A piece of music that you remember from your childhood
AC/DC - Whole Lotta Rosie
A piece of music that reminds you your hometown
Nikiforos Aerakis - Bebeka Mou
The piece of music you’ve listened to the most
Can’t pick one song. But it would be by AC/DC.
Apollonia is a musician, animator, bartender who lives between Melbourne and Crete. Shes the frontwoman of FRENZEE, a trio with her two brothers who are quite active, touring Australia and Europe multiple times in the past two years who are currently planning the recording of their next album.
Sustainable fashion show Fashion Frenzee closes London Fashion Week
In its second edition, the event attracted some one hundred spectators and fashion enthusiasts as well as guests including Lady Mayoress Florence King, who introduced the show, Mrs Universe 2022 Juanita Brown Ingram, who took to the runway, and master of ceremonies for the evening, actor Ajay Chhabra.
1000mods + Frenzee || Mouco: Headbanging até onde o corpo deixar
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A noite em que os 1000mods provaram a sua mestria na composição de riffs contagiantes e descobrirmos o incrível punk-garagem dos Frenzee!
Nos tempos modernos, quinze dias equivale a década e meia, ou quase. A velocidade com que a vida se desenrola e a quantidade de informação e distrações a que somos sujeitos todos os dias, fazem com que nem sempre prestemos a…
1000mods - Mais uma chapada sónica de luva branca | Reportagem Completa
Giorgos T., guitarrista dos 1000mods | mais fotos clicar aqui
Indirectamente vindos do monte Olimpo, a cidade do Porto acolheu mais uma vez o quarteto psicadélico 1000mods na sala do Outsite Mouco que consigo trouxeram debaixo do braço um novo álbum, muitos clássicos, muito fuzz, muito stoner e ouvidos a tinir.
Mas antes, vamos por partes. E na verdade, só houve duas: a primeira foi levada a cabo dos também helénicos de base Frenzee, nascidos em Melbourne, porém musicalmente cidadãos do mundo, que incorporam desde punk, metal, hardcore e garage no seu som, que apesar de não trazer propriamente nada de novo aos citados géneros, são tudo menos aborrecidos em palco, muito fruto da energia de Apollonia como frontwoman. A restante banda é curiosamente completada pelos seus irmãos Nicos e Adonis, cuja ausência de baixo é colmatada por riffs carregados de distorção e peso, e onde a bateria raramente desiludiu: a única coisa que pareceu algo aquém foi a própria voz de Apollonia, que parecia muitas vezes em esforço, porém também as condições de som não estavam perfeitas. Mas de falta de entrega e devoção ao ofício não se pode, de todo, apontar.
Apollonia, vocalista dos Frenzee | mais fotos clicar aqui
Mas a peregrinação ao Outsite Mouco foi motivada não por um trio mas sim por um quarteto com fortes credenciais ao peito: 1000mods são uma referência para quem aprecia stoner rock, doom e rock psicadélico, já com algumas passagens pelo solo português, o que justifica a sala esgotada. Num pequeno à parte, a sala apesar de esgotada tinha bastante espaço vazio, o que surpreendeu, relembrando que na sua última passagem pelo Hard Club a mobilidade foi bem mais complicada. Um pouco muito positivo.
Mas vamos ao que interessa: com a sua habitual entrada ao som de “Warpigs” dos vovôs-disto-tudo Black Sabbath, o projecto vindo de Chiliomodi (que dá origem ao nome da banda, já que a palavra grega “chili” significa “mil”) subiu a palco pelas 21h40 para uma hora e quarenta minutos de fuzz e distorção.
E o recital começou com o fresco “Overthrown” do último álbum ‘Cheat Death’ lançado ano passado. Um álbum recebido de modo mais reticente por boa parte dos fãs. Tal deve-se ao sentimento que as raízes mais doom e stoner da banda estão imprimidas de forma mais secundária face a outras explorações sonoras, aonde as orbitas do punk e hard rock estão mais vivas. De facto, alguma pujança dissemina-se em boa parte dos temas, mais clean e bem menos sujos no seu arranjo instrumental, quando colocadas ao lado das várias canções prévias que cimentaram a banda no seu lugar de destaque. Essa notória indiferença de algum público fazia-se então sentir quando as canções mais geriátricas da sua discografia se ouviam, como foi claro na mudança de energia na sala com o “Electric Carve”, retirado do terceiro registo de ‘Repeated Exposure to…’, de 2016, com o vai-e-vem das guitarras de Giannis S. e George T. coladas à bateria exemplar de Labros G., a fazer as delícias dos presentes.
Labros G., baterista dos 1000mods | mais fotos clicar aqui
Mas logo no início da atuação que era notório que a voz não estava 100% bem, fosse talvez no aspecto mais técnico da equalização de som, fosse talvez da própria disponibilidade física de Dani G., ou ambos. Porém, pouco importou quando o icónico “Road To Burn” do inaugural ‘Super Van Vacation’ de 2011 incandesceu e começou a hipnotizar os pescoços bamboleantes, trazendo o peso elétrico pegado de fuzz e percussão letárgica que tanto nos faz apreciar estes rapazes. Visitou-se o segundo trabalho ‘Vultures’, de 2014, a puxar ligeiramente o travão emocional, numa toada mais punk-rock adocicado com algumas paragens mais a puxar o psicadélico, porém o travão passou para o de mão quando surgiu ‘Cheat Death’ do álbum homónimo, mas que soa a uma roupagem que parece não servir totalmente as medidas corporais dos 1000mods: mesmo em temas mais amenos como este, há aqui e ali apontamentos de qualidade, só sabem desprovidos de alguma inspiração e encaixe no ADN da banda. ‘Youth Of Dissident’ de 2020 é entoado por via do single “Warped”, num rock mais directo e grungy, para se conectar sonoramente com “Götzen Hammer”, mais heavy metal mas, honestamente, algo genérica, tirando a novidade de ter uma pequena participação de Apollonia que é replicada em palco pela visita de médico da vocalista, e de um final relativamente apoteótico.
Dani G, vocalista dos 1000mods | mais fotos clicar aqui
Já íamos sensivelmente a meio do concerto, por isso já algumas ilações se podiam tirar a meio caminho: se é verdade que já os ouvimos com mais pujança, nomeadamente por parte das vocalizações, a verdade é que o brilhantismo da execução das músicas não ficam em mãos alheias, com o profissionalismo e entrega que uma banda desta envergadura o exige, assim como um público ora sorridente, ora suado dos vários mosh-pits e crowd surfings que iam surgindo. O stoner mais atmosférico do single “So Many Days” de 2020 era a paragem que se seguia, com um interessante pára-arranca rítmico a fazer as delícias do headbang, deslizando depois para “Loose” voltar a trazer para a mesa o desértico e gingão ‘Repeated Exposure to…’, rompendo agradavelmente os tímpanos num crescendo a culminar num final bem explosivo carregado de camadas de efeitos de guitarra dos riffs e solo de Giorgios T., celebrado adequadamente pelos fãs.
1000mods em palco no Outsite Mouco | mais fotos clicar aqui
Regressando aos temas mais frescos, “Astral Odor” provoca algum abanar de ombros mas pouco mais, refrão catchy e tudo muito simples, mas algo básico. Bem no outro lado dos desígnios da sua musa, o irresistível “Low” de ‘Vultures’ volta a hipnotizar os cérebros, seja pelo ridiculamente riff coo do tema, seja pela bateria fumegante como um mustang, numa das entradas mais interessantes de qualquer tema feito pelos helénicos. É sobretudo no sangue destas músicas onde, na minha opinião, um concerto de 1000mods vale o preço de admissão.
Num regresso a algo mais perto do presente, “The One Who Keeps Me Down” faz lembrar algo mais perto duns Misfits mas sem grande corpo ou intensidade: lá está, não é que sejam propriamente maus temas, claramente intencionais num afastamento a outros mundos sonoros já mastigados e isso tem sempre o seu valor, mas também os seus riscos, e pelo menos no meu tribunal completamente subjectivo, o sumo não sabe é degustado com a mesma polpa. Porém, por muita alquimia que se faça no novo trabalho, o stoner rock reaparece em “Speedhead”, com um cheiro inegável a Motörhead e isso é mais do que motivo para abanar o esqueleto.
A chicotada cinética seria dada pela mão de “Above 179”, que parece um compromisso do som da banda mais stoner e doom com o panteão de bandas de Seattle dos anos 1990 como Nirvana ou Soundgarden, de mão dada com outro tema de ‘Repeated Exposure To…’, “Into The Spell”, que logo nos primeiros acordes enfeitiçou os ânimos mais sedentos e que serve como um dos melhores cartões-de-visita à qualidade e som refinado que 1000mods consegue e pode produzir, e onde particularmente o vocalista e baixista Dani G. brilha mais no seu instrumento, mas onde a bateria e o diálogo de guitarras serpenteiam o ar, numa dança sonora bem envolvente. Um dos momentos altos da noite, na minha modesta opinião.
Dani G, vocalista dos 1000mods | mais fotos clicar aqui
Já íamos às 23h06 quando a banda se ausenta para o antecipado encore, voltando para mais duas músicas: “El Rollito” e “Vidage”, do primordial ‘Super Van Vacation’. Se o primeiro é stoner rock no seu estilo mais tradicional, discípulo de uns Kyuss, “Vidage” convida além do tombar de cabeça um abanão de anca bem sassy, e aquele riff… Bom. É um daqueles que não nascem todos os dias, bem segurado seja pela guitarra rítmica, seja pela bateria ou pelo baixo que funciona como um pêndulo.
Em final de totalmente em sintonia com os presentes, assim como entre os membros, é xeque-mate para impingir um sorriso de orelha a orelha notório à saída do concerto. Se foi a melhor passagem de 1000mods por cá? Não. Se foi um mau concerto? Nem pensar, o reportório e a classe da banda falam por si. Porém, sabemos que é possível mais: é no fundo a maldição de carregar muita qualidade à flor da pele. Ficamos ansiosos para rever os gregos, mas por agora, ficamos saciados.
Reportagem fotográfica completa: Clicar Aqui
Visão do agitado público | mais fotos clicar aqui
Texto: Tiago Megas
Fotografia e vídeo: Ana Lourenço @ blackphant.stage (Instagram)