Romance de estreia do autor, Gente Pobre é um romance epistolar, ou seja, conhecemos a história dos personagens por meio de cartas trocadas entre Diévuchkin, um funcionário “público”, copista, medíocre com inclinação ao alcoolismo, e Varvara, uma jovem com história de vida difícil de perdas e que vive suas últimas esperanças justamente na troca de cartas com Diévuchkin. Ambos preenchem a vida pobre, miserável e vazia com as cartas e os trocados compartilhados quase diariamente. A busca pela dignidade e nobreza de espírito é constante pelos personagens, principalmente sob o olhar orgulhoso de Diévuchkin. O clima gélido de uma Petersburgo decadente transpõem à escrita, e nós, leitores, percebemos a dificuldade de uma gente pobre ou pobre gente, que conforme a própria tradutora ambos títulos não afetariam o sentido da obra. Há, no posfácio, uma bela interpretação da obra com o movimento naturalista russo, os ensaios fisiológicos, bem como relacionando-a com Gógol e Púchkin, dando à obra de Dostoiévski um contexto à sua importância. A narrativa não é difícil e uma vez acostumado aos nomes russos em sua totalidade sempre que citados, fica prazeroso ler a troca de cartas. Acredito que em momentos o tédio dos personagens é vívido e a leitura fica fria, triste e enrolada. O uso excessivo dos diminutivos, que tem uma função explícita - esclarecida no posfácio -, também irrita um pouco, mas isso são caprichos. É um bom livro. #editora34 #dostoevsky #gentepobre #book #books #bookstagram #bookwarm #russianliterature (em São José, Santa Catarina)