Não duvido que no fundo ainda sou uma criança e não me envergonho por isso. Como poderia quando esses pequenos seres guardam em si os mais belos sonhos do mundo? Todavia, não posso afirmar que meus sonhos são deveras encantadores; afinal, o que realmente importa é que me pertencem. São os devaneios de alguém que um dia já desejou segurar o mundo em mãos, mas hoje não suporta o peso dele em seu dorso. Haja vista que, se possível, eu não teria embarcado nessa dolorosa trajetória. Ansiei crescer, e cresci. Decerto, até mais do que deveria, e não foi no sentido de altura do qual tanto eu me agradaria. Afobada para amadurecer, ou quem sabe, obrigada pelas circunstâncias da vida, julguei mélico o sabor que florescer trouxe à minha rotina meninil. Essa perspectiva se manteve até que fui atingida no âmago de minha vitalidade; porque eu sempre me esforcei para ser amor, mesmo que dentre a dor, para ser para algumas pessoas aquilo que, talvez, eu apenas queria que fossem para mim. Certos indivíduos, ao primeiro contato indireto, retiram-me algumas primaveras vividas, contudo não os condeno por isso. Quem somente corre os olhos, não imagina o quanto de fadiga e desgaste habitam este corpo e mente conturbados. Tive pressa para nascer e não sei andar devagar, mas levo a vida no mais tranquilo caminhar, em empenho para refrear o mundo quando ele aponta o dedo e diz como devo ser, agir e viver. Viver. Por que sinto que na maior parte do tempo desconheço o significado concreto dessa palavra? O tempo está nublado, um nevoeiro impede-me de enxergar o caos que se encontra ao redor, porém não de senti-lo. Em meio a tropeços, e eventuais quedas, persisto neste sinuoso caminho buscando encontrar onde se perdeu aquela criança, ou, ao menos, entender no [em] que(m) ela se tornou.
Equivocados.










