Lucas Lemos
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Lucas Lemos
"Eu me lembro de três homens. O primeiro deles é alguém de quem eu guardo um vídeo corriqueiro com carinho. É o que dirigia em vermelho, respondia a tudo com "batata" e era uma feriado em forma de homem.
O segundo era mais marginal, uma espécie de babaca juvenil. Tenho imagens dele bêbado guardadas em pastas antigas, uma espécie de prova de falta de caráter - dele, sempre dele. Eu nunca disse que o amava.
O terceiro eu disse que amava primeiro. Esse foi o meu erro em relação a ele. Ainda me lembro de como ele sempre me colocava para caminhar do lado mais distante da avenida quando andávamos pela calçada das ruas. O único dos três que jamais tirava os óculos, ainda que todos fossem míopes.
Apesar da cronologia de suas histórias, apenas um deles ocupa o indiscutível primeiro lugar de mim mesma. Uma certeza que jamais vou superar, embora já tenham se passado anos. Gosto de fantasiar que um dia o avistarei da esquina dos meus olhos, me encarando como se duvidasse do que visse.
Os outros dois, apesar da importância de seus rostos em meu corpo e minha mente, fortes demais para serem comparados a quaisquer outros homens que me tocaram, apesar disso, esses dois se alternam entre o segundo e o terceiro lugar do meu pódio miserável. Há dias em que é o homem protetor quem está em segundo. Outros, é o babaca quem é o vice.
Mas todos atearam fogo no prêmio. E é a isso que me atenho quando sou assaltada pela lembrança ingrata de seus rostos, alturas, semblantes, sobrancelhas e sorrisos. E é a isso que me seguro. Às suas faces incendiárias.
A vida tem dessas coisas.
Igraínne M.
No dia 15 de julho, o @arpbar recebe o jantar especial Tons de Mar, com menu em cinco etapas assinado pelo chef @lucaslemos3 em colaboração com @fabricioorigem e @lisianearouca, do Grupo Origem. Um encontro de sabores costeiros e técnicas baianas no coração de Ipanema. Reservas antecipadas pelo link na bio.
A coisa do tempo era o que me assolava. Ele regredia, parava, me alcançava, me subestimava. Eu não conseguia voltar. Não conseguia retroceder. Era uma onda irrefreável, como um tsunami no Rio de Janeiro. É assim que eu me sentia e ainda me sinto, Lemos. É assim que eu sempre vou me sentir, por todos os dias da minha vida até os dias não existirem. Você já sentiu algo assim por alguém? Eu às vezes acho que só as mulheres são capazes de sentir a esse ponto. Minha tia uma vez me contou do amor da vida dela, alguém que ela jamais vai superar. Acho que é um pouco assim comigo. A diferença, nesse caso, é que minha tia e seu amor terminaram pouco antes de ele sofrer um acidente e morrer na estrada. Eu tenho medo de nunca ter a chance de dizer pra você tudo que me ficou preso em 2015. Eu tenho muito medo. Então, se um dia você vier aqui, se um dia ler isso, mesmo que em mil anos, por favor, venha me dizer "Eu me lembro". E isso já será suficiente para mim. Eu não me importo mais com o que veio depois, do que ainda virá, nos anos que ainda me restam a partir de 2019. Eu não ligo. Eu seguirei lembrando, seguirei lembrando dos filmes que assistimos, do seu rosto e do seu tom de voz obscuro em um noite fria de São Paulo. Eu só queria que você lembrasse também. Mas as chances sempre estiveram contra mim.
Igraínne M.
Eu escrevi 45 mil poemas sobre você. Você aparece até mesmo em textos que são sobre outros homens. Aparece por trás das cortinas, insere-se entre as páginas, inaugura minhas lágrimas. Você morre de vez em quando. Desaparece sem deixar um rastro maior que um fino fio de cetim. Dá espaço às pessoas, as deixa passar a sua frente, gesticula para apropriar passagem. Eu não o culpo. Eu também faço isso. Eu também faço isso. Mas aí você reaparece, me olha de soslaio, me retorce na camada frágil e invisível da minha lembrança. Fica preso nas janelas da minha alma, um clichê que jamais saberei por em palavras. A sua felicidade não se demora. A minha, porém, já não é hora.
Igraínne M.
É penoso, é pesado, é insano Eu era todas as mulheres em uma só Eu desafiava, eu chorava 40 lágrimas Dia após dia Sem chover ou sem maresia Era São Paulo Era Rio de Janeiro Era Portugal Um trio de insanos homens Em complô imoral Um delinquente, um arquiteto e um enorme Capazes de me decaparem Com navalha, com estilete ou sem me chamarem Eu queria sofrer Eu queria desaparecer Mas vocês estavam, os três Focados em mim Em minha tirania Em minha magreza, Em minha incerteza.
Igraínne M.
Oi, Lucas Há muito tempo eu não escrevo sobre você. Coincidentemente, há muito tempo me proíbo de escrever sobre você. Mas não hoje. Porque esses dias têm sido complicados, confusos e nebulosos, exatamente como o seu cabelo costumava ser ao cobrir o meu rosto quando dormíamos juntos - ainda que tenhamos feito isso poucas vezes. Hoje eu só queria não me lamentar. Parte do meu cérebro sempre vai acreditar que a culpa por termos nos separado foi minha e não da distância. Que eu poderia ter sido mais compreensiva, menos impulsiva e menos intensa. Ter ido com mais calma, sabe? Essas coisas não fazem muita diferença. Mas às vezes acho que fizeram, à época. Eu não tenho mais depressão. Gostaria que soubesse. Sou uma pessoa quase feliz agora, a depender dos dias, como qualquer outra. Me livrei dos remédios, sigo mais satisfeita com minha carreira e meu futuro. Mas tem algo que não mudou. Você foi o amor da minha vida. Eu também nunca disse isso. E talvez eu não tenha sido nem seja o amor da SUA vida, mas isso não altera o que senti e o que sempre sentirei por você. Você foi o homem que me fez sentir uma certeza inigualável. Era você e eu sabia que era. Talvez por isso tenha me afobado. Porque eu sabia que era você. E que jamais o encontraria de novo em outro alguém. É verdade, namorei outra pessoa. Foi um relacionamento incrível, duradouro e bastante saudável. Porém, como todos os homens que vieram depois de você, eu sempre me ponho a pensar, quando acaba, em um único nome. O seu. Eu sei, você está feliz com ela. Eu desejo que você tenha em sua vida tudo aquilo que almejou. Eu desejo, porque você merece. Jamais me empurraria na direção do constrangimento. Eu não quero estragar algo tão incrível que você parece ter construído. Eu sei, eu sei, às vezes me incomoda como você parece chamá-la - era o modo como você me chamava, o que quase configura uma traição. Mas não tem problema, não tem problema. Só não me é permitido esquecer. E eu nunca vou esquecer. Já cansei de tentar. Sabe, Lucas. O amor cansa. Você deve ter visto a cena do "Me chame pelo seu nome", afinal você é um rato de Oscar. Você sabe do que eu estou falando. Às vezes me pergunto se você também lembrou de mim quando a assistiu; se chorou ao ouvir cada palavra do pai do protagonista, um discurso que configurava tudo aquilo que vivemos (ou só eu vivi) no verão de 2015. Mas como já disse, nada disso importa. Porque estou condenada a amar cada segundo e cada parte sua como se fosse a primeira vez novamente. E eu já entendi que não tem como eu quebrar esse sentimento, muito menos destruí-lo. O que me resta, hoje, é a lembrança. E preciso me agarrar a ela e agradecer, pelo menos, por ter tido a chance de conhecer o amor da minha vida. Muita gente não tem e nem nunca terá essa sorte. Com amor, Pequena.
Igraínne M.
De vermelho da cabeça aos pés Sou eu em terra de infiéis Escorrendo hemorragia inalterada Sou eu esperando você conquistá-la Queria eu afundar mar adentro Ser voz em altura Ter dois metros de loucura Adeus à mulher lamento Abraça-me por quatro dias Permita-me beijá-lo de trás pra frente Fazer sexo fervente Agarrá-lo em terra inebriante Senti-lo impacto incoerente.
Igraínne M.