A escola virou produto e você nem percebeu.
Para, respira! Antes de continuar rolando a tela, preciso te contar o que está acontecendo dentro das salas de aula, e não é o que te contaram na reunião de pais.
Você abre o Classroom, entra no Meet, manda o material pelo Drive, responde e-mail pelo Gmail… mas já parou pra pensar que tem uma empresa registrando cada um desses cliques? Pois é, bem-vinda à aula que a escola não te deu.
O GT Plataformas Educacionais do CGI.br (2022) já levantou essa questão de forma direta: a plataformização não é uma simples transposição digital das instituições históricas, ela é uma reinvenção acelerada de relações sociais que acontece em um novo plano, com novos atores de poder desproporcional.
Em outras palavras: o Google não entrou na escola de mansinho. Ele chegou, sentou na cadeira do professor e ainda ofereceu o café.
E esse café não é de graça. O próprio GT Plataformas Educacionais do CGI.br (2022) alerta que muitas empresas de tecnologia usam inteligência artificial para coletar, analisar e transformar os dados dos usuários em lucro. Hoje, essas informações são um dos recursos mais valiosos da economia digital.
Na prática, isso significa que crianças e adolescentes acabam “pagando” pelo uso dessas plataformas com seus próprios dados desde os primeiros anos da escola, e muitas vezes, a gestão escolar nem percebe que isso está acontecendo.
E o professor nisso tudo?
Vasconcelos, Ferrete e Lima (2020) foram investigar exatamente isso em uma instituição de ensino superior aqui em Aracaju, SE. O que encontraram foi que dois fatores se mostram essenciais para o uso eficaz das tecnologias digitais em sala de aula: o interesse do docente em aprender e o investimento em formação continuada.
Parece óbvio, mas o problema é que as redes de ensino têm terceirizado essa formação para as próprias empresas fornecedoras das plataformas, ou seja, o Google te ensina a usar o Google.
Sem conflito de interesses, claro.
Santos, Vasconcelos e Alves (2024) completam o cenário com uma provocação necessária: a conduta ética e o letramento digital na aprendizagem móvel nunca se fizeram tão importantes quanto agora.
Não é sobre proibir o celular na sala de aula, é sobre entender que qualquer pessoa conectada, letrada ou não, pode ser criadora de conteúdo, mas também pode ser monitorada, perfilada e transformada em dado para alimentar um sistema que não foi construído pensando nela.
A tecnologia não é vilã, mas ela também não é neutra!
E enquanto a escola debate se libera ou proíbe o smartphone, as plataformas já decidiram: elas ficam. A questão é quem controla o quê, e se alguém, além dos algoritmos, ainda está prestando atenção.
Porque no fim das contas, a sala de aula mais vigiada do mundo não tem câmera no teto, ela cabe na palma da sua mão!
E quem sou eu? esse segredo eu não conto pra ninguém. vocês sabem que me adoram... xoxo ;*












