Eu nem sei mais meus motivos, só desiti.
-Lucas Vasconcelos

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Eu nem sei mais meus motivos, só desiti.
-Lucas Vasconcelos
a minha melhor parte é também um indício muito claro de vulnerabilidade que chega ser engraçado de se perceber. só não tão engraçado de se constatar e confirmar o óbvio, conformar pra si mesma o incontestável.
o que acontece e o que a gente sempre sabe que vai acontecer é que sair pra viver é se jogar de um precipício. que você, quando sai pra fazer isso nunca pensa muito há quantos pés do chão vai se lançar e também isso não é importante, não naquele momento. a adrenalina, o inesperado, o frio na barriga, tudo é sempre motivo o suficiente pra que você se lance sem pensar e sem pesar absolutamente nenhum medo ou receio. é só o vento na cara batendo. é só.
e engraçado como a gente não se sente sozinho quando comete algo arriscado né? é sempre uma sensação de preenchimento muito grande. uma aura de que existe uma multidão ou uma plateia ali que torna o sentimento sempre muito quente, muito acolhedor. e aí você pula. não liga pra distância, não pensa na altura ou se pensa, nas poucas vezes em que pensa, isso te instiga ainda muito mais.
sobre os sinais engraçados, acho que o meu é mesmo sobre me afastar um pouco das minhas obviedades. é sobre deixar um pouco em stand-by aquilo que eu normalmente uso pra filtrar o que venho fazendo. sei que quando deixo de escrever um pouco é porque muito provavelmente estou vivendo e que viver, por ocupar demais a minha cabeça com riscos, pode e quase sempre me isola um pouco desse hábito de me expor pra mim mesma. quase sempre isso aí vira um outro risco, quase sempre tardio também.
sei que depois de um bloqueio criativo, eu normalmente em algum momento vou voltar com o rabo entre as pernas, "vomitando" toda e qualquer verdade, tentando me despir de todos os impulsos tomados e também todos os sentimentos e sensações que foram sentidos e acumulados nesse meio tempo. quase todos transbordados, coisa que não é muito do meu costume habitual. é como colocar o leite pra ferver e se distrair. e voltar horas depois apenas constatando a catástrofe de não ter se contido ou de não ter mantido essas sensações um tanto controladas no seu devido lugar, como você normalmente faz.. do jeito que você aprendeu que era seguro.
hoje é mais um desses dias. saí pra viver por um tempo e me distraí deixando a chaleira quente sem supervisão. novamente, não houveram tantos escritos sobre o que tenho feito nesses últimos tempos, mas só pra variar, o que posso afirmar é que todos foram transbordados. ainda não consigo decidir exatamente se tudo isso é bom ou se é péssimo, confesso na verdade que hoje eu pelo menos "voltei" um pouco mais cedo pra cá, ainda em tempo de documentar minha partida com os olhos secos e sem estar debulhada em lágrimas totalmente arrependidas.
acho muito que isso se deva ao fato de ter descoberto que sou de feita de carne, osso e também fraquezas que eu não vejo nem controlo. eu erro também e me exagero. deixo as coisas fora do lugar e isso não só na parte física da vida. continuo derrubando coisas no chão pelo impulso e me intensifico tanto que não vejo os cacos, às vezes piso neles antes de limpá-los. aí sinto um pouco de dor, mas finjo não ter doído tanto pra não ter que parar os sentimentos pela metade, como normalmente vim fazendo nesses últimos tempos. descubro todos os dias e constantemente o porquê eu saio pra amar e gosto. e depois, o porquê também deixei de sair.
bato constantemente de cara com o ônus e bônus de ser alguém que intensamente sai pra viver e sente e ama e não volta pra casa tão cedo. e aí às vezes mesmo me lamentando pelo exagero meio descontrolado que vou vendo se desconcertar, também preciso admitir pra mim mesma que essa é uma parte minha, que não importa o que faça, vai sempre continuar lá: latente e viva, não importa quantos e quem passem por mim.
se eu posso controlar? claro que posso. prendi no armário todos esses descompassos por anos, mas eles acordaram num belo dia dispostos a se soltar e mesmo sorrateiramente, saíram. e o prazer de vivê-los um a um também me fez lembrar de mim e do quanto é bom ser quem sempre fui, mesmo que o risco às vezes me deixe totalmente confusa sobre as minhas reais capacidades.
será que realmente sei lidar com tudo isso? será que realmente sei dosar o que vou sair sentindo dentro de uma medida aceitável e que não me coloque em risco demais? e tenho pensado também frequentemente sobre a universalidade. será que todas as pessoas realmente encontram de forma madura o ponto onde medem aquilo que sentem e aí já automaticamente aprendem a dosar sem sentir essa ponta de culpa? essa incerteza que bate às vezes entre se sentir invencível por estar sentindo e ao mesmo tempo tão besta, como se perdesse o domínio de si mesma enquanto vive? será que todos continuam se sentindo assim, sempre tão vulneráveis e desmedidos? ou será que muitos por aí também decidiram um dia viver completamente anestesiados de suas sensações mantendo todas elas em cárcere pelo máximo de tempo que conseguem, até que um dia também perdem a chave e dali escapem toda essa vontade de viver o que normalmente nos coloca de frente com riscos que nos escancaram totalmente, sem muitos freios?
são tantas dúvidas, tantas questões e tanta vontade de que alguém chegue pra mim agora nesse momento e diga "não se preocupe, eu entendo tudo isso e é confuso mesmo" e que me responda com clareza o que é pra fazer. o que é o certo? o que se faz com tudo isso? onde coloca essa sensação de uma pontada de culpa que às vezes te faz querer recuar em plena queda livre? por favor, me expliquem. desenvolvam alguma inteligência artificial com quem possa conversar sobre isso. me digam que vai ficar tudo bem depois que eu continuar vivendo assim porque já desmedida, sinto que agora não consigo parar. só precisava que me ensinassem como se eu fosse uma criança de 5 anos, até onde posso ir, sinais claros de até que ponto desmeço e sinto tudo até o ponto de ter uma síncope sem volta. deixem uma legenda também sobre quais pessoas eu cultivo, quais deixo passar. eu sinto que sei agora muito mais do que antes e ainda assim, parece que não sei nada.
é como estar cheia de todas essas experiências e pela primeira vez não sentir "cheia" como uma coisa exata e esclarecidamente ruim, nem desgastante, mas também não sei dizer se elas tem me pesado sem que eu me dê conta. não dei se devo continuar carregando.
e o mais engraçado disso tudo é que no fim, nada disso me surpreende. eu sempre soube que saísse e no dia que saísse pra sentir, que eu iria sem pensar muito e me veria entregue. o risco é sempre muito atrativo. mas também já esperava recuar, me encher de dúvidas, botar o pé no freio. eu sou ainda um pouco medrosa com o amanhã das circunstâncias. mas pelo menos, já não posso dizer que covarde. espero voltar pra escrever certezas maioree do que as de hoje. espero ter respostas. mas estou certa de que ainda preciso sair pra viver mais e sentir mais também. mas de forma irônica e até meio sarcástica comigo mesma se eu me quebrar, se eu me esfolar.. eu mesma vou poder dizer que avisei e que bem feito! mas pelo menos realmente feito!
E de todos os amores que cruzaram meu caminho, o seu foi onde me perdi, e não soube mais voltar.
-Lucas Vasconcelos
"E quando estamos a sós minha cabeça no Teu peito faz silenciar, todos os medos dentro de mim. É no silêncio que o Teu coração fala ao meu.
Acalma tempestade no meu interior, minh'alma agitada que quer sempre atenção e as ondas de dúvidas que vem como um turbilhão, na quebra das ondas de encontro aos rochedos do meu coração, na rebentação querem me assustar, no silêncio venha comigo falar, no silêncio venha me amar.
É no silêncio que eu posso declarar, que o meu coração é Teu e pra sempre vou te amar..." 🌊
— Zoe
voltando só pra contar que os últimos tempos tem sido mais a flor da pele. isso talvez explique os meus sumiços do sumiço. nunca estive tão presente. não é também como se o presente simplificasse todas as questões mas.. acho que posso dizer que o presente anestesia um pouco o que ficou de um outro tempo que já não existe mais. tenho pensado muito no que deveria testemunhar de mim mesma, nas coisas que gosto de pausar a vida pra escrever e descrever as sensações e nesse exercício só tenho pensado no quanto se fala e ao mesmo tempo se deixa de dizer. aí tenho focado no quanto nesse novo período, tenho procurado andar na contramão desse paradigma. tenho falado pelos cotovelos e com isso, escrevo menos. às vezes fico preocupada com isso sabe, me faz pensar que se falo, as palavras me escapam e não consigo contê-las dentro de um universo que posso repescar quando precisar lembrar de mim. só que por outro lado existe uma paz absurda em sentir que o que falo agora não se grava mais só no que escrevo ou digito, mas que tenho falado na intenção de marcar alguém que talvez um dia se lembre de alguma coisa que eu deixei ainda que eu mesma não me dê conta disso na hora em que falar. a verdade é que eu gosto muito da ideia de ser uma lembrança também. gosto de pensar que a gente não tá por aqui à toa e que quando a gente pede algo pra vida, ela corresponde do jeito dela pra que gente aprenda a enxergar. li isso esses dias num post de acervo sobre Chico Xavier e isso me consumiu por um dia inteiro. é que eu tenho de fato, vivido isso o tempo todo esse ano. sinto que os encontros não são à toa, as perspectivas são realmente uma virada de página e de chave que eu nunca estou esperando por elas, mas que por algum motivo agora, me sinto pronta pra viver. sinto que de alguma forma todas essas coincidências distantes se aproximam um pouco e cada dia mais com o que tenho me proposto a me tornar e o que tenho conseguido fazer. e no meio de tudo isso, entre o falar, o viver, o se tornar, o conseguir.. acho que o meu sentir tem virado também de ponta cabeça. é uma vida à flor da pele. tudo que me encontra e tromba comigo pela vida tem me feito sentir e deixado marcas que me deixam continuar sentindo. e que bom poder oscilar entre o falar e o escrever. sinto como se estivesse imprimindo palavras na vida e novas sensações no que escrevo.
E o que a gente faz com o que sobra da dor?
"Aprendi a me amar tanto que a solidão deixou de ser castigo. Agora ela se parece com paz." ✨
— M.B.
"Se um dia alguém me amar mais do que eu amo a mim mesmo, será a primeira pessoa capaz de superar o cuidado que construí com minhas próprias cicatrizes." 🖤
— M.B.