Ela me abraçou. E o meu coração me traiu. Eu me senti envergonhada, porque fiquei na dúvida se ela conseguia sentir os batimentos do meu coração contra o seu corpo, a querer falar por mim…
Jessy.

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Ela me abraçou. E o meu coração me traiu. Eu me senti envergonhada, porque fiquei na dúvida se ela conseguia sentir os batimentos do meu coração contra o seu corpo, a querer falar por mim…
Jessy.
Você não estava aqui, quando mais eu precisei de você. Mas, quando você voltar, porque vai, você vai querer o meu melhor lado. Injusto, não é!?
Jessy.
Aprenda, pessoas não são descartáveis como meros objetos. Likes não significam nada, quando você demonstra desinteresse. E a minha versão em silêncio, é que você deveria se preocupar. Porque eu não vou falar, não vou mais correr atrás de alguém que sempre correu de mim…
Jessy.
Você me abraçou. E se agarrou as minhas costas como se a sua vida dependesse daquilo. E eu suspirei, e para a minha surpresa, me rendi. E ficamos por uns longos minutos abraçadas, na nossa bolha particular... E eu te disse que aquilo não precisava de ser um adeus. E eu irei cumprir, porque o amor puro e genuíno vale muito mais do que um ato sexual.
Jessy.
Por favor. Eu imploro. Eu te amo. Eu ainda te amo. Será que, o eu e você, só existirá na próxima vida!?
Jessy .
Status: eu não posso gostar dela… Eu não posso me apaixonar por ela… Mas por que ela joga a gasolina e espera que eu risque o fósforo sendo que ela também não pode?
Jessy.
Fomos adolescentes estúpidos. Um final de tarde e uma estátua da biblioteca quebrada. Foi bem assim que aquele rapaz de olhos verdes e cabelos de caracóis, conseguiu chamar a minha atenção. Eu sempre tive um certo magnetismo por pessoas problemáticas, porque eu gostava de ajudar e cuidar, e de tentar concertar os problemas dos outros, mesmo que isso acarretasse problemas para mim mesma. Estudávamos na mesma sala de universidade, e sabia que ele gostava de uma amiga a qual tínhamos em comum. E foi no meio de toda aquela confusão, que ele me pediu ajuda. Os pólos opostos estavam se atraindo. E eu o ajudei com suas notas baixas. E quanto mais o tempo passava, mais nós nos aproximávamos. Conversas noite à fora, madrugada à dentro, repletas de confissões e vulnerabilidades. Manhãs na faculdade, sentada à sua frente enquanto ele acariciava os meus cabelos. Sábados à tarde, depois da universidade, fazendo racha com nossos amigos no banco de trás de nossos carros ,e o som do paredão do seu carro ecoando pela cidade tocando sertanejo universitário, enquanto o meu Pioneer tocava emocore. E seu cheiro a menta… Ele exalava a menta até quando confessou que estava apaixonado por nós as duas. Mas, eu facilitaria a sua escolha. Eu não queria ser a dúvida de alguém, e se ele estava em dúvida, eu não queria ser uma opção. E eu me afastei. E eles ficaram finalmente juntos. Até o dia o qual o ele foi parar completamente bêbado na portaria do meu condomínio. E eu fui lá colocá-lo para dentro mesmo sob olhares acusatórios. Mesmo assim, Cuidei dele até ele estar sóbrio novamente para mandá-lo para casa em meio ao beijo que ele me deu, num segredo que não precisava ser revelado, num adeus mudo, num “eu te amo” o qual nunca ousei falar para não atrapalhar a sua paixão. Tem pessoas que mesmo as amando, temos de deixá-las partir para não nos partir ainda mais. E apesar, de não ter sido duradouro o relacionamento deles, ele o precisava viver. É… Fomos adolescentes estúpidos.
Jessy.
Alea Jacta est
Um baile de máscaras venezianas. Se calhar, é o que todos nós usamos, máscaras, mas agora estamos realmente vestidos a caráter. Um grande salão, com candelabros à velas. Um piano de cauda ditava o ritmo da música. Eu conversava com uma pessoa ou outra, mas ao invés de conversas triviais para se relacionar, pareciam mais conversas repletas de perguntas a respeito de seu currículo como numa entrevista de emprego. E eu já me sentia entediada. Já ia a caminho da saída, quando avistei uma mulher com máscara veneziana de lobo a dançar só, como uma dança apenas para o líder da matilha. Em um de seus movimentos e o meu encaminhamento à porta, sem querer nos esbarramos.
-peço desculpas. - foi o que eu disse
Ela apenas olhou-me. Aqueles olhos frios, aquele sorriso cafajeste. Ela não me era nenhum pouco estranha. “Não podia ser. É coisa da sua cabeça. Foram as taças de champanhe.” Foi o que disse a mim mesma. E Sai apressada porta a fora. À espera do manobrista com o meu carro. Alguns poucos quilômetros mais tarde. Ouço um barulho vindo do lado de fora. Saio do carro e me deparo com os quatro pneus furados. “Como pode?” Novamente, pensei comigo mesma. Já era madrugada, e eu estava sozinha na estrada, e para piorar, sem sinal telefônico .
-Vamos, eu levo-te. -aquela voz rouca…
Aquela mulher ainda não havia retirado a sua máscara. Pressentia que aceitar entrar no automóvel daquela pessoa que achava que me enganava com sua máscara era bem mais perigoso que continuar exatamente onde estava.
-E o meu carro?
-não deveria estar mais preocupada com o carro do que com você.
E eu sabia do porquê de sua fala. Ao nos aproximarmos de um posto de gasolina, disse que queria entrar na conveniência porque apenas tinha ingerido bebida alcoólica e estava com fome. Olhando-me desconfiada, disse que esperasse no carro e que iria trazer algo pra comer. Saiu e trancou as portas. Quando a avistei lá dentro, abri o porta-luvas, e para minha surpresa, encontrei uma arma. Ouvi o som de destrancar das portas, era ela.
-não era pra você descobrir assim…
Pneus furados, portas trancadas, arma… Depois de oito anos, tudo se resumiu à isso?
Pegou a arma de minha mão , e pisou fundo no acelerador. Parou, num sítio que me remetia à uma floresta quase na fronteira da cidade.
-Vamos jogar um jogo. Roleta russa. Só que ao contrário do jogo original, colocarei cinco cartuchos num revólver de seis disparos, portanto tens uma única chance. Ela me mostrou os projéteis sendo colocados um a um, girou e fechou. Agora, corra!
-estou usando saltos altos… -disse sarcasticamente.
-Corra! Treinei muito tiro ao alvo para esse momento.
-odeio te desapontar, mas não vou brincar de presa e predador
Segurei o cano do revólver que já estava apontado para mim, e coloquei no meu coração , afundando aquela parte do vestido.
-não duvide que eu atire!
-você já me matou por dentro, é só um coração…
A morte já estava bem próxima, mas ao invés de fechar os olhos, encarava decepcionada aqueles olhos amendoados repletos de frieza por de trás daquela máscara a qual ela estava a se sentir um verdadeiro lobo selvagem . Meu coração batia descompassado, e minhas mãos suavam. Apesar de sentir um bocadinho de nada o cano a tremer em meu coração, sabia o que me esperava. Ela se deu ao trabalho de me rodear toda a noite para chegarmos aqui, e não exitaria agora que tinha conseguido.
O seu dedo já estava no gatilho. Os olhos do meu algoz eram os olhos de quem tanto amei. O começo e o fim, eram com a mesma pessoa. Uma lágrima escorreu por sobre a minha face.
Inclinei me à ela. E mais um bocadinho, e um bocadinho a mais.
-sem mais um movimento sequer!
Não parei, até meus lábios selarem aqueles lábios de batom vermelho. Sabia que aquele seria o ápice para o que tinha vindo fazer. Seria essa a minha própria tragédia Shakespeariana . E o gatilho foi apertado. 1 chance de 5, minhas probabilidades eram praticamente nulas. Seus olhos amendoados estavam arregalados, Não senti o cheiro de pólvora, meu corpo não fora arremessado, não havia sangue em meu vestido. Ou a sorte estava comigo, ou eu não possuía mesmo mais um coração. Abri a porta do carro, e pousei a minha máscara de anjo por sobre o meu banco do passageiro como uma pequena lembrança.
-Lúcifer , só se for! -disse, num misto de emoções ruins.
E me distanciei cautelosamente com meus saltos altos agulhas, sem sequer olhar para trás.
Jessy