18 de Agosto.
Nossa, estou quase lá. Ainda não acredito que amanhã faz um ano que tudo começou. Como você foi o mais próximo do paraíso que eu já cheguei, estando na porta do inferno? Hoje faz um ano daquela viagem que eu fiz, e que você me ensinou a usar o telegram para que ficássemos em contato o dia inteiro. Hoje você nem me responde qualquer que seja a mensagem que eu te envie, mesmo que haja certa importância. Faz um ano que te mandei fotos, que selamos apostas erradas e descobrimos nossos limites. Agosto é provavelmente um dos meus meses menos favoritos agora. Porque cada dia dele, exala você. Eu te sinto todos os dias, como um deja vu inconsciente e indesejado. Eu releio meus desabafos da época, e me dói quando constato o quanto meus medos eram certos e se concretizaram. Eu nunca pensei o quanto eu poderia ser feliz um dia, para logo no outro estar miserável. Não consigo entender como 365 dias me destruíram tanto. Parece que corri uma maratona, lutei uma guerra, fui assassinada devagar pelas minhas frustrações. Ainda me pergunto se dentro de você existe o mesmo cara que ansiava pela minha companhia, achava pequenas oportunidades para uma conversa, sorria com o rosto afundado nas mãos, como se aquela sensação de êxtase fosse tão maravilhosa que escapava por entre seus dedos longos. Me pergunto se as lembranças te assombram como assombram a mim, e se eu ainda habito seus devaneios mais secretos. Hoje você ainda me olha, mas está longe de me ver. Você me escuta, mas já não sabe mais me ouvir. Hoje eu não sei mais da tua vida, e você nem faz questão de dividi-la comigo. Mas você sabe que eu me apego a detalhes. E a datas. Cada dia que passa, confirmo mais que tudo é um defeito meu, e não uma qualidade. Porque essas lembranças tem me matado mais do que uma grande dose de veneno tomada de uma vez só. Você nunca sentiu nada da mesma forma que eu, mesmo as coisas que você me ensinou a sentir. Não sei o que existe de 18 de Agosto de 2020 dentro de você ainda. Mas eu to aqui: tendo que te ver quase todo o santo dia, sem saber quem você é. São 6 anos que nos fizeram ir de estranhos para colegas e de colegas para amigos e por fim, para grandes amigos, quiçá confidentes. Mas foram os últimos 365 dias que nos fizeram ir de confidentes para grandes amigos que flertam, depois grandes amigos que se pegam, amigos que não querem sucumbir aos erros, para então colegas e agora estranhos. Só que são estranhos com lembranças.
Talvez só uma estranha com lembrança, e um estranho que tem um dom absurdamente rápido de esquecer uma história
- cold August rain










