Mar ou piscina?
Passo boa parte do meu tempo ansiando por uma piscina. Eu gostaria de relaxar na sua calmitude, assim como relaxo na maré baixa do mar. Mesmo sabendo que uma onda enorme, capaz até de me cobrir, pode aparecer a qualquer momento.
Mas, quando o mar está calmo, sinto culpa por desejar trocá-lo por algo mais previsível. Ele também é bom e, naquele momento, me faz sentir bem. No fundo, eu também tenho os meus dias ruins, agitados e raivosos.
Mas é aí que a maré enche, e eu tenho que lutar pela minha vida no meio daquele caos. Ondas imensas vindo sem parar em cima de mim, dentro de uma profundidade que eu não faço ideia de qual é.
E então me aparece uma piscina. Água parada, profundidade aparente e sem surpresas. Todos que estão em uma parecem ótimos e tranquilos.
Então eu entro.
No primeiro momento, tudo parece perfeito. Mais tempo se passa, e eu percebo que realmente não aparecerá nada. Nem uma sensação de adrenalina. Tudo parece tão monótono.
E percebo, por fim, que convivi tanto tempo com o mar, que me sinto errada por estar em algo tão tranquilo, algo que não me faz sentir nada.
E, por mais culpada que eu me sinta por deixar algo que nunca me fez mal, acabo voltando para o meu mar, que já me fez sofrer tantas vezes.
E, ainda assim, volto a ansiar por uma piscina. E a invejar quem tem uma.
- Maisa cmp









