Quando falamos sobre vampiros na literatura, Carmilla é uma obra que não pode passar despercebida. Desde que li, essa história se tornou meu “Império Romano” — aquele pensamento que aparece quase todos os dias, não apenas por que o ser vampiro seja algo que me fascina, mas sim a figura que ele também representa.
Para entender Carmilla, é preciso voltar àquela época em que a história estava sendo escrita. A Era Vitoriana (1837-1901) foi um período de transformações sociais profundas, com o capitalismo e a revolução industrial consolidando o poder da burguesia e afastando a nobreza. Apesar das mudanças significativas, essa época também foi marcada pela repressão, especialmente para as mulheres, que eram confinadas ao espaço doméstico e vistas como símbolos de pureza e fragilidade.
A literatura vitoriana, incluindo os romances, desempenhava um papel fundamental na propagação desses ideais, muitas vezes moldando as expectativas sobre comportamento feminino. As histórias eram verdadeiros tratados de moralidade, criando modelos como mãe, filha, virgem pura e mulher demoníaca. Era um reflexo de uma sociedade que tentava controlar todos os aspectos da vida, incluindo principalmente a sexualidade das mulheres.
Carmilla, ao inserir uma figura monstruosa como o vampiro, oferece uma oportunidade de explorar esses desejos reprimidos e medos ocultos, desde que, a figura do vampiro masculina é vista como uma figura poderosa e transgressora, a figura feminina do vampiro é representada como bela, frágil, destruidora de lares e sexualizada ao extremo.
Carmilla, uma vampira nobre, com uma aura sombria e uma identidade monstruosa, representa uma ameaça ao patriarcado. Sua presença é uma afronta direta às expectativas sociais da época, onde as mulheres eram vistas como frágeis e puras. Ela desafia essas normas e se torna uma figura que deve ser combatida e moralizada.
O relacionamento entre Carmilla e Laura é carregado de uma dualidade onde há amor, desejo e repulsa, o que reflete a repressão sexual que era tão predominante na Era Vitoriana. Carmilla não é só uma vampira que bebe sangue; ela representa o que é proibido e desejável ao mesmo tempo. Sua figura, assim como seu desejo por Laura, são indicativos dos sentimentos que a sociedade tentava suprimir.
A ambientação gótica de Carmilla também é um destaque. O cenário — castelos sombrios, florestas enevoadas e um silêncio inquietante — cria um ambiente perfeito para o mistério e a tensão que permeiam toda a narrativa. É um mundo onde o medo e a sedução se encontram, e onde cada movimento é carregado de possibilidades.
No final, Carmilla é mais do que uma simples história de vampiros. É uma outra visão sobre os desejos reprimidos, sobre como a sociedade vitoriana tentou suprimir qualquer tipo de liberdade pessoal, seja emocional ou sexual. É uma narrativa que desafia convenções, não sendo atoa que se tornou um clássico, e questiona o que realmente significa ser livre. Para mim, foi uma leitura inesquecível, uma leitura que mexeu profundamente comigo, com todo o romantismo e a sutileza que existe naquele livro.
Se você é apaixonado por literatura gótica, Carmilla é uma leitura essencial. É impossível ler Carmilla e sair ileso — e, na verdade, quem gostaria de sair?
Fonte/Material Utilizado para escrever esse post:
Artigo | VAMPIRISM AND LESBIANISM IN CARMILLA BY JOSEPH SHERIDAN LE FANU por Marília Milhomem Moscoso Maia
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Ela aprendeu a gosta de ler. Isso é fato, e você já deve ter percebido. Ela está sempre com um livro na bolsa e sabe que pode viajar para lugares e mundos maravilhosos sem sair do lugar. Ela sabe o poder que as palavras podem ter, então se deixa cativar pelas histórias. Cada virar de página em um bom livro é reconfortante para essa mulher. Se pudesse ficaria o dia todo abraçada em alguma leitura. Ela, que aprendeu a amar os livros aos poucos (quarentena me fez amar mesmo). Quando viu já estava viciada no ato de folhear páginas. Já fez até amizade com os personagens. De alguns gosta mais, de outros não consegue nem ouvir o nome. Ela gosta de ler, e se você acha que isso é motivo para suas leituras estarem em dia, está totalmente enganado. Ela tem uma pilha enorme de leituras para colocar em dia, mas sempre que vê uma promoção não perde tempo em aumentar sua biblioteca particular. Essa mulher não entende como alguém pode não gostar de ler. Sempre que possível tenta mostrar o quão é bom o ato de emergir em uma boa leitura "VIVIA MAIS NOS LIVROS DO QUE EM QUALQUER OUTRO LUGAR." Ela gosta de ler que não consegue explicar em palavras o bem que a leitura lhe faz, simplesmente queria gritar pro mundo que os livros são seus melhores amigos. Estão com ela nos mais diversos momentos: quando está triste, quando está apaixonada, animada e até mesmo cansada. Ela aprendeu a gosta de ler, e vai sempre deixar isso bem claro. A leitura faz parte de seu ser e por mais que fique afastada desse mundo pelas obrigações da vida real, o reencontro com uma boa história é sempre emocionante. Para ela, os livros com certeza são como um porto seguro. Tem o poder de deixá-la melhor. De aumentar a inspiração e fazer com que ela queira sair por aí brincando com as palavras e criando sua própria história. Crie você também o habito de ler.. #ler #leréperigoso #habitodeler #habitodaleitura #mulheresqueleem #leitura #2020 #fotospretoebranco #blackandwhite #planaltinadf #quarentena (em Planaltina (Distrito Federal)) https://www.instagram.com/p/CBN5U-MlsDt/?igshid=1js06pjli1s2f