Gaspar me tens nas mãos Contempla as feridas em minha carne O quão fundas são? Quantas línguas cabe neste espaço? E tudo que fora peso, voltara E tudo que fora tormenta, figurara E tudo que fora soterrado, revolta-se Fomentando a construção de meu próprio carrasco Eu usei sua ira, por mim mesmo Eu fui o amor daqueles dentes amarelados Eu fui o sabor embaixo daquela língua Eu fui a torta mordida que trazia bolhas de sangue Visto teus lábios, digo qualquer ironia Tal qual um amante mal humorado Denso como um dossel de criança A feiura que escondes, está transposta Que a carne de meu falo lhe seja leve Difuso corpo adentro Dilatado e salgado ao paladar E enfim viril as narinas Me diga, o que você vê Além dos títulos e dotes? Sem a pele enrugada O que diria de meu espírito? Vejo tudo se não fragmentado Beleza emperrada, decadência moral Teu compasso de vitral Teu romance de festim Tingi a terra abaixo de seus pés, como punição Com os perfumes de meu pranto Banhei entre os dedos, o leite de rosa E comi da carne morta da ponta de seus dedos
Eu o Mal do Amor Transtornado em Comum, Pierrot Ruivo









