Eu somente espero que onde quer que você esteja, que esteja muito bem.
Equivocados.

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Eu somente espero que onde quer que você esteja, que esteja muito bem.
Equivocados.
A nossa canção continua tocando no rádio, no YouTube, no meu celular, na minha mente... mas ela não toca mais no seu coração.
Equivocados.
É até engraçado, como em um segundo parece que você finalmente encontrou a "pessoa ideal", porém, no seguinte, você é só mais um preso na teia dos amores breves.
Equivocados.
Abrace a sua sombra
Desejos, emoções, instintos, pensamentos, podem até ser controlados e manipulados, mas existem, são parte de nossa natureza. No entanto, racionalidade, também natural, é um tanto mais frágil e tem suas próprias consequências.
Homo sapiens sapiens divaga, sofre, luta, jubila-se, mata, ama, existe.
A existência por si só é bastante complexa e inserida em um meio social, torna-se repleta de altos e baixos. A estes, me tornei cada vez mais vulnerável, passiva. Como se um demônio houvesse tocado meus lábios sem receber relutância, ou, ao menos, um olhar aterrorizado. Porém, ao longo do tempo, o comodismo passou a competir com o temor.
Até onde pode chegar uma alma tão destruída? Haveriam motivos suficientemente capazes de passar por cima de todos os sonhos e esperanças? Constantemente tenho essa sensação de que eles parecem estar muito distantes, contudo, talvez seja apenas uma hibernação.
Para aqueles que nascem chorando, esses instantes, dias, anos de tristeza são parte de nossa natureza.
Mas o universo é feito de yin e yang em coexistência.
A uma certa distância da dor, está a alegria. Não desista dela, nem de você.
Há beleza em tudo, uma beleza que não é efêmera e, pode fugir dos olhos, mas se faz presente sempre.
Equivocados.
Butterfly
Você está lá, mas por algum motivo eu não consigo te alcançar. Você é como um sonho, uma borboleta muito alta para mim.
Ainda assim, eu tento. Me sustento na ponta dos pés, usando meu coração como alicerce. Escorrego e caio, por vezes adquirindo ferimentos, seja ou por fora ou por dentro. No entanto, quando olho ao redor, eu percebo que não há algo e nem mesmo alguém. Exceto eu e você. Por isso, logo retomo o fôlego e levanto, pronta para tentar mais uma vez.
Será que se eu também fosse uma pequena e indefesa borboleta, você gostaria mais de mim?
Equivocados.
Não duvido que no fundo ainda sou uma criança e não me envergonho por isso. Como poderia quando esses pequenos seres guardam em si os mais belos sonhos do mundo? Todavia, não posso afirmar que meus sonhos são deveras encantadores; afinal, o que realmente importa é que me pertencem. São os devaneios de alguém que um dia já desejou segurar o mundo em mãos, mas hoje não suporta o peso dele em seu dorso. Haja vista que, se possível, eu não teria embarcado nessa dolorosa trajetória. Ansiei crescer, e cresci. Decerto, até mais do que deveria, e não foi no sentido de altura do qual tanto eu me agradaria. Afobada para amadurecer, ou quem sabe, obrigada pelas circunstâncias da vida, julguei mélico o sabor que florescer trouxe à minha rotina meninil. Essa perspectiva se manteve até que fui atingida no âmago de minha vitalidade; porque eu sempre me esforcei para ser amor, mesmo que dentre a dor, para ser para algumas pessoas aquilo que, talvez, eu apenas queria que fossem para mim. Certos indivíduos, ao primeiro contato indireto, retiram-me algumas primaveras vividas, contudo não os condeno por isso. Quem somente corre os olhos, não imagina o quanto de fadiga e desgaste habitam este corpo e mente conturbados. Tive pressa para nascer e não sei andar devagar, mas levo a vida no mais tranquilo caminhar, em empenho para refrear o mundo quando ele aponta o dedo e diz como devo ser, agir e viver. Viver. Por que sinto que na maior parte do tempo desconheço o significado concreto dessa palavra? O tempo está nublado, um nevoeiro impede-me de enxergar o caos que se encontra ao redor, porém não de senti-lo. Em meio a tropeços, e eventuais quedas, persisto neste sinuoso caminho buscando encontrar onde se perdeu aquela criança, ou, ao menos, entender no [em] que(m) ela se tornou.
Equivocados.
Sinto que nada me importa mais. Foram tantas noites em prantos e angústia, desejando ter alguém para estender a mão e consolar-me. Agora, que diferença faz? Tudo perdeu o sentido. Família, amigos, religião, amor, vida. Parece assustador, mas o vazio toma conta do resto. Quanto mais os que estão ao redor se machucam, mais longe de tudo desejo ficar.
Equivocados.
Todos querem falar, mas poucos são os que realmente desejam ouvir.
Equivocados.