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Ausência de si mesmo
Sinto falta de mim
(eu sei, torno a me repetir)
faz tempo que não me tenho só pra mim
faz tempo que não me tenho de jeito nenhum
sou egoísta e iludida
gosto de mim, preciso de mim, só pra mim
por mais que eu me destrua, ouso gostar de estar comigo mais de que com qualquer outra pessoa
mas que ironia, sou a mesma pessoa que quando fica sozinha usa pretextos pra fugir de si mesma
mas sinto falta de mim, sinto falta de me ter presente, de sentir minha pele embaixo de um blusão de algodão, sinto falta de sentir o frio arrepiando os pelos do meu corpo, de sentir meus pés no chão, por vezes repetidas me perco em abstração, é como vagar em uma residência sem proprietário, um entre e sai, uma verdadeira confusão, não sei onde estou nessa multidão que vaga nos corredores da cabeça ao coração.
Será que todos vivem assim?
perdidos de si dentro de si mesmos?
Será que tem alguém realmente presente?
realmente vivo?
Quase sempre me sinto vaga, perdida, memória. . .
só memórias espelhando memórias
É exaustivo viver longe do centro que alimenta minha existência, do "eu", da essência, mas me sinto assim quase sempre e bate uma urgência, enquanto o tempo não para de correr, de parar e me aconchegar em mim, silenciar o mundo começando pela minha mente, respirar, me sentir, sei que leva tempo até eu me sentir novamente aqui depois de tanto tempo longe, sei que há medo do peso de existir, mesmo que eu não pare de carregá-lo gosto de fingir que sim, enfim, só sinto uma enorme ausência de mim, saudade e urgência de estar presente antes que a vida se esvaia de mim.
Desconhecido
Não sei seu nome Nem seu endereço Meu apreço Que vem, me alegra, e some Só sei como é seu rosto E onde estuda Parece um encosto Sempre na escuta Um querido Desconhecido Que faz meu dia Quando me nota Na ausência, sinto sua falta Tudo que sei sobre o inominável É o que demonstra quando trocamos olhares Me parece intocável Sempre sentando nos mesmos lugares Não tem aliança Nem conversa com ninguém Olhando sempre pro além Com cara de desconfiança Tem hora certa Pra chegar e partir Não sabe disfarçar Também nunca o vi sorrir Não parece ter a conta aberta Apenas a observar Todo dia, ele está Quando o vejo, a alegria é ímpar Faço de tudo pra me notar Fico a esperar O dia que iremos nos falar Mesmo que seja pouco Saberei se ele é ou não, louco Não me conhece Não sabe quem sou Mas onde estou Ele percebe Olha de canto Faz cara de espanto Às vezes, desaparece E volta, com cara de encanto Já procurei nas esquinas Nos bares Todas as ruas Que possam ser seu lar Ansiando um dia o encontrar E, quem sabe, conversar Na presença do estranho O acompanho Tentando descobrir algo Que tenha passado despercebido Algo novo a ser exibido E raramente encontro Mas vale o dia todo, pelo nosso encontro Sem nome O que come? Sem idade Qual sua maior qualidade? Sem endereço Quem é seu maior apreço? Escutando a conversa Indiscretamente Entrando na mente Do desconhecido querido Espantosamente repetindo Olhando de repente Querido desconhecido, apreciado Queria um dia ter o seu contato E dizer-te tudo isso Mesmo que ao seu lado Não consiga nem manter contato Visual
A Intenção de Desentender
Pendente a reparação seca de meu ser Pulsante no ar, entre os cascos de cavalos Cantando uivos à meia noite Adoecendo um mundo na curva de seu fim O olho turvo feito noite Me reflete em sua expansão Traz um futuro que não me pertence Mas me têm como seu guia Desencarne do mantra elétrico Desate a matéria deste reino Desinforme-se do teu ideal uniforme Desacredita no outro que profetiza tua vinda A alusão da comitiva, suspeitando A comoção clama fervilhando o sangue Não há cura, entretanto desmonte teus conceitos A maldita vitória era tão somente o medo cobiçando realismos O som de ossos dançando Pertence a censura da expressão O corpo quer o que a boca blasfema Os olhos alteram entre aceite e dúvida Pare a força dos teus hábitos Escute o que deuses anônimos tem a dizer Através disso que tu entendes como natureza Através do que teus sonhos concebem Sangra as hipóteses, exploram-se vontades Nas vozes que se exploram em nomes escondidos Uma preparação, a abafada doença da modernidade Há respostas internas aliadas às tuas buscas egocêntricas Ciente da ingratidão, afrouxam-se as feições O sorriso era um relinchar de possibilidades A destreza do imediatismo que te adota Faz com que tu esqueça a origem de teus anseios
Ainda...
Eu ainda estou te reconhecendo, ainda estou aprendendo a amar tuas imperfeições, ainda estou aprendendo a lidar com teus medos.
Nós ainda somos tão jovens, ainda temos muitos caminhos para percorrer, ainda temos um futuro para desvendar.
Então não largue minha mão, não desista antes mesmo de começar, não me afaste com medo de se machucar.
Nos dê uma chance de procurar as soluções para todos esses problemas que ainda nem existem.
Agora sou só eu e Deus, o único que compreende as veredas do meu coração, que esquadrinha de forma completa todo ele, e que sabes de meus anseios e desesperos. Só Ele, o Grande Rei de todos os reis vê o que passo em meus dias mais escuros, e por isso minhas lágrimas são entregues somente a Ele em forma de oferta pura e sincera, em honra Àquele que sempre permanece comigo em épocas de fartura, como também de escassez.
Valter de Melo
Ninguém é perfeito e ninguém tem como atender todos os nossos anseios.
- Lorena Clemente.
E quando você passar por algum momento difícil e sentir seu coração desesperado, lembre-se: "Todas as vezes que você se sentiu assim, passou. Você superou. Esse é só mais um dia difícil. Não desista."
Por vezes você vai olhar para o lado na esperança de conseguir ajuda mas só vai encontrar a sua sombra. E adivinha ? É o que você mais precisava ver. Sabe por que ? Porque a sua sombra é uma prova da sua existência. Você está aqui, está vivo, e tem um universo complexo dentro de você.
Tente entender a sua complexidade, encontre a felicidade e dê as costas para os pesos que estão tentando te fazer ficar inerte na corrida da vida.