Queria beijar-lhe as lágrimas, sentir o gosto salgado do sentir alheio, de forma a embriagar-se em tamanha vulnerabilidade, como se, desta maneira, libertasse algo em si mesma.
⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀ 𝐷𝑖𝑇ℎ𝑖𝑒𝑙𝑙𝑒.
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Queria beijar-lhe as lágrimas, sentir o gosto salgado do sentir alheio, de forma a embriagar-se em tamanha vulnerabilidade, como se, desta maneira, libertasse algo em si mesma.
⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀ 𝐷𝑖𝑇ℎ𝑖𝑒𝑙𝑙𝑒.
Em alguns momentos de pura valentia descabida, me enxergo autiva e segura de que sua ausência não me corroiría completamente, de dentro pra fora.
De que a vida segue, de que já foram tantos amores e desamores que mais um, que veio e partiu, não vai me arrancar de mim.
Uma tolice, eu sei, cada uma que me
adentra, me desmancha, me bagunça, me revira ao avesso.
Impossível permanecer intacto quando amor.
⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ 𝐷𝑖𝑇ℎ𝑖𝑒𝑙𝑙𝑒.
Uma infinidade de acontecimentos estrondosos quase em uma fração de segundos, entretanto, o momento em que nossos braços se tornaram envoltos uma da outra e minha face encaixou-se na curvatura de seu pescoço, no momento em que inalei profundamente o aroma que advinha de tua pele e dispus novamente da textura da mesma - após incontáveis dias de ausência - fui contemplada com uma paz estonteante que somente a crueldade da ilusão, aquela astuciosamente confeccionada em nosso imaginário, seria capaz de fazer. Se tratava apenas de um sonho, acordei.
sempre detestei sonhar.
odeio o silêncio que paira e grita entre nós
odeio a incerteza dentro de tuas certezas
odeio não saber a quem destina tuas palavras
odeio pensar que podem não ser pra mim
odeio pensar que, sendo pra mim,
não deixas claro assim
odeio o tempo perdido
odeio que tenha ido
odeio, sobretudo, o tanto que não te odeio
mesmo frente ao teu desdém e tua ausência
— 𝐷𝑖𝑇ℎ𝑖𝑒𝑙𝑙𝑒.
Pra que eu possa seguir, te deixo ir. De meu intrínseco que preservou o sabor do beijo, o toque macio, o sorriso estonteante, o calor do desejo. Te deixo ir pois, somente assim, poderei respirar novamente. Mas como te sacar de minha mente?
sobre finais que sequer foram começos.
Me dissestes uma vez que era comum desistirem de ti. Vesti então um manto de coragem e segui - embora ciente da finitude daquela troca - completamente disposta a não ser mais uma a ir embora. Que ironia! Fostes tu a me deixar.
𝐷𝑖𝑇ℎ𝑖𝑒𝑙𝑙𝑒.
Às vezes sinto-me afundar em um poço sem fim, dada à intensidade que compõe cada partícula do meu ser, enquanto a água gélida envolve meu corpo e a luz se distancia. Alguém acena da superfície, mas não ousa estender uma mão.
Às vezes sinto que vibro em uma frequência distinta que a da maioria das pessoas. Serei quebrada? Devemos dosar o amor? Ou apenas deixá-lo livre para que possa expandir-se, enraizar-se, crescer, florescer e frutificar?
Estaria eu, vivendo na época errada? Tudo se trata de superficialidades, de liquidez? Serei eu demasiadamente antiquada a ponto de me agarrar a costumes arcaicos? Talvez sim, talvez esteja perdida aqui, talvez encontre uma forma de retornar.
Terei eu . . . salvação?
𝐷𝑖𝑇ℎ𝑖𝑒𝑙𝑙𝑒. ( Via MyPrivateWorld )