Erick Mafra & Cauê Branco
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Erick Mafra & Cauê Branco
Capítulo 7. Praça John Lennon Eu me lembro bem da sensação anestésica daquele verão, A brisa fresca da paixão, juntos na sala de casa quando estreou a segunda temporada de Stranger Things, você me ligou de madrugada e eu atravessei o bairro tão rápido com sua bicicleta emprestada só pra assistir com você, tão clichê como um romance deve ser, O vento gelado no rosto enquanto penso no calor do teu abraço, seu quarto nosso forte, Você prometeu que não deixaria nada nos destruir, Eu ouvi você falar sobre meu medo bobo, chorei e sorri, Nós somos tão diferentes, ao mesmo tempo tão iguais,
Você me fez amar Bethânia e eu baguncei seu gosto musical com meus álbuns indies de pop experimental e quando eu lembro de nós sempre me vejo em cima da bike, Pedalando entre euforia e ansiedade, paramos na minha capela favorita do bairro. O Sol atravessa as figuras dos anjos nos vitrais, eu te encaro e no silêncio daquela segunda-feira a tarde, por um breve momento consigo sentir paz. Eu e você filhos do pecado, dois anjos apaixonados, todo amor é santificado. Talvez você esteja certo em não conseguir ficar, em outra vida ainda vou te encontrar. Num mundo onde amores como o nosso possam ser celebrados nas catedrais. Lembro da primeira vez que coloquei ‘’Oslo’’ da Anna of the North pra tocar na TV,
Aquele lugar era tão lindo que não parecia ser real, sempre ignorei os sinais, Talvez eu nunca conheça Oslo, talvez esse tratado de paz seja esquecido, Semanas na sua casa, madrugadas em padarias católicas, trocando o dia pela noite, Fugindo dos vampiros, usando sua escova e tomando suas doses de amor matinais, Você costumava fazer anéis de guardanapo, Mas usamos alianças de verdade por tão pouco tempo, Confesso que também tinha um pouco de medo dos julgamentos, Mas mesmo que eles me queimem, eu só queria te amar, Foda-se, é tarde mais, eu nunca vou conhecer Oslo, Eu nunca vou ter você e eu sempre vou passar pela minha antiga casa na Praça John Lennon, imaginar como devem ser felizes as versões menos covardes de nós,
Espero que toda dor que você me causou por seus medos te ensinem nos palcos da vida, O destino tem seus mistérios, ele amou Yoko mais que a fama, isso pode ser real? O amor só é visível quando sobrevive às mais duras guerras, transcende a dor, posso ser tolo por acreditar que uma flor que nasceu num campo de batalha, possa florescer? Me beija enquanto os generais tentam nos caçar, essa guerra nunca vai acabar. Tantas vidas, tantas eras, os falsos sábios, os padres, as bruxas, os magos e os registros akáshicos podem provar: Nunca provei o gosto do teu amor em praça pública. Os melhores perfumes são segredos do Oásis proibido, Por que eu me sinto culpado por dançar de um jeito doce e feminino, Só você pode desnudar o véu que se esconde na pérola do luar, E só a Lua pode testemunhar o reencontro dos poetas Arthur Rimbaud e Paul Verlaine depois de quinhentos dias sem teu doce cheiro numa temporada solitária preso pela saudade infernal, Lindo, eu tenho medo desse ritual, todos os olhos me condenam por te amar. Se eu fugir você vem comigo? Você enfrentaria tudo isso? Eu sei que não.
Eles tem tantos discípulos, vão dizer que sou louco, eles me odeiam como eu sou. Gritam coisas que nunca pude te contar, cruéis demais para se acreditar. Eles nos vigiam e querem um triste fim, eu enfraqueci no teu veneno, Sua língua te protege, mas suas ações te incriminam, seus contratos me aprisionaram, poesias tristes demais, verdades não comerciais, uma seita de narcisistas, Fui privado do amor, abusos secretos, poder demais na mão de loucos, eu esqueço tudo isso quando eu deito na grama da Praça John Lennon e contemplo o luar com você,
Quantas guerras ainda vamos vivenciar? Eles me negaram o Paraíso por amar. Eu mordi o fruto do conhecimento, vamos fugir desse lugar barulhento? Tensão de pensamentos, corpos se descarregam, O amor pode ser calmo, se eu soubesse a forma certa de amar, Ir para outras galáxias num olhar e ouvir o som dos anjos num suave canto, Você pode entrar no meu jardim, deitar na minha cama, sentir a mansidão de cada respiração que oxigena o sangue que corre em minhas veias, que alimentam minhas entranhas como galhos feitos de arte que abrigam o meu coração nu, que sussurra: Todo ato de amor é sagrado, você pode imaginar?
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merrick clark fisk aka flounder from the little mermaid
eighteen. college student. bus boy at atlantica seafood restaurant. played by kai.
application – shipper
Com um ato gentil você pode acender a esperança no coração de alguém... Um mundo iluminado pela esperança é um mundo feliz, vamos fazer isso juntos? Eu não vou deixar a esperança se apagar.
Erick Mafra
O Garoto do Sonho - Erick Mafra
Eu preciso falar sobre o livro O Garoto do Sonho, do autor Erick Mafra.
Antes de mais nada preciso me redimir, pois eu julguei muito todos os livros de youtubers, na certeza de que todos eles eram apenas para fãs e não tinham conteúdo algum. Chamei os leitores deles de inexperientes no campo da leitura, porque a maior parte estava lendo aquilo pura e simplesmente porque dava risada na frente da tela do computador ou celular com o que seus ídolos falavam. Subjuguei ainda os próprios youtubers, escritores destas obras, como inexperientes com a escrita e interessados em nada além de lucrar com a venda daquilo que publicavam, ao invés de produzirem algum conteúdo de qualidade.
Quem diria que eu viria a encontrar uma história que eu posso classificar na minha lista de alta literatura em meio àqueles que mais condenei, ao lado de obras como Veronika decide morrer, A Invenção de Hugo Cabret, e até mesmo O Pequeno Príncipe — ao qual diria que se assemelha muito a obra em questão.
Mas essa é exatamente a classificação que preciso dar para O Garoto do Sonho.
Se você é um leitor inexperiente e que leu o livro unicamente porque o Erick é bonitinho, pare. Leia outra vez e se atente à quantia impressionante de metáforas que a história carrega. Pegue o livro e ignore os desenhos decorativos que dão forma ao design “fofo" da obra, e foco total no que o autor está lhe dizendo.
Maria Clara não é uma personagem propriamente. Ela é uma parte da população, aquela parte que vive o amor e está satisfeito consigo mesmo, mas quer ajudar os outros. O conflito pelo qual ela passa não é um mero clímax de história como você aprendeu durante o ensino fundamental, e sim um questionamento que a filosofia tem tratado desde sua origem — e não é a filosofia grega de alguns séculos antes de Cristo, mas a Oriental, dos primórdios da organização do homem em sociedade. A protagonista enfrenta o dilema de não saber qual o seu propósito no mundo, qual sua razão para estar aqui.
E Erick Mafra se faz filósofo pelas palavras atribuídas ao personagem Eryn no decorrer da história, chegando à conclusão de que o amor é a resposta. A ideia não é autoral do youtuber, é claro, já que o catolicismo prega o mesmo há milênios; porém, o autor aqui se firma nos ensinamentos da assim chamada Nova Cultura. De toda forma, traduzir numa história um ensinamento tão profundo é tarefa admirável.
De volta ao livro, do outro lado encontra-se o personagem Pedro, que diga-se de passagem, representa claramente grande parte das pessoas. Observando as coisas pela filosofia da obra, a exorbitante maioria da população está cega: vivem em função do dinheiro, do trabalho, da escola, do status social, da aceitação das pessoas, da imagem. Estão de olhos fechados para o amor verdadeiro, que é a chave para tudo.
A cena mais impressionante do livro trata-se do momento em que Maria Clara vê Eryn numa estação de trem, e conversa com Nay, enquanto dezenas de pessoas passam ao redor deles como se não os vissem. Eryn está brilhando naquele momento, e sorri, mas ninguém repara nele e todos se locomovem de um lado a outro com pressa e aflição. Traduzir todas as metáforas existentes ali seria uma missão quase impossível. Eryn naquele momento não é uma pessoa, ou um alienígena, ele é puramente amor. Ele é gentileza, ele é gratidão, ele é fé. Mas as pessoas não o veem, mesmo passando ao seu lado, porque estão focadas em outras coisas. Lembram-se de que a cena se passa em uma estação de trem, certo? Quem está numa estação de trem, está indo para algum lugar, está buscando um transporte que a leve até lá mais rápido. Para mim, a ideia já fica clara aqui, mas vou tentar desenvolver: essas pessoas na cena estão em sofrimento porque ainda não encontraram o que estão buscando, mas estão desesperadas para assim fazer. Por isso, não enxergam que a solução está logo debaixo dos seus narizes; como disse anteriormente, em questão, essa solução seria o próprio amor. O único propósito de cada um é o amor, e nós não enxergamos isso.
A escrita usada por Mafra no livro é simples e de fácil compreensão para todos, e eu mesma li o livro em cerca de uma hora e meia. Isso não retira a profundidade impactante que a obra carrega e eu admito que me admirei com o fato de que o final da história me fez chorar — isso definitivamente não é tarefa fácil.
O fim da história, o qual insisto em não revelar apesar da nova coleção de metáforas, mexe com o leitor que tiver se envolvido com a história. Eu pessoalmente me identifiquei com Maria Clara em todos os aspectos e me senti tão resolvida quanto ela ao entender o fechamento da primeira parte desta história — e anseio pela continuação com afinco!
Entendo que provavelmente nem todos enxergarão o mesmo que eu com a leitura de O Garoto do Sonho, e é fácil criticar o mesmo na ausência de detalhamento das cenas e mesmo da relações pessoais dentro da história, mas para um bom entendedor, meia palavra basta, não é mesmo? Acontece que o foco principal não é mergulhar o leitor no enredo, mas na Nova Cultura e trazer seus ideais para a cabeça das pessoas.
E agora, independente de ter gostado do livro como leitora voraz que sou, devo dizer que me identifiquei ainda com essa mesma Nova Cultura. Trazendo esse texto para o meu lado pessoal, comento que sempre tive uma ou outra dificuldade com religião. Frequentei a Igreja Católica — até mesmo em alguns grupos de jovens que passaram pelo Movimento Carismático, centros espíritas e até uma ou outra coisa esotérica. Em todos esses lugares, me fascinei pela crença e pelos deuses ou divindades em questão, bem como os ideais defendidos e as histórias contadas e repassadas. Porém, meu questionamento dentro de cada um sempre foi o mesmo: mas e o amor entre as pessoas aqui dentro? O amor não a uma ou mais divindades superiores, mas aos que estão bem ao nosso lado? Ele não é importante?
E vi isso ser dito na Nova Cultura que Erick Mafra me apresentou nesse livro, e pelo menos eu acredito que me descobri junto com Maria Clara com a leitura de O Garoto do Sonho. #SomosTodosMariaClara
Erick, não acho que algum dia vá ler isso, mas eu te agradeço muito!
Eu escolho viver a Nova Cultura!