Be My Mistake - Capítulo Sete
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Capítulo Seis / Capítulo Oito
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Futuro
A sala de reuniões cheirava a café e homens. Aquele cheiro de testosterona ao qual você estava se acostumando, já que era uma das duas mulheres da equipe. Você e Javi entraram na sala juntos, alguns olhares recaíram sobre vocês, incluindo o de Fede. Você ainda não conseguia perdoá-lo pelo que ele disse, mesmo que fosse verdade, você tinha dormido com Javi no Ano Novo.
“Talvez hoje Steve não brigue com a gente” Javi provocou Steve “Ou talvez só com você”
“Comigo?” você arregalou os olhos “Por que comigo, idiota? Foi você quem fez merda”
Você empurrou o ombro de Javi e ele quase caiu, mas você o segurou. Vocês dois estavam a centímetros um do outro. E quando percebeu, você deu um passo para trás e riu. A risada mais falsa que alguém poderia dar. Javier olhou para você e riu também, mas a dele era genuína.
“Babaca” ele murmurou
“Fracote” você murmurou de volta
“Calem a boca, os dois” Steve disse, como se vocês fossem crianças.
“Viu? Não conseguíamos passar um dia sem levar bronca do velho” Javi disse mais alto agora enquanto se sentava do outro lado da mesa. Fede já estava lá, observando toda a cena.
Você apenas riu enquanto Steve lançou um olhar atravessado para vocês dois. Ele sabia quando vocês estavam bem e quando não estavam. A montanha-russa era absolutamente exaustiva, não para ele, mas para vocês dois. Ele apenas acabava preso na troca de tiros.
“Vigilância” Steve começou “É isso que faremos o dia inteiro. Precisamos saber quem entra e quem sai daquela mansão, então nos separaremos em duplas”
Javier ficou animado e para você aquilo era agridoce. Ao mesmo tempo que queria ser a dupla dele, era perigoso demais. Vocês dois não podiam ficar sozinhos em uma sala. Não trocaram olhares. Não podia ficar tão óbvio assim. Mas Steve sabia. Ele sabia o quão perigoso aquilo podia ser.
“Agente Peña, você vai com Dominguez”
“Você” ele apontou para você “Vai com o agente Ernandes”
Steve continuou separando as equipes. Houve um momento em que você congelou, sabendo que ficar com Fede talvez abalasse as coisas entre você e Javi. Estava bom demais para ser verdade. Vocês dois não conseguiam viver em paz. Mas você repetiu seu mantra para si mesma: É só sexo. O maxilar de Javier se apertou ao pensar que você estaria com Federico dentro de um carro por horas.
“Teremos a primeira ronda esta tarde e a outra à noite” Steve olhou para vocês dois, ele sabia exatamente o que estava fazendo “Agente Peña e Agente Dominguez, vocês começam às oito da noite, então vocês dois, Agente Ernandes e” ele disse seu nome “Também”
Eram oito da noite quando os primeiros agentes saíram e vocês ocuparam seus lugares. Era um carro pequeno. O carro de Javi estava do outro lado da rua, um pouco distante. Ele conseguia ver você e Federico. Mas não havia nada que pudesse fazer. Você não conseguia ver Javi.
“Trouxe um sanduíche e um brownie para você” Fede sussurrou “Eu sei que você provavelmente não jantou”
“Obrigada” você olhou para ele, ele estava sorrindo, mas não havia felicidade ali
“Eu sinto muito pelo que disse” ele murmurou, continuando, a mão encontrando sua coxa “Eu nunca te chamaria de puta, você é a mulher mais fantástica que eu já conheci, e eu nem posso exigir qualquer tipo de fidelidade de você”
“Fede, Javi e eu somos apenas amigos e parceiros de trabalho” você tentou esconder a verdade o melhor que pôde
“Vocês parecem mais do que isso” ele passou a língua pelos lábios “Mas eu não vou questionar nada, só quero que as coisas fiquem bem entre nós”
“Eu aceito suas desculpas” você sorriu suavemente “Só por favor, deixa essa coisa do Javi para lá”
“Tudo bem” ele suspirou “Não vou tocar nesse assunto de novo”
“Obrigada” você olhou para a rua enquanto dava uma mordida no sanduíche
“Eu senti sua falta” Fede continuou, a mão deslizando pela sua coxa “Queria que estivéssemos em casa, não aqui trabalhando”
“Bem, não posso dizer que eu não queria isso também” você não olhou para ele, vigilância, aquele era o trabalho “Foca, Fede”
“Eu estou focado” a mão dele parou sobre sua buceta, por cima do jeans, acariciando
“Porra!” você gemeu
“Quer que eu pare?”
Fede queria beijar você, ele sabia que os ocupantes do outro carro podiam ver vocês. Ele queria que Javier visse o que fazia com você. E Javi estava vendo, o jeito que você parou como se algo estivesse acontecendo.
“Não” você sussurrou, a culpa consumindo você, não importava qual dos dois estivesse com você, era um sentimento que estava sempre ali
“Mantenha os olhos na estrada, linda” ele murmurou
A rua estava escura, iluminada apenas pelos postes. Seu carro estava estacionado sob um que não tinha luz, claro. Os dedos de Fede abriram seu jeans, a mão deslizando para dentro da sua calcinha, chegando lentamente à sua buceta molhada.
“Ainda fica molhada para mim” a voz dele estava baixa, cheia de desejo “Eu queria poder provar sua boca e sua buceta agora mesmo”
As palavras dele fizeram você derreter, dois dedos entrando em você, movendo-se devagar. Apenas fazendo você se acostumar, enquanto a palma da mão dele esfregava seu clitóris. A sensação fez você fechar os olhos e arfar. Fede sorriu de lado, olhando para a rua. Ele começou a mover os dedos, fazendo você gemer alto. O rádio estava desligado e não havia ninguém por perto.
Exceto Javi. Ele fingia observar a porta, mas na verdade conseguia ver o que Fede estava fazendo. Seu rosto. Ele conhecia aquele rosto como a palma da própria mão. Seu parceiro não conseguia suportar o fato de que Fede estava tocando você e não ele. Fazendo você morder o lábio e gemer do jeito que fazia com ele.
Fede continuou com os dedos, aproveitando cada pedaço do seu prazer, como se se alimentasse dele. O ritmo começou lento, mas logo aumentou, fazendo você morder o lábio e engolir os gemidos. Ah, se ele pudesse beijar você. Se pudesse provar você.
“Você é tão linda” ele sussurrou no seu ouvido “Tão minha”
Quando ouviu a última frase você congelou. Seu coração afundou e você continuou fingindo que estava gostando, mas tudo o que queria era sair daquele carro. Você não era dele, e nem sabia se queria ser.
“Tem alguém ali” Dominguez murmurou, abaixando o banco
“Merda!” Javier sibilou “Tem movimento lá dentro”
Vocês dois se assustaram com a voz de Javier no rádio. Fede olhou para a janela e a luz estava acesa agora. Rapidamente, você afastou a mão dele de você e voltou a comer o sanduíche, os dois fingindo conversar como um casal. Você ficou grata por isso. Ele levou os dedos que estavam dentro de você à boca e os chupou.
“Delicioso” ele sorriu de lado “Você não faz ideia”
“Meu Deus!” você deixou a cabeça cair para trás e deu uma risadinha
A pessoa que estava lá dentro saiu pela porta e vocês continuaram conversando de frente um para o outro. Steve havia aconselhado vocês a fazer isso caso alguém saísse. Não seriam reconhecidos e não pareceria suspeito. Fede olhava em seus olhos com um sorriso. De repente ele pegou uma mecha do seu cabelo e a colocou atrás da sua orelha.
“Você está levando o papel a sério demais” você sorriu
“Quem disse que estou atuando? Eu gostei que a gente pudesse fazer isso, queria que Murphy tivesse dito que eu podia te beijar”
Você revirou os olhos e riu de novo. Isso fez o coração de Javi afundar. O jeito que ele fazia você rir. Ele não tinha esse direito. Não tinha direito de tocar você nem de fazer você rir. Agora a mão de Fede voltou para sua coxa, mas você olhou diretamente nos olhos dele.
“Agora não, tudo bem?” você perguntou
“Tudo bem” ele respondeu, apenas passando o polegar sobre você
Depois de algumas horas, cansada pra caralho, graças a Deus tinha lembrado de levar energéticos, então pegou um e virou de uma vez. Sua mente continuava revivendo a véspera de Ano Novo, o quanto tudo tinha sido diferente. Javi tinha sido diferente, agora era difícil acreditar que aquilo tinha sido apenas sexo.
Mas tinha sido e o homem ao seu lado queria mais, queria você só para ele. No fim, não havia como se entregar completamente, porque metade de você estava com outro.
“O que você fará quando essa operação acabar?” Fede estava olhando para frente, a pergunta pegando você de surpresa
“Eu não sei” você balançou a cabeça, mordendo o interior da bochecha “Quer dizer, a gente só pensa em pegá-lo, mas acho que voltarei para os Estados Unidos. Eu tenho minha casa lá”
“Nunca pensou em ficar na Colômbia?” ele olhou para o seu rosto
“Não, eu tenho minha própria casa, sabe?” um sorriso fraco surgiu nos seus lábios ao ver a decepção estampada no rosto dele “Quer dizer, eu gosto daqui, mas sabe-”
“Eu sei” ele mordeu o lábio inferior e voltou a olhar para a rua “Só achei que você talvez tivesse vontade de ficar”
“Talvez, é cedo demais para dizer isso” você suspirou
“É?” ele ergueu as sobrancelhas
“Sim” você foi a primeira a voltar o olhar para a rua escura
Você gostava de Fede, mas ainda não tinha certeza se o queria como namorado ou para o resto da vida. Esse pensamento ainda não parecia certo, mas estava começando a se infiltrar no seu cérebro dia após dia.
O silêncio caiu entre vocês dois, o ar dentro do carro ficou pesado. E permaneceu assim até o sol começar a nascer. Fede dirigiu até o local onde os carros deveriam ser deixados e depois levou você para o prédio da DEA. Você sentiu a dor de não ser suficiente.
Javier seguiu o carro de vocês até a DEA. Ele percebeu o jeito que você ria quando estava perto de Fede, o jeito que ele olhava para você. No fundo queria ser capaz de fazer aquilo. Naquele momento desejou não conhecer sua risada, seu gosto, suas piadas ridículas, aquele sorriso lindo e sincero, o jeito que você gozava e o quanto beijava bem.
Outra pessoa conhecia tudo isso também, ele estava compartilhando tudo aquilo. Alguns meses antes era só dele. Ele tinha sido sortudo o bastante para ser o único, o único que sabia. Mas a culpa era toda dele.
Fede deixou você na DEA, seu carro estava esperando por você. Ele olhou para você pela primeira vez desde que você disse que não estava pensando em ficar.
“Vai dormir um pouco” a voz dele estava rouca “Temos o aniversário amanhã”
“Você também”
Houve um momento de silêncio. Foi desconfortável.
“Eu falei sério” ele murmurou, desviando o olhar
“Sobre o quê?” você perguntou já sabendo a resposta
“Sobre você ficar aqui” ele assentiu, virou as costas e foi embora.
Por um momento você apenas ficou ali, observando-o partir. Seu coração parecia pesar trezentos kilos. Por quê? O que você estava fazendo com ele? Por que não conseguia simplesmente se libertar?
Ficar na Colômbia. O pensamento parecia estranho. Era pesado, como se não fosse uma roupa que servisse em você. Era apertada demais ou pesada demais.
Você tinha uma vida em Boston, comprou uma casa, tinha sua família, uma rotina, amigos e colegas de trabalho. Pessoas que conheciam você muito antes de Bogotá, antes de Escobar, antes de Javier Peña e Federico Ernandes.
Mas então você lembrou que aqui tinha Fede. O homem que levava café da manhã na cama para você, elogiava tudo o que fazia, se importava com o futuro. Fede que olhava para você como se o amanhã só pudesse existir para ele se você estivesse nele.
E também havia Javi. Aquele que nunca perguntava sobre o amanhã, que nem conseguia se abrir. Mas que também se importava, ele nunca levava café da manhã na cama para você, ele fugia. Que se preocupava e protegeria você a qualquer custo. Alguém com quem você compartilhava uma intimidade que nunca teve com mais ninguém.
Ainda assim, mesmo diante de todas essas coisas, sempre que imaginava uma vida na Colômbia, o rosto de Fede não era o primeiro que vinha à sua mente.
A DEA deu a vocês um dia de descanso. Naquela manhã você acordou com o corpo nu de Fede atrás do seu. Ele acabou passando a noite na sua casa. Aparecendo algumas horas depois de você chegar.
Vocês dois ignoraram a conversa sobre ficar ou ir embora. Ele só queria você depois de semanas, precisava de você. Ele beijou seu pescoço para acordá-la, o polegar acariciando sua barriga.
Depois do café da manhã, você e Fede foram para a DEA, entrando juntos no prédio, e você viu Javier de costas para o corredor, ele não conseguia ver nenhum dos dois. E aquilo trouxe um alívio que você nunca tinha sentido antes.
Você entrou no escritório e sentou à sua mesa, ele não levantou os olhos, nem por um segundo. E aquilo doeu mais do que você imaginava. Steve não estava lá. Era o dia de folga dele, então eram apenas você e ele. E o elefante estava sentado entre vocês dois dentro daquela sala.
Quando o expediente estava quase terminando, Javier estava sentado sozinho na pequena cafeteria. Por um momento você hesitou, ele estava tão concentrado no café que era difícil saber se queria companhia.
Ignorando esse medo, você caminhou na ponta dos pés em direção a ele silenciosamente, e suas mãos encontraram a bunda dele, fazendo-o pular de susto.
“Que porra?” ele gritou
“Perdido na Javierlândia?” você riu e assim que ele viu você, os olhos dele se iluminaram
“Completamente” ele respondeu, recuperando o fôlego “E aí quase tive um ataque cardíaco”
“Por que você está tão quieto?” você perguntou, sentando-se de costas para a mesa, de frente para ele, seu dedo mindinho roçando a coxa dele
“Nada” ele olhou para a xícara de café, movimentando o líquido dentro dela “Eu só estou pensando demais nessa operação, é exaustiva”
“Eu sei, você está nisso há mais tempo do que eu” agora sua mão realmente tocou a coxa dele
“Sou grato por você estar aqui com a gente” a mão dele cobriu a sua
“Está dizendo que gosta de me ter por perto?” você no canto da boca, pressionando a língua contra a bochecha
“Sua idiota” ele empurrou seu ombro com o dele “Claro que sim, e você já sabe disso”
“Eu sei” você riu baixinho “Mas é bom ouvir”
“E você?” o rosto dele estava perigosamente próximo, se vocês não estivessem dentro da DEA provavelmente você o beijaria “Gosta da minha companhia?”
“Só quando você está de bom humor”
“Agora eu sou mal-humorado?” ele pareceu ofendido
“Às vezes…” você inclinou a cabeça
“Ah, qual é” ele riu “Você é uma TPM ambulante. Eu sempre carrego um KitKat comigo caso precise jogar em você quando ficar brava demais”
“Cala a boca, Javier Peña” você sorriu “Babaca”
“Um babaca sem o qual você não consegue viver” ele provocou
“Arrogante” você revirou os olhos
“Ei, a propósito” ele começou, procurando seus olhos “Por favor, durante a operação, não se coloque em perigo”
“Você não precisa se preocupar com-”
“Eu não preciso” ele interrompeu você “Mas eu me preocupo com você”
“Posso dizer o mesmo” seus olhos percorreram os olhos dele e depois os lábios
“Você não pode fazer isso aqui” ele murmurou, percebendo o movimento dos seus olhos
“Ah, aí está você!” você ouviu a voz de Fede
“Ei!” você olhou para ele em vez de olhar para Javi “Aqui estou!”
“Olá, agente Peña” a voz de Fede estava completamente sem emoção
“Oi, Federico” Javi murmurou, os olhos ainda em você
“Quer uma carona para o bar?” Fede perguntou
Antes de concordar com Fede, você olhou para Javi esperando que ele dissesse que levaria você. Mas ele não disse. Claro que não disse. Ele nunca lutaria por você. Você fingiu um sorriso e se levantou, deixando Javier sentado ali sozinho, como ele gostava de ficar.
“Você estava!” Steve apontou para Connie com a cerveja
Era o aniversário de Dominguez naquela noite, então ele escolheu comemorar em um bar. Um bem grande em Bogotá. Foi para lá que Fede levou você. Dentro do carro, seu colega tentou alguma coisa com você, mas toda vez que ele te tocava, tudo o que sentia era culpa.
Sentada do outro lado da mesa com seus colegas de trabalho, você sentia falta de alguém. Não tinha ideia se ele apareceria afinal. Fede descansou o braço no encosto da sua cadeira. A essa altura, todos suspeitavam que vocês tinham alguma coisa, mas não havia como você estar pronta para oficializar.
“Essa mulher tem olhos de águia” Fede riu ao seu lado
“Eu tenho?” você ergueu uma sobrancelha
“Tem, durante a vigilância você viu aquele cara imediatamente” você sentiu o polegar dele roçando seu ombro
“A Connie aqui também tem olhos de águia” Steve riu “Ela consegue ver uma única migalha que eu deixo cair no sofá”
Todo mundo caiu na gargalhada e você revirou os olhos junto com Connie. E naquele momento algo chamou sua atenção. Alguém entrou pela porta. Como um ímã, ele sempre atraía você. Bonito como sempre, caminhou até a mesa. Os olhos dele passaram por você e Fede enquanto se sentava do outro lado.
Era difícil não olhar para Javi. O jeito que ele falava, ria e fazia bagunça com todo mundo. Os olhos de Connie estavam em você o tempo inteiro, tentando descobrir o que estava acontecendo. Mas era difícil, nenhum dos dois tinha você por completo, mas os dois tinham alguma coisa.
Fede se levantou com Dominguez e os dois caminharam até o bar. O joelho de Javi roçou no seu e você ergueu os olhos. Um sorriso tentou aparecer em seu rosto, mas você o segurou. Babaca.
“Você parece cansada” Javi disse, sem soar ofensivo “Devia descansar”
“Obrigada por se preocupar” você respondeu, inclinando a cabeça “Você também parece cansado”
“Não tenho dormido muito ultimamente” o canto da boca dele se moveu, quase formando um sorriso, claro que ele não estava dormindo muito, vocês dois tinham passado noites juntos “Mas acho que você devia descansar”
A voz suave dele dirigida a você fez Connie e Steve trocarem olhares. Javier nunca tinha sido tão gentil assim antes, pelo menos não na frente deles. O jeito que ele olhava para você, até quando vocês estavam provocando um ao outro. Havia algo ali, e eles sabiam. Quando Javi percebeu que estavam notando, decidiu que era hora de mudar o tom.
“Da próxima vez Steve deveria montar sua melhor dupla” ele disse, piscando para você
“Vocês dois são uma dor de cabeça” Steve balançou a cabeça
“Aposto que são mesmo” Connie concordou, olhando para você “Os dois são problema”
“Ele é problema” você riu apontando para Javier “Obviamente, olha esse bigode!”
“Quem é problema?” Fede colocou uma garrafa de cerveja na sua frente
“Ela” Javier tomou um gole do uísque, provocando Federico
“Ela é mesmo” Fede respondeu “Trouxe sua favorita”
“Obrigada, Fede” você sorriu para ele
Por baixo da mesa, Fede deslizou a mão pela sua coxa. A visão fez Javi se levantar e caminhar até o bar. Você sabia o motivo. Seus amigos também. Ele pediu outra dose da bebida, tentando ignorar aquilo, mas era impossível. A mão dele estava em você. E você não parecia incomodada.
Ao mesmo tempo, você esperou que ele desviasse o olhar para observá-lo. Encostado no balcão observando as pessoas ao redor. Apenas Javier, uísque em uma mão, cigarro na outra. As mangas estavam dobradas, dois botões da camisa abertos e a gravata já afrouxada. Ele realmente era problema, e seu coração disparou. Tudo dentro do seu corpo pulsou.
O maior problema era que você queria ir para casa com ele. Talvez ter mais de uma noite. Pela primeira vez você aceitou que queria que aquele homem ficasse. Mas ele não podia. Javier nunca conseguiria se apaixonar.
Ao mesmo tempo, Fede estava ao seu lado conversando com Connie e Steve sobre Olivia. Sobre como ela estava se desenvolvendo. Rindo sempre que eles contavam alguma história fofa sobre a filha. Aquele homem queria um futuro, queria um futuro com você. Ele não era perfeito, mas estava disponível.
Por que era tão difícil entender que Fede era o homem certo para você? Que era ele quem sua mãe adoraria ver você casar? Na verdade, ele era quem provavelmente queria se casar com você. Mas não era ele quem fazia seu coração disparar daquele jeito. Esse era o homem sobre o qual sua mãe teria dúvidas, o homem que nunca se casaria com você.
“Você está bem?” Fede perguntou, os lábios roçando sua orelha enquanto você encarava a bebida
“Claro!” você assentiu “Só cansada”
Quando os homens foram jogar sinuca, você e Connie ficaram na mesa conversando. Descansando e observando todos aqueles “machos alfa” brigando por uma pequena bola. Era bem engraçado. Sua amiga encontrou a oportunidade perfeita para se inclinar para mais perto, os olhos indo de Fede para Javi.
“Você está em apuros, querida” ela murmurou, suavemente e em voz baixa
“Amiga, eu estou sempre em apuros” você quase riu, mas o rosto dela estava sério
“Não” ela balançou a cabeça “Você sabe do que eu estou falando”
Você seguiu o olhar dela. Javier estava rindo de algo que Dominguez disse, mas os olhos dele não estavam ali, ele não estava ali. Os olhos dele estavam em você. Sempre estavam em você. Mesmo quando ele tentava fingir o contrário. Mesmo quando dizia a si mesmo que não estava olhando.
“Connie…” você suspirou
“Não estou julgando você, querida” ela disse, suspirando logo depois “Mas eu conheço o Javier”
“Eu sei que conhece”
“Eu conheci homens teimosos que achavam que sentimentos eram doenças” ela balançou a cabeça “Eu namorei um”
“E o Fede?” você não conseguiu se segurar
Connie olhou para ele por um segundo. Ele estava conversando com o marido dela, com a equipe. Eles estavam comemorando, e então ela voltou o olhar para você.
“Fede é o tipo de homem que fica” a expressão dela dizia muito, e seu peito apertou
“E o Javi?” você fechou os olhos, já sabendo a resposta
Houve silêncio. Connie pensou por tempo demais, diferente de Fede. Havia hesitação. Javi era amigo deles, mas ela sabia quem ele era. Não podia mentir.
“Javi parece o tipo de homem que só percebe que quer ficar depois que a porta já esta fechada”
Em silêncio, você engoliu em seco olhando para a cerveja. A única coisa que conseguia ouvir eram os homens rindo ao fundo. E havia outra coisa ecoando na sua cabeça. A porta já estava se fechando.
Você agradeceu a Deus quando o bar começou a fechar, Dominguez e Steve estavam bêbados. Era engraçado ver Steve tão solto, ele sempre era tão sério. A única coisa que Connie conseguia fazer era revirar os olhos e balançar a cabeça. Javi estava provocando ele, fazendo piadas. Às vezes você entrava no meio, mas decidiu que era melhor apenas assistir.
Javier pagou a conta e se despediu rapidamente, deixando o bar. Você pagou a sua depois dos rapazes e quando saiu, ele estava lá, encostado na parede, fumando o quarto cigarro da noite.
“Oi!” você disse, a voz baixa
“Oi” ele ofereceu o cigarro para você e você aceitou uma tragada
“Se divertiu?” ele perguntou observando atentamente enquanto você tragava e soltava a fumaça
“Sim” você assentiu, mordendo o lábio “E você?”
“Um pouco” ele olhou nos seus olhos
“Eu só queria me despedir” havia tristeza e frustração nos seus olhos
“Indo para casa?” ele perguntou, dedos tocando os lábios
“Sim” você suspirou e assentiu
“Com ele?” os olhos de Javi desviaram para o carro de Fede
“Sim” você mordeu a bochecha esperando que ele perguntasse se você queria ir para casa com ele
“Bom”
Aquilo destruiu você. Mas não havia como deixar que ele soubesse disso, então você sorriu e assentiu. Ele precisava saber que para você também era apenas sexo. Você se virou e caminhou até o carro de Fede, onde ele estava conversando com Dominguez. Você lançou um último olhar para trás e viu os olhos de Javier em você.
Javier observou enquanto Fede ia embora levando você no carro. Ele sabia que era apenas sexo, até para você. Era assim que deveria ser. Na cabeça dele você já estava apaixonada por Fede e ele não seria o cara que ficaria com a boa garota no final. Ele não merecia a boa garota. E sabia que a culpa era dele, porque nunca tentou ficar com você.
No caminho para sua casa, você decidiu entregar a Fede seu corpo e agora seus sentimentos. Era sexo que Javi queria? Era isso que teria. Sexo e nada mais. Carinho, apenas como amigo.
Fede era manhã de domingo, com panquecas. Segurança. Futuro. Javi era meia-noite, com uísque e conversas pós sexo. Paixão. Viver o hoje.
Javier ficou ali por mais tempo depois que o carro desapareceu. O cigarro queimava entre seus dedos, a fumaça que tragava se espalhando pelos pulmões. Ele não conseguia se mover, não conseguia xingar. Afinal, não correu atrás de você. Apenas ficou parado encarando a rua vazia.
Dominguez chamou por ele da porta, bêbado e rindo. Javier iria levá-lo para casa. Não você. Ele levantou uma mão para mostrar que estava bem e que estaria lá em um minuto, mas não estava bem.
Pela primeira vez, o ciúme não continha raiva. Continha medo.
Porque Fede não estava apenas tocando você, não estava apenas levando você para casa ou dormindo com você. Ele estava se tornando alguém na sua vida. Alguém constante e confiável. Alguém com quem você podia sentar em silêncio e depois falar sobre o futuro sem engasgar com a palavra.
Javi deu uma última tragada e jogou o cigarro no chão, esmagando-o com o pé. Ele nunca quis ser esse homem antes.
Até você entrar na vida dele.
Se alguém tivesse dito a você, menos de um ano atrás, que naquela noite perderia os dois, você não teria acreditado. Talvez um deles. Nunca os dois.
Javi e Fede foram embora. E não havia mais espaço para desculpas.
Os três perderam alguma coisa naquela noite. Os três perderam alguém.
Um foi embora de coração partido.
Um foi embora com raiva.
E uma ficou sozinha em um telhado, se perguntando como tudo tinha dado tão errado.
A pior parte é que a culpa é toda sua.
Você foi quem amarrou o nó entre os três.
E agora era você quem segurava a corda depois que ela finalmente se rompeu.











