Faltam alguns dias até meus 23 anos, e eu, sentei na minha cama, olhei pela janela e me lembrei daquela tarde que estava na sala da diretora, com as mãos e a camisa melada de sangue, olhando pela janela, vendo aquelas pessoas passarem e eu pensava se eu era normal, sentia todos os meus medos pulsando em minhas veias, assustada comigo mesmo, com o que tinha acontecido comigo e me perguntava se algo em mim tinha se destruído naquele momento. Dias depois, após analise, o diagnostico: “ Você passou a ter uma tendencia suicida, mas eu ainda não sei o que te faz desistir de fazer isso, mas seja o que for, você precisa manter isso.” Não sabia o que ainda estaria por vir, e eu calada, ou quase sempre calada, segurei a barra, mas olha pra mim, olha bem, olha o fracasso, as incontáveis escolhas e lutas que me fizeram morrer no final. Não queira esse trapo humano em sua vida. Olha as cicatrizes, atras desse rosto que você enxerga, existe um monstro, ferido e raivoso, prestes a atacar. Faço todos rirem, mas quando eu entro no meu quarto e me olho no espelho, o sorriso some, e, enfim, sou eu de novo, sendo eu mesma, sentado na cama olhando pela janela, decidindo o que fazer com a minha vida, se é que tenho uma.