Love between blood and tears
ㅡ Capa para uso pessoal
Em caso de inspiração, me credite
seen from China
seen from United States

seen from Philippines
seen from China
seen from China
seen from United States
seen from United States
seen from United States
seen from China

seen from United States
seen from China
seen from United States
seen from United Kingdom

seen from United States
seen from United States

seen from United States

seen from China
seen from Malaysia
seen from China

seen from United States
Love between blood and tears
ㅡ Capa para uso pessoal
Em caso de inspiração, me credite
Sleping Beauty : // by Rapmon_Clarke
❝O sangue maldito de um rei.❞
Minha história, meu jeito. (Asas de Arrogance - 1/?).
— Quem é o da vez? — perguntou Henry, mal humorado. Odiava trabalhar de madrugada.
— Um homem, segundo a Carla. Não temos o nome dele, mas ele chama a si mesmo de “Arrogance”. — respondeu Rarry. Ele também não gostava, mas era mais discreto em relação a isso.
— “Arrogance?” — perguntou Henry, franzindo o cenho.
— “Arrogância”, mas em inglês. — explicou Rarry — Clichê.
— Eu não sei, não. — Henry jogou a guimba de cigarro na lixeira — “Morte”, “Violência” são comuns. Até mesmo “Traficante 10” eu já vi, mas o nome desse sujeito me dá um comichão estranho. — Pegou a ficha da mão de Rarry — E... ele nem tem foto? Sério? Por que não fotografaram ele?
— Vamos, Henry, é só mais um de vários. — Começou abrir a porta da sala de interrogatório — Além disso, a gente faz todo sábado a mesma coisa e você sempre age como um “viadinho”.
— Você sabe que meus comichões me avisam sobre as merdas que vão acontecer, babaca.
— É, sei tanto quanto o seu vizinho sabe o gosto da sua mulher. — Henry fez uma cara de confuso e Rarry descartou a piada com a mão — Esquece. Vamos acabar logo com isso, essas meias do uniforme prendem minha circulação para um cacete. — Abriu a porta.
Rarry ficou em silêncio quando olhou para o interior da sala. Faziam dois anos desde que o departamento resolveu deixar o interrogado livre pela sala. Agora só podiam entrar com um par de algemas na sala. “Vai aumentar a confiança deles na gente”, disseram o pessoal do Comitê de Decisões. Realmente, funcionou. Mas, naquele momento, não parecia mais uma boa ideia. O tal comichão de Henry que o diga.
Ver um homem magro de frente para a parede, como se estivesse refletindo, não era novidade. A maioria deles eram traficantes e traficantes acabavam usando o próprio produto. Quando chegavam naquela sala, faziam isso para repassar os crimes e toda a sorte de merda que já tinham feito na vida. Tinham os ombros caídos e sempre estavam cabisbaixos com as mãos juntas em frente ao corpo. Mas este não. Esse estava de ombros retos, dorso erguido, olhava para a parede como se fosse dono dela e mantinha o queixo erguido. Suas mãos estavam entrelaçadas atrás de suas costas da mesma forma que um imobiliário faria ao olhar um condomínio. Usava uma camiseta branca esgarçada — não quis abrir mão dela — e a calça padrão dos detentos. O problema, além de sua postura, eram suas costas. Haviam manchas de sangue, agora já secas, na altura das omoplatas. Pareciam ter sido feitas após um corte limpo de faca.
Ao fecharem a porta, Arrogance virou-se para vê-los. Olhos frios, calmos e com as pálpebras relaxadas. Henry, que foi o primeiro a sair do choque, começou a abrir a boca para ele. Iria mandá-lo se sentar — como sempre faz — mas o interrogado levantou a mão de forma suave, mas ríspida, interrompendo-o. Henry não gostou disso, os abusados sempre lhe davam uma sensação estranha e este sujeito já estava fazendo isso o suficiente. Arrogance sentou-se graciosamente, cruzando a perna direita sobre a esquerda e entrelaçou as mãos sobre o colo por debaixo da mesa. Seu rosto, com a barba por fazer se harmonizando com o nariz anguloso, refletia a luz da lâmpada que estava no centro do teto. Abriu um sorriso leve, sutil, convidativo. O mesmo tipo de sorriso que faz o convidado apreciar a visita antes mesmo dela começar.
— Boa noite, senhores. — Disse Arrogance.
Os homens, já sentados, se entreolharam numa pergunta silenciosa sobre quem falaria primeiro. Rarry se arriscou.
— Olá... Arrogance. — mudou levemente o tom ao final da frase para indicar uma pergunta. O interrogado meneou a cabeça em concordância. — Certo. — Pigarreou — Teria outro nome pelo qual poderíamos te chamar?
— Você continuará a me chamar assim e de nenhum outro modo a mais, senhor. — respondeu ele.
— Controle a língua! — interveio Henry com sua voz áspera. Era medroso, mas não submisso com abusados.
— Pois bem... — Começou a sorrir e olhar de forma obsessiva para Henry, uma forma que o perturbava — Os oficiais aqui querem um depoimento meu sobre a “guerra” com a gangue dos irmãos Trentis, certo? — Começou a sorrir de uma forma animalesca ao falar “guerra”. Henry ainda sentia o comichão, mas ele ficava mais forte. — É uma longa história, vocês sabem.
— Somos curiosos e bons ouvintes — assegurou Rarry enquanto abria a caderneta e apertava o botão da caneta — pode confiar. — finalizou com uma expressão suave, tentando passar conforto. Foi para isso que me formei? Para ser bonzinho com bandidos?, pensava ele. Na verdade não pensara em nada mais além disso nos últimos três meses, o período todo em que começou a trabalhar interrogando idiotas que não escolhiam direito o que fazer na vida. Estava se sentindo, pela primeira vez, desanimado e em dúvida sobre o trabalho. Mais que tudo, estava aéreo naquele dia.
A preocupação de Henry aumentava. Tinha algo de errado ali, ah, se tinha. Uma gota de suor começava a trilhar a linha de suas costas. Ele se gabava por ter um “sexto sentido” para esse tipo de coisa desde que previra um assalto à uma cafeteria.
— Policial, contar uma história requer... contextualização. — disse Arrogance.
— Então conte-- — começara Henry, mas foi interrompido.
— Eu contarei, mas do jeito certo. — Arrogance havia elevado a sua voz quase à raiva. Ainda sorria para Henry. Ele estava provocando-o, era óbvio. Seria óbvio para Rarry se ele não estivesse pensando na discussão que tivera com sua mulher na noite passada sobre quem pagaria as contas. Henry sentiu um calafrio subir enquanto o suor descia. Depois, transformou isso em raiva e resolveu ouvir o seu comichão amigo.
— Já chega, vagabundo! — disse e levantou-se, pegando a algema de seu sinto — Merdinhas como você precisam entender que estão na prisão, sob NOSSA jurisdição! — Chegou mais próximo do lado de Arrogance, abrindo a algema e prendendo-a em uma das protuberâncias da mesa que serviam justamente para isso. Quando virou-se para o homem que te tirara do sério apenas com os olhos e boca, ouviu o click.
E viu a arma na mão do criminoso, que apenas deveria estar sob sua jurisdição, apontada para sua mão que ainda segurava a algema.
— Prenda o próprio pulso e sente. Você vai ouvir a minha história, do jeitinho que eu contar.
O policial obedeceu. Rarry despertou com o barulho da arma. Agora sim ele aprendera o ditado de Joe (Pensar na mulher é abrir o peito para levar tiro). Ainda assim, estava imóvel. Não é que ele não estivesse de posse de uma arma, o problema é como ele tiraria ela do lado esquerdo de seu cinto sem que o novo detentor de poder visse. Sua mão esquerda estava com a caneta e pegar a arma com a mão direita não seria nem um pouco discreto.
Arrogance suspirou de forma calma.
— Não façam nada desagradável, não tenham síndrome de herói nem um ego inflado. Sei lidar com isso. — Suspirou uma outra vez — Pois bem... como podemos começar a contextualizar isso? — Pensou por um momento — É, isso serve. — Ajeitou-se na cadeira sem mover a mira nem um centímetro e pigarreou — Eu havia acabado de nascer em um banheiro...
Lista de Facções e Gangues do Brasil ( List of brazilian gangs)
1) PCC – Primeiro Comando da Capital (SP)
2) CV – Comando Vermelho (RJ)
3) FDN - Família do Norte (AM)
4) TCC – Terceiro Comando da Capital (SP, RJ)
5) CRBC – Comando Revolucionário Brasileiro da Criminalidade (SP)
6) CDL – Comando Democrático da Liberdade (SP)
7) Seita Satânica (SP) a comissão tem como uma facção, mas pra mim são só vermes.
8) PCMS – Primeiro Comando do Mato Grosso do Sul (MS, ligada ao PCC),
9) Manos (MS, RS)
10) TC – Terceiro Comando (RJ, BA)
11) ADA – Amigos dos Amigos (RJ, CE, ES)
12) IDI – Inimigos dos inimigos (RJ)
13) Amigos de Israel (RJ)
14) Bonde dos 40 (AM, PI)
15) Primeiro Comando do Norte (AM, RR, CE
16) 300 Espartanos (AM)
17) Primeiro Comando da Mariola (RR)
18) Equipe Rex (PA)
19) Bonde dos 30 (PA)
20) Comando Classe A (PA)
21) GDA - Gangue da Ponte (AP)
22) Primeiro Comando do Maranhão (MA)
23) Bondinho da Ilha (MA)
24) Primeiro Grupo do Estreito (MA)
25) B40 – Bando dos 40 (MA)
26) ADM – Anjos da Morte (MA)
27) COM – Comando Organizado do Maranhão (MA)
28) Bonde dos 300 (MA)
29) PCM - Primeiro Comando de Campo Maior (PI)
30) PCE – Primeiro Comando de Esperantina (PI)
31) Facção Criminosa de Teresina (PI)
32) Guardiões do Estado (CE)
33) PCN - Primeiro Comando de Natal (RN)
34) SDC - Sindicato do Crime (RN, PB)
35) Al-Qaeda (PB)
36) Estados Unidos (PB)
37) Comando Norte/Nordeste (PE)
38) Firma (AL)
39) PCM - Primeiro Comando Metropolitano (SE)
40) Comando da Paz (SE, BA)
41) Bonde do Maluco (BA)
42) DPM (BA)
43) MPA (BA)
44) Bonde do Ajeita (BA)
45) Katiara (BA)
46) Comando da Perna (BA)
47) Caveira (BA)
48) Comando Mineiro de Organizações Criminosas (MG)
49) PJL - Paz, Justiça e Liberdade (MG)
50) Primeiro Comando Mineiro (MG)
51) Primeiro Comando das Minas Gerais (MG)
52) Milícias (RJ), geralmente são policiais corruptos. Um salve de bala pra eles.
53) Povo de Israel (RJ)
54) Primeiro Comando de Vitória (ES)
55) CJVC – Comando Jovem Vermelho da Criminalidade (SP)
57) Gaviões da Fiel (SP)
58) Cerol Fino (SP)
59) Comissão Democrática da Liberdade (SP)
60) PGC – Primeiro Grupo Catarinense (SC)
61) PCRV – Primeiro Crime Revolucionário Catarinense (SC)
62) CL – Comando Leal (SC)
63) Serpente Negra (SC)
64) PL- País Livre (SC)
65) PGO – Primeiro Grupo de Oposição (SC)
66) FRC (Força Revolucionária Catarinense)
67) Bala na Cara (RS)
68) Os Tauras (RS)
69) V7 (RS)
70) Os Abertos (RS)
71) Unidos Pela Paz (RS)
72) CPC – Comando Pelo Certo (RS)
73) Amigos Leais (RS)
74) Primeiro Comando do Paraná (PR)
75) Primeiro Comando da Liberdade (MS)
76) Grupo G (MS)
77) PLD - Paz, Liberdade e Direito
78) Bad Boys (MT)
79) Baixada Cuiabana (MT)
80) Comando Verde (MT)
81) Amigos Leais (RO)
82) Crime Popular (RO)
83) Bonde dos 13 (AC)
Essa porra não é apologia, isso aqui é um salve pra todos os manos de verdade que estão a parte da situação. Sei que todos tem suas diferenças mas o objetivo é o mesmo acabar com o sistema. Um salve pros irmãos na cadeia de todas as partes do Brasil. (aqui nessa merda de rede social eu sou neutro)
Avião da Spirit Airlines é alvejado por tiros ao tentar pousar no Haiti
Porto Príncipe, Haiti, 13 de novembro de 2024, Associated Press – Um avião da Spirit Airlines foi atingido por tiros ao tentar pousar no aeroporto internacional de Porto Príncipe na segunda-feira (11), evidenciando a escalada da violência no Haiti. O voo, que partiu de Fort Lauderdale, na Flórida, foi forçado a desviar para Santiago, na República Dominicana, onde pousou em segurança. Segundo…
Cidade sitiada: brasileiro e haitiano contam rotina em Porto Príncipe
Reprodução: © REUTERS/Valerie Baeriswyl/Diretos reservados Cidade é controlada quase completamente por gangues fortemente armadas Publicado em 21/04/2024 - 11:51 Por Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil - Brasília ouvir: Com dezenas de conhecidos assassinados ou sequestrados em Porto Príncipe, o brasileiro Werner Garbens, de 37 anos, e há 12 anos no Haiti, relatou à Agência Brasil como é viver na cidade, controlada quase que completamente por gangues fortemente armadas. “São dezenas de pessoas que conheço que, ou foram vítimas fatais, ou foram sequestradas. Só de pessoas de um circuito de conhecidos mais próximo, conheço umas dez que foram sequestradas. De amigos mesmo, tenho três que foram sequestrados”, revelou. O sequestro é umas das principais atividades dos grupos criminosos da região. O haitiano Saint Hubert Bruno, também de 37 anos, advogado e pequeno agricultor, vive no centro da capital com a mulher e o filho de 3 anos. Ele milita na Tèt Kole Ti Peyizan Ayisyen que, em português, significa União dos Pequenos Camponeses Haitianos e também fala sobre a vida na capital.
Reprodução: Porto Príncipe (Haiti) - Mobilização de camponeses em Porto Príncipe, cidade sitiada pelas gangues.- Fotos Arquivo Pessoal “As gangues aterrorizam a população, roubam algumas coisas, dinheiro, telefone, laptop, e também estupram mulheres e meninas. A população vive com grande medo. As populações não saem. As escolas, as universidades estão fechadas. A vida do capital é muito difícil”, contou Bruno. O haitiano Saint Hubert Bruno aprendeu a falar português quando veio ao Brasil, em 2013, fazer um curso de agroecologia com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no Paraná. Bruno já perdeu amigos e familiares para a violência, diz que é preciso estocar comida para não precisar sair de casa e relata que, em muitos pontos da cidade, as gangues andam exibindo suas armas. “A liberdade de circular em Porto Príncipe está quase perdida. Posso dizer que a cidade interna tem gangues. É uma capital quase paralisada”, comentou. Desde o agravamento da crise das últimas semanas, que levou à renúncia do então primeiro-ministro Ariel Henry, o aeroporto e o porto da cidade estão fechados. Sitiada, a população civil de Porto Príncipe aguarda enquanto o novo Conselho Presidencial de Transição, criado há pouco mais de uma semana, dá os primeiros passos para tentar reorganizar o país e convocar eleições, agora prometidas para 2025. O país está há sete anos sem realizar eleições.
O haitiano
Bruno Sant-Hubert atua na formação política da organização que reúne 80 mil camponeses haitianos. Diz que muitos companheiros e familiares já sugeriram a imigração do país, mas que está decidido a continuar no Haiti.
Reprodução: Porto Príncipe (Haiti) - O haitiano Saint Hubert Bruno fala sobre a vida na capital haitiana, cidade sitiada por gangues - Foto Arquivo Pessoal. “Tenho que ficar no Haiti para fazer militância, para lutar, para ajudar o país a sair dessa situação difícil. Porque se todo mundo migrar, quem vai resolver esse problema?”, questionou, acrescentando que espera ajudar na organização dos camponeses “para maior consciência de classe e para defender a categoria de trabalhadores”. Sant-Hubert acredita que, para o Haiti sair dessa situação, é preciso que a comunidade internacional pare de interferir no país. “Porque o problema do Haiti, na verdade, é a comunidade internacional que, em cada momento, interfere. Tem que parar de interferir”, afirma. “Sobre a questão militar, nós precisamos do apoio técnico para a polícia. Mas não precisa de intervenção militar. Porque o Haiti já tomou várias intervenções militares. Isso não muda nada”, lamentou. Bruno acrescentou que a população civil quer combater as gangues, mas diz que falta vontade política das autoridades para combatê-las. Ele ainda comentou sobre as brigadas de autodefesa presentes em algumas comunidades. São grupos armados que, diferentemente das gangues, atuam na defesa das comunidades. “Há alguns bairros que têm grupos de autodefesa para fazer resistência contra as gangues. E as gangues, quando sabem que têm grupos de autodefesa, não podem ir”, completou.
O brasileiro
O brasileiro Werner Garbers é professor, pesquisador, jornalista e diretor do Centro Cultural Brasil-Haiti, ligado à embaixada do Brasil no país caribenho. Ele foi ao país porque esse era seu principal tema de pesquisa. “Percebi que para estudar o Haiti precisava viver aqui”, disse. Nascido em São Paulo, Garbers relatou que a violência é generalizada na cidade e que, há uns 15 dias, houve um massacre de jovens a 300 metros da sua casa. “Eram vários jovens e eu sabia que eles pediam dinheiro na rua”.
Reprodução: Porto Príncipe (Haiti) - O brasileiro Werner Garbens conta rotina na capital haitiana - Fotos Arquivo Pessoal O brasileiro vive em Petion-Ville, cidade na região metropolitana de Porto Príncipe, que fica a cerca de 15 minutos de carro do centro da capital. Ele disse que o local já foi considerado “de elite”, mas que hoje se popularizou. Segundo Werner, o local em que mora tem gangues, mas não é das mais perigosas. Ainda assim, ele participa de seis grupos de aplicativo de mensagem só de segurança. “Algumas vezes, passo mais de dez dias sem sair de casa aqui em Petion-Ville. Até para comprar comida ali no mercado pode ser perigoso, são 500 metros daqui”, disse, acrescentando que está há mais de dois meses e meio sem ir ao centro de Porto Príncipe. O brasileiro lembrou que antes não era assim e que a situação vem piorando gradativamente desde 2018. “Eram gangues localizadas em três regiões, uma coisa muito simples. Hoje não, está muito pior. Hoje, perto daquilo é um pandemônio”, destacou. “O centro da cidade nesses dias está terrível. O coração da cidade, que sempre frequentei sem grandes receios, tem prédios públicos fundamentais do país, tudo abandonado, sem ninguém, ruas vazias”, completou. O Centro Cultural Brasil-Haiti, que Werner coordena, promove eventos culturais para a comunidade local. Ele disse que, mesmo com as dificuldades, fez 35 eventos no ano passado, reunindo, ao todo, cerca de 4,5 mil pessoas. “O Centro Cultural Brasil do Haiti é uma das cinco instituições na área da cultura mais agitadas da capital. Isso faz com que várias pessoas busquem o nosso espaço. Tem curso de danças brasileiras e haitianas. Então, as pessoas vêm até por uma questão de saúde mental. A gente tematiza depressão, ansiedade, luto e medo”, detalhou.
O Brasil no Haiti
Tanto o brasileiro, quanto o haitiano reconhecem que o Brasil goza de prestígio entre a população local, principalmente devido ao futebol que, desde Pelé, encanta o povo haitiano.
Reprodução: Porto Príncipe (Haiti) Brasileiro e haitiano contam rotina em Porto Príncipe, cidade sitiada por gangues - Foto Arquivo Pessoal Por outro lado, eles afirmam que o país perdeu parte do prestígio que tinha após liderar a Minustah, a última intervenção militar internacional feita no Haiti sob o controle da Organização das Nações Unidas (ONU). A missão durou 13 anos, acabando em 2017. Bruno Sant-Hubert destacou que a missão deixou muitas lembranças ruins, principalmente por causa da epidemia de cólera que vitimou milhares de pessoas e pelos supostos abusos cometidos pelos militares. As denúncias vão desde massacres contra civis desarmados até estupros. “Lembro-me de muitas coisas ruins que a Minustah fez durante a intervenção. Morrem cerca de 15 mil pessoas de cólera. E também estupraram meninas e meninos. Deixaram muitos, muitos, muitos filhos sem pai”, afirmou. A ONU não reconhece que a cólera foi trazida pela missão, mas acredita que teria sido causada por uma “confluência de circunstâncias”. Apesar das lembranças ruins, Bruno diz que o povo haitiano “ama o povo brasileiro, muito por causa do futebol. E também no Haiti há muitas pessoas que gostam do presidente Lula”. Porém, o pequeno agricultor acredita que Lula tem uma dívida “moral e histórica” com o Haiti pelos resultados ruins da Minustah. “Acho também que Lula não deve deixar esse mandato sem pagar essa dúvida moral e histórica com o Haiti. Por isso, o presidente deve forçar as Nações Unidas a assumir a responsabilidade sobre a questão da cólera”, acrescentou. Nessa semana, em visita à Colômbia, o presidente Lula conversou sobre o Haiti com o presidente colombiano, Gustavo Petro. Eles discutiram como os dois países poderiam ajudar a nação caribenha. Para o brasileiro Werner Garbers, o povo haitiano enxerga no Brasil o país de negros que deu certo e, desde Pelé, tem grande admiração pelo futebol da seleção. Ele cita também o Jogo da Paz, de 2004, quando a seleção brasileira jogou contra o Haiti, em Porto Príncipe, como outro marco da relação entre os países. Garbers acredita que a imagem do Brasil foi desgastada pela Minustah, mas não completamente. Diz que além de o país promover parcerias no Haiti que aliviam sua imagem, o povo haitiano entende que quem mandava na missão eram os Estados Unidos. “Tudo isso fez o Brasil se manter mais ou menos em um espaço de não total desprestígio e também de não total responsabilização pelo que aconteceu. O Brasil não é considerado o principal responsável, isso não”, disse. “É diferente, por exemplo, dos Estados Unidos, que nem podem colocar a cara aqui”.
Fome
Além da violência, a fome é outra face da crise haitiana. O Haiti vive “uma das crises alimentares mais graves do mundo” com quase metade da população (4,3 milhões de 11,7 milhões de habitantes) vivendo em situação de “fome aguda”, segundo o Programa Mundial de Alimentos (PMA).
Reprodução: Pessoas caminham em rua de Porto Príncipe - Foto REUTERS/Ralph Tedy Erol Werner Garbers afirmou que a fome é muito presente nas ruas. “Talvez seja a parte da experiência aqui mais triste mesmo, especialmente nos últimos anos”, destacou. "Vejo que o aluno está com fome, com dificuldade, está cambaleando, isso pode ser visto no rosto da pessoa”. O brasileiro acrescentou que o custo de vida está muito elevado na capital até para ele, que tem emprego fixo e ainda faz trabalhos por fora. Diz ainda que é muito abordado, nas ruas, e nas redes, por pessoas pedindo ajuda. “São muitos pedidos. E aumentou gradualmente e está crescendo. Saio na rua e é muita gente pedindo”, lamentou. O haitiano Bruno Sant-Hubert, que cultivava a terra no Norte do país antes de se mudar para Porto Príncipe, argumentou que as gangues têm impedido a entrada de alimentos. “Os produtos locais não podem entrar na capital. Porque as gangues bloqueiam muitas estradas. Os produtos que conseguem entrar, são bem poucos. E por isso é um pouco caro”, afirmou. Edição: Graça Adjuto
Read the full article
Promoções e gangues
1.Nos termos do respetivo estatuto (EMGNR), o militar da Guarda Nacional Republicana tem direito a ascender na carreira, segundo as suas capacidades e competências objetivas e o tempo de serviço prestado, atentos os condicionalismos previstos no EMGNR, com as consequentes mudanças de posicionamento remuneratório. Neste contexto, foi publicado um comunicado pelo executivo ainda em funções,…
View On WordPress