Acordei sobressaltado e olhei a hora: Quatro horas da manhã. Depois passei rapidamente o olho pelo colchão e me desesperei ao constatar que eu estava sozinho na cama.
Levantei-me com rapidez e fui direto para sala. Eu estava em completo estado de alarme ao pensar na possibilidade de ele ter ido embora, sem se despedir de mim. Quando cheguei lá, ele estava pingando umas gotas nos olhos. Depois enfiou algo na boca e deu um gole num copo d’água. Em seguida se sentou, pôs nos ouvidos os fones do meu aparelho de música e fechou os olhos.
Fiquei apenas observando-o por alguns minutos com um sorriso bobo nos lábios.
Ele estava ouvindo música? A minha playlist?
Ao sentir minha presença, ele abriu os olhos e se levantou.
— Sim… – Respondi precisando segurar as lágrimas de felicidade por ver que ele ainda estava ali. – É só que, quando não te vi na cama, pensei que tivesse ido embora. – Murmurei, soltando um suspiro ao final junto de uma lágrima que rolou por minha bochecha.
— Durmo pouco. Já te falei.
Suspirei, limpando o molhado em meu rosto.
— Vi que você tomou algo. O que era?
— Um analgésico. Estou com dor de cabeça – Ele respondeu com um sorriso encantador.
Satisfeito com a resposta, andei até a cozinha em busca de água. Quando abri a geladeira, vi as trufas do jantar e senti vontade de comer algumas. Bebi a água, coloquei duas trufas num prato e voltei para a sala, vendo que ele estava sentado no sofá.
— Guloso. – Hyuk disse com um sorriso ao ver o prato em minhas mãos.
Divertindo-me com o que ele havia falado, lhe devolvi o sorriso e me sentei ao seu lado, percebendo a expressão cansada que emoldurava seu rosto.
Normal, ele não dormia direito.
— Adoro seus olhos... – Murmurei, encarando-o profundamente. – O formato e a intensidade que eles expressam… São lindos.
— Eu os odeio. – Seu comentário me fez rir.
Hyuk tinha os olhos desenhados, como bonequinhos de mangá. Eram tão lindos, profundos e maravilhosos, que eu jamais cansaria de observá-los. Olhos estes que provavelmente causavam furor por onde quer que ele passasse.
— Adoro essa música. – E então mudou de assunto, tomando minha atenção curiosa para qual canção seria.
Tirei um dos fones do ouvido dele e aproximei da minha orelha para ouvir uma melodia que me acalmava.
Lifehouse – Everything, tocava.
— Eu também. A letra me faz lembrar nós dois. – Comentei.
Ele assentiu, pegou uma das trufas, começou a mordiscá-la e sorriu.
Céus! Como era bom ver aquele sorriso gengival lindo, que o fazia formar ruguinhas abaixo dos olhos.
— Posso provar sua trufa? – Ele perguntou quando fiz o mesmo ao provar o doce.
Quando vi que ele ia dar uma mordida na trufa que eu tinha nas mãos, eu a aproximei de minha boca, a esfreguei em meus lábios e murmurei: — Já pode provar.
Ele sorriu de novo. O olhar intenso se iluminou e ele me obedeceu, sem hesitar. Sua mão tocou meu pescoço e subiu com carinho aos meus fios, para que seus lábios encostassem-se aos meus. Com uma calma e uma meiguice que me deixaram a mil, ele os chupou, os lambeu e finalizou com um beijo doce.
— Delicioso… A trufa também.
Quando ele disse isso, larguei o resto do doce no pratinho que deixei em cima da mesa e me levantei. Tirei meu pijama e montei nele, só de boxer.
Antes eu tinha três vícios: refrigerante, morangos e chocolate. Agora eu já podia acrescentar um mais forte e poderoso, chamado HyukJae. Eu o desejava… E desejava com todas as minhas forças. Não importava a hora, o momento ou o lugar… Eu o desejava.
— O que você está fazendo, Hae? – Surpreso com minha iniciativa, ele tirou os fones de ouvido.
— Estou com dor de cabeça, pequeno…
Interrompendo qualquer diálogo, eu o beijei. Um beijo caliente, repleto de erotismo e de desejo, até que o fizesse me afastar necessitado por ar, para que pudéssemos respirar.
— Hyukkie, agora sim. Eu te quero com tuas ordens. Com vontade. Com desejo. Quero que você me foda. Quero que usufrua de mim. Quero tudo o que você quiser e quero agora!
Ele acomodou-se no sofá e, com cuidado, envolveu seus braços na minha cintura. Eu olhei para ele e percebi que não esperava minha atitude e que isso o deixou louco. Meus quadris ganharam vida própria e se moveram sobre ele. Sua resposta foi imediata. Notei aquele pênis delicioso e excitante crescendo entre minhas nádegas cobertas, e isso me estimulou ainda mais.
Uma das mãos de Hyuk abandonou minha cintura para subir pelas minhas costas até chegar aos meus cabelos. Ele os segurou e me puxou para si, com vontade e aquela possessividade sem fim.
Sim… Esse era meu Iceman!
Meu pescoço ficou totalmente exposto aos lábios carnudos dele, para que o chupasse, lambendo com ansiedade e capricho, fazendo-me expirar suspiros de prazer. A outra mão dele abandonou minha cintura e chegou até meu pênis, iniciando uma estimulação por cima da cueca. Os lábios continuaram a se mover por meu pomo de Adão, de um lado ao outro daquela região, marcando minha pele com sua impaciência.
Eu adorava. Adorava aquelas mordidas, chupões e sugadas que me deixariam marcado mais tarde, porque só assim eu poderia lembrar-me que só ele conseguia me deixar daquela forma. Apenas e somente ele.
Hyuk soltou meu cabelo e eu, finalmente, consegui voltar a cabeça para olhar seu rosto novamente. Suas mãos desceram juntas às minhas nádegas, apertando minha carne coberta com vontade, quase me levantando em seu colo. Em seguida, ele forçou minha bunda em seu pênis, esfregando-me ali sem se importar com a sensibilidade do local.
— Você me deixa louco… – Ele murmurou, puxando novamente meu cabelo para colar nossas bocas.
— E você me deixa mais ainda. Apesar de às vezes ser um escroto. – Mordisquei o lábio inferior dele, ganhando um sorriso safado que me fez grudar ainda mais em seu corpo.
— Hae… Seu braço. Cuidado. Vai se machucar.
A preocupação dele me fez suspirar. Porém, quando ele ia tomar as rédeas da situação, eu segurei uma de suas mãos e aproximei a boca de sua audição, brincando com a língua por todo o lóbulo com um sussurro provocante:
— Não… Hyukkie… Eu quem mando agora. – Lambi e chupei a pontinha da orelha dele, de forma bem sexy e sensual, dando uma mordiscada ao final. – Esse é seu castigo por não ter cooperado comigo há algumas horas na minha cama.
— É. Acho que vou ter que começar a te castigar, como você faz comigo.
O olhar carregado de erotismo e luxúria dele me deixou extasiado. Por alguns segundos, ele resistiu a permitir que eu controlasse a situação, que eu o possuísse ou fizesse algo para abaixar seu ego. Mas notei suas mãos voltando às minhas pernas e, enquanto as deslizava por todo meu corpo, os lábios permitiram um sorriso extremamente sensual.
Decidi jogar o jogo dele e me deixei levar pela excitação. Peguei as mãos largas dele e as retirei das minhas coxas, ao mesmo tempo em que ordenei: “Está proibido de me tocar”. Ele gesticulou, querendo protestar e enrugou a testa. Mas vi que permaneceu quieto.
Coloquei-me de pé no estofado e libertei meu pênis duro, levando-o próximo àquela boca gostosa dele. Ofereci meu pau a Hyuk e o obriguei a primeiro chupar apenas minhas bolas, para depois lamber toda a extensão. Quando ele ia envolver minha glande, eu o afastei.
— Hm… Hae-ah… – Ele gemeu em protesto e eu sorri de canto, safado e completamente maravilhado por estar comandando tudo.
— Me dá sua mão – Pedi, ainda tentando comandar um tom de ordem em meu timbre rouco e sensual.
Passei a mão dele por minha perna até chegar à parte interna das minhas coxas. Deixei que me tocasse, sentindo-o logo envolver meu pau entre os dedos. Também permiti que se dedicasse ainda mais, porém, quando se animou, começando uma masturbação deliciosa em mim, eu o obriguei a tirar a mão e levar à sua própria boca. Esperei que ele sentisse o gosto umedecido em seus dedos e o encarei, como um predador calculando cada gesto e movimento de sua presa.
— Duro e pulsando como você gosta, não é? – Murmurei entre os dentes, rouco e inebriado por uma aura irreconhecível de sensualidade enquanto esfregava meu pau pelos lábios dele, sem pudor algum. Ele tentou me segurar de novo pela cintura, mas o afastei. – Proibido de me tocar, Hyuk-ssi.
— Lee DongHae… Modere suas ordens! – Hyuk protestou e eu sorri, um sorriso filho da puta. Já ele não moveu os lábios da mesma forma. Estava sério, e eu gostava disso.
Voltei a me apoiar nos joelhos, um de cada lado do corpo dele. Assim, subi minha mão boa até o pescoço de Hyuk, colocando-a entre o sofá e sua cabeça. Dessa forma, segurei o cabelo dele e o puxei, assim como ele adorava fazer comigo, porém com cuidado. Eu não queria aumentar a dor de cabeça que ele estava sentindo. O pescoço dele ficou totalmente exposto aos meus desejos enquanto senti seu coração bater contra nossas peles unidas.
— Não esqueça que agora quem manda sou eu.
Coloquei minha língua para fora e chupei toda a pele branquinha do pescoço dele, me deliciando com seu sabor. Subi mais um pouco e finalmente me acabei em sua boca, dominando um beijo com fervor, que até mesmo eu não me reconheci. Deliciava-me naqueles lábios prazerosos, os devorando com toda minha vontade e escutando um gemido profundo sair de dentro deles.
Puxei os fios dele para afastá-lo um pouco e o fitei diretamente, afogando-me em seus orbes escuros, repletos de uma areia movediça que me puxava a qualquer momento em que eu os olhasse. Em seguida, ajeitei-me no sofá para aproximar novamente meu pênis de sua boca, porém, quando ele estava prestes a me chupar, eu o afastei, adorando o contorcer nervoso e irritado causado por cada ação negada que lhe era proporcionada. A cada segundo eu me sentia mais alterado por um tesão irreversível.
Sem deixar de encará-lo, deslizei entre as pernas magras de Hyuk e, com cuidado para não forçar meu braço, enfiei minha mão dentro de sua cueca. Agarrei seu pênis e seus testículos quentes entre meus dedos nervosos e afobados, colocando-os para fora.
Aquela pulsação poderosa da glande inchada dele fez meu corpo todo estremecer e minha boca salivar de impaciência. Quando aproximei meus lábios do prepúcio rosado e o introduzi em minha boca, senti que Hyuk era quem estremecia. Minha língua gulosa passeou por aquele pau estufado por veias e o encheu de beijos carregados de erotismo e desejo.
Brinquei de forma carinhosa com aquele pênis, até que os gemidos de seu dono me fizeram olhar em direção à expressão que fazia. Hyuk estava com a cabeça recostada no sofá e os olhos fechados. Seu rosto estava tenso e ele todo tremia de prazer. Uma cena completamente obscena, que me faria endurecer no mesmo instante quando me voltasse em lembranças.
— Imagine que estamos no clube de swing… Alguém nos olha e você permite que essa pessoa me toque enquanto me chupa. – Eu sugeri alto para que ele me escutasse, notando suas mãos em minha cabeça começarem a querer ditar uma velocidade. – Gosta disso?
— Yeah… – Ele conseguiu dizer enquanto embrenhava seus dedos nos meus cabelos.
Senti o quadril de HyukJae se mover e o pênis dele se acomodar ainda mais em minha boca. Isso me dava forças para continuar enquanto vi que ele todo se contraía de prazer. Com delicadeza, dei mordidinhas ao redor da cabecinha e me detive num trecho bem fino de pele. Minha língua deslizou por ali, fazendo-o se mover e respirar ofegante, principalmente quando a segurei com meus lábios e puxei.
Lembrei-me da trufa que estava sobre a mesa e sorri. Peguei um pouco do recheio com meu dedo e passei na ereção dele, divertindo-me com os contorceres que ele dava. Como se fosse um sorvete de chocolate com recheio de leite condensado, eu o chupei e me deliciei de forma bem ousada.
— Da próxima vez, será você que passará doce no meu corpo e fará quem quiser me chupar… – Murmurei com a cabeça do pau dele se esfregando em meus lábios, de um jeito obscenamente erótico.
— Ohn… Shit… – Ele respirava ofegante, sequer se dava conta dos palavrões em inglês que soltava, morrendo de prazer sob meus comandos.
Agarrei os testículos dele e os massageei. Ele teve um espasmo delicioso, depois outro, e eu sorri ao ouvi-lo suspirar.
Sedento por aquele pau delicioso na minha frente, voltei a ele. Tentei enfiá-lo com cuidado em minha boca, mas estava tão duro e inchado, que já não cabia, então decidi subir e descer minha língua por toda a extensão enquanto o sabor da trufa me fazia aproveitar ainda mais.
O que eu fazia o deixava louco. Decidi então repetir minhas palavras algumas vezes até que seus gemidos ficassem mais contínuos e fortes. Seus quadris me acompanhavam, seus dedos em meus cabelos ficavam tensos e ele dava solavancos em minha boca. A sensação me embriagava. Eu estava comandando e possuindo HyukJae com minha boca e gostava de tê-lo em minhas mãos, em meu poder.
Coloquei a mão no abdômen definido dele e cravei as unhas ali, fazendo-o respirar ofegante, ao mesmo tempo em que seus quadris não paravam de se mover. Depois a desci novamente, e agarrei a glande endurecida. Comecei a masturbá-lo com movimentos potentes, do jeito que ele gostava, enquanto eu fantasiava e dizia a ele sobre o que outro homem estaria fazendo comigo. O corpo dele se contraiu uma e outra vez, mas ele se negava a deixar-se levar ao meu comando. Hyuk não aceitava que, pela primeira vez, eu o estivesse controlando.
— Sobe em mim, Hae-ah… Por favor…
Sua voz suplicante e meu desejo inflamado por ele me levaram a quase obedecer, se não fosse meu orgulho de querer fazê-lo pagar pelo que antes havia me feito passar. Respirei fundo, tentando não ir e sim fazê-lo vir. Mas eu precisava de mais. Muito mais para que ele entendesse que eu também poderia tratá-lo como bem entendesse. Ele tinha que descobrir um DongHae em mim, que não fosse possível ser manipulado como uma peça, e sim, comandá-lo também, quando eu quisesse.
Droga… Não consigo… Eu o quero… Quero sentar nele e quicar até gozar bem gostoso, do jeito que apenas e somente ele sabia me proporcionar.
— Vem, Hae-ah… Senta aqui… – O pedido foi feito de um jeito ainda mais erótico. A mão dele escorregava pelo próprio abdômen até que encontrasse a ereção. Se eu não me controlasse, obviamente teria orgasmado com a cena. – Você está me deixando louco com essas coisas que diz…
— É isso que eu quero… – Cravei meus olhos aos dele, disposto a tudo. Subi em seu colo, sem deixá-lo me penetrar, e fiquei esfregando minha bunda provocantemente sobre a ereção dele. – Quero participar do seu jogo e fazer tudo o que você quiser, porque seu prazer é meu prazer e eu quero experimentar tudo com você.
— Hae-ah… – Ele gemeu ofegante, louco para enfiar aquele pau duro na minha bunda.
— Tudo… – Colei nossos lábios, roçando-os desejoso de um beijo voraz, sem parar de esfregar seu pau entre minhas nádegas, ousando de uma obscenidade insana. – Hyukkie… Tudo.
Enlouquecido, me segurei no ombro dele com apenas uma das mãos para facilitar minha provocação. Ele, impaciente, me agarrou pelo pescoço, fazendo-me subir e descer para que se encaixasse completamente em mim. E sabendo que eu não aguentaria por muito tempo, levantei.
— Não… – Esbocei o melhor sorriso safado e malicioso que um dia eu já consegui. – Quero te castigar tentando algo que eu tenho curiosidade…
Passei meu olhar por todo o corpo dele à minha frente até que, em uma lentidão torturante, voltei a fitá-lo diretamente. Entreolhamo-nos por segundos ininterruptos. Nossos olhos fervilhavam, ávidos, quase transbordando de tanta luxúria e tesão. Estava escrito e rabiscado no brilho de nossos olhares o quanto nos desejávamos. Se fosse possível, até faíscas sairiam entre aquele contato único entre nós dois.
— Quero tapar seus olhos e te prender enquanto te vejo contorcer sem poder saber o que estou fazendo… – Mantive o olhar despudorado ao dele, curvando os lábios sensualmente em um sorriso malicioso, que eu tinha a certeza de estar sendo tentador. – A não ser quando eu, ou algo, te tocar…
A reação dele não poderia ter sido mais assustadora. HyukJae arregalou os olhos e os piscou centenas de vezes que até perdi a conta. Mas ao mesmo tempo em que ele estava surpreso com minha vontade, estava também com um puta tesão dos infernos. E eu podia muito bem ler isso em cada respirada ofegante que ele tentava controlar.
— Não. – Respondeu seco, puxando-me para perto novamente. – Não vai fazer nada.
O safado praticamente me obrigou a colocar um joelho em cada lado de seu corpo e quase me sentou em seu colo novamente, se não fosse por meu controle de querer terminar o que eu pretendia fazer.
— Mas eu não fiz uma pergunta… – Rebati, firme e direto.
Abaixei a cabeça e observei os movimentos com os quadris que ele me forçava a fazer para que sua ereção roçasse entre minhas nádegas e me deixasse enlouquecido, querendo sentar de uma só vez naquele pau deliciosamente pulsante. Mas, novamente, envolto em minha aura de coragem, voltei os olhos lentamente ao dele com um sorrisinho safado.
— Eu disse que quero. – Empurrei o corpo dele contra o sofá e o fiz relaxar no estofado enquanto eu me deitava por cima, entre suas pernas.
Tive cuidado com meu braço e me apoiei no que estava bom, deixando que minha ereção roçasse à dele, em uma fricção maravilhosa que me fez jogar fora alguns gemidos roucos e baixinhos, quando ondulei meu quadril, esfregando nossos sexos lentamente. Ele ainda não estava ciente do que eu queria ou tentaria fazer e, por isso, deslizou ambas as mãos pela linha de minha coluna e as repousou sobre a pele nua de minhas nádegas. Ali, deixou que a palma escorregasse mais um pouco, até que conseguisse apalpar-me generosamente em um delicioso puxão, fazendo-me esfregar depravadamente naquele atrito fervoroso de nossos falos pulsantes. No entanto, num movimento rápido dele, que me pareceu querer trocar as posições para que eu não forçasse o braço, ergui-me antes, apoiado nos joelhos entre suas pernas.
HyukJae olhou meu corpo de cima a baixo, talvez guardando para si cada pedacinho de meu peitoral malhado enquanto descia mais um pouco aqueles orbes cintilantes de luxúria à minha ereção, que estava à exposição deliberada de obscenidade. Embora minhas bochechas estivessem coradas por como ele, literalmente, me comia com apenas um olhar, deixei minha timidez ir caçar coquinho.
Deslizei a mão boa pela coxa dele, subindo todo o caminho apenas com a ponta de minhas unhas curtas, porém afiadas, que certamente arrepiava todo o trajeto até chegar ao meu objetivo central: aquele suculento pau.
— Para de me torturar, pequeno… Vem… Senta aqui… – Hyuk sugeriu, tão tentador e sexy ao olhar para a própria ereção que, novamente, eu quase me deixei levar pelo impulso de um passivo submisso à suas vontades.
Ignorei de novo. E, se fosse possível, ignoraria mais uma vez apenas para mostrá-lo que eu também poderia desejá-lo tanto quanto ele a mim.
Envolvi o falo rijo daquele homem malditamente gostoso à minha frente e iniciei uma masturbação, sentindo o quão quente e escorregadio ele estava pelo líquido pré-seminal começar a escorrer despreocupadamente entre meus dedos, facilitando ainda mais a movimentação de meu braço. Somente pela dormência em meu pulso que parei o que eu fazia. Mas com uma coragem nunca antes ousada, deixei que meus dedos tomassem vida própria, escorregando-se pelos testículos dele até que pudessem tocar seu períneo.
Eu sabia o quanto aquele local era sensível a um homem, de tanto que ele mesmo havia me estimulado em suas provocações. Então pressionei o indicador, quase gozando com a expressão que ele fez. O mais surpreendente foi que ele… Não me parou… HyukJae deixou que os lábios inchados e avermelhados entreabrissem quase em câmera lenta enquanto dobrava uma das pernas para que eu continuasse a tocá-lo ali. Mesmo que não fosse seu interior, eu estava tão perto que não desejei parar, e só o faria se ele pedisse; coisa que não aconteceu.
— DongHae, o que pensa que está fazendo? – Hyuk questionou, finalmente, quando escorreguei mais um pouco o indicador, tocando-lhe a região franzida que dava entrada ao ânus.
Por um momento, parei para pensar que talvez ele já não fosse mais virgem daquele buraquinho, já que sempre deixou claro que gosta de sexo sem restrição. Mas não me permiti ficar pensando, para não ter vontade de fazer mil e uma perguntas e tirasse a atenção de meu desejo.
Continuei, ignorando novamente, mas respondendo-lhe com o olhar, quando pressionei ainda mais o indicador ali e o vi estremecer, contraindo o orifício assustado.
— Hyukkie… – Chamei manhoso, incontrolável em meu timbre rouco e sensual, fazendo-o entender o que eu claramente queria tentar.
— Nem pensa! – Ele exclamou, puxando-me com cuidado para cair sobre seu peitoral, na intenção de tirar minha atenção de seu buraquinho.
Não me dei por satisfeito e dei graças aos céus por ele ter me pego daquela forma. Bobo era ele se estivesse tirando minha atenção de lá. Só me fez fixar ainda mais em meu desejo. Meu pênis acabou escorrendo entre as nádegas dele, para cima e para baixo. Nossos rostos estavam tão próximos, que pude sentir nossas respirações batalharem para ver qual estava mais descompassada.
— Por quê? É só sentir… – Sussurrei, tentando forçar meu pênis para entrar logo naquela cavidade apertada, escorregando ali de tanto desejo que tinha. Ele tentava a todo custo me afastar de si, mas querendo ao máximo não tocar em meu braço, o que lhe deixava dificultado para qualquer ato. – Ai, Hyukkie… – resmunguei, como se meu braço estivesse doendo, o que eu nem estava ligando, mas apenas para vê-lo se preocupar e retirar a força que tentava me empurrar. – Me deixa provar, vai.
— Não! – Mantendo a palavra, ele parecia um pouco irritado com minha permanência entre suas pernas. Eu não ligava para o incômodo que poderia estar lhe proporcionando, e não sairia dali até conseguir. – Você vai machucar esse braço, pequeno… Se levanta com cuidado.
Enquanto ele estava preocupado em me tirar de cima e cuidar do meu ferimento, joguei às tralhas a dor do braço e me apoiei todo em seu peitoral, levando a mão boa ao meu falo para posicioná-lo em cheio no orifício dele.
Os olhos de HyukJae arregalaram-se enquanto os meus jogavam lágrimas dolorosas fora, devido ao latejar quase mortífero de minha luxação. Tive vontade de gritar e eu nem sabia se era pela dor em todo meu braço ou se era pelo prazer absoluto que senti quando penetrei o homem que me enlouquecia com seu gemido. Por isso, consegui apenas ecoar um gemido gutural, bem másculo e excessivo de prazer. Nunca pensei que fosse tão delicioso estar quase dentro dele, mesmo que sem permissão.
— Shih… Só… Sente comigo, por favor… – Gemi ofegante, arrastado e manhoso, deixando meu rosto escondidinho entre o pescoço dele.
— Dong… Ha-ahn… Hae… – Ele cravou os dentes em meu ombro, descontando ali toda a dor repentina que sentiu com a invasão.
Eu ainda estava tentando me acostumar com aquela pressão esmagadora sendo exercida em meu pênis, sem nem mesmo ter entrado totalmente. Mas os gemidos de HyukJae, tão próximos à minha audição, de forma tão arrastada, dolorida e sensual, me levaram ao céu e inferno ao mesmo tempo. Jamais imaginei que eu teria coragem de pedir ou fazer isso, porém, se não fosse naquele instante, talvez eu não conseguisse de novo.
Aproveitando que eu choramingava pelo latejar no braço, unido de um prazer delicioso, comecei a mexer meu quadril calmamente, sentindo as mãos dele maltratarem minhas costas com arranhões como os que gatos fazem quando tentavam fugir da água.
— Não me nega, Hyukkie… – Minha voz estava mais rouca que o normal, batalhando entre a respiração que teimava em se descontrolar, misturando-se a gemidos quebrados. – Eu quero te fazer sentir meu prazer…
Subi meus lábios molhados e quentes por toda a pele do pescoço dele, até me deter em sua audição, onde deixei que minha boca jogasse ali todos meus gemidos transpassando minha respiração acelerada e entrecortada. Ele mexeu levemente a cabeça, como se a sacudisse para se livrar dos arrepios que eu certamente lhe causava. Isso me fez sorrir, sabendo o quanto eu também conseguia fazê-lo transbordar de prazer.
Se não fosse pelos gemidos que ele deixava ecoar com tanto desejo; uma de suas mãos em minha cabeça para manter minha boca em seu pescoço; e a outra em minha coxa apertando minha carne com vontade para que eu ondulasse mais, eu certamente teria parado.
E com uma estocada mais profunda, me afundei dentro dele, sentindo como seu corpo estremecia e tremia por eu tocar sua próstata diretamente. Os gemidos dele iam dos mais altos aos mais baixos enquanto ele se contorcia tentando me tirar de cima de si. Mesmo que seu corpo dissesse o quanto estava gostando de me ter dentro, ele e aquele ego todo, não se deixavam levar pelo desejo.
— Você é tão gostoso, nossa… Aahh… – Soltei todo o ar de meus pulmões contra o ouvido dele, ondulando o quadril em um vaivém lento e gostosinho, afogando-me naquela sensação maravilhosa que invadia meu corpo de um jeito avassalador. – Tá gostando de estar sendo fodido assim, hm?
O poder das minhas palavras fez HyukJae acordar de um súbito momento passivo, para que apertasse a carne em minhas nádegas e me puxasse para cima. Meu pênis escorregou para fora dele e, sem que eu soubesse como ele havia feito, sentei-me em seu colo. Arregalei os olhos e o fitei diretamente, entendendo o que ele faria. E num impulso certeiro, ele esticou os dois lados da minha bunda e enfiou aquele pau gostoso em mim, sem piedade.
Gritei exasperado, excitado e indignado. Meu orifício ardia pela penetração repentina e meu pau latejava, como se por ali, de uma hora para a outra, explodisse toda a minha excitação.
— O papel de ser fodido é todo seu, DongHae. – Ele vociferou, cuspindo as palavras com tanta sensualidade, que eu senti meu corpo tremer, enlouquecido e submisso.
Meu nome e o modo rude dele falar, sendo jogados fora entre aqueles lábios carnudos e extremamente vermelhos, faziam meu corpo reagir enlouquecido. E eu não sabia explicar se era um prazer de ser submisso, ou se era o prazer de adorar aquele jeito selvagem dele. Eu sequer sabia o que exatamente me domava em HyukJae, mas apenas sabia que ele todo conseguia fazer isso em questão de segundos.
Tentei me recompor e ajeitar minhas pernas apoiadas sobre o estofado, mas nem isso ele me dava a vantagem de fazê-lo. Parecia estar se vingando da minha ousadia de antes, e por incrível que pareça, eu estava adorando. Eu queria mais. Queria sentir HyukJae me foder com força, metendo aquele pau bem fundo na minha bunda, sem me deixar respirar pedindo para parar.
Obviamente eu não me contentaria em apenas deixá-lo fazer como queria.
— Mais! Vai… Não consegue? Hm… Então me fode com força!
— Ohn… Viu? Quem pede para ser fodido? – Com isso, ganhei uma palmada estalada na bunda, seguida de um aperto no local que fez minha carne mais parecer um elástico. Ele empunhava cada vez mais uma força animal para que eu quicasse em seu falo. – Você, seu gostoso!
A glande dura e quente de HyukJae entrou e saiu de mim, com desespero, enquanto meu ânus se contraía e o sugava em uma pressão quase esmagadora. Mexi os quadris freneticamente e estremeci conforme ele, com movimentos fortes e devastadores, continuava me levando ao ápice de um maravilhoso orgasmo.
Meu pau chocava contra o abdômen dele enquanto eu quicava sendo fodido com força e vontade, revirando os olhos e jogando fora gemidos altos de puro deleite.
Para me deixar ainda mais louco, ele agarrou meu falo entre os dedos e apertou a região próxima à minha glande, quase me matando de tanto prazer. Senti meu corpo tremer e a expressão de HyukJae se contorcer em tesão junto da minha. Ele começou a me masturbar com tanta fúria, que pensei que esfolaria toda a pele do meu pau. Mas eu não ligava, tanto que em uma estocada mais profunda, um orgasmo avassalador invadiu meu corpo. Durante meu deleite, ele continuou me fodendo com fúria até que não conseguisse mais segurar.
— Hm… Isso… Ahhn… – Gemi manhoso, olhando toda a porra que meu pau jorrava por todo o abdômen dele.
Logo em seguida, aconteceu o mesmo com ele. HyukJae gozou gostoso enquanto eu o escutava gemendo arrastado e rouco entre a respiração ofegante, sussurrando meu nome entre ofegos e contrações.
Eu ainda continuava ali, rebolando e tentando ao máximo contrair e esmagar aquele pau dentro da minha bunda, que me levava à loucura. Mas quando o pênis dele escorregou para fora de mim, deixei que meu corpo deitasse e se aconchegasse em seu peitoral.
Extasiado e suado, fiquei tentando brigar com minha respiração por um controle em que eu pudesse sentir o ar em meus pulmões com tranquilidade.
HyukJae não havia brigado comigo pelo que eu tinha feito, muito menos tocado no assunto. Não deixei que minha curiosidade de saber sobre estragasse tudo naquele momento, mas com certeza eu perguntaria outro dia. Havia sido tão gostoso, pelo menos para mim, e eu queria saber se o meu prazer também havia sido o dele por alguns segundos. Por mais que estava na cara que ambos sentíamos a mesma intensidade no momento, estava estampado na dele que, não queria se deixar levar pelo prazer de ser domado por seu submisso. Apenas por isso, não toquei no assunto e pensei em questioná-lo sobre, num outro dia.
Depois de um maravilhoso sábado juntos, na madruga de domingo eu acordei por volta das seis da manhã e ouvi uns barulhos estranhos no banheiro. Levantei e me surpreendi ao vê-lo vomitando. Quando Hyuk notou minha presença, pediu irritado que eu saísse e esperasse do lado de fora. Obedeci, mas assim que ele finalmente saiu com uma expressão de dor e atirou-se no sofá de olhos fechados, eu corri para me aproximar.
— O que houve? – Perguntei preocupado.
— Alguma coisa que comi ontem à noite.
— Quer um chá de camomila para acalmar o estômago?
— Por favor… – Ele murmurou, recusando minha cortesia com um balançar negativo de cabeça. –... Apenas apague a luz e volte a dormir.
— Hae. – Sussurrou irritado.
— Mas como você é resmungão, nossa!
— Tá bom… Sou resmungão. Agora, por favor, faça o que te pedi.
Desapareci da sala e me deitei na cama, sem dizer mais nada. Eu não queria dar muita importância àquilo e esforcei-me a entender que, se ele estava mal, o que menos queria era que eu ficasse ao seu lado fazendo perguntas.
Adormeci de novo e só acordei por volta das dez da manhã. Assim que abri os olhos, vi Hyuk ao meu lado. Olhei todo o rosto dele, percebendo que estava com uma boa aparência e então sorri, deixando que uma cócega de felicidade acompanhada de um arrepio por vê-lo ao meu lado, me dominasse como um bobo apaixonado.
— Bom dia. – Ele sussurrou, fazendo-me aumentar a intensidade de meu sorriso.
— Estou ótimo. Como eu disse, alguma coisa que comi deve ter caído mal. – Hyuk se explicou e eu fiz menção a responder, sendo interrompido por seu dedo indicador. – Olha o que eu preparei para você.
Acompanhei com os olhos a direção que o dedo dele mostrava e acabei sentando-me na cama. Aos meus pés havia uma bandeja com o café da manhã. E, sobre ela, uma flor de papel feita à mão. Como um bobo, eu a peguei e sorri abertamente, parecendo uma criança completamente feliz ao receber um doce pela primeira vez. Ele se sentou também, aproximou-se de mim e selou os lábios aos meus, em um selar terno e carinhoso.
— Me dá um lugar na cama. – Ele murmurou ao roçar os lábios por meu ouvido. – Depois tomamos o café. O que acha?
— Hm… Acho ótimo… – Sorri, arrepiando-me com aquela voz em meu ouvido, que me tirava completamente o sentido.
Deixamos a bandeja de lado e nos entregamos a um sexo matinal maravilhoso, que meu corpo cismava em demonstrar que era muito mais que isso. Eu já não sabia mais esconder o sentimento que dentro de mim crescia por HyukJae, e às vezes me doía não poder expressá-lo em palavras.
Por volta do meio-dia, após termos nos saciado, ele estava tão bem e tão recuperado, que lhe sugeri mostrar algumas partes de Seul. O levei até o metrô, um lugar em que eu sabia que Hyuk nunca esteve.
— Pelo menos sou o primeiro em alguma coisa. – Comentei com graça, fazendo-o rir. – O primeiro a te levar em um metrô!
Antes que ele pudesse responder, descemos na estação movimentada. Pude ver como a surpresa dele ao ver as pessoas era enorme. Ver tanta gente, de todo o tipo, o deixou atordoado.
Dali em diante, agarrei na mão dele e saí arrastando-o pela cidade até encontrarmos uma feirinha, onde ele insistiu em me comprar um relógio caríssimo. Para ele, qualquer dinheiro era pouco, mas para mim era muita coisa. Acabei aceitando, mas, em troca, em outro lugar, eu lhe comprei uma camiseta de cor vermelha com a frase “Saranghaeyo… Pabo”. O fiz tirar a blusa no meio da feirinha e tentei convencê-lo a vestir o presente que lhe dei. Ele aceitou e ficou lindo com a blusa.
Tiramos várias fotos com meu celular e eu as guardei como meu maior tesouro. Depois continuamos a andar pelas ruas, até que ele se afastou e pediu para que eu ficasse o esperando ali. Vi que ele se direcionou a uma barraquinha de chaveiros, antes de eu me distrair sorrindo à toa com nossas fotos em meu celular. Estava quase me afogando em meu mundinho abobalhado, tocando a tela sensível do aparelho, quando ele se aproximou e me surpreendeu ao balançar no ar dois chaveirinhos unidos com partes de nosso nome. Parecia um daqueles colares de coração, em que você puxa uma parte e a outra fica com a pessoa amada. Fiquei emocionado ao ver um “EunHae”, mas ele não deixou que eu o tocasse. Só depois que caminhamos um pouco mais – pois algumas pessoas passavam e tocavam acidentalmente em meu braço, e ele ficava cada vez mais horrorizado com a possibilidade de eu sentir dor outra vez. Acabei cedendo e compramos um sanduíche para nos sentar no gramado verde do grande parque.
— Agora me dá. – Resmunguei, tentando pegar o chaveiro da mão dele após termos devorado nossos sanduíches. – Quero ver na minha mão.
— Calma, pequeno. – Hyuk retirou o objeto do bolso e o deixou pendurado entre nossos corpos. – Puxe uma parte.
Por um segundo, meus olhos detiveram-se no chaveiro que continha duas partes, uma em que eu puxaria e a outra dele. Nossos nomes se partiriam, para que cada um ficasse com uma. Meu coração ficou apertadinho e voltei meu olhar ao dele, sabendo que aconteceria o mesmo conosco. Após eu puxar o “Eun” do “Hae”, ele voltaria para a América em seu jatinho particular e se afastaria de mim, e não existiria o nosso “EunHae”, como eu ainda conseguia ver à minha frente. Eu já estava com saudades e ele ainda nem havia ido embora.
— Anda, pequeno… – Hyuk despertou-me da minha melancolia, balançando o objeto para eu puxar.
Puxei a parte do nome dele e senti uma vontade enorme de chorar, porém mantive-me forte e deixei que meu corpo tombasse no gramado ao me deitar e fitar o céu diante de nossas cabeças.
— Você vai voltar, né? – Perguntei, incapaz de ficar quieto.
Ele, como sempre, pensou bastante antes de responder.
— Claro que sim, pequeno. Parte da minha empresa está na Coreia.
Respirei, completamente aliviado.
— O que é isso de tão importante que te fez interromper a viagem? – Continuei perguntando com minha curiosidade. Ele não respondeu. Apenas me olhou, talvez ponderando alguma resposta. – É uma mulher? – Insisti. – Não é?
— Tenho obrigações que não posso deixar de cumprir e vou voltar. – Sua resposta era tão fria, que decidi me calar.
Estou passando dos limites e não sei mais como me comportar perto dele…
Deixei meu olhar se perder nas copas das árvores. Estava ventando e eu adorava vê-las se movendo. O céu estava tão cinza, mas isso incrivelmente me relaxava. Não havia pessoas à nossa volta, por mais que ali onde estivéssemos era um parque bem movimentado em dias de sol.
— Hae… – Ele me chamou, colocando sua cabeça em meu campo de visão.
— Tudo bem, eu passei da conta. Sou muito curioso.
— Tá bom… já entendi. – Interrompi, forçando um sorriso amarelo em meus lábios. – Quem sou eu para te fazer essas perguntas, ne?
— Hae, me ouça, por favor. – Seu tom de voz fez com que eu olhasse para ele. – Promete que vai continuar com sua vida exatamente como era antes de eu aparecer. – Ao escutar isso, franzi o cenho e fiz menção de responder, mas ele pôs o indicador em minha boca para continuar: – Quero que me prometa que sairá com seus amigos e que vai ficar bem. Inclusive que vai voltar a ficar com aquela mulher com quem se enfiou no banheiro do bar e com aquela tal de Jessica, de Mokpo. – Meu coração acelerou. Se ele soubesse que as duas eram as mesmas, não falaria isso para mim. – Quero que o que houve entre nós dois fique na lembrança, como algo que aconteceu e nada mais. Não quero que você dê tanta importância a isso e…
— Espera… – Adverti a continuidade das palavras dele, respirei fundo, tentando não fazer com que as lágrimas em meus olhos caíssem – Vamos lá. – E tirei bruscamente o dedo dele da minha boca. – Por que isso tudo agora?
— Estou retomando a conversa que tivemos na sua casa.
Fiquei indignado ao lembrar-me daquilo. Tentei me levantar do chão, mas ele montou sobre mim, segurando o único braço bom por cima da minha cabeça para me imobilizar. Meu corpo gelou pelo local público em que estávamos, mas nossa sorte é que não estava movimentado naquele momento.
— Preciso que você me prometa o que eu pedi.
Eu não consegui entender o que estava acontecendo. Não conseguia entender por qual motivo ele queria que eu prometesse o que me pedia. Mas a determinação em seus olhos me fez mover os lábios, como um simples submisso que acatava suas ordens a qualquer instante:
A expressão no rosto dele descontraiu no mesmo instante que ouviu minha sentença. Depois disso, ele desceu o rosto até minha boca e tentou me beijar, porém, virei o rosto para impedi-lo. Eu estava abalado demais para poder dá-lo um beijo de despedida ou coisa do tipo.
— Você acabou de recusar um beijo meu, Lee DongHae? – A pergunta foi acompanhada de uma bufada e uma risada indignada.
— Simplesmente porque não quero te beijar. – Irritado, o tirei de cima e me sentei, limpando minhas roupas com uma cara de poucos amigos. – Ainda mais aqui!
— Neste momento você me acha um escroto? – Ele perguntou, divertido, franzindo os lábios com um bico que eu achei a coisa mais linda do mundo.
— Acho. – Decretei, observando-o de rabo de olho. Eu estava morrendo de vontade de me jogar em cima dele e morder aqueles lábios inchados e apetitosos, mas me contive. – Um completo escroto, EunHyuk-ssi.
Hyuk voltou a me puxar e nos deitamos novamente no gramado, lado a lado. Contemplamos as copas das árvores e não trocamos mais nenhuma palavra. Minutos depois, ele pegou minha mão e a apertou, e eu fiz o mesmo. Uma hora mais tarde, o celular dele tocou. Era o motorista, que nos esperava na saída do parque.
Em silêncio, lado a lado, caminhos até o carro. Ao nos avistar, KangIn abriu a porta do automóvel para entrarmos. Já do lado de dentro, notei o olhar pensativo de Hyuk, deixando-me completamente curioso para saber o que estava pensando. Mas eu não iria perguntar.
Quando chegamos à minha casa, ele tirou o próprio chaveirinho do bolso e mostrou a parte de meu nome que ficaria consigo. Suspirei e permiti que ele se aproximasse para selar meus lábios com carinho, ao mesmo tempo em que afastava o cabelo do meu rosto.
— Sempre que eu mexer em minhas chaves, vou me lembrar de você. – Ele murmurou com uma voz tão fraca, que fez meu coração doer. – Não se esqueça, que também pode se lembrar de mim.
Não consegui responder. Era uma despedida, eu podia sentir. E se eu abrisse minha boca para falar, com certeza iria chorar, e isso era uma coisa que eu não queria que ele visse. Apenas sorri e assenti uma única vez, vendo-o me encarar enquanto fechava a porta e nossos olhares sumiram detrás da madeira.
E foi nesse momento, que me dei conta de uma grande verdade…
Eu estava completamente entregue e apaixonado por meu chefe.