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Renata- Advogada Tributarista
Caros, sou advogada e resolvi participar não apenas por amor incondicional à dona do tumblr, mas porque achei a ideia tão simples e autêntica que eu não teria como recusar. Preparem-se porque, como qualquer bom operador do direito, eu gosto de escrever muito. Já se foram praticamente três anos desde que joguei o chapeuzinho da colação de grau para cima e posso afirmar que muita, mas muita coisa mesmo, mudou. Me formei em Direito no bom e velho Largo São Francisco (USP) e desde então trabalho com direito tributário em um dos mais renomados escritórios do país, mas vamos começar do início, correto? A primeira pergunta de todo entrevistador de RH no ramo jurídico é: por qual razão você escolheu Direito? E olha, a resposta mais autêntica que posso encontrar é simples: uma casa enorme com piscina. Pois sim, quando eu tinha meus não mais que 7 anos fui no aniversário na casa de um coleguinha do colégio e, acredite, quando digo casa, quero na realidade dizer mansão. E aí veio o início de tudo: ao me buscar, minha mãe comentou que o pai do garoto era um advogado famosíssimo. Pronto, estava selado o meu destino: advocacia. Motivo? Ter uma mansão com piscina olímpica. Anos se passaram e evidente que quando me perguntavam o que eu queria fazer da vida, não me parecia razoável falar da história da mansão com piscina. E foi então que eu passei o ensino fundamental e parte do médio pensando: “O que diabos eu vou fazer da vida?!” E eis que o Direito ressurgiu como resposta. Não mais pelo motivo de antes, mas por ser a escolha mais racional para alguém que simplesmente...não sabia o que fazer da vida. Afinal, bacharel em direito vira juiz, advogado, promotor, diplomata, fiscal, poeta, professor, ator da Globo, músico, enfim. Basicamente era a escolha perfeita para alguém que (i) não queria ter que escolher ainda, (ii) gostava de Humanas em geral e (iii) amava ler/escrever – muito. E assim foi. Já de cara fiquei fascinada com matérias como Introdução ao Estudo do Direito e Teoria Geral do Estado. Mais para frente, matérias como Direito Constitucional, Direito Penal e Direitos Fundamentais chamaram minha atenção. Massssss ainda assim eu não me sentia confortável para decidir o que fazer da vida dali 2 ou 3 anos. Algo me levava intuitivamente para a advocacia em um grande escritório e, em vez de estagiar logo na área e confirmar o interesse, fiz o caminho inverso. Estagiei em tudo que imaginar, de trabalho pseudovoluntário no Departamento Jurídico da faculdade e escritório pequeno na área empresarial até Ministério Público, Assessoria Internacional de um banco e ainda uma vara criminal. E fui mais longe, peguei uma bolsa de intercâmbio para poder curtir um pouco a Europa (digo, estudar!) e postergar a formatura para o ano seguinte. E pode parecer pouco, mas aquele tempo distante de tudo e todos foi suficiente para respirar e seguir minha intuição. Lá fui eu fazer entrevista de estágio no tal escritório grande. A vaga era em Cível, mas algo me dizia que o lugar para mim era Tributário (sabe como é, todo penalista frustrado acaba indo pra Tributário. São os mesmos princípios, a mesma “defesa das garantias constitucionais contra a sanha do Estado”). Evidente que não passei (e não acho que foi destino, mas a minha sinceridade afoita com o RH que logo viu a minha evidente pretensão de entrar no escritório e depois mudar de área). Pois bem, meses se passaram e eis que surge a então sonhada vaga para Tributário no mesmíssimo escritório. Já pisei lá para a entrevista sonhando em fazer carreira. Entrei e me apaixonei instantaneamente pela rotina de contencioso (aos que não sabem, a advocacia se divide basicamente em consultivo – antes de estourar o problema – e contencioso – já existe um problema e há um processo formal entre as partes), pelo trabalho em equipe, pelo ambiente formal, pelo jeito de escrever. Não vou dizer que tudo foram flores, longe disso. Durante o estágio (a tão famosa Lei do Estágio ainda não tinha pegado no tranco), foram muitas as aulas que perdi e muito o tempo que deixei de aproveitar fora do escritório, além de alguns atritos iniciais com chefes diretos. Mas toda vez que eu sentava na minha mesa e estudava um caso novo ou fazia um recurso dificílimo a ponto de perder a noção de tempo, eu sentia que era o caminho certo e continuei por 1 ano e meio até a formatura. E aqui efetivei e fiquei nos últimos 3 anos – e não tenho quaisquer planos de sair tão cedo. Acho que quando eu me imaginava trabalhando em um escritório, era exatamente como acontece na realidade. Muito trabalho - mas muito mesmo! -, advogados mais velhos e renomados que você trata por “Doutor”, almoços de negócio com clientes, reuniões de equipe com discussões de temas relevantes, horas e horas de pesquisa de legislação e decisões de Tribunais, longas petições com linguagem formal (mas sem rebuscamento ou floreio excessivo, isso é coisa da advocacia dos tempos dos nossos avós!), casos de milhões de reais, pressão diária. Não é para todos – como tudo na vida. Mas se é isso que você estava imaginando, bingo! Sabe, a mesma dona do tumblr teve uma conversa comigo pouco antes de colocar em prática essa ideia e, enquanto discutíamos como Direito podia ser um curso tão certo e tão errado para determinadas pessoas, ela me fez uma pergunta que agora repasso para vocês e que, no fim das contas vale para advogados, juízes, engenheiros, bailarinos, biólogos ou o que mais for. Se hoje você ganhasse na mega sena e pudesse trabalhar apenas por hobby, o que você faria? (Se você, como eu, se imagina em um escritório próprio exercendo advocacia pro bono para entidades de educação ou saúde que discutem judicialmente seu direito de fruição de imunidades ou isenções, bom, você sabe que está no trilho certo). Então, de novo eu pergunto. E aí, você se imagina fazendo exatamente a mesma escolha se o mundo te permitisse escolher sem o peso da pressão da família ou o dinheiro? Não é clichê, é fato. Você precisa, antes de qualquer coisa, suportar com um mínimo de alegria a carreira que você escolhe. Se você chegou até o final desse texto, só tenho a desejar: boa sorte e sucesso
Roberta- Publicidade, Música e Blog
Quando chega a nossa hora de prestar vestibular, aos nossos imaturos e pouco experientes 17 anos, parece que temos que decidir ali o que fazer para o resto da vida e dá um medo danado. Depois, com o tempo, aprendemos que esta é apenas a primeira de muitas escolhas importantes que teremos de tomar a partir dos 17 anos. No meu caminho (hoje tenho 27) aprendi três coisas que considero muito importantes: nenhum conhecimento é inútil, nós damos significado às nossas tarefas e gratidão é essencial. Tudo o que você aprende vai te valer como experiência, porque conhecimentos diferentes te fazem enxergar a mesma situação de formas diferentes. Eu me formei em Publicidade e Propaganda, estagiei na área e fui seguir um grande sonho, que era ser cantora. Durante 3 anos e meio gravei CD, videoclipe, toquei em festivais, na TV, no rádio e, por fim, desisti. Eu achava que se fizesse tudo direitinho minha carreira ia dar certo, mas o mercado da música é um pouco mais complicado do que um escritório com plano de carreira. Então, voltei para São Paulo com o objetivo de ganhar dinheiro. Entrei numa petroquímica, me saí muito bem e usei bastante dos conhecimentos que adquiri gerindo uma banda por lá. Foi uma experiência e tanto, mas naquele momento eu queria explorar mais a fundo o mercado digital, no qual acabei me especializando. Então, montei um blog de culinária com uma fera da comida caseira, minha mãe, com base em tudo o que aprendi na banda e na petroquímica. No blog, faço vídeos, tiro fotos, escrevo projetos e textos e faço gestão de todas as plataformas digitais. Faço tudo o que amo e de quebra estou aprendendo a cozinhar. As mudanças, o começar do zero, o construir e fazer parte de coisas que dou valor são o que me motivam a continuar caminhando. Eu não consigo não fazer nada e certamente não consigo fazer algo sem significado. Voltando à lições, a segunda delas aprendi durante minha pós-graduação em Gestão e Marketing Digital e não tem nada a ver com marketing, digital ou gestão: as tarefas são as mesmas, o que muda é o significado que damos a elas. Ou seja, há pessoas que odeiam cozinhar e comem qualquer besteira. Outras vêem um significado enorme em ter uma boa alimentação e entram na cozinha com prazer. Esse prazer vai além do gostar ou não gostar de cozinhar. Este foi, sem dúvida, o ensinamento mais importante de todo o curso e tomei ele para minha vida pessoal e profissional. Antes eu me focava muito no “gostar” e isso me fez tomar decisões erradas diversas vezes. Entendi o significado de esperar, ter paciência, fazer coisas que não gosto e conviver com pessoas que não gosto. Tudo isso faz parte e é muito importante, até para nos conhecermos melhor. E então a gente se vê vivendo uma vida que nem sempre é do jeito que queremos, nem sempre é justa, que nos coloca constantemente à prova e que nos testa sobre o significado que damos a tudo isso. E foi aí que aprendi a ter gratidão. Não a gratidão de dizer “obrigado”, que aprendemos quando somos crianças, mas agradecer por quem somos, pelos nossos defeitos e qualidades, pelas situações boas e ruins que vivemos para podermos crescer com elas, pelas pessoas que conhecemos, por tudo o que aprendemos e pela nossa capacidade de escolher. Eu aprendi a agradecer pelos mínimos detalhes e, então, meu caminho ganhou um novo sentido, para muito melhor. Às vezes não é a profissão, não são os amigos, não é a família. Somos nós que estamos buscando e, neste caso, o único remédio é viver.
Esse blog pode não ser o mais visitado do ano, mas espero que esteja fazendo tão bem para outras pessoas como tem feito pra mim. Por meio dele tenho tido a honra de ouvir histórias de vida inspiradoras, reencontrado amigos antigos e principalmente tenho conseguido chegar mais perto de me encontrar. Obrigada a todos que compartilharam suas experiências comigo, aos que ainda vão compartilhar e a quem vem aqui ler esses pedacinhos deliciosos de vida :) <3 Um ótimo 2014 pra nós!
Thiago Gimenes – Fotógrafo, Professor de Fotografia, Diretor de Arte e futuro Físico
Acho que meu depoimento aqui vai ser um pouco diferente e também talvez seja um dos mais longos, mas acho que a história vale a pena.
Eu vou começar do começo… bem do comecinho mesmo. Engraçado que quando eu era criança nunca quis ser astronauta, mas sempre quis ser astrônomo ou físico teórico (sim, nerd desde pirralho). Sempre gostei de ciência, principalmente astronomia (isso vai ser importante daqui a pouco). Mas antes de mais nada eu queria trabalhar, queria DESESPERADAMENTE trabalhar, ter meu dinheiro, mas acima de tudo, me sentir útil de alguma forma (isso também vai ser importante lá na frente). Aos 14 anos, consegui um estágio não remunerado em uma agência de propaganda. 8 meses depois, eu acabei contratado como temporário para cobrir a licença maternidade de uma arte-finalista, por 3 meses. Desse período eu nunca vou me esquecer de uma conversa que tive com um arte-finalista que trabalhava há alguns anos na agência. Logo no terceiro mês que estava lá, ele me perguntou se eu estava gostando e eu disse que estava gostando MUITO, mas que havia algo estranho, pois aquilo não parecia ser trabalho, era divertido demais. E foi aí que ele disse uma frase que mudou a minha vida (e tenho certeza que ele não tem idéia disso) “Nem todo trabalho é chato e trabalhar em agência é isso aí que você tá vendo”. Foi aí que eu percebi que estava apaixonado pelo trabalho em agência, pelo clima informal, pela diversão que era trabalhar. Era tudo muito legal, e até o que era ruim era bacana. Eu amava o que eu fazia e (só agora eu vejo) essa paixão me fazia estudar e me aprimorar, para ser cada vez melhor nisso. E mais uma vez uma lição foi aprendida na prática: quanto mais amamos uma profissão, melhor nos tornamos em fazer aquilo. Parei de estudar ao completar a 8ª série. Não dava para conciliar a escola com as noites viradas trabalhando na agência (e na época eu achava muito legal virar as noites na agência). Depois ainda tentei fazer um supletivo do 2º grau mas também larguei.
Foram 14 anos de lua de mel, passando de agência em agência, seguindo o caminho natural, de arte-finalista, assistente de arte, diretor de arte jr., diretor de arte e diretor de criação e foi aí que a lua de mel acabou. Quando a gente vira diretor de criação o escopo do trabalho muda completamente, sai da parte criativa e vai para a parte de resolver problemas, lidar com cliente, com atendimento, definir prazos, brigar, brigar e brigar e o que é pior, brigar sem ter autonomia para realmente decidir, pois o negócio não é nosso. Depois de 1 ano e meio como diretor de criação o meu combustível havia acabado. Eu tinha passado não só a não gostar mais do que eu fazia, mas também não via mais a menor importância nesse trabalho. Comecei a questionar por que fazíamos aquilo, qual era o sentido disso, qual era o propósito de tantas noites perdidas, de tanta gastrite, tanta pressão? Muitas vezes para vender mais presunto ou para incentivar um operador de telemarketing a vender um determinado canal em detrimento do outro. Sério? Será que isso vale mesmo a pena? Cada vez meis pensava que não, cada vez mais eu deixava de me sentir útil, como eu queria me sentir lá no começo do texto. E esses questionamentos fizeram com que a qualidade do meu trabalho também caísse. Dei um passo atrás, recuperei a graça de “sentar a bunda na cadeira e criar” mas já não era mais a mesma coisa, nunca mais viria a ser.
Durante essa fase de questionamento, comecei a namorar uma moça e ela me ajudou MUITO em todo esse impasse. Conversávamos muito e eu estava completamente inclinado a voltar a estudar, fazer faculdade e começar uma carreira acadêmica. Finalmente seria o cientista que sonhava ser quando criança! Mas esse ainda era um caminho um tanto longo, tinha muitos passos a percorrer para que esse sonho se concretizasse e era necessária uma dedicação que eu não poderia ter trabalhando em agência (lembrem que foi justamente por isso que parei de estudar lá no começo). Nesse meio tempo, essa mesma namorada havia me incentivado a comprar uma câmera, por hobby mesmo e me ensinou a fotografar, ela plantou uma semente que foi crescendo e logo virou uma paixão tão grande quanto aquela lá no começo, quando era estagiário na primeira agência.
Eu amava aquilo e queria fotografar mais e melhor! E queria aprender e queria ensinar e até que ficou óbvio: minha próxima profissão seria fotógrafo. E com essa constatação veio mais uma lição de vida: a gente pode ter várias profissões ao longo da vida, e é possível sim mudar depois de “velho”, na verdade, apesar do cliché, a gente nunca é velho para mudar, o que falta é sempre paixão, paixão pelo que fazemos é o combustível para fazer mais e melhor e para tornar possível a mudança. A maior dificuldade de uma mudança de carreira depois de anos numa profissão, é que a gente já tem contas pra pagar, já tem um padrão de vida e raramente conseguimos largar tudo para nos tornarmos estagiários não-remunerados novamente. Não ganhar dinheiro simplesmente não é uma opção, mas sempre há uma saída, vou detalhar a minha estratégia, que parece que vai dar algum resultado, mas apenas para mostrar que, se precisamos de dinheiro para viver, precisamos também ser criativos e estratégicos, traçar um plano e tentar cumprí-lo, é difícil, envolve sangue, suor e lágrimas. Envolve empobrecer sim, mas é em nome de ser feliz na profissão.
Fotógrafos não ganham salários, são autônomos, não têm estabilidade de renda e eu ainda tinha MUITAS dúvidas, principalmente sobre o tal do TALENTO. Sempre ouvi que eu tinha talento para criação publicitária, mas seria demais querer ter talento TAMBÉM para fotografia certo? E foi aí que, conversando com muita gente, acabei percebendo que o dito talento nada mais é do que uma medida do quanto você precisa se esforçar e estudar para conseguir um determinado nível de qualidade. E que muitas pessoas que têm talento acabam se perdendo no meio do caminho por confiarem que o talento sozinho vai pagar as contas. Portanto, vencidas as dúvidas (de vez em quando elas voltam e me assombram à noite, mas a gente acostuma), o próximo passo foi arregaçar as mangas e traçar a estratégia. Eu acho que tive sorte, porque amava tanto a fotografia, que isso me despertou um lado que nunca soube que tinha, o de professor (e também jamais tive talento para dar aulas ou falar em público, coisa que vou começar a estudar e me aprimorar também). O assunto me empolga tanto que eu tenho vontade de compartilhar o que aprendi com todo mundo que estiver interessado e isso acabou por me mostrar um caminho: formar uma base estável de renda dando aulas de fotografia. Corri atrás, primeiro de aprender formalmente, fiz o melhor curso possível (na minha opinião, melhor que qualquer faculdade) na melhor escola do país (não vou fazer propaganda aqui no blog alheio, quem quiser saber, me escreva e eu falo qual é) e comentei que gostaria de fazer um curso especificamente para quem quer lecionar, pois fazia parte da minha estratégia de viver de fotografia, mas NUNCA me passou pela cabeça que seria convidado, já ao final do meu curso, a lecionar na escola que estudei (e só de escrever isso me emociono, pois foi uma vitória absurda, que estou ainda me entendendo com essa vida e essa sub-paixão que está crescendo cada vez mais). CLARO que junto com essa renda extra da escola, estou tendo que trabalhar na outra ponta também, de cortar ao máximo custos fixos e supérfulos. Racionalizar MUITO bem meus investimentos em equipamentos e na infra-estrutura – sim, o fotógrafo não é um indivíduo e sim uma empresa e quando decidimos entrar de cabeça nesse ramo, temos que assumir que fotografar vai ser por volta de 10% da nossa rotina e aí é que temos que regular a paixão e desviá-la um pouquinho do trabalho de fotografar para o trabalho de vermos a NOSSA EMPRESA, NOSSA MARCA crescendo e tomando corpo. Estamos trabalhando pelo nosso sonho e tomando nossas próprias decisões, para o bem e para o mal e isso dá um dos melhores friozinhos na barriga que existem!
E é nesse pé que eu estou atualmente, no meio dessa transição entre aumentar a renda dando aulas, construir uma audiência com um novo canal no Youtube para chamar mais alunos, tanto para a escola quanto para começar a monetizar com anúncios também, equilibrando os jobs de fotografia, principalmente retratos e fotografia de casamento, que são minhas paixões, e ainda me dedicar à direção de arte, pois não “fiz a passagem” ainda e essa é a minha principal fonte de renda por enquanto.
Dando um passo pra trás e olhando a minha vida profissional como um todo, desde o começo até o fim que eu imagino, dá pra ver um sentido, dá pra ver um plano que teve os primeiros 20 anos aos trancos e barrancos, mas que agora eu consigo ver que foram importantes e que sem isso eu não teria a maturidade para lidar com o presente e nem traçar a estratégia futura. Agora, dando esse passo pra trás, eu consigo inclusive ver minha próxima carreira, quando o combustível da fotografia acabar eu já quero estar preparado e com a próxima paixão já em andamento: uma faculdade de física, para satisfazer aquele pequeno astrônomo, que ficou guardado lá nos meus 12 anos e que agora tem toda uma base de ótica (da fotografia), e uma paixão enorme por lecionar. É, parece um bom plano… e uma boa vida.
Que venham os próximos 40 anos então! Daqui a 20 eu volto pra contar como está indo a jornada.
A linguagem corporal afeta a maneira como os outros nos vêem, mas também pode mudar a maneira como nos vemos. A psicóloga social Amy Cuddy nos mostra como "fazer poses de poder" -- ficar numa postura confiante, mesmo quando não nos sentimos confiantes -- pode afetar os níveis de testosterona e cortisol no cérebro, e pode até ter um impacto nas nossas chances de sucesso.
Larissa – Médica Veterinária Anestesiologista no Exterior
O QUE VOCÊ IMAGINAVA FAZENDO QUANDO ESCOLHEU ESSA PROFISSÃO? Vivendo no interior e cuidando de cavalos nas fazendas.
ALGUMA DICA DE BACKSTAGE? Em primeiro lugar é um curso que exige muita dedicação. E mesmo que você acredite que alguma disciplina não tem nenhuma utilidade pra você, acredite: é importante. Principalmente nos primeiros anos.
Os anos de ciência básica são fundamentais para qualquer especialidade que o veterinário escolher no futuro. Portanto, para você que vai fazer o curso de Medicina Veterinária: eu sei como o começo pode ser divertido, e como pode ser fácil apenas passar de ano. Porém, eu sei também o quanto algumas coisas como fisiologia e farmacologia vão fazer falta lá na frente. Portanto, divirta-se, porém dedique-se também.
Ao longo dos anos, as nossas preferências vão mudando. Eu entrei querendo trabalhar com cavalos e hoje sou anestesiologista com mestrado em anestesia de ursos (O.o). Tenho amigos que entraram querendo trabalhar com pequenos animais e saíram como inspetores federais de produtos de origem animal. Existem inúmeras vertentes da profissão, e muitos veterinários nem sequer tocam em um animal vivo após se especializarem (patologistas e microbiologistas por exemplo).
O importante é amar a medicina veterinária e trabalhar com animais. Amar muito os animais não é suficiente para ser veterinário. Existirão situações complicadas e dilemas éticos no caminho. O mais importante é lembrar que na formatura nós juramos solenemente cumprir nossa função em prol da HUMANIDADE! Se você é um assíduo militante pelos direitos dos animais, é vegano radical ou acredita em conceitos como “especicismo”, desista, a medicina veterinária não é para você! Você precisará trabalhar com cadáveres nos primeiros anos, visitar abatedouros e muitas vezes, participar em projetos de pesquisa com animais (claro que tudo seguindo o código de ética profissional e de bem-estar animal).
Eu escolhi viver fora do Brasil, porém, a medicina veterinária tem crescido muito e é possível encontrar bons trabalhos em hospitais de referência nos grandes centros urbanos… mas ainda é longe do ideal.
Vivendo aqui no Canada, além de necessitar validar minha licença, se eu quiser exercer minha especialidade (anestesiologia), preciso também refazer a residência (que já fiz no Brasil) em uma instituição que eles aceitem aqui (norte americana ou europeia). E para “facilitar” ainda mais minha vida, antes de fazer residência, eu preciso fazer um internato, que é basicamente um ano de trabalho supervisionado, com bastante atividades acadêmicas, nos diferentes setores de um hospital de pequenos ou grandes animais. Para ser selecionado para o programa de internato suas notas da graduação são avaliadas e ranqueadas em comparação com os outros candidatos.
Lembram-se daqueles primeiros anos de ciência básica que eram fáceis de “só passar”? Pois bem, seu eu tivesse me dedicado um pouquinho mais a essas disciplinas, eu teria uma melhor média geral e mais chances de ser selecionada para o internato.
No momento eu trabalho como anestesista contratada em uma universidade, já que nas universidades podemos trabalhar sem todas as tramitações das licenças. Porém é apenas um contrato temporário para cobrir a falta de um anestesista. Após o fim do meu contrato, se alguém tiver todas as credenciais, eles vão optar por esse profissional ao invés de mim.
O QUE TERIA FEITO DE DIFERENTE? No momento em que decidi morar fora, eu teria vindo fazer internato e residência direto, antes do mestrado (motivo inicial pelo qual eu vim para cá). Como minha especialidade é bem clínica, o meu título de Mestre não ajuda tanto como ajudaria no Brasil. Aqui eles querem um anestesista que fez todo o treinamento clínico e que passou nas provas do órgão que regulamenta a especialidade. Além disso, eu teria me dedicado mais às disciplinas pelas quais eu não me interessava tanto, pois melhores notas ajudariam bastante nesse momento.
AMA O QUE FAZ? Indiscutivelmente! Sou médica veterinária mais por vocação do que por paixão, mas amo muito minha profissão e principalmente minha especialidade. Salvar vidas e tratar a dor de um animal é tão recompensador que faz cada madrugada sem dormir valer a pena.
SE GANHASSE NA LOTERIA QUAL SERIA SUA OCUPAÇAO? Acho que eu abriria uma padaria ou uma livraria! Hahahah Mas continuaria anestesiando por hobby!
OBS : Sei que minha história é um pouco peculiar, porém se alguém tivesse feito isso por mim eu teria feito escolhas melhores quando resolvi sair do Brasil. Por isso me coloco à disposição de quem precisar de conselhos/ajuda.
Maria- Educação Física e Marketing
Formação: Educação Física na FMU
Profissão atual: Marketing na Cobogó Imóveis O que vc se imaginava fazendo quando escolheu essa profissão? Eu me imaginava dando aula de Educação Física Escolar.
O que ninguém te contou quando vc estava escolhendo sua profissão? Ninguém me contou que as crianças e adolescentes de hoje em dia são muito mal educados e mimados, tornando a profissão de professor super estressante. O custo-benefício pelo salário de professor é ZERO!
Alguma dica de backstage? A faculdade de Educação Física é sensacional, mas você não fica jogando bola como muita gente pensa! Você tem matérias complicadinhas como anatomia, biofísica, bioquímica, primeiros socorros, biomecânica, fisiologia do exercício, nutrição, etc… na parte prática, as aulas são divertidas, mas você não aprende a jogar bola! Você aprende a ensinar um esporte e aprende sobre o funcionamento do corpo humano. Aí você escolhe se vai querer trabalhar com ed. física escolar, se vai querer ser personal (academia, clube) ou se vai querer ir para a área de pesquisa.
obs: pode acontecer do seu professor de ginástica olímpica ser um ex-árbitro de Olimpíada de verdade, dessas que passam na TV mesmo, e você ter uma prova prática que tem que fazer uma apresentação tipo Daiane dos Santos para ele te avaliar, sendo que eu não sei dar uma cambalhota, muito menos uma estrela. Eu tinha muitos professores famosos (ex-jogadores da seleção brasileira, ex-técnicos, etc….). Vejo sempre meus ex-professores na TV.
O que vc teria feito de diferente? Teria feito publicidade com certeza! Nunca trabalhei com Ed Física. Trabalhei sempre na área de marketing e tudo que sei aprendi trabalhando.
Como foi parar em Marketing? Durante a faculdade, eu me recusei a fazer estágio em Colégio e em Academia (precisava de 400hs em cada) porque a maioria dos estágios não eram remunerados, e eu já queria ganhar muito dinheiro rsrs. Então comecei a trabalhar na loja Richards no Shopping Iguatemi e lá aprendi MUITA coisa. Mas muita mesmo. Hoje quando entro numa loja começo a dobrar as roupas que estão no balcão porque sei o que um vendedor passa! Ficar em pé horas e horas não é fácil… mas era super divertido porque a loja tinha quase 20 vendedores e eu dava muita risada o dia inteiro e ganhava meu dinheirinho. Gostava tanto que acabei trabalhando quase 2 anos na Richards. Até que chegou um dia que eu resolvi largar tudo e ir morar na Austrália, e arrumei a desculpa de querer aprender inglês e foi demais! Super indico um intercambio uma vez na vida! Depois de 5 meses voltei pro Brasil, sem saber onde trabalhar e o que fazer, e acabei voltando pra Richards por mais 5 meses (os vendedores eram os mesmos da época de quando eu trabalhava lá). No começo foi legal, mas depois virou aquela mesma rotina de antes, que me fez ir morar na Austrália e resolvi sair da Richards…
Então lembrei de um cliente meu que sempre me chamava pra trabalhar na empresa dele. Era uma empresa que fazia tratamento de água e de esgoto e ele precisava de alguém que cuidasse de tudo no escritório. Foi aí que comecei a aprender um pouco de marketing. Como ele queria mudar o logo da empresa, chamei um amigo que é dono de uma agência de publicidade para ajudar. Fiquei um tempo nessa empresa (quase um ano), mas não estava muito feliz, porque apesar do salário ser bom, eu não tinha muita coisa pra fazer e estava sentindo que estava emburrecendo! Então esse meu amigo, dono da agência de publicidade, me chamou e disse que eu tinha total perfil de atendimento publicitário. Ele me ofereceu um emprego na agência dele e topei na hora. Lá aprendi tudo e me apaixonei por essa área! Fiquei lá por 1 ano e meio, quando um amigo da minha mãe me convidou para um novo desafio. Ser comercial em uma empresa que desenvolveu um aplicativo de busca de imóveis por geolocalização. Dei uma olhada no aplicativo (chama-se MOVING IMOVEIS) e achei a ideia brilhante! Como era uma empresa nova, com tudo para crescer, fui ser comercial nessa empresa. Eu vendia o aplicativo para imobiliárias e construtoras. Até que, minha mãe que é corretora de imóveis há muitos anos, me pediu para criar uma Fan Page e um Instagram para ela divulgar os imóveis dos clientes dela e atrair novos clientes. Comecei a ajudá-la com isso, escolhemos um nome para “mini-imobiliaria” que ela estava montando, fizemos um logo, e quando me dei conta, a “mini-imobiliaria” tinha virado um sucesso, e eu não estava mais conseguindo ajudá-la e ao mesmo tempo trabalhar no aplicativo de busca de imóveis. Então saí da empresa que eu estava e passei a cuidar da “mini-imobiliária” (Cobogó Imóveis) da minha mãe, que está crescendo assustadoramente!
Até hoje não tenho meu diploma da educação física porque nem comecei os estágios rsrs
Ama o que faz? Hoje trabalho na área de marketing imobiliário e estou amando!
Se ganhasse na loteria, qual seria sua ocupação? Eu compraria um monte de imóvel, alugaria todos, e viveria viajando pelo mundo…