Sobre ninguém entender.
Fui ao médico, como sempre, ajustar a dose dos remédios que tomo. Eu tenho sensibilidade sensorial. Nenhum médico parece que entende isso.
Eu não consigo trabalhar, reclamei pro medico que estou sobrecarregada com minha rotina, e ele me jogou 2 antidepressivos porque na cabeça dele, eu tenho que sair de casa, eu tenho que ver gente, eu tenho que QUERER sair.
Eu não vou tomar os dois, apenas um que já conheço e já tomei por um tempo.
É difícil explicar a dupla excepcionalidade pra quem não quer entender. E pior ainda pra um profissional que não quer entender. Já cansei de médicos me dando carteirada e jurando que sabem mais do que eu sinto do que eu mesma. E olha que o meu médico atual é bem tranquilo, mas parece que simplesmente a conversa não desce com quem não se especializa. A dificuldade de expressão também piora tudo.
O mundo é pesado pra mim. Hoje foi dia de fazer compras, que procuro fazer apenas 1x no mês. Acho mais fácil e mais organizado, depois semanalmente fica só padaria, feira e açougue. Porém, dia de mercado é sempre um dia no qual eu já não me comprometo a fazer mais nada. Eu volto esgotada e nervosa por lidar com lotação, informações visuais, lista para conferir, espera, trânsito, transportar compras, etc. O resto do dia eu não funciono.
E eu me pergunto qual a dificuldade das pessoas em entender isso. Não quero que façam nada, só quero que entendam e me deixem descansar na santa paz.
Eu fiquei sozinha esse final de semana, e como rendeu tudo que eu tinha pra fazer e fiz. Quando sua cabeça é barulhenta por natureza, o silêncio externo é um alívio e uma benção que faz tudo dar certo.
Como é difícil pras pessoas entenderem que eu não sou como elas e não tenho a obrigação de agir como elas.
















