O céu estrelado da língua: humor imperdível de Gregório Duvivier
Com repertório afiado, hipermegavariado e cheio de referências, comédia stand-up dirigida por Luciana Paes arranca risos da plateia
Por: Mônica Rodrigues da Costa e Tassia Moretz-Sohn Fernandes
Combinamos com a nuvem que escreveríamos sobre o espetáculo ~O Céu da Língua~, em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso (em Sampa), com texto e atuação de Gregório Duvivier, a que assistimos no domingo passado (4). Agora cá estamos, sujeitas às palavras, nesta maravilhosa arena das letras e das construções frasais onde tudo parece possível, especialmente quando faz sentido.
Gregório Duviver com figurino retrô fit. Foto: Reprodução/@instadapombo
Arena essa, das letras, onde Duvivier aparenta sentir-se à vontade para explorar muitas possibilidades gramaticais, textuais, dramáticas e audiovisuais. Nunca vimos tanto pano pra uma manga só.
A peça é provocadora e estimulante. Transcende a forma como comunicamos, ou escrevemos, ou interpretamos, ou refletimos sobre nossas relações com as palavras, suas peculiaridades, e as sensações que provocam na gente.
Trata-se de um exercício da mais pura metalinguagem, realizado até o esgotamento pelo autor. Como se ele, Gregório, trabalhasse com todos os vocábulos e figuras de linguagem possíveis e disponíveis em todos os glossários (formais e informais), livros e enciclopédias do planeta, e até na World Wide Web.
Talvez não seja à toa que o personagem esteja com traje esportivo – shorts com legging, tênis e aquelas meias de três listras que todo mundo usa nas academias.
Se não fosse a gorgeira – tipo de gola chamativa usada nos séculos 16 e 17 por ilustres figuras históricas como Luís de Camões e Elizabeth – poderíamos jurar que o protagonista seria um maratonista. Mas o adorno nos fez compreender que se trata de um maratonista retrô fit, que malha com as palavras numa prova de tiro de 85 minutos. Haja fôlego.
Projeção ao fundo, por Theodora Duvivier, seu irmão Gregório Duvivier e o músico Pedro Aune. Foto: Reprodução/@instadapombo
Com sua prosética, poética que mistura narrativa e poesia, surgem reflexões engraçadas sobre termos e recursos linguísticos do nosso cotidiano ou de tempos passados.
Sem dar conta, tomamos as dores do trema e de outros acentos negligenciados pelo Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Quando percebemos, já humanizamos os signos e os sinais. Sentimos empatia por eles, seus familiares e antepassados. Rest in Peace, fax (1948-2024).
A poesia de Gregório Duvivier transporta significados em palavras-coisa, palavras-valise (Lewis Carroll), carregados de plasticidade, grafismos, assonâncias, paronomásias, transferindo conotações ideológicas conforme no livro do filósofo Jacques Rancière ~Políticas da Escrita~.
Saltimbanco, Duvivier multiplica duplos sentidos, ironias, aliterações e feixes etimológicos em praça pública, perquirindo coloquialidades que se manifestam nos caixas dos supermercados ou no “corporativês” da Faria Lima.
Gregório: Evoé! Obrigada! Rimos muito! A nuvem amou e nós também <3 .
Interpretação e Texto: Gregorio Duvivier
Direção e Dramaturgia: Luciana Paes
Assistência de Direção e projeções: Theodora Duvivier
Direção Musical e Execução da Trilha: Pedro Aune
Cenografia: Dina Salem Levy
Assistente de Cenografia: Alice Cruz
Figurino: Elisa Faulhaber e Brunella Provvidente
Iluminação: Ana Luzia de Simoni
Diretor Técnico: Lelê Siqueira
Diretor de Palco: Feee Albuquerque
Visagismo: Vanessa Andrea
Fotos de Divulgação: Demian Jacob
Fotos de Cena: Joana Calejo Pires e Raquel Pellicano
Design Gráfico Publicação: Estúdio M-CAU – Maria Cau Levy e Ana David
Identidade Visual Divulgação: Laercio Lopo
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Marketing Digital: Renato Passos
Redes Sociais: Fernando Padilha, Lucas Lentini e Theodora Duvivier
Administração: Fernando Padilha e Lucas Lentini
Assistente de Produção: João Byington de Faria
Produção Executiva: Lucas Lentini
Direção de Produção: Clarissa Rockenbach e Fernando Padilha