sobre medos e ossos
Existe esse livro que eu to lendo. No final do segundo capítulo, depois de uma boa história, ele me manda desenterrar ossos. E eu fiquei pensando muito nisso, sobre desenterrar ossos. Na história, La Loba, desenterra ossos de lobos do deserto e canta pra eles. A música ressuscita e transforma.
Tenho encarado esses ossos como coisas com a qual eu não consigo lidar. E acabo de chegar a conclusão que todas elas estão, de alguma forma, relacionadas com o medo. Eu tenho muito medo o tempo todo. Eu tenho medo de estar sozinha. Tenho medo do escuro. Tenho medo de ferir pessoas que eu amo e medo daquilo que eu não conheço. É tanto medo que a minha cabeça começou a criar coisas.
Não nego que as coisas que eu sinto são reais. Parecem bem reais pra mim quando estão acontecendo.
Semana passada La Loba me visitou depois de um pesadelo. E foi me dito que o medo era a pior coisa que poderia me acontecer nessas ocasiões.
Eu tenho que exercitar essas coisas dentro de mim, pra que elas não me machuquem e não me atrapalhem.
No mesmo capítulo tinha outra história em que 4 homens viram uma coisa extraordinária e reagiram a ela de formas diferentes. 3 deles surtaram e não responderam bem à situação, mas o 1 que sobrou reagiu muito bem. Ele traduziu tudo aquilo que viu em forma de arte.
Eu quero ser esse 1 homem (só que melhor porque sou mulher rs). Eu quero traduzir meus medos em palavras que não vão ficar agarradas em mim. Quero ter a capacidade de conversar de outras formas sobre as coisas que me acontecem. Seja em forma de música, dança, ou até mesmo escrevendo.
Eu sei lá se um dia eu vou conseguir suturar todas as cicatrizes que me foram feitas ao longo dos anos da minha vida, mas espero que eu pelo menos consiga conviver com elas.
A autora do livro gosta de falar que La Loba é a mãe vida-morte-vida. Ela transforma a morte em vida, uma coisa que já teve uma vida antes. É isso que eu quero pros meus ossos. Quero ressuscita-los. Mas pra isso preciso que eles estejam mortos, pra fechar o ciclo, bem enterrados, pra que eu possa recuperá-los depois.














