… Reticências! Era isso que me revirava a dor, Zé, reticencias. São as esperas, a continuidade de uma conclusão não feita e isso foi tudo, o que ela fez. Marcou três pontos em mim, brilhosos de longe. Primeiro foram aqueles dois reflexos no meio do nada me fitando, sob mim o paredão dos olhos imutáveis. Como se não bastasse ela chegou no ponto de me amar. Ela disse, eu juro que ouvi, até por que não foi só uma vez. Ou duas. Ela repetia sempre, pois é, agora a historia que falar uma mentira 1000 vezes ela torna-se verdade já está provada. Zé, é mentira! Ela me pôs em ponto de interrogação, primeiro interrogou meu ser inteiro, que logo se viu em desespero e respondeu tudo como quem segue firmemente a lei, mas eu era fraca. Ainda sou. Mas eu poderia lidar com isso, em algum momento eu pude, porém ela colocou interrogação no meu amor. E ela foi assim, colocando os pontos luminosos das três Marias, exclamação, dois pontos. Nesse jogo atordoante, cheio de blefes foram incontáveis aos pontos perdidos e achados, foi me pontuando e perdeu. Botou sem dó tudo o que foi ponto em mim, mas Zé, ela deixou a ferida aberta com as reticencias, com ponto e virgula, parêntese e colchetes .Tanto espaço. Cacete! Ela abria um travessão e não falava, não tinha coragem de usar nem discurso indireto. Até na narração foi fraca. Na introdução errônea, ela botou tudo de nós, de forma que mal sobrará pro resto. Mas sobrou. Zé, sobrou pra mim. No desenvolvimento eu já parecia um feto dependente da mãe. E ela abortou, abordou o silencio. Transcrevi o final só e nem um tchau a moça teve coragem de me dar. Agora o que restou de nós faz eco nisto, de ser uma historia inconclusa, com enorme sabor de continuidade do nada. Eu sou nada. E me diga, e agora Zé, o que eu faço com o nada? Já sei, já sei, reticências…











