let me ask you a very fair question... TASK!
Identifique-se: nome, idade, filiação, raça.
Shantal se ajeitou na cadeira e cruzou os braços rente ao busto. Respirou fundo. Já imaginava o que estava por vir e aquilo, mais do que nunca, parecia o ápice da loucura de Merlim.
“Shantal Asabi, filha de Scar e Zira. Eu era uma leoa, fui transformada em humana há anos atrás.”
Qual foi a primeira coisa que fez assim que chegou à Ilha dos Prazeres?
“Fui correndo ver quais eram os prêmios das barraquinhas. Já tinha ouvido que poderiam ser amaldiçoados e queria um deles.”
Viu algum dos aprendizes desaparecidos? Era próximo de algum deles? Tinha inimizade com algum deles?
“O lugar estava lotado e eu estava prestando mais atenção nos meus amigos, então não reparei em nenhum desses desaparecidos. E eu não era amiga deles, nem tinha inimizade. Só achava alguns sonsos e entediantes, nada além disso. Você sabe como é, a maioria era filho de herói ou secundários… Esse povo raramente dá a mínima para alguém como eu e eu prefiro tratá-los de igual para igual.”
Fez algo inusitado no passeio?
“Hm, não. A não ser para mim: nunca consegui comer mais do que três pedaços de qualquer torta no mundo, mas lá eu consegui comer quatro. Foi um feito e tanto.”
Você se lembra de ter visto algo estranho no passeio ou uma presença estranha?
“Desculpe, mas não me lembro de nada disso.”
Tem inimizade com alguém em Aether?
“Como eu disse, num geral, acho muita gente patética e desprezível, mas inimizades… São bem poucas. Maioria é pessoal do último ano, gente muito mais poderosa do que eu, senhores. Exceto o Zane… Ele é meu primo e eu não preciso perder tempo dizendo que nós não nos suportamos, certo?”
Já cogitou prejudicar ou fazer mal a um colega aprendiz?
“Mas é claro! Felizmente, nunca saiu do papel, senhores. Exceto em caso de legítima defesa ou quando eu era iminentemente ameaçada, sobretudo fora do Instituto. No final das contas, por mais raiva que eu tenha de algumas pessoas aqui dentro, reitero: são mais poderosas que eu. Não sou idiota de ir até eles e praticamente cavar minha própria cova!”
Recebemos a informação de que você foi visto em atitude suspeita perto do Trem Fantasma e que já disse ter interesse em “acabar com a raça de Cheryl La Bouff”. Por que disse isso?
“Eu? Dentre todos os nomes, ela era a mais zero à esquerda para mim. Não faço a mínima ideia de quem possa ser.”
Fomos informados de que se meteu em um desentendimento no final do passeio. Se importaria de explicar o motivo?
“Meu único desentendimento geral ao final deste passeio, senhores, foi com o Astro, filho do Breu, porque ele derramou molho de mostarda em mim! E nos resolvemos logo depois, logo, não acho que isso me coloque como a principal suspeita do desaparecimento de alguma pessoa.”
Reparamos que foi um dos últimos a chegar no ponto de encontro. Qual o motivo para ter demorado?
“Eu decidi levar pra viagem um último pedaço de torta.”
É verdade que passou quinze minutos sozinho antes de se encontrar com o grupo?
“Hm, não? Como eu disse, sempre estive acompanhada, desde que cheguei, até a hora de ir embora.”
Você está nervoso, senhorx? Tem certeza que não viu nada suspeito?
Shantal respirou fundo outra vez e sorriu de canto, enquanto negava com a cabeça. Tinha medo apenas de ser interpretada por seus inquisidores como era questionada por outras pessoas preconceituosas espalhadas pelo Instituto.
“Não, não estou nervosa. E sim, eu tenho certeza que não vi nenhuma movimentação suspeita. Eu daria o nome de qualquer ser adorável que eu tivesse visto aprontando por aí, só para me livrar de qualquer acusação que qualquer um tenha sobre mim, magicamente.”
Existe alguma razão para que algum de seus colegas possa querer te comprometer com respostas falsas?
“Bom, eu gostaria de acreditar que não, mas conhecendo algumas pessoas por aí como eu conheço… Então acho que sim, infelizmente. Pessoas me detestam porque eu nunca vou aceitar as asneiras que elas fazem ou dizem, algumas têm medo de mim porque acham que mexo com magia negra e certamente adorariam me ver fora daqui…” Encolheu os ombros, desviando o olhar por um instante. Aquela pergunta de Merlim havia lhe dado o que pensar.
Tem alguma coisa que queira nos contar? Essa é a única vez que vamos te dar essa oportunidade.
“Não, eu juro em nome do Narrador e pelo espírito dos meus pais que vagueiam por aí. Posso ir agora, por favor?”













