𝗮𝘃𝗶𝘀𝗼𝘀: essa fanfic contém confronto físico, tensão verbal, menção breve a perda emocional e confronto corpo a corpo.
Nova York tinha um talento especial pra destruir qualquer tentativa de silêncio.
Mesmo no topo de um prédio, mesmo de madrugada, mesmo com Peter tentando ter pelo menos dois minutos de paz mental, lá vinha o som inconfundível de um alarme.
Joalheria. Bairro chique.
Ele rolou os olhos por trás da máscara.
— Claro, porque é exatamente isso que eu queria pra essa noite.
Balançou por entre as teias seguindo o barulho.
Ele chegou antes da polícia. Entrou sem ser visto.
A loja estava vazia… ou quase.
Ela se movia com a calma de quem já sabia como aquilo terminava.
Peter pousou entre ela e a saída.
— Ei. A festa é só com convite.
Ela sequer se virou. Só lançou um olhar por cima do ombro.
— Homem Aranha...
Peter se arrepiou com a voz da mulher. Ela tinha uma voz calma e sensual, não aparentou ficar com medo do herói, muito pelo contrário, abriu um longo sorriso.
— É um prazer finalmente te conhecer... — fala enquanto se aproxima em passos curtos.
Ele cruzou os braços.
— É meio tarde para uma dama estar sozinha numa loja de joias, você não acha? — diz apontando para entrada. — Não percebeu que está fechado?
— Nenhum lugar está fechado para mim.
— Acho que a prisão estará bem fechada para você.
Ela pegou um colar de diamantes, e ele percebeu um certo brilho nos olhos da platinada.
— Sinto muito, mas você não irá sair daqui com essas joias.
— E quem vai me impedir? — questiona com ironia.
Peter respirou fundo.
— Deixa as joias e ninguém precisa ir pro hospital.
Ela virou de frente, agora sorrindo. Um sorriso nem um pouco amigável.
— E se eu quiser um passeio de ambulância?
Antes que ele retrucasse, uma sirene soou ao longe, barulhenta, rápida.
Peter desviou o olhar. Meio segundo.
Quando voltou, ela tinha sumido.
— Mas que droga... — diz saindo do local para tentar alcançá-la.
Não levou muito tempo até encontrá-la.
Ela estava lá, no topo de um prédio iluminado por letreiros e anúncios.
Parada. Esperando.
Peter subiu com tudo, já lançando uma teia.
Ela desviou com elegância.
— Demorou, garoto aranha.
— É homem aranha — ele responde bravo. — Sabe que até agora nenhum vilão fugiu de mim né?
— E mesmo assim irá perder pra mim. Pobrezinho. — diz sarcástica.
A luta começou.
Golpes trocados. Garras contra punhos. Teias contra esquivas.
Ela era rápida, imprevisível, e parecia... se divertir.
Isso o deixou totalmente surpreso.
— Isso tudo por um punhado de colares? — ele gritou, desviando de um chute.
— Você luta por Nova York — ela respondeu, pulando por cima dele — eu luto por mim. A diferença é que eu tô ganhando.
Ele conseguiu prendê-la por um segundo com uma teia no tornozelo.
— Te peguei gatinha!
— Pegou nada.
Ela apertou um botão no pulso.
Um gás verde logo se espalhou pelo ar.
Peter tossiu, cambaleou.
— Quem é você...?
Ela andou devagar até ele, enquanto ele começava a travar.
— É, você devia estudar mais. Os vilões tão mais criativos hoje em dia. E pode me chamar de Gata Negra.
Ele caiu de joelhos, paralisado.
Ela se agachou na frente dele, a voz cheia de deboche quente:
— Tem potencial, Aranha. Só precisa ser menos... certinho.
— E você... menos criminosa.
— Isso tiraria toda a graça. — responde com um sorriso provocante.
E então sumiu na fumaça, na cidade, no escuro, como um problema novo que ele ainda não sabia se queria resolver ou perseguir.
Peter ficou ali, imóvel, o gosto do fracasso e da adrenalina misturados na garganta.