when the party is over
A música estava abafada enquanto nos embrenhavamos na sala de biologia, as bancadas dispostas a nossa frente enquanto nossas mãos tratavam de uma conexão existente entre nós dois conforme as coisas esquentavam. A ergui sobre a bancada, o vestido de festa sendo colocado de lado tão rapidamente que parecia um vulto. Sua pele era quente e eu pensava sobre como me sentia especialmente sortudo por ter conquistado por uma noite a garota mais popular da escola. Éramos as duas pessoas mais cotadas a colocar aquela coroa horrorosa de plástico na cabeça, tudo porque nosso nome era o mais dito entre as bocas dos corredores. Falassem bem ou mal, éramos o trend topics. E naquele momento era quase um bônus dessa popularidade, quando me coloquei entre suas coxas. Estava no topo.
Estava no topo, mas não me sentia especialmente segura. O modo como ele sorria para mim, colocando meus fios soltos para trás da orelha, dizendo que estava tudo bem e que iríamos nos divertir apontava que eu devia relaxar, mas eu tinha medo de ser pega naquela sala de aula. O garoto mais conhecido da escola estava me dando uma chance, depois de todo o tempo que fiquei o espiando pelos corredores. Não sei porque ele achou que eu seria interessante ou especial. Quero que ele me visse como especial. Enquanto suas mãos adentravam a barra do meu vestido, eu praticamente torci para que aquela conversa de sentir uma conexão comigo fossem mais do que meras palavras e que seu coração também pulsasse tão forte quanto o meu. Suas palavras ecoavam em minha mente e eu dizia que sim, pois queria ser sua desde a primeira vez que avistei o seu sorriso no campo verdejante. O amor é podia ser doloroso.
O amor podia ser doloroso para outras pessoas, as que se deixavam se atingir por eles e afetar seu raciocínio. Me gabava de que era muito mais focado em fazer a minha fama e meu currículo do que me deixar ser guiado por assuntos sentimentais. Por isso, após a festa, eu e ela não tocamos mais no assunto. Os gemidos ficaram contidos naquela bancada e morreram quando saímos porta a fora, rindo de nossa capacidade de fingir que nosso sumiço não foi nada demais e que estávamos intactos ao ouvir nossos nomes e receber aquele vale-compras na J. Crew a qual nenhum dos dois deu realmente a mínima. Como o esperado, a vida continuou. Continuamos trocando alguns sorrisos no corredor, agora cada vez mais esporádicos. Me voltava para outras líderes de torcida, outras garotas modelo daquela escola, colocando ao mesmo tempo um ponto final no ocorrido e uma continuação na minha vida. Seguimos em frente, ao meu ver.
Ao meu ver, eu fui a única que não seguiu em frente. Porque meu coração ainda perdia uma batida quando o via pelos corredores. Garotos, garotas, quem quer que lhe agradasse a companhia naquele momento desfrutava de suas risadas, de seu toque, enquanto que a cada dia que passava, eu entrava mais e mais na neblina do esquecimento. Então ele não sentia de fato nada por mim. Eu fui a garota que ele deitou em uma mesa durante um baile e apenas isso. Tolamente, esperei mais do que era previsto, me restando engolir em seco, andar com meus amigos e tentar voltar a minha rotina de membro da banda da escola, enquanto eu não conseguia coordenação o suficiente para ser malabarista em frente a mesma, que era mais alguma coisa que eu tinha que me conformar. Nunca o destaque e sempre mais uma na multidão.
Nunca o destaque e mais um na multidão. Foi como me senti quando ela me negou qualquer aproximação. Tentei convencê-la a embarcarmos mais uma vez naquela aventura. Uns amassos embaixo da arquibancada, talvez algo a mais no vestiário. Mas nada parecia convencer a garota dos sonhos de que eu poderia, talvez, ser o cara dos sonhos também. Não adiantava eu ter a popularidade que eu tinha. Não adiantava eu ter a influência que eu tinha. Não adiantava eu lhe enviar flores e perguntar se podia passar em sua casa depois da aula. Ela simplesmente não queria mais me ver. Eu me tornei o nada.
Eu me tornei o nada, para me tornar tudo. Depois que entendi que as coisas só fariam sentido para mim quando eu me visse além de garotinha acuada, encontrei minha própria voz. Não precisava da validação de um dos meus primeiros amores. Eu precisava acreditar em mim mesma. E talvez fosse a minha cabeça erguida que magnetizou tudo ao meu redor e atraiu a atenção até mesmo de quem não me interessava mais a opinião. Ele pontuou que poderia viver sem mim em todas as suas atitudes. Era minha vez de tomar uma atitude e demonstrar que eu podia viver sem ele.










