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Anglicismo
(Cartoon revisitado. Maio de 2019)
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Estrangeirismo 2
Estrangeirismo
Sou uma bonita sucessão de fracassos e já não me importo com isso.
(via coca-toddy)
Palavras estrangeiras inventadas em português
Parece incrível, mas no Brasil se inventam palavras... estrangeiras! Isso mesmo, não só enriquecemos constantemente o acervo léxico do português - e fazemos isso bem mais do que Portugal - graças às nossas gírias e às nossas mazelas (fumódromo, valerioduto, mensalão, bolsa-estupro, brasiguaio são só alguns exemplos), como também empregamos termos estrangeiros com significado insuspeitado pelos legítimos criadores dessas palavras. Na França, por exemplo, "bombonnière" é uma caixinha, geralmente de prata ou outro metal nobre, para guardar bombons; no Brasil, virou loja de doces. O cartaz publicitário de rua que conhecemos por "outdoor" em inglês se chama "billboard". E "game", que no Brasil é redução de "videogame" (isto é, videojogo), nos países de língua inglesa é qualquer jogo - futebol inclusive. Alguns vocábulos têm história mais complexa. "Handicap", que em inglês quer dizer "desvantagem, deficiência" ("handicapped", por sinal, é "deficiente físico"), aqui no Brasil assumiu o sentido de vantagem, diferencial positivo. É que havia originalmente na Inglaterra um jogo de cartas chamado "hand in cap" (mão no gorro) em que se costumava esconder a mão dentro de um gorro ou boné para ocultar as cartas, especialmente se não se tinha uma combinação muito vantajosa (é o famoso blefe). A partir daí, passou-se a usar o termo "handicap" para designar competições em que alguns concorrentes, por serem mais fracos que os demais, começavam a prova já em vantagem. Portanto, vem daí a confusão entre o sentido original de "deficiência" e o de "vantagem". Só que, nos países de língua inglesa, "handicap" é sempre deficiência, nunca vantagem. (Uma curiosidade: a própria palavra "vantagem", do francês "avantage", deriva de "avant", isto é, sair em vantagem era dar a largada numa corrida já à frente dos demais.) Outro termo bastante usado hoje em dia para denominar diferenciais positivos é "plus" ("Fazer esse curso pode dar um 'plus' na sua carreira"), de onde saiu o horrível pleonasmo "um 'plus' a mais". O universo da moda também é pródigo em palavras estrangeiras que ganharam novo significado entre nós. Exemplo disso é o termo "fashion" usado como adjetivo para designar o que está na moda ("Este batom é 'fashion'", "Comprei uma blusa super 'fashion'"), quando em inglês, na mesma situação, se diz que algo é "in" (redução de "in fashion", "na moda"). Outra expressão típica da moda é "dar um up", isto é, elevar a autoestima por meio de uma roupa ou maquiagem "fashion". Não há em inglês nada parecido com "give an up". No Brasil, "wafer" é tanto o biscoito doce de massa fina, em geral recheado de creme, quanto aquele em forma de favo, que se come com doce de leite ou mel, e que muitos chamam de favo holandês, embora se origine da Bélgica. Só que, em inglês, o primeiro é realmente "wafer", enquanto o segundo na verdade se chama "waffle". Quem chamar "waffle" de "wafer" no exterior cometerá uma gafe. Porém, o mais chocante são palavras estrangeiras usadas correntemente no Brasil e que efetivamente não existem em outras línguas - nem na suposta língua original. É o caso do nosso amado chope, que os bares em sua maioria ainda grafam "chopp" para ser mais fiéis às raízes germânicas da bebida. O problema é que essa palavra não existe em alemão. O que há é "Schoppen", que significa "copo pequeno". Ou seja, o nome do tipo de copo que se usa para beber cerveja tirada do barril (em alemão, "Fassbier" ou "Schoppenbier") virou no Brasil o próprio nome da bebida - e com uma tremenda deformação gráfica!
Autor: Aldo Bizzocchi Fonte: Revista Língua Portuguesa
Lei contra os estrangeirismos (The Upgrade)
O Projeto de Lei 1676, de 1999, de autoria do deputado Aldo Rebelo, que dispõe sobre a promoção, a proteção, a defesa e o uso da língua portuguesa, objetiva combater o uso excessivo de expressões em língua estrangeira, os chamados estrangeirismos, que, segundo Aldo, dificultam a comunicação do povo brasileiro. Dessa maneira, Com a aprovação da lei, todos os documentos oficiais do Brasil deverão ser escritos em português. E toda comunicação dirigida ao público, caso utilize palavras em outra língua, terá tradução para o português. A regra vale para peças publicitárias, relações comerciais, meios de comunicação de massa e informações afixadas em estabelecimentos comerciais. Eu como defensor de nossa "flor do Lácio" também quero meter minha colher suja de açaí e manifestar minha preocupação com a atual situação.
Não é novidade o receio de que a língua portuguesa seja engolida por algum outro idioma estrangeiro, houve uma época em que o"très chic" era falar francês. E, apesar de todas as precauções dos especialistas, a influência foi inevitável e tão natural que acabamos por adotar e "aportuguesar" algumas palavras que já foram consideradas barbarismos, como garçom, abajur, dossiê, turnê, entre outras. Hoje, devido ao domínio tecnológico, político, econômico e cultural dos Estados Unidos, a grande ameaça é o inglês. É comum e saudável que uma língua se alimente de outras. Já pensou como seria traduzir para o português palavras comosamba, pandeiro, agogô, tucupi, maniçoba, surf, futebol, karatê?
O caso aqui, a meu ver, é uma questão de auto-estima. O brasileiro é levado a acreditar (como diria o Edmar, vocalista do Mosaico de Ravena, na música Belém-Pará-Brasil) que "o que é bom vem lá de fora". Isso se reflete, por exemplo, em nomes próprios (que estão se tornando cada vez mais comuns) como: Maik Liann, Istive Onder, Jonatan Katerson, Maicosuel, Rarley Deivis, Quetlen, Thuanny, Sheristone, Stefanny, Argh! No campo imobiliário Belém tem sido agraciada com vários empreendimentos cujos nomes beiram a macaquice. É um tal de, Residence, Towers, Ville, Office, River, Plaza, Maison, Village, Top, Center para todos os (duvidosos) gostos. Cada com um um "plus". Play-Ground, Lounge Bar, coffee-shop, Fitness Center e por aí vai... Quando o assunto é propaganda e publicidade, então, sai de perto...
É louvável querer defender nossa língua. Eu também quero, mas o sujeito que coloca no próprio filho o nome de Maicosuel Arlinson, vai ligar para uma lei dessas? Quem vai determinar o que é uso abusivo? Com que critérios?
A língua é, de certa forma, um espelho da alma do indivíduo, através do falar é possível saber em certos casos, de que região do país a pessoa é, de que classe social, nível de escolarização, faixa etária, sexo e muitas outras informações facilmente identificáveis em uma simples conversa. Não tem como mudar isso por decreto, apesar de não gostar dos exemplos que citei acima, eles são apenas um sintoma desse mal, não a causa. não me parece sensato querer tratar um sintoma sem cuidar da causa principal do mal, que é, a meu modo de ver, a baixa estima do brasileiro. O que nós precisamos urgentemente é melhorar a autoestima do brasileiro através da educação, distribuir livros nas escolas, incentivar a leitura, criar formas de propagação da literatura brasileira, valorizar nossos escritores, nossa cultura, promover debates, feiras, baratear o custo dos livros, subsidiar, criar à exemplo de outros programas, um que garanta a leitura de pelo menos um livro por mês aos brasileiros. Isto sim mereceria o meu total apoio.
Uma informação: mais de 200 línguas, além do português, são faladas no Brasil: cerca de 190 línguas indígenas e 20 línguas de comunidades descendentes de imigrantes
By Jonathan Mota 01/2013