Cringe.
Às vezes eu me pego viajando no tempo. Não como quando a gente escuta uma música e sente nostalgia, ou quando a gente sente que está tendo um deja vú. É mais louco do que isso. Em situações específicas em momentos específicos, por alguns segundos eu esqueço o mundo de agora e me sinto em um mundo de alguns anos atrás. Eu não sei explicar muito bem, mas isso tem acontecido com frequência. “Será que outras pessoas são assim também?”, eu me questiono.
Não sei se é a tal da “crise dos vinte e tantos” e essa coisa de não saber lidar com o fato de que, tal qual a Sandy, sou jovem pra ser velha e velha pra ser jovem que me faz ter mais do que nunca esse apego enorme por coisas do meu passado e acaba me dando esses surtos de vez em quando. Quando se tem vinte e cinco anos parece que se está em um grande limbo: Você ainda é jovem, mas não tem muito tempo a perder.
A primeira vez que me senti velha foi no meu aniversário de vinte e quatro anos. Depois eu apenas aceitei. Ontem eu era a caçulinha da turma. Hoje, a geração z me acha cringe. Não tenho mais nem tempo nem paciência pra acompanhar notícias de música, que é algo que eu amo tanto. Madrugar pra ver fulaninha no Super Bowl num site aleatório que certamente vai dar 4593 tipos de vírus pro meu celular? Eu passo. Até porque certamente as cantoras que gosto nem seriam mais chamadas pra essas coisas. Eu não sei mais quem é relevante, parei na Billie Eilish.
Minha ansiedade tem me consumido demais. Tirei o feriado de sete de setembro pra não fazer absolutamente nada, e não poderia ter feito coisa melhor. É como se estivesse renovada.
Mas aí a rotina recomeça, as coisas voltam ao normal, o relógio desperta cedo, o ônibus atrasa. A vida não espera as minhas crises pararem. O tempo é cruel e está pouco se lixando pra mim. E tudo fica igual aquela música da Dido, sim, aquela que era trilha da sei lá qual temporada da Malhação do Cabeção (mais uma prova de que estou velha):
“Eu bebi demais na última noite, tenho contas a pagar
Minha cabeça está doendo
Eu perdi o ônibus e vai ser um inferno hoje:
Estou atrasada pro trabalho de novo
[...]”
(Dido - Thank You)
Às vezes eu sei que estou realmente “adultecendo” quando essas músicas como a da Dido e a da Sandy passam a fazer sentido na minha vida. E nessas viagens do tempo, pra músicas antigas, pra comportamentos antigos, eu me sinto estranha. É como se essa regressão fosse a única forma de eu me sentir segura, porque estou lidando com um mundo que já conheço. E às vezes essa coisa de voltar no tempo acontece assim do nada, como se tivesse entrado em uma Tardis e de repente estou em 2010 tomando café pra ir pra mais um dia de aula no primeiro ano do Ensino Médio.
No fim das contas, é uma sensação legal. Fazer coisas que eu gostava de fazer quando era adolescente me tira um pouco dos problemas do dia a dia, me faz sentir mais leve. Envelhecer cansa e me tira o sono. Reviver algumas bobagens, nem que seja ver um filme ou ouvir música de 2008, às 1:30 da manhã, como se não tivesse trabalho no dia seguinte, me dá um pouquinho de gás pra viver. A única coisa que eu sinto falta é de fazer coisas que eu não fiz por conta da depressão, como ter um grupinho de amigos, sair pra rolês. Me pergunto se algum dia eu ainda vou ter tempo de viver tudo isso sem parecer uma adolescente. Ou será que algum dia já vai ser tarde demais?










