Roçar com a língua o idioma novo e desconhecido
Arrepiar os poros, concatenar na derme pa
Lavra de outros sons, descobrir
Nua
A sintaxe do que inspira, expira
Arfar
A noite quente de lua decifrar o leite
Na boca
Estourar dois hiatos, trazer dois ditongos
Aos mamilos, soprar
Ésses sibilantes, éles lúgubres, esconder verbos em gemidos
Saber que só se domina os vocábulos quando saem naturais as
Interjeições
Ai!
Os dedos treinando ridentes onomatopeias
Ai!
Praticar buracos, elipses, subir, descer acentos
Ai!
O cuidado de tocar a letra com mãos cursivas
Hummmmm...
Errar
A folha em branco, errar andante
Apaixonar-se a ponto de passar as margens
Experimentar a saliva das sílabas
Melífluas
Apagar para escrever de novo
Dizer em voz alta, dizer em voz alta, dizer em voz alta
Gritar
Ouvir
Pensar
(No vernáculo alienígena)
Ter o tempo de uma vasta literatura
Diálogo
Captar o silêncio, o não dito
Domínio:
Passar o idioma a limpo a lambidas.
-- Adriane Garcia
in Flanzine 11