Manchas no espelho.
Puseram, tenho certeza, um bloqueio na minha mente. Um que não me deixa ver quem eu realmente sou, um que muda a imagem que vejo no espelho. Muitos conseguem olhar e ver quem são, ver seus hobbies, seus objetivos, seus gostos, sua aparência, suas qualidades, seus defeitos não tão notáveis assim e, às vezes, a própria alma. Mas, eu? Não.
Vejo-me sim, pois todos se vêem, mas enxergo uma forma distorcida. Não vejo quem sou, mas sim uma imagem que destaca bem o que eu queria ou deveria ser. Não vejo meus hobbies ou objetivos, mas sim as vezes que não explorei meus hobbies e os objetivos que não alcancei. Vejo um gosto ruim e nem um pouco ao alcance dos outros. Minha aparência não me engana, minha percepção dela sim, pois é quem faz eu me ver de forma tão horrível. Vejo qualidades pouco visíveis (se não inexistentes) e defeitos berrantes.
Com essas coisas eu posso conviver, porém, com minha alma não. Pois, ao vê-la no espelho (nos dias que consigo), não percebo nada além de uma mancha. Ela mal se diferencia das sujeiras do espelho.
Infelizmente, ela não some se eu passar um pano, como somem as sujeiras.







