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TWITTER IRA CAIR HAHAHAHHA EU TE AMO MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES
Moscow, June 20, 1936 Politburo members carrying the urn with Maxim Gorky's ashes.
Feliz São João
✨guarda cão’panheiro✨ . Uma das vistas mais bonitas de onde moro, é desse cemitério. Nesse ano frequentei bastante esse local, muito mais que o habitual, infelizmente presente em momentos de profunda tristeza minha e de pessoas que prezo, foram enterros de diversas gerações, bebê com dias de vida, jovens, adultos e idosos, parente, amigos, parentes de amigos e conhecidos... aqui não tem coveiro, se habilita à cavar a cova alguém que tenha consciência e consideração pelx falecidx, manutenção é igual. As ferramentas ficam guardadas em algum lugar à vista protegidas apenas das chuvas, foram deixadas para uso popular. Não tem muros nem gavetas para as ossadas, os ossos mais antigos vão sendo misturados à terra conforme acontecem novos enterros. O Cemitério do Retiro é um lugar incrível, muito simples, deixa exposto quão fraco é a resistência do concreto diante as forças da natureza, suas paisagens amplas e distantes, ensina que a morte não é o fim da vida, e sim mais uma etapa dela. . #descansoeterno #mortevida #sonodojusto #sonodamorte #fimdalinha #enterro #retiro #cachorro #cemiterio #comunitario #historias #perdas #lutos #companheirismo #sdds #simplicidade #uniao #descansemempaz #rip #sociedadeplastica🌻 . Retiro, Ilhéus, Bahia https://www.instagram.com/p/B6tt5CLnxw2/?igshid=n8ehvfm1bckb
Limpe seu beijo de meu rosto Os gracejos de romance confissão Lhe desbotam o homem Saído fugido dos braços do moinho Se teus cuidados de navalha Submergem-me em mágoas doces Lhe quero por mais doze doses Para enfeitar meus árduos trabalhos Me enterre com tuas trouxas de roupas Esquecidas embaixo da cama Juntando-me a o bolor de pares de anos Transformando-me a pele Aos poucos vertemo-nos em cupins Entalharemos dentes ao pé de tua cama Escreveremos manifestos e escárnios Até ceifamos tua língua Maquiável na dentição No rosto, na fala Na postura cínica E na póstuma intenção Verdade passeio de pavão Vaidade negada de pés juntos Os mesmo pés juntos Que hão de prescindir o enterro O paraíso dionísico Para uns e outros Sem fim e um eterno meio Sangue requentado e disperso Desperdiça o inferno dos sonhos Rogado à muito feitio idílico Rezado com tamanho afinco Protagonizado pela oferenda densa
A Inscrição de Minha Lápide: Eu e Fausto, Um Divino e o Outro Maravilhoso. Nenhum deles Será Narciso, Pierrot Ruivo
O senhor da praça
O lado bom e o lado ruim de cidades pequenas é que todos se conhecem, e os que não se conhecem diretamente tem algum conhecido em comum. Lado bom pelo sentimento de camaradagem que existe, de saber que se pode contar com a ajuda dos vizinhos, não importa como. Lado ruim porque a sua vida privada nunca é tão privada assim.
Uma dessas cidades pequenas, tão no interior do estado que há talvez três placas com o nome dela nas estradas, levava o sentimento de camaradagem como lema de vida, tanto que quando o senhor sem teto que vivia na praça central faleceu, quase toda a cidade foi ao seu velório. Ninguém nunca soube a origem do senhor, ele parecia ser sempre um ponto fixo na cidade, sempre simpático, mesmo que tivesse tendência de conversar sozinho. Nem mesmo os mais velhos da cidade se lembravam se ele algum dia fora mais novo do que aparentava. Mas era querido por todos na cidade, e todos contribuíram de alguma forma para o enterro do senhor. Ele foi enterrado em uma jazida simples, mas feita com carinho a sua memória.
No dia seguinte ao enterro a cidade foi tomada por urubus. Todos os bancos das praças, todos os telhados das casas, todos os postes da cidade tinham pelo menos um urubu pousado. Ninguém sabia de onde eles estavam vindo, apenas que a presença deles parecia aumentar. E não importava o que se fizesse, eles não saiam dos seus poleiros.
Ao meio dia, o maior urubu que qualquer pessoa já havia visto, do tamanho médio de uma pessoa, pousou em frente aos portões do cemitério. O urubu se cobriu com as asas e, quando as abriu novamente, um esqueleto humano vestido em panos pretos estava em seu lugar, uma foice quase de sua altura em suas mãos.
A Morte entrou pelos portões do cemitério, e caminhou até a jazida do senhor sem teto, usando a foice como cajado. Contemplou a lápide por alguns segundos.
- E cá estamos nós de novo, velho amigo - disse a Morte, afetuosa, as órbitas vazias voltadas para onde o corpo do senhor estava deitado. - Cansaste de brincar de humano, ou quer continuar a pilhéria?
O vento soprou pelas árvores. Todos os urubus espalhados pela cidade levantaram voo ao mesmo tempo. A Morte riu.
- A escolha é sua, velho amigo.
Quando o relógio deu meio dia e dez já não havia mais urubus na cidade, assim como não havia mais memórias do senhor sem teto que vivia na praça central.
Em outro continente, outro país, outra cidade pequena onde todos se conheciam, um senhor sem teto se acomodava no banco de uma praça e na memória coletiva da cidade.
Tumular
Era uma sala abarrotada
Os visitantes acotovelavam-se, mas o silêncio era mortal
Este é o tipo de evento que não queres que aconteça, não almeja, mas é necessario ir quando o sino toca
Quando a vela apaga, quando a caneta decreta
Quando começara pra sempre sentir falta
Existem pessoas com as mesmas dores, dissabores e amores no ressinto
Eu vomito tudo sozinho
Sufoco; respiro; repito
Diante disto estou nu, e uma aranha escala meu corpo
Sobe vigorosamente, acompanhada de arrepios, ofertados a mim
Felicidade a todo momento, pra sempre, é coisa de cego ou de insensivel
As vezes eu até sinto a dor do outro
Hoje é dia de honrarias, momentos reservados para se pensar
Sou agora mais que ontem
Taciturno, macambujo, melancolico, tumular