"Tu serás a erva maravilhosa da terra guarani; de tuas folhas, sairá saúde, alegria e fôrça para tôda a gente da tribo."
— Do mito Guarani de origem da erva-mate, in "A erva do diabo", por Egon Schaden (1948)
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"Tu serás a erva maravilhosa da terra guarani; de tuas folhas, sairá saúde, alegria e fôrça para tôda a gente da tribo."
— Do mito Guarani de origem da erva-mate, in "A erva do diabo", por Egon Schaden (1948)
Evento no Pavilhão Brasil da EXPO 2025 Osaka celebra parceria entre o Estado do Rio Grande do Sul e a província de Shiga
Osaka, 22 de setembro de 2025, APEX – No dia 26 de setembro, o Pavilhão Brasil organizado pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), vai sediar evento para celebrar os 45 anos da parceria entre o Estado do Rio Grande do Sul e a província de Shiga. Para isso, haverá exposição de vídeo e de painéis apresentando a história da relações entre esses dois…
A @leaoinfusoes amplia sua tradicional linha Matte com o lançamento do Matte Guaraná, que combina erva-mate tostada com guaraná em sachês prontos para infusão quente ou gelada. Uma homenagem à biodiversidade brasileira com sabor e energia.
Mudanças climáticas ameaçam a produção de erva-mate na América do Sul
A erva-mate, reconhecida como um dos principais símbolos alimentares da região do Cone Sul da América do Sul, tem suas raízes em tradições ancestrais, remanescendo entre os povos nativos, como os Guarani. Sua popularidade se estende amplamente pelo sul e centro do Brasil, além de países vizinhos como Argentina, Uruguai e Paraguai. O Brasil, por sua vez, destaca-se como o maior produtor mundial da planta, com uma impressionante produção de quase 750 mil toneladas em 2023, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).(...)
Leia a noticia completa no link abaixo:
https://www.inspirednews.com.br/mudancas-climaticas-ameacam-a-producao-de-ervamate-na-america-do-sul
Governo estadunidense também abriu seu mercado ao feno e à flor seca de cravo-da-índia procedente do Brasil, igualmente sem certificação sanitária
Governo estadunidense também abriu seu mercado ao feno e à flor seca de cravo-da-índia procedente do Brasil, igualmente sem certificação sanitária O Brasil já pode exportar feno, erva-mate e flor seca de cravo-da-índia para os Estados Unidos sem a exigência de certificação sanitária, informa o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Nesta semana, os EUA comunicaram ao Mapa que haviam…
Indústria da erva-mate celebra o Dia do Chimarrão
Sindimate-RS apoia campanha nas escolas para valorizar a qualidade nutricional da bebida e incentivar os consumidores do futuro
Um hábito que começou com as tribos indígenas lá no século XVI, o chimarrão, é o hoje um dos mais importantes símbolos da cultura gaúcha. A tradição virou Lei, e em 2003, foi instituído o 24 de abril como o Dia do Chimarrão e a “bebida símbolo” do estado do Rio Grande do Sul. Mas a paixão pelo mate não tem fronteiras e está presente no cotidiano de milhares de pessoas no Sul das Américas e no…
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São 10h30 da manhã nas calmas e amplas ruas do bairro de La Paternal, em Buenos Aires, na Argentina – uma região de pequenos edifícios residenciais, armazéns e estúdios de arte.Marcela Coll escala e gira sobre um tecido acrobático preto suspenso no beiral da sua escola de circo, chamada Circódromo. Ela desliza graciosamente até cair sobre o tapete e se dirige à garrafa térmica com água quente e ao recipiente cheio de folhas secas de erva-mate.Coll despeja água sobre as folhas e toma o líquido verde-claro quente resultante pela bomba de metal. E despeja mais água sobre as mesmas folhas em seguida.Com a garrafa térmica embaixo do braço e a cuia na mão, ela observa uma aluna ser puxada para cima pelo tecido.Consumido principalmente na Argentina, Uruguai, Paraguai e no sul do Brasil (sem falar na Síria e no Líbano), o tradicional mate ou chimarrão é um chá quente, amargo e cheio de cafeína, preparado com a imersão das folhas secas de erva-mate.As folhas são colocadas em uma cuia – o recipiente em forma de copo, também chamado de "mate" em espanhol. A cuia pode ser feita de uma série de materiais. A tradicional é de cabaça ou porongo seco, mas existem cuias de madeira, metal, vidro recoberto de couro e de silicone.A água quente (idealmente a 75 °C, para não queimar as folhas) de uma chaleira ou garrafa térmica é despejada sobre as folhas. O chá resultante é sorvido pela bomba de metal por várias vezes, até surgir um ruído característico, indicando que o líquido dentro da cuia acabou. É hora de despejar mais água e passar a cuia para outra pessoa.Há pessoas que acrescentam cascas de limão ou laranja, hortelã ou verbena ao chimarrão. Outras fazem uso de ingredientes mais controversos, como açúcar, mel, pó de café e até uísque.Embaixadores do chimarrãoAs últimas décadas trouxeram a expansão do consumo da erva-mate fora da América do Sul.Karla Johan é sommelier de mate na província argentina de Misiones. Ela atribui o fenômeno, em parte, aos jogadores de futebol argentinos e uruguaios, que levaram o hábito de tomar chimarrão para a Europa, quando se mudaram para os clubes locais.Pode-se até dizer que o chimarrão é a "bebida dos campeões". Na sua viagem até o Catar para disputar – e vencer – a Copa do Mundo de 2022, a seleção argentina levou consigo 240 kg de erva-mate."Agora, com Messi morando em Miami , ele se tornou um grande embaixador da erva-mate, como uma vitrine viva do consumo de chimarrão", segundo Johan. Detalhe: Messi consome erva-mate do Uruguai e não da Argentina.Recentemente, a plataforma de mensagens WhatsApp introduziu o emoji de chimarrão, indicando o aumento da popularidade da erva-mate entre as pessoas que buscam manter estilo de vida mais saudável na era pós-pandemia.A erva-mate, segundo Johan, contém níveis mais altos de antioxidantes do que o chá verde e o vinho tinto, uma poderosa combinação de vitaminas (A, B, B1, B2 e C), 15 aminoácidos e diversos sais minerais (ferro, magnésio e potássio) provenientes do solo argiloso onde a planta é cultivada.Estas qualidades talvez expliquem por que o chimarrão é um remédio comum contra a ressaca na Argentina e no Rio Grande do Sul, onde o chimarrão é onipresente – um fiel companheiro para as grandes e pequenas tarefas do dia a dia.Mas, ao contrário do chá e do café, o chimarrão não costuma ser consumido em cafeterias. Ele está presente em casa, no trabalho, nos parques, no transporte público, na sala de aula e na academia de ginástica."Eu me lembro de tomar grandes decisões tomando chimarrão, como o Circódromo", conta Coll."O mate sempre faz parte dos momentos mais criativos da minha vida. E, quando acordo de manhã, a primeira coisa que digo é matecito, matecito... Mas o mate não serve apenas para acordar; é também algo mais social, para compartilhar", explica ela.Tradição dos guaranisA tradicional roda de chimarrão, com a cuia passando de mão em mão, e o consumo da erva-mate em geral têm origem entre os povos indígenas guaranis. O grupo existe há pelo menos cerca de 1,5 mil anos e vive até hoje no território que forma o sul do Brasil, o norte da Argentina e o Paraguai.Os guaranis acreditavam nos poderes espirituais da erva-mate. Para eles, "compartilhar o mate era uma forma de unificar os seus espíritos", afirma Diego Morlachetti, mestre do chá e um dos diretores da Escola de Chá da Universidade Aberta Interamericana, na Argentina.Para os guaranis, a erva-mate também era uma rica fonte de diversos nutrientes e servia como supressor do apetite. Estas duas propriedades os ajudavam a sobreviver por longas caminhadas.Os indígenas usavam a erva-mate para tingir tecidos, tratar problemas do fígado e até como parte dos seus rituais religiosos, purgando-se para purificar o seu espírito. Na verdade, foi esse ritual de purga que chamou a atenção dos missionários jesuítas que chegaram da Europa em meados dos anos 1500."Os jesuítas inicialmente proibiram o consumo da erva-mate, quando observaram que o povo guarani, às vezes, exagerava no consumo e vomitava", explica Johan."Mas, depois, os jesuítas perceberam que poderiam comercializar a erva-mate. Por isso, eles formaram plantações e vendiam erva-mate nos dois lados do Rio da Prata , para a Bolívia, o Peru e o sul do Chile."A busca pela erva-mate sustentávelA produtora de erva-mate Marina Parra mantém uma fazenda orgânica em Misiones, no nordeste da Argentina. Ela afirma que "o mate faz parte da nossa identidade ancestral, mas, infelizmente, o uso de herbicidas e fertilizantes nas plantações se espalhou de forma alarmante. O solo sofreu erosão e ficou empobrecido."Parra faz parte de um grupo número cada vez maior de produtores que promovem a gestão sustentável da produção de erva-mate, para gerar plantas mais resistentes às mudanças climáticas. Eles adotaram mudanças como a incorporação de árvores nativas para fornecer sombra, insetos polinizadores, safras de cobertura, composto e esterco.Atualmente, cada país apreciador de chimarrão tem a sua própria combinação preferida da erva.Na Argentina, as folhas de erva-mate são envelhecidas naturalmente por até dois anos e contêm pequenos galhos da planta. Já o Uruguai combina folhas envelhecidas com outras em pó, com a mínima quantidade de galhos. Esta mistura é conhecida pela longa duração do seu sabor.A erva-mate brasileira pode ser imediatamente reconhecida pela sua coloração verde-neon e sua aparência de pó, já que as folhas não passam pelo envelhecimento e são moídas finas. Este processo resulta em um sabor suave e levemente adocicado.E o Paraguai, com seu clima tropical úmido, é mais convidativo para o consumo da erva-mate com água fria – o chamado tereré. Por isso, a erva-mate do país inclui a adição de frutas e ervas secas. A combinação mais famosa inclui boldo e hortelã.Embora os consumidores mais experientes sejam fiéis à forma mais tradicional de chá quente, diversas marcas argentinas encontraram outros usos para a planta, como o gim artesanal com infusão de mate (Apóstoles e Kalmar), a cerveja artesanal (Laska), kombucha sabor mate (Aloja) e erva-mate em pó para uso em massas e até em cremes de beleza.E é claro que três dos pratos mais populares da Argentina também receberam o toque da erva-mate: o sorvete da Helados Garavano, na província de Corrientes, os tradicionais alfajores e a pizza com cobertura de mussarela sabor erva-mate, invenção da pizzaria Dolce Vita na cidade de Apóstoles, em Misiones.Nas últimas décadas, marcas como a norte-americana Guayakí e a alemã Club-Mate passaram a oferecer erva-mate na forma de refrigerante ou energético saudável com sabor de frutas, em latas e garrafas. Agora, diversas marcas argentinas, como Yará (do produtor de erva-mate Origen) e Yací, vendem localmente esta releitura do chimarrão.Só o tempo irá dizer se essas novas tendências terão sucesso nos países onde o chimarrão é uma tradição nacional ou regional.Diego Morlachetti acredita que a versão do mate pronto para beber pode funcionar para o mercado norte-americano, mas, "na Argentina, o mate sempre foi questão de ritual"."O chimarrão não é algo prático. Você precisa da cuia, da bomba, das folhas de erva-mate e da garrafa térmica com água quente. Mas esta é a sua beleza."Para Morlachetti, o chimarrão "é feito para compartilhar".
Um dos símbolos da identidade gaúcha, a erva-mate tornou-se o primeiro patrimônio cultural imaterial do Rio Grande do Sul. A oficialização ocorreu em uma cerimônia realizada nesta terça-feira (13/6), no Galpão Crioulo do Palácio Piratini, com a assinatura do termo de registro em que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae) reconhece o valor histórico-cultural do Sistema Cultural e Socioambiental da Erva-Mate Tradicional, envolvendo o seu cultivo e comercialização. Trata-se do primeiro registro desta natureza no Estado.A solenidade contou com a presença do governador Eduardo Leite, da secretária da Cultura, Beatriz Araujo, do diretor do Departamento de Memória e Patrimônio da Secretaria da Cultura (Sedac), Eduardo Hahn, e do diretor do Iphae, Renato Savoldi. Também participaram representantes da etnia Mbya Guarani, de comunidades quilombolas e da agricultura familiar, grupos que fazem parte das referências culturais e produtivas relacionadas à erva-mate.O governador comentou sobre a identificação dos gaúchos a partir do hábito do chimarrão, que tem a erva-mate como ingrediente, e sobre a importância da preservação e proteção deste símbolo. “Com esse registro, reconhecemos e protegemos algo que já faz parte da identidade do nosso povo. O chimarrão é nossa bebida típica, que popularizou a erva-mate, e o companheiro do dia a dia do gaúcho em um ritual que une famílias e amigos”, observou. “Quando estamos fora do Estado, identificamos claramente outros gaúchos a partir deste hábito.”O Rio Grande do Sul é o maior produtor de folha verde de erva-mate no país e o maior exportador nacional do produto. A planta, que já foi reconhecida como árvore-símbolo do Estado, é cultivada em mais de 32 mil hectares, principalmente por pequenos produtores rurais.Leite destacou a relevância econômica da erva-mate e os efeitos do seu registro como patrimônio cultural imaterial. “Tudo o que se faz para valorizar e defender um patrimônio imaterial como esse agrega valor não apenas à produção, mas também ao que circunda essa cadeia produtiva. As propriedades e localidades que mais se conectam ao sistema de cultivo tradicional da erva-mate, por exemplo, geram possibilidade de exploração turística porque é algo que desperta o interesse das pessoas. Então, além da valorização de uma identidade cultural e dos povos originários envolvidos no processo, existe também uma repercussão econômica positiva que toca na vida das pessoas”, afirmou. O processo para fazer da erva-mate um patrimônio imaterial começou em 2022, quando o Iphae apresentou um parecer técnico balizando o pedido de registro. Esse texto foi apreciado pela Câmara Temática do Patrimônio Cultural Imaterial (CTPCI) e aprovado por unanimidade em abril deste ano. O processo de instrução e indicação para registro continha mais de 700 páginas de pesquisas sobre o tema.A secretária Beatriz destacou o momento inédito na cultura gaúcha e relembrou o trabalho de conservação do patrimônio do Rio Grande do Sul desenvolvido pela Sedac. “Desde 2019, em conjunto com as mais de 20 instituições vinculadas à Secretaria da Cultura, temos trabalhado para que a imensa riqueza e a diversidade do patrimônio cultural coletivo sejam protegidas, reconhecidas e apropriadas por todos os cidadãos. É um compromisso que assumimos com a gestão dos bens culturais, materiais e imateriais, que pertencem aos gaúchos e às gaúchas”, afirmou.Beatriz reforçou o respeito e envolvimento dos grupos envolvidos no cultivo da erva-mate e disse que a valorização do patrimônio imaterial é também uma estratégia de desenvolvimento das cidades.O coral indígena Teko Guarani, da etnia Mbya Guarani, se apresentou na cerimônia - Foto: Maurício Tonetto/SecomDurante o evento, o governador foi presenteado com um pacote de erva-mate produzida artesanalmente no carijo, uma estrutura tradicional utilizada pelos indígenas. O presente foi entregue pelo cacique Eduardo Timóteo, da aldeia indígena Água Grande Guarani Mbya, do município de Camaquã. A celebração também contou com a apresentação do coral indígena Teko Guarani, da etnia Mbya Guarani.Bem imaterialQuando um bem se torna patrimônio cultural significa que ele tem relevância artística, histórica e social para ser perpetuado. No caso de bens materiais, como conjuntos arquitetônicos, jardins e obras de arte, ocorre o tombamento. Quando se trata de bens de natureza imaterial, tem-se o registro.Segundo Savoldi, o conceito de bem imaterial é mais abrangente: “São manifestações culturais que possuem representatividade para um grupo social. Pode ser um dialeto, um idioma, uma atividade culinária, uma festa popular, um rito religioso, um saber ou modo de fazer. São vários elementos culturais que não necessariamente precisam de uma materialidade, mas fazem referência à identidade, à ação e à memória de grupos sociais e étnicos”.