Estava rodeando o salão a algum tempo, já havia comido algumas coisas estranhas que havia encontrado, mas estava desanimada, sentia que estava perdendo tempo que poderia passar com Sky, Love e Hope. Ou no quanto eles adorariam estar ali, Love e Hope certamente iriam amar aquele vestido pra lá de caro que lhe foi dado, Sky provavelmente acharia engraçado que ela tivesse um vestido com uma cauda verde saindo da parte de trás, fazia o possível para não a mover, mas era inevitável que vez ou outra quando se virasse a cauda acabasse batendo em alguém sem querer tal como era agora. ❝Mil perdões! Ainda estou tentando me acostumar com essa cauda e essas roupas... Você está bem? Espero não ter te machucado ou te batido com muita força.❞
Era muito para assimilar. Novas pessoas, nova cultura, novas comidas, novo mundo.
A primeira semana consistiu basicamente em conhecer o palácio, uma rotina de treinamento básico para poderes e exercícios físicos, afinal, ninguém sabia qual era a localização exata das Chaves, mas o rei Andrath Aetrisse deu ordens expressas para que todos estivessem preparados para qualquer imprevisto que surgisse. Os convocados também foram avisados de que receberiam o treinamento formal, com instrutores e todas as armas do palácio à disposição, enquanto Aetrisse considerasse necessário. Como governante daquele mundo, era responsabilidade do rei garantir que aquela missão não fracassasse, porque o destino de todos estava nas mãos dos recém-chegados.
Roupas de treinamento foram deixadas nos quartos dos heróis da profecia durante todos os dias pela manhã, mas às tardes os jovens estavam livres para explorar as propriedades do castelo como bem quisessem. Biblioteca, jardins, cozinha, estábulos… Somente a ala do rei estava vedada, bem como uma ala mais mais meridional que diziam estar fechada há séculos.
Como atividades complementares, até mesmo algumas aulas sobre a história e a geografia de Eskye foram oferecidas. Aqueles que decidiram comparecer descobriram que a dimensão mágica estava viva há milhares de anos e as Chaves eram seus principais pilares. Eskye costumava exalar poder em sua Era de Ouro , quando os artefatos estavam posicionados em seu lugar de fato, mas há muito — quase mil anos, precisamente — que tinha deixado seu auge e, desde então, experimentavam a derrocada, com muitas cidades se deteriorando pela ausência das Chaves.
Os forasteiros também ficaram sabendo que raças diversas habitam o território eskyeno, nenhuma delas sendo a humana, muito embora alguns feéricos possam apresentar traços que se assemelham aos mortais.
No quarto dia, o rei decidiu que ofereceria um baile para os heróis. Nada foi poupado em homenagem aos terreais — como eram conhecidos, em Eskye, os habitantes da Terra. Vestidos e trajes dos mais finos foram entregues nos aposentos, enquanto o palácio ia se transformando em algo ainda mais surreal do que já era. Se nos primeiros dias Nelore parecia um castelo medieval acoplado à montanha e tendo a cachoeira como paisagem através dos arcos de gesso altos, naquela noite o lugar parecia arrebatador. O teto tinha sido encantado, e o universo pairava sobre eles a meros cinco metros do chão, com galáxias se movendo. Podia ser apenas ilusão de ótica, mas as estrelas brilhavam de forma bastante real para todos que estavam ali.
As flores de coloração lilás, azul e branca eram lírios do campo que trocavam de cor. A pele de todos os convidados parecia furtacor, ainda mais com os vestidos finos. Apesar do clima gélido, todos faziam uso de tecidos delicados e esvoaçantes cravejados de pedras preciosas — era magia na sua mais pura e existencial forma. A comida parecia com antepastos conhecidas na Terra, porém os sabores eram picantes, ou agridoces, e alguns outros sabores que eles nem sabiam que existiam, além das bebidas transparentes, mas borbulhantes. Além disso, havia o vinho feérico, que deixava os recém chegados bem mais alterados do que se esperava.
A música era o que mais se assemelhava às sinfonias como eles conheciam. Era um banjo estilizado em madeira branca, tambores e violino, que transformava a noite em algo divertido e animado. Já a arpa, a flauta e o piano acompanhavam algumas baladas e eram destaque em outras quando se tocava uma espécie de valsa, porém muito mais élfica. Eles não pertenciam àquele lugar, eram como figurinhas coladas em uma página errada. Mas era fácil de acostumar: tudo era lindo, tudo cheirava a magia e tinha gosto de estrelas. Era tudo muito bom para ser verdade. E às vezes era mesmo.
Parte de si sabia que não podia abaixar a guarda --- a outra ainda estava gritando, a plenos pulmões, que devia estar virado no jiraiya, em coma alcoólico depois de mais uma noitada em Buenos Aires ---, mas como podia ignorar a homenagem? Adorava festas: quando era convidado de honra, então... Leonardo não passava uma oportunidade de aparecer e, à medida em que se movimentava pelo Salão de Bailes, mais alterado do que o normal, ria a plenos pulmões e flertava com as mais diferentes espécies: os fios claros brilhavam à luz do luar e ele se sentia quase energizado, a efervescência do vinho adormecendo qualquer (pouca) inibição que tivesse. Oh, não o entendam mal: Leo estava em pânico, mas o vinho sempre foi capaz de deixá-lo mais relaxado. Depois de mais uma taça, levantou o indicador para a dama, no meio de uma risada, para acenar na direção do bar.
Algo o dizia para continuar se movimentando e, embora o mundo estivesse meio embaçado, Bellini conseguiu ultrapassar a série de obstáculos e encontrar o bar, debruçando-se sobre ele para pegar logo mais uma garrafa do vinho feérico, ciente que o bartender não estava nada feliz com a proatividade. “Onde eles põem a safra?” Franziu o cenho, pendendo a cabeça para o lado ao analisar o rótulo antes de dar de ombros, desarrochando a rolha, ou... Tentando. Cazzo, por que não ‘tava abrindo? Leo sentiu a garganta fechar no mesmo momento, frustração percorrendo as veias com certa rapidez. “Rola dar uma mãozinha?” Virou para a primeira pessoa à sua direita, suspirando mentalmente por se tratar de mais um humano, como ele. “Eles fecham de um jeito esquisito.” Acenou na direção da garrafa semiaberta, já praticamente a entregando para a pessoa. “Divido o lucro contigo, pode ser?”
Devia estar economizando. Já tinha reparado que a tal de Eskye tinha similaridades com o seu mundo, mas não tinha visto nenhum cigarro por enquanto. No entanto, era sua primeira festa desde... muito tempo. Puxando o enrolado de papel do decote ela abordou o primeiro humano que reconheceu. --- Você tem fogo?
Pilar fugiu da festa com uma garrafa de vinho e foi para o observatório, queria ficar sozinha por um tempo. Sua ficha estava caindo aos poucos, não tinha certeza se acreditava em toda aquela história de salvadores, não conseguia salvar a si própria, como salvaria um mundo mágico que não sabia da existência até cinco dias atrás? Estava sentada no chão, olhando para o céu um tanto quanto diferente até que ouviu passos em sua direção. - por favor, não me arraste de volta para aquela fiesta de mierda. - falou com o sotaque carregado. - estou tão cansada, isso tudo não faz nenhum sentido.
No more typing keystrokes on the keyboard and stay always your hand on your mouse device. push the 3d buttons icons on the desktop with your mouse or touch device and it will execute direct the autohotkey script (macro keyboard shortcuts) - No more to remember or search in menus for what keystroke combinations you must use.
" Yeah, that's the most interesting thing i've ever heard. Please, go on...No, this is my Interested face. What are you even saying? I'm never tired. "