábios enfim o sirvam E que todo o resto desmanche Ao som de um tango bravo E então o espírito passará primaveras longes de minhas frias orelhas
Pacto Sanctum, Pierrot Ruivo
















