Eu com dezesseis anos conheci o amor da minha vida, em uma festa, de uma forma meio arranjada, mas o decorrer da história saiu do nosso controle. Fazia três meses que havia perdido o homem mais importante da minha vida, e esse amor me conquistou aos poucos, me encantou com sua história de superação, se tornou minha âncora para me manter firme diante de uma depressão profunda. Era assim que eu via ele, eu ajudava a mãe dele a cozinhar, e enquanto ele tomava banho, arrumava seu quarto, dobrava suas roupas, sentada na cama enquanto dobrava, pensava como seria quando nós nos tornariamos um casal perante a Deus. Mas eu guardava isso de baixo de sete chaves, eu tinha medo, medo dele achar tudo isso bobo, hoje, penso que deveria ter falado, dito e gritado que faria tudo por ele. Nosso namoro não foi fácil, não foi conto de fadas, foi real, tinha brigas dignas de programas da tarde, tinha hora que nem sabíamos o porque estávamos brigando, eu não queria brigar, minha reação protetora foi esconder verdades e fatos, não queria desgastar um amor. Ao meu interlocutor que se pergunta como existe minha certeza sobre ser o amor real, lhe digo, já fazem dois anos, e não há um dia, que eu não pense que tudo poderia ser diferente. A depressão me arrastou para o fundo do poço, e ele da sua maneira marrenta tentava me salvar, mal sabia ele, que era o suco de acerola que ele fazia era o que me confortava. Eu me entreguei a doença, não era mais mulher, não acreditava mais em nada, apenas em nós, mas eu não tinha paciência para brigas, eu não tinha condições de permanecer ali, foi então que de namorada me tornei um fardo, aos 20 anos você quer beber, aproveitar, não cuidar de alguém doente, hoje eu entendo ele. Hoje vejo que foi necessário eu estar no fundo do poço para aprender a me levantar, quando ele terminou comigo tentei me fazer de forte, mas era difícil lidar com outro abandono, era difícil toda a confiança que eu tinha no meu pai, era no olhar dele que eu depositei, éramos tão diferentes, e hoje vejo que era a diferença dele que me falta. Tentei suportar, esquecer, usar o método um amor cura o outro, mas sinto te dizer não cura, você fica procurando nessas pessoas qualquer semelhança com seu passado, e quando se dá conta que era só uma projeção boba da sua cabeça, você percebe que nada vale a pena. Ainda choro quando tento entender o porquê eu não consigo me desligar dele, não consigo não me importar, ele já me deu inúmeros motivos para nem olhar na cara dele, mas ainda sonho com o abraço dele. Isso é apego ao passado ? Não sei, talvez seja o desejo de que o passado, seja o presente e o futuro em todas as conjugações verbais. Meu Deus, como eu amo aquele menino, hoje o corte do cabelo mudou , seu estilo também, vejo que ele amadureceu, mas o sorriso é o mesmo, é o mesmo sorriso que me dava esperança de que tudo pode acontecer. Machucada ao saber que ele não estava ao meu lado durante uma cirurgia de risco, sussurrei o nome dele, mesmo com três anestesia no corpo, mesmo sabendo que existe já outra pessoa no meu lugar, meu coração não compreende a razão. Em dois anos separados, conheci diversas pessoas, me relacionei, mas não, não como antes. Tenho em mim, barreiras que não deixo ninguém me atingir como ele me atingia, não consigo deixar ninguém ser o que ele foi pra mim, todas as pessoas que conheço procuro nelas qualquer traço que me lembre ele, e não não adianta, saio na rua, com esperança de ver ele, apenas ver ele sorrir. Mesmo que não seja pra mim. Conversando com a minha mãe, ela disse que nem sempre o amor da nossa vida, é nosso destino, e aí pergunto, mãe está sempre certa? Pergunto já sabendo a resposta, mas com o fio de esperança que um dia o final dessa história vai acontecer, vai ter um dia em que os erros do passado vão ficar somente no passado, e que as nossas palhaçadas irão recompensar o tempo perdido. Um dia talvez, ele me enxergue com outros olhos, e todas essas lágrimas virem sorrisos. A saudade aperta.