E cá estou eu de novo, com meus clichês e meus dramas... Por que tem que ser tudo tão complicado? A gente não podia apenas nascer, viver e morrer? Por que o termo mediano tem que ser tão complexo? Ainda tem a história do viver e do existir. Sempre me considerei uma pessoa viva, cheia de planos, de histórias e de aventuras. Hoje, eu apenas existo. Existo na escola, na rua, no ônibus, em casa mas não vivo de verdade em nenhum desses lugares. Minha mente voa para lugares que meu corpo não acompanha e aqui sobram medos, anseios, lágrimas e crises.
Sinto saudade de como eu era antes, no final das contas. Ou talvez, eu sempre tenha sido assim mas tenha perdido minha força nos últimos tempos. Talvez eu estivesse em estado de negação em relação à esse meu lado e agora que deixei parte dele tomar conta de mim, ele acabou por me dominar por completo. Quando eu digo por completo, fica-se subentendido que não tem volta desse mal. Preciso de um emplasto como o que Brás Cubas sugeriu em um certo capítulo do livro sobre suas memórias. Imagina que louco que inventassem algo que curasse a melancolia da humanidade? O fato é: talvez férias não seja o suficiente pra eu recuperar meu controle. Preciso sumir e quando voltar, ser recepcionada com saudade, com sorrisos e abraços. Preciso planejar, executar, escrever e contar histórias novas. Talvez até completar algumas antigas.... Eu preciso viver.