Descobri as estátuas desbotadas Suas cabeças decapitadas Pelo seu torso diríamos filos de vitórias Algo fluído entre Adônis e ninfas asmáticas Emparelhados ao lado de locomotivas Que iam em viagens longos Despus-me como a calma E fui revés de lebre O reflexo dos arranha-céus Não são reflexivos São histéricos como seus filhos E possuem carnes mais fadigadas O temível efêmero Odiado por todas as bocas Praticado e reciclado Por todos os dedos das mãos Os púbis angelicais são paradoxos Na verdade, pertencem ao filo Concha de retalhos, entre real e abstrato Evocam devassidão e luxúria Pose-persona Poema-coligado Poeta-cinismo Proteína-carbono A eterna despedida Dispersa-se entre funerais Sem clamar a atenção de ceifadores Era verbo transitivo desta comoção Orfeu e a virtude Que transpassa-se E nunca és encontrado Em olhos sempre semicerrados
Fulcral, Pierrot Ruivo















