Senhora das tempestades e dos mistérios originais
Quando tu chegas, a terra treme do lado esquerdo
Trazes a assombração, as conjunções fatais e as vozes negras da noite
Senhora do meu espanto e do meu medo
Senhora das marés vivas e das praias batidas pelo vento
Senhora do vento norte com teu manto de sal e espuma
Há uma lua do avesso quando chegas
Há um poema escrito em página nenhuma
Quando caminhas sobre as águas
Conjugação de fogo e luz e no entanto eclipse
Trazes a linha magnética da minha vida
Quando tu chegas, começa a música
Senhora dos cabelos de alga onde se escondem as divindades
Trazes o mar, a chuva, as procelas
Batem as sílabas da noite
Batem os sons, os signos, os sinais
Trazes a festa e a despedida
Senhora dos instantes com tua rosa dos ventos e teu cruzeiro do sul
Senhora dos navegantes com teu astrolábio e tua errância
Senhora do vento com teu cavalo cor de acaso
Teu chicote, tua ternura sobre a tristeza e a agonia
Galopas no meu sangue com teu cateter chamado Pégaso
Senhora dos teoremas e dos relâmpagos marinhos
Senhora das tempestades e dos líquidos caminhos
Quando tu chegas, dançam as divindades